Contamos com a presença das companheiras da Rede
Entre as homenageadas duas jornalistas: Rose Nogueira e Vilma Amaro
Convite
Uma festa da democracia
Sessão solene Medalha "Mulheres pela democracia"
8 de abril de 2022 -19 horas
Câmara Municipal de Diadema
Av. Antônio Piranga,474,Centro
Entre as homenageadas: Dilma Rousseff
A Câmara Municipal de Diadema realiza no dia 8 de abril, a partir das 19 horas, homenagem às mulheres que lutaram pela democracia contra o arbítrio e em defesa dos direitos humanos. Entre as que serão homenageadas está a ex -presidenta Dilma Rousseff. A primeira mulher a assumir a presidência do país e que foi violentamente perseguida por setores de direita com apoio externo e acabou sofrendo injustamente um impeachment sob alegações falsas e mentirosas.
Foi um momento deprimente e vexatório da História do Brasil quando deputados e senadores sob pretextos mais descabidos e ridículos votaram por seu afastamento.
Mas, diante da iniciativa desta brava Câmara Municipal de Diadema de homenagear, nós, as mulheres que, entre tantas, lutaram pela democracia e os direitos humanos- violentados na ditadura por perseguições e torturas - é preciso lembrar também da luta heroica dos metalúrgicos da região do ABCD, entre eles os de Diadema.
Depois de um período de massacre dos trabalhadores com o regime instaurado em 1964 com prisão de lideranças ,fechamento de sindicatos, exclusão de partidos, censura, a região do ABCD , a partir do fim dos anos 70, foi como uma brisa alentadora para os movimentos políticos e sociais do país.
Integrada por sete municípios, a região pode ser considerada o berço da redemocratização , ao lado dos trabalhadores de todo o país que se juntaram para assegurar sua voz e direitos. Foram os metalúrgicos de São Bernardo, Diadema, Santo André e São Caetano que realizaram a primeira greve geral por reajuste salarial, depois da memorável greve de Contagem em 1968 duramente reprimida. Os metalúrgicos do ABCD paralisaram suas atividades em assembleias realizadas pelos três sindicatos dessas cidades. A greve enfrentou dura repressão. Em 1979 foram 200 mil os trabalhadores que cruzaram os braços nas grandes indústrias automobilísticas do ABCD e fábricas de autopeças. O movimento teve apoio de amplos setores da sociedade: da Igreja Católica, artistas, estudantes, intelectuais e de outras categorias que no d
ecorrer de 1979 e 80 também paralisaram suas atividades.
A adesão era tão grande que as assembleias já não cabiam na sede dos Sindicatos e foram transferidas para o estádio de Vila Euclides em São Bernardo. Foram momentos memoráveis da luta dos trabalhadores que se irradiou por todo o país.
As greves na região foram reprimidas com violência pela Polícia Militar, além de grupos paramilitares infiltrados que promoviam toda sorte de provocações. Houve intervenção no Sindicato, prisões de lideranças e do próprio presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de SBC, Luiz Inácio Lula da Silva.
No início, de caráter economicista com reivindicações salariais, as greves passaram a ter um caráter politico de luta pela democracia contra a ditadura. Muitas mulheres trabalhadoras em indústrias metalúrgicas participaram desses movimentos. Um ponto culminante foi a passeata das mulheres pela volta das negociações, interrompidas pelos patrões durante 41 dias em que os operários resistiram bravamente. Para aguentar a falta de alimento na mesa criaram um Fundo de Greve que recebia doações de amplo setores da população.
O ABCD tornou-se o centro político do país. Essas conquistas acabaram se cristalizando na criação de um partido -o PT- Partido dos Trabalhadores em 1980 e na CUT -Central Única dos Trabalhadores.
Como resultado dessa mobilizações e da criação de novo partido- por iniciativa dos trabalhadores e com o apoio da ampla maioria da população, Diadema elegeu o primeiro prefeito do PT do país, o sindicalista Gilson Menezes, um grande lutador em defesa da classe trabalhadora e que se destacou nas greves então realizadas.
Todas essas lutas resultaram em mudanças politicas no país, a partir da década de 80, exigindo do governo, abertura politica.
Surgiram novos partidos, movimentos sociais, toda a sociedade passou a se organizar por seus direitos. E foi dessa aspiração por mudanças, tantos anos represada pelo arbítrio, que surgiu a necessidade de um novo ordenamento jurídico. O resultado foi a Constituição cidadã de 1988.
E a história mais recente, muitos jovens conhecem. Veio a eleição de Lula e a população foi estimulada a participar das decisões de Estado. No mandato popular de Lula, grandes mudanças foram realizadas , voltadas para o fim das desigualdades, ao fim da miséria, promovendo o acesso de milhões de brasileiros à saúde, educação, ao alimento, à habitação, à universidade, ao lazer e à cultura.
Nessa efervescência politica, de afirmação e apoio às mulheres, oprimidas durante décadas ( e hoje novamente oprimidas), o Brasil elege em 2010 a primeira mulher para a presidência: Dilma Rousseff. Nossa presidenta realizou um governo democrático, justo, mirando os segmentos mais vulneráveis e o desenvolvimento do país.
