A Starship entra em uma nova fase — agora mais séria

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  quinta-feira, 16/04/2026  
 
 
 
 
A Starship entra em uma nova fase — agora mais séria
Imagem: Reprodução/SpaceX
A Starship entra em uma nova fase — agora mais séria
Versão V3 se aproxima de teste

Mais perto

Bom dia! Paulo roberto barbosa junior

Finalmente vou trocar a fita dessa newsletter. O tema hoje não é Artemis (na verdade, mais ou menos rs). Ainda vamos manter o foco em foguete gigantes, mas o protagonista agora é outro: Starship, também conhecido como o maior foguete do mundo.

A Starship entra em mais uma fase importante — e, desta vez, com um pouco mais de motivo para acreditar que o próximo voo vai mesmo sair. Depois de meses sem voar, o megafoguete da SpaceX parece estar finalmente voltando ao trilho, ainda que, no caso da Starship, isso nunca seja sinônimo de calmaria.

O voo, previsto para acontecer entre o início e meados de maio, será o 12º teste integrado do programa e também a estreia da Starship V3, a nova geração do veículo. E esse não é um detalhe qualquer. A V3 carrega a promessa de ser a versão que aproxima a Starship daquilo que ela sempre prometeu ser no discurso: não apenas um protótipo impressionante, mas um sistema realmente capaz de mudar a escala dos lançamentos espaciais.

O sinal mais animador veio na noite de terça-feira, 14 de abril, quando a SpaceX realizou um teste estático de duração total com o estágio superior da V3. Em termos simples, a empresa acendeu os motores da nave ainda presa à base. Pode parecer apenas mais uma etapa técnica, mas esse tipo de teste é justamente o que dá alguma substância a um cronograma que, no universo de Elon Musk, costuma sempre vir embalado em otimismo demais.

A SpaceX realizou um teste estático de ignição de longa duração com o estágio superior do veículo Starship V3, que realizará o teste do Voo 12
V2 saiu sem deixar saudades, e a V3 parece maior e melhor

A V3 representa um avanço claro em relação à versão anterior. Quando empilhada com o propulsor Super Heavy, a nova Starship chega a 124,4 metros de altura, cerca de 1,2 metro a mais que a V2. Mas o que realmente importa não é o tamanho extra. O ponto central está nos novos motores Raptor 3, mais potentes, e nas mudanças feitas para aumentar a quantidade de propelente e melhorar o desempenho geral do sistema.

É aí que a conversa deixa de ser apenas estética e passa a ser estratégica. A SpaceX fala em uma evolução enorme de capacidade, com a V3 podendo levar mais de 100 toneladas à órbita terrestre baixa — e, em algumas estimativas, até perto de 200 toneladas em uma configuração totalmente reutilizável. Se essa promessa se confirmar, a Starship começa a sair do campo do espetáculo tecnológico e entra de vez no terreno da utilidade real. E essa sempre foi a aposta da SpaceX: não construir apenas o maior foguete do mundo, mas o mais transformador.

Representação artística do módulo de pouso Starship pousando na Lua com a futura missão Artemis 4
Esse foguete ainda vai para a Lua

Essa discussão fica ainda mais importante agora porque a Artemis 2 acabou de acontecer (como vocês já estão carecas de saber). Com isso, o programa Artemis entra numa fase mais delicada, em que já não basta apenas repetir um sobrevoo lunar — é preciso começar a testar as peças que realmente permitirão uma missão de pouso. É justamente aí que a Starship entra.

No plano atual da NASA, a Artemis 3, prevista para 2027, deve testar em órbita terrestre as operações de encontro e acoplamento entre a cápsula Orion e um ou mais módulos de pouso comerciais. Entre esses veículos está justamente a versão lunar da Starship, a Starship HLS. Em outras palavras: a Starship não é um detalhe do Artemis, ela é uma das peças centrais da arquitetura lunar da NASA. Sem ela funcionando bem, ou sem um substituto pronto, o caminho para colocar astronautas na superfície da Lua fica bem mais complicado.

