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Imagem: Reprodução/SpaceX
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| A Starship entra em uma nova fase — agora mais séria |
| Versão V3 se aproxima de teste |
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Mais perto
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Bom dia! Paulo roberto barbosa junior
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Finalmente vou trocar a fita dessa newsletter. O tema hoje não é Artemis (na verdade, mais ou menos rs). Ainda vamos manter o foco em foguete gigantes, mas o protagonista agora é outro: Starship, também conhecido como o maior foguete do mundo.
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A Starship entra em mais uma fase importante — e, desta vez, com um pouco mais de motivo para acreditar que o próximo voo vai mesmo sair. Depois de meses sem voar, o megafoguete da SpaceX parece estar finalmente voltando ao trilho, ainda que, no caso da Starship, isso nunca seja sinônimo de calmaria.
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O voo, previsto para acontecer entre o início e meados de maio, será o 12º teste integrado do programa e também a estreia da Starship V3, a nova geração do veículo. E esse não é um detalhe qualquer. A V3 carrega a promessa de ser a versão que aproxima a Starship daquilo que ela sempre prometeu ser no discurso: não apenas um protótipo impressionante, mas um sistema realmente capaz de mudar a escala dos lançamentos espaciais.
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O sinal mais animador veio na noite de terça-feira, 14 de abril, quando a SpaceX realizou um teste estático de duração total com o estágio superior da V3. Em termos simples, a empresa acendeu os motores da nave ainda presa à base. Pode parecer apenas mais uma etapa técnica, mas esse tipo de teste é justamente o que dá alguma substância a um cronograma que, no universo de Elon Musk, costuma sempre vir embalado em otimismo demais.
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A SpaceX realizou um teste estático de ignição de longa duração com o estágio superior do veículo Starship V3, que realizará o teste do Voo 12
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| V2 saiu sem deixar saudades, e a V3 parece maior e melhor |
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A V3 representa um avanço claro em relação à versão anterior. Quando empilhada com o propulsor Super Heavy, a nova Starship chega a 124,4 metros de altura, cerca de 1,2 metro a mais que a V2. Mas o que realmente importa não é o tamanho extra. O ponto central está nos novos motores Raptor 3, mais potentes, e nas mudanças feitas para aumentar a quantidade de propelente e melhorar o desempenho geral do sistema.
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É aí que a conversa deixa de ser apenas estética e passa a ser estratégica. A SpaceX fala em uma evolução enorme de capacidade, com a V3 podendo levar mais de 100 toneladas à órbita terrestre baixa — e, em algumas estimativas, até perto de 200 toneladas em uma configuração totalmente reutilizável. Se essa promessa se confirmar, a Starship começa a sair do campo do espetáculo tecnológico e entra de vez no terreno da utilidade real. E essa sempre foi a aposta da SpaceX: não construir apenas o maior foguete do mundo, mas o mais transformador.
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Representação artística do módulo de pouso Starship pousando na Lua com a futura missão Artemis 4
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| Esse foguete ainda vai para a Lua |
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Essa discussão fica ainda mais importante agora porque a Artemis 2 acabou de acontecer (como vocês já estão carecas de saber). Com isso, o programa Artemis entra numa fase mais delicada, em que já não basta apenas repetir um sobrevoo lunar — é preciso começar a testar as peças que realmente permitirão uma missão de pouso. É justamente aí que a Starship entra.
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No plano atual da NASA, a Artemis 3, prevista para 2027, deve testar em órbita terrestre as operações de encontro e acoplamento entre a cápsula Orion e um ou mais módulos de pouso comerciais. Entre esses veículos está justamente a versão lunar da Starship, a Starship HLS. Em outras palavras: a Starship não é um detalhe do Artemis, ela é uma das peças centrais da arquitetura lunar da NASA. Sem ela funcionando bem, ou sem um substituto pronto, o caminho para colocar astronautas na superfície da Lua fica bem mais complicado.