Fruto desses grandes êxitos, o Brasil deu-lhe um merecido segundo mandato. E, então, os segmentos mais atrasados do país, com evidente apoio externo, não permitiram que concluísse seu governo. Os boicotes , em especial no Congresso, foram generalizados. Setores de direita demonstraram em fakes e nas redes sociais todo seu ódio, preconceito, misoginia contra uma mulher presidenta. Eles não podiam admitir um governo independente, de afirmação social e que recebia o respeito do mundo pela defesa da soberania nacional. Dilma foi perseguida de todas as maneiras, de certa forma repetindo a tortura que tinha recebido nos porões da ditadura. Mas a tudo resistiu com dignidade e coragem.
A realidade hoje todos conhecem: Lula e muitos políticos e pessoas progressistas foram ferozmente perseguidos pela vaza-jato e instrumentos do lawfare por um juiz que não pensou na nação brasileira, mas em atender a outros interesses sabe-se de lá de quem.
Mas, como mentira tem perna curta, Lula teve reconhecida sua inocência e hoje pode disputar novamente o governo do país. Não será tarefa fácil, pois sabemos os métodos que os investidos do atual poder utilizam: fakes e ameaças de todo tipo.
E, nesse sentido, as mulheres, em especial, terão um papel importante, ao lado de Dilma Rousseff para assegurar a vitória dos candidatos populares e progressistas.
Lembrando que, do ABCD partiram as lutas que levaram ao processo democrático do pais, nós as homenageadas pelos ilustres vereadores da Câmara Municipal de Diadema consideramos muito positiva a iniciativa do vereador Josa Queiroz , aprovada pela maioria dos vereadores.
Será um momento memorável, de uma Câmara que mostra sua independência, seu alinhamento com as lutas populares. Honrando essas tradições de luta pela democracia e direitos humanos, realiza homenagem a mulheres que enfrentaram a repressão. Muitas não sobreviveram, mas as que resistiram e conseguiram sobreviver à tortura, à repressão e às violências, estão aqui, modestamente, para receber esta homenagem emocionante da Câmara Municipal de Diadema. Estão presentes em nome de todas as que foram barbarizadas na ditadura, que morreram por feminicídio, e que hoje morrem pelo descaso com que este governo tratou a covid. E pelas muitas que disputam ossos para não morrerem de fome e que enfrentam a carestia, o desemprego, a misoginia, a falta de perspectivas.
Os tempos se afiguram difíceis e com obstáculos que, novamente, exigem de todos, tenacidade e coragem para superar as tentativas de massacrar o povo e os trabalhadores brasileiros.
Com o louvável exemplo desta homenagem, a Câmara Municipal de Diadema reconhece em nossos nomes, a luta de todas as mulheres brasileiras no período mais sombrio de nossa história.
É com a garra das mulheres -que a nossa querida presidenta Dilma soube tão bem representar -que chegaremos, novamente, ao governo deste país. Para uma aragem refrescante, para uma vida de alegria, e para construir uma nova era de afirmação e construção de um Brasil justo e soberano.
Dessa forma, querida presidenta Dilma, nós e a população trabalhadora da região do ABCDMRR saudamos esta homenagem a sua luta incansável pela democracia. Uma mulher de fibra que não se dobrou nem perante os agente torturadores da ditadura na sua juventude nem às violências que lhe foram perpetradas com um impeachment que prejudicou toda a Nação brasileira . E que hoje sofre as consequências de um governo articulado pela direita nacional e internacional.
Ao tomar a decisão de realizar esta homenagem e afirmar o seu compromisso com a democracia e os direitos humanos, a Câmara Municipal de Diadema dá um grande exemplo ao país. Esse reconhecimento das lutas das mulheres é um marco importante por lembrar que a história se faz com sofrimento, mas também com tenacidade e coragem.
E feliz o município que pode contar com uma Câmara Municipal atenta aos principais momentos da história de sua cidade e do país e que vislumbra as dificuldades que ainda é preciso superar, mas que não se curva à passividade. Uma Câmara que trabalha com ânimo e afinco para que novos tempos possam surgir , ao lado das trabalhadoras e trabalhadores e de todos que desejam um mundo mais humano e feliz.
Presidenta Dilma, o dia 8 de abril em Diadema será uma grande festa da democracia, aqui nesta linda e acolhedora cidade. O ABCD , de tanta história memorável, precisa neste momento da força e coragem de uma mulher que nunca se rendeu aos opressores e que reúne a sabedoria forjada em enfrentamentos e conflitos que suportou com galhardia.
Diadema, 31 de março de 2022
Homenageadas:
Dilma Rousseff
Clara Charf
Crimeia Alice Schmidt
Maria Amélia de Almeida Teles
Maria Júlia de Oliveira Lobo
Rosemeire Nogueira
Vilma Amaro
Maria Aparecida Pedra Kopcak (in memoriam)
Grata pela atenção
Vilma Amaro
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vilma...@uol.com.br