DOMINGO 16 DE NOVEMBRO Evangelho segundo Mateus 25, 14-30 -

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Mônica Lopes (PFP ASP)

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Nov 16, 2014, 8:52:14 AM11/16/14
to Pastoral Fé e Politica - Arquidiocese SP
DOMINGO 16 DE NOVEMBRO Evangelho segundo Mateus 25, 14-30
 
Reflexões: Arrisca tua Vida – Unisinos
                      Vigiai – Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa
talentos3 «Acontecerá como um homem que ia viajar para o estrangeiro. Chamando seus empregados, entregou seus bens a eles. A um deu cinco talentos, a outro, dois, e um ao terceiro: a cada qual de acordo com a própria capacidade. Em seguida, viajou para o estrangeiro.
 
O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. Do mesmo modo o que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas, aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão.
 
Depois de muito tempo, o patrão voltou, e foi ajustar contas com os empregados. O empregado que havia recebido cinco talentos, entregou-lhe mais cinco, dizendo: "Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. O patrão disse: "Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria’. Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: "Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. O patrão disse: "Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais.
 
Venha participar da minha alegria’. Por fim, chegou  aquele que havia recebido um talento, e disse: "Senhor, eu sei que tu és um homem severo pois colhes onde não plantaste, e recolhes onde não semeaste. Por isso, fiquei com medo, e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. O patrão lhe respondeu: “Empregado mau e preguiçoso! Você sabia que eu colho onde não plantei, e que recolho onde não semeei. Então você devia ter depositado meu dinheiro no banco, para que, na volta, eu recebesse com juros o que me pertence’. Em seguida o patrão ordenou: "Tirem dele o talento, e dêem ao que tem dez.  Porque, a todo aquele que tem, será dado mais, e terá em abundância. Mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a esse empregado inútil, joguem-no lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes».
 
(Correspondente ao domingo 33º do ciclo A do ano liturgico).

talentos4Arrisca tua vida
 
Locutor: Ricardo Machado
 
 
Estamos no final do Evangelho de Mateus, um pouco antes da parábola conhecida como parábola do Juízo Final, que teremos na próxima semana, na festa de Cristo Rei do Universo.
 
O capítulo 25 do Evangelho apresenta, por meio de parábolas, a vinda futura do Filho do Homem e as atitudes adequadas para esperá-lo: a vigilância como é narrado da parábola das dez virgens e compromisso da caridade (parábola dos talentos e critérios de julgamento das ações).
 
A parábola dos talentos que é lida e escutada nas celebrações deste domingo é uma das mais populares. Seu lugar tanto no evangelho como no fim do ano litúrgico oferece uma orientação para sua interpretação. Somos convidados a uma interpretação escatológica, o fato de ter bem investidos os talentos.
 
Ao ler o texto evangélico “literalmente” podemos pensar que Deus é injusto porque procura aquilo que aparentemente não entregou nem colocou sobreaviso para que o talento entregue seja acrescentado. Podemo-nos perguntar por que ele culpa o terceiro por tê-lo enterrado?
 
Como foi dito por Raymond Gravel, sacerdote de Quebec, Canadá  falecido no ano passado, no seu comentário bíblico semanal, “Ousar arriscar a fé”, devemos lembrar que “na lei rabínica da época, enterrar era considerado a proteção mais segura contra os ladrões; aquele que enterrava, ao recebê-lo, uma garantia, um depósito, estava dispensado de qualquer responsabilidade. Por isso, na parábola de Mateus, o talento não é mais o dinheiro, mas a fé dos servos, dos discípulos de Cristo”.
 
Se a fé é enterrada, morre, perde seu valor, deixa de ser fé, porque a fé é arriscar a vida. Por isso esta parábola está nos convidando a abrirmos e conhecer mais profundamente o valor desses talentos recebidos. Conhecer também as diferentes respostas que podem ser oferecidas e entrar assim nesse mistério da ação de Deus, seja em nossas vidas assim como em nossas comunidades.
 
Centremos, inicialmente, nossa atenção no homem que vai viajar e entrega aos servos os talentos. Os bens que possui e são distribuídos são de um grande valor, cerca de 2kg de ouro cada um. É uma quantia considerável! Mas o senhor confia em seus empregados e está perfeitamente a par de suas capacidades. Ele entrega a cada um deles, quantias que, a seu juízo, poderão administrar.
 
Por isso o empregado é considerado pelo dono como um empregado folgado e negligente: ele prefere não arriscar o que foi recebido. A imagem de um Deus severo, “que colhes onde não plantaste, e recolhes onde não semeaste” não ajuda para reconhecer os dons recebidos.
 
Esse medo não lhe favorece o compromisso com seus projetos e suas necessidades. A falta de uma relação de amor, de confiança, não permite que arrisque sua vida caminhando por novas trilhas.
 