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Visão do plasma superquente fluindo sobre os motores da espaçonave Starship durante a reentrada. Crédito: SpaceX
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Por isso, cada avanço da Starship fora do programa Artemis acaba tendo peso direto dentro dele. Quando a SpaceX testa motores, estrutura, sistemas de voo e capacidade de operação da V3, ela não está apenas tentando melhorar seu próprio foguete: está também tentando mostrar que consegue sustentar uma parte crucial dos planos lunares da NASA. É cedo para dizer que essa confiança já foi conquistada, mas a relação entre os dois programas está ficando cada vez mais concreta.
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Ao mesmo tempo, seria ingênuo ignorar o histórico. Musk tem o hábito de tratar prazo como intenção, não como compromisso, e o programa Starship já mostrou várias vezes que o caminho entre teste bem-sucedido e lançamento real pode ser bem menos direto do que parece nas redes sociais. O voo que agora é esperado para maio já havia sido apontado antes para abril e antes disso para março. Isso não chega a ser surpresa, mas serve como lembrete: com a Starship, o avanço é real, só raramente é linear.
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| E talvez até mesmo para Marte |
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Mesmo assim, o momento parece melhor do que o de alguns meses atrás. Depois do último voo, em outubro de 2025, a SpaceX concentrou esforços em testes em solo, ajustes de infraestrutura e preparação dos primeiros veículos da nova geração. Houve atrasos, problemas técnicos e a necessidade de retrabalho, como quase sempre acontece nesse programa. Ainda assim, a sensação agora é a de que a V3 começa finalmente a sair da fase de promessa e entrar na fase de prova.
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E essa prova importa muito. A Starship é peça central dos planos da SpaceX para a Lua, para o programa Artemis, para o lançamento em larga escala de satélites Starlink e para a ambição, ainda distante, de levar gente a Marte. Por isso, a estreia da V3 vale mais do que um teste isolado. Ela pode indicar se a empresa está, enfim, começando a transformar um foguete experimental em uma plataforma operacional.
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No fim das contas, a Starship continua sendo o projeto espacial mais ousado da atualidade — e também um dos mais imprevisíveis. Mas, pelo menos agora, a terceira versão parece mais perto de um teste, aliás, quem aí também está com saudades de ver o maior foguete do mundo voando?
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| Rolou nessa semana! |
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Semana cheia, que já começou com um aniversário. “Houston, temos um problema”, uma das frases mais famosas da exploração espacial completou 56 anos. Entenda a história dela.
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[ Danos no módulo de serviço da Apollo 13 fotografados após a separação, pouco antes do do retorno à Terra - Créditos: NASA ]
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O cometa interestelar 3I/ATLAS, o terceiro objeto vindo de fora das fronteiras do nosso sistema já detectado, está expelindo uma quantidade massiva de água em sua passagem pelo Sol.
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Representação artística do cometa interestelar 3I/ATLAS em atividade de criovulcanismo. Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini/ChatGPT
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A possibilidade de formação de um El Niño em 2026 já mobiliza centros meteorológicos internacionais e chama atenção para os impactos que o fenômeno pode provocar sobre o clima, a produção de alimentos, os recursos hídricos e a saúde pública. Eu fiz uma matéria especial analisando isso, confira.
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| Fique de olho! |
- No domingo, 18, tem um alinhamento de quatro planetas Saturno, Marte, Mercúrio e Netuno. O fenômeno será mais favorável para observadores do Hemisfério Sul, pouco antes do nascer do Sol
- Já no dia 20, a sonda Lucy sobrevoa o asteroide 52246 Donaldjohanson. Este asteroide é o segundo de 10 que a sonda da NASA estudará como parte de sua missão
- No dia 22 de abril acontece o pico da chuva de meteoros Líridas, com até cerca de 18 meteoros por hora em condições ideais.
- Já no dia 23 a Lua Crescente chega às 23h33
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É isso, pessoal! Voltamos na semana que vem.
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Sugestões e críticas podem ser enviadas para lucas....@olhardigital.com.br. Nos vemos na próxima sexta! Bom fim de semana!
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Lucas Soares
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Editor de ciência e espaço do Olhar Digital
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