Visão do plasma superquente fluindo sobre os motores da espaçonave Starship durante a reentrada. Crédito: SpaceX

Por isso, cada avanço da Starship fora do programa Artemis acaba tendo peso direto dentro dele. Quando a SpaceX testa motores, estrutura, sistemas de voo e capacidade de operação da V3, ela não está apenas tentando melhorar seu próprio foguete: está também tentando mostrar que consegue sustentar uma parte crucial dos planos lunares da NASA. É cedo para dizer que essa confiança já foi conquistada, mas a relação entre os dois programas está ficando cada vez mais concreta.

Ao mesmo tempo, seria ingênuo ignorar o histórico. Musk tem o hábito de tratar prazo como intenção, não como compromisso, e o programa Starship já mostrou várias vezes que o caminho entre teste bem-sucedido e lançamento real pode ser bem menos direto do que parece nas redes sociais. O voo que agora é esperado para maio já havia sido apontado antes para abril e antes disso para março. Isso não chega a ser surpresa, mas serve como lembrete: com a Starship, o avanço é real, só raramente é linear.

E talvez até mesmo para Marte

Mesmo assim, o momento parece melhor do que o de alguns meses atrás. Depois do último voo, em outubro de 2025, a SpaceX concentrou esforços em testes em solo, ajustes de infraestrutura e preparação dos primeiros veículos da nova geração. Houve atrasos, problemas técnicos e a necessidade de retrabalho, como quase sempre acontece nesse programa. Ainda assim, a sensação agora é a de que a V3 começa finalmente a sair da fase de promessa e entrar na fase de prova.

E essa prova importa muito. A Starship é peça central dos planos da SpaceX para a Lua, para o programa Artemis, para o lançamento em larga escala de satélites Starlink e para a ambição, ainda distante, de levar gente a Marte. Por isso, a estreia da V3 vale mais do que um teste isolado. Ela pode indicar se a empresa está, enfim, começando a transformar um foguete experimental em uma plataforma operacional.

No fim das contas, a Starship continua sendo o projeto espacial mais ousado da atualidade — e também um dos mais imprevisíveis. Mas, pelo menos agora, a terceira versão parece mais perto de um teste, aliás, quem aí também está com saudades de ver o maior foguete do mundo voando?

Rolou nessa semana!

Semana cheia, que já começou com um aniversário. “Houston, temos um problema”, uma das frases mais famosas da exploração espacial completou 56 anos. Entenda a história dela.

[ Danos no módulo de serviço da Apollo 13 fotografados após a separação, pouco antes do do retorno à Terra - Créditos: NASA ]

O cometa interestelar 3I/ATLAS, o terceiro objeto vindo de fora das fronteiras do nosso sistema já detectado, está expelindo uma quantidade massiva de água em sua passagem pelo Sol

Representação artística do cometa interestelar 3I/ATLAS em atividade de criovulcanismo. Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini/ChatGPT

possibilidade de formação de um El Niño em 2026 já mobiliza centros meteorológicos internacionais e chama atenção para os impactos que o fenômeno pode provocar sobre o clima, a produção de alimentos, os recursos hídricos e a saúde pública. Eu fiz uma matéria especial analisando isso, confira.

Fique de olho!
  • No domingo, 18, tem um alinhamento de quatro planetas Saturno, Marte, Mercúrio e Netuno. O fenômeno será mais favorável para observadores do Hemisfério Sul, pouco antes do nascer do Sol
  • Já no dia 20, a sonda Lucy sobrevoa o asteroide 52246 Donaldjohanson. Este asteroide é o segundo de 10 que a sonda da NASA  estudará como parte de sua missão
  • No dia 22 de abril acontece o pico da chuva de meteoros Líridas, com até cerca de 18 meteoros por hora em condições ideais.
  • Já no dia 23 a Lua Crescente chega às 23h33

É isso, pessoal! Voltamos na semana que vem.

Sugestões e críticas podem ser enviadas para lucas....@olhardigital.com.br. Nos vemos na próxima sexta! Bom fim de semana!

Lucas Soares

Editor de ciência e espaço do Olhar Digital

 
 
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