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Imagem: Shutterstock
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| Terras raras, lixo eletrônico e visão de futuro: a pesquisa brasileira que foi buscar valor onde quase ninguém olha |
| Terras raras no Brasil |
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Entenda a pesquisa
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Boa tarde, Paulo roberto barbosa junior
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Você deve ter visto essa semana a notícia de que uma empresa americana comprou a responsável pela única mina que produz e processa terras raras no Brasil. Apesar de ter a segunda maior reserva do mundo, o Brasil extrai muito pouco desses elementos raros, em um desafio que mistura falta de invesitmento, falta de infraestrutura e fatores políticos. No entanto, existe bastante gente pesquisando sobre isso no Brasil.
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Hoje vou falar de uma pesquisa brasileira que extrai terras raras a partir de lâmpadas fluorescentes . Porque essa história não fala só de laboratório. Ela fala de tecnologia, dependência externa, lixo eletrônico, transição energética e de uma pergunta que o Brasil deveria fazer com muito mais frequência: por que a gente ainda desperdiça materiais valiosos como se fossem só lixo?
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As terras raras são fundamentais para boa parte das tecnologias que movem o presente e o futuro — de celulares e telecomunicações a turbinas eólicas e carros elétricos. O problema é que esses metais são difíceis de obter, a mineração é cara e poluente, e a cadeia global continua concentrada, sobretudo na China.
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É por isso que a pesquisa chama atenção. Em vez de olhar apenas para jazidas e mineração tradicional, ela olha para um resíduo comum, tóxico e muitas vezes mal descartado: a lâmpada fluorescente.
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E ali há valor.
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Conversei com o professor Sidney Ribeiro, do Instituto de Química de Araraquara da Unesp, líder da pesquisa, que resumiu bem o problema. “As lâmpadas fluorescentes têm uma quantidade razoável de terras raras e, além de tudo, elas têm mercúrio.” Em seguida, ele dá o tom exato da contradição: “É um horror, tanto pelo aspecto poluidor da presença do mercúrio quanto pela presença das terras raras com alto valor agregado.”
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É uma frase forte porque mostra o centro da questão. A lâmpada fluorescente é, ao mesmo tempo, passivo ambiental e reserva de material estratégico.
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Terras raras são essenciais para baterias de carros elétricos, turbinas (Imagem: Fellipe Abreu/iStock)
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Segundo o pesquisador, “numa lâmpada, a grosso modo, a gente tem um por cento da massa da lâmpada total constituído de compostos de terras raras”. Pode parecer pouco, mas deixa de parecer quando ele acrescenta: “Faz sentido quando você pensa que são um milhão de lâmpadas que são comercializadas por ano no Brasil e só um por cento é reciclado.”
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| Ao invés de descartar, reaproveitar |
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Esse talvez seja o ponto mais interessante da pesquisa: ela parte da ideia de que resíduo também pode ser estoque. Em vez de tratar o descarte apenas como fim de linha, passa a tratá-lo como fonte secundária de insumo. É a lógica da mineração urbana funcionando de forma concreta.
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Ribeiro coloca isso de forma muito direta: “Faz sentido a gente aproveitar o que a gente chama de lixo eletrônico, ou mineração urbana, e a partir do lixo urbano extrair as terras raras.” E completa: “Uma parte da nossa demanda poder ser suprida pela reciclagem.”
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Leia mais:
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Diante disso, a chamada mineração urbana — baseada na recuperação de materiais valiosos a partir do lixo eletrônico — passou a ser vista como uma estratégia complementar de abastecimento. “Faz sentido a gente aproveitar o que a gente chama de lixo eletrônico, ou mineração urbana, e a partir do lixo urbano extrair as terras raras”, disse o professor. “Uma parte da nossa demanda poder ser suprida pela reciclagem.”
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lampadas fluorescentes
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A pesquisa ainda chama atenção pelo método. Em vez de apostar só em processos químicos convencionais, os pesquisadores usam bactérias em um processo de biolixiviação para ajudar a solubilizar os metais. É uma saída mais alinhada com a ideia de sustentabilidade e economia circular — e também uma tentativa de enfrentar um obstáculo técnico real.
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Como o próprio Ribeiro explica, “dissolver aquele pó na lâmpada fluorescente é uma tarefa difícil para um químico”. Em outro trecho, ele detalha: “Esses compostos precisam ser dissolvidos, precisam ser atacados quimicamente para a gente recuperar a terra rara.”
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| Biomineralização |
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É aí que entra a biomineralização. “A gente recentemente tem utilizado a biomineralização”, diz ele. Depois resume de forma simples: “É uma bactéria que produz ácido sulfúrico.” E conclui: “Essa bactéria é usada para mineração de rejeitos de mineração, e a gente está testando em lâmpadas fluorescentes.”
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A pesquisa não resolve o problema das terras raras no Brasil. Não substitui a mineração, não elimina a dependência externa e não abastece a indústria em larga escala. Mas aponta uma direção muito mais inteligente do que a velha lógica de extrair, consumir e descartar.
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No fim, a boa notícia não é só que brasileiros extraíram terras raras de lâmpadas fluorescentes.
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A boa notícia é que alguém resolveu olhar para o lixo e enxergar ali uma reserva de valor, uma resposta ambiental e uma oportunidade industrial ao mesmo tempo.
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| Rolou essa semana! |
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Essa semana rolou o pico da chuva de meteoros Líridas. Confira as principais fotos nessa matéria do Olhar Digital.
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Um meteoro lírida enfeita o céu na província de Alberta, no Canadá, junto com as auroras boreais
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Recentemente, novas análises do asteroide Bennu detectaram que a água esteve presente no objeto espacial, porém, por canais estreitos, o que dividiu o seu material em diferentes zonas químicas. O principal autor da pesquisa, que compartilha esses achados, é Mehmet Yesiltas.
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Amostra analisada tem apenas 121,6 gramas (Imagem: NASA/Erika Blumenfeld e Joseph Aebersold
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E a NASA decidiu desligar o instrumento Low-Energy Charged Particles (LECP) da Voyager 1 para conservar energia e manter a sonda espacial funcionando. A medida foi tomada após uma queda significativa nos níveis de energia observada durante uma manobra de rotina em fevereiro.
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Voyager 2
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| Fique de olho! |
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No sábado (25), o cometa C/2025 R3 PANSTARRS atinge seu brilho máximo e pode ser observado com binóculos em locais escuros.
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É isso, pessoal! Voltamos na semana que vem.
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Sugestões e críticas podem ser enviadas para lucas....@olhardigital.com.br. Nos vemos na próxima sexta! Bom fim de semana!
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Lucas Soares
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Editor de ciência e espaço do Olhar Digital
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