Neste momento do texto podemos perguntar-nos: Quais são os dons, os presentes, que eu tenho recebido? A imagem de Deus que eu vivo favorece que os reconheça? Deus nos concedeu o dom da vida e junto com ele entregou-nos também a incomensurável riqueza da sua própria Vida, em Jesus Cristo, seu Filho, de cuja plenitude "recebemos, graça sobre graça" (Jo 1,18).
 
E ele confiou em todos/as nós para fazermos depositários/as de seu Espírito de Amor que em cada um/a se expressa de forma única e original, embora seja o "único e mesmo Espírito que o realiza, concedendo a cada um diversos dons pessoais segundo a sua vontade" (1 Cor 12, 11).
 
Pensando nisto também podemos perguntar-nos: somos capazes de reconhecer os talentos das pessoas que estão ao nosso redor? Que pessoas nos têm confiado seus bens, suas riquezas, seus temores, suas aspirações? Temos sido objeto de confiança ou de indiferença, se não de desconfiança?
 
Recentemente os Bispos reunidos num Sínodo sobre a Família divulgaram um documento que trouxe perguntas desafiadoras. Escreve o padre James Martin, redator da revista América, dos jesuítas dos EUA: “O Sínodo também faz perguntas, desafiando dioceses e paróquias: ‘Os homossexuais têm dons e qualidades para oferecer à comunidade cristã: somos capazes de acolher essas pessoas, garantindo-lhes um espaço fraterno em nossas comunidades? Muitas vezes, eles querem encontrar uma Igreja que ofereça-lhes um lar acolhedor. As nossas comunidades são capazes de oferecer isso, aceitando e valorizando a sua orientação sexual, sem comprometer a doutrina católica sobre a família e o matrimônio?" (Texto disponível em O Sínodo: uma mudança impressionante, publicado pelo IHU nas Notícias do Dia 15 de outubro de 2014.)
 
O fato de confiar a uns mais e a outros menos talentos não significa amar a uns mais que a outros: uma parábola deve ser considerada, não em suas particularidades, mas como um todo e dentro do contexto geral do Evangelho.
 
Deus manifesta seu amor incondicional para cada pessoa e a originalidade e mistério que comporta este amor. Diversa quantidade de talentos distribuídos sublinha a ideia de que somos diferentes, devendo, por isso mesmo, complementar-nos, como bem nos ensina Paulo a respeito da diversidade dos dons e dos carismas (cf 1 Cor 12). Deus não faz distinção de pessoas e ama a todos/as como um Pai que ama seus filhos ou como uma mãe, como disse o Papa Francisco. Por isso a comparação com as outras pessoas não entra na lógica de Deus e menos ainda julgá-los/as!
 
Nossa pergunta deve ser como cooperamos, entregando e arriscando os talentos recebidos para colaborar na construção do Reino de Deus?
 
Na riqueza desta parábola apreciamos também que Deus não supre a nossa liberdade nem dela prescinde, mas conta com a nossa total disponibilidade. Em razão de sua operosidade, os dois são largamente recompensados: "Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria".
 
Pela parábola, Mateus nos apresenta um Deus feliz e alegre que recompensa homens e mulheres, tornando-os partícipes de sua festa que começa na terra e culmina na eternidade. Podemos, assim, dizer que, com nossa liberdade, construímos nossa eternidade.
 
Qual tem sido o rendimento das riquezas pessoais que Deus nos concedeu ao longo da vida?
 
Detenhamo-nos, um instante, na justificativa que o terceiro empregado alega para sua conduta. Começa por ocultar o real motivo de seu fracasso, desculpando-se com o fato de que o patrão, sabidamente, é muito exigente.
 
Mas a verdade é que o medo de arriscar paralisou-o, levando-o a ocultar numa cova o talento recebido. Ora, amar é arriscar-se, expor-se, estar disposto a dar a vida, não omitir-se!
 
Lembremos que neste final de semana, 16 de novembro, se cumprem 25 anos da morte do Pe. Ignacio Ellacuría, seus companheiros jesuítas e duas mulheres assassinadas junto com eles. Junto com eles lembramos todas as pessoas que no mundo inteiro são assassinadas pelo seu compromisso com o Evangelho e sua entrega generosa. Eles/as souberam reconhecer os talentos recebidos e os fizeram crescer transformando-se em profetas da justiça e da verdade defendendo com sua vida os pobres e denunciando as estruturas injustas que os oprimiam.
 
Ao partilhar conosco sua causa e seu Reino, Deus nos convida a sermos não meros expectadores,  mas protagonistas com Ele, fazendo nossa a sua proposta. Quem a julga arriscada demais, enterra o seu talento... mas perde o Reino!
 
Também me é dirigido o convite a dispor livremente de minha vida a serviço de Deus e do próximo. Qual é a minha resposta?
 
Oração
 
Mas há a vida
Mas há a vida que é para ser intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.
 
Clarice Lispector
 
Referências:
 
BARBAGLIO, Giuseppe; FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. Os Evangelhos. São Paulo: Lyola, 1990.
KONINGS, Johan. Espírito e mensagem da liturgia dominical. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia. 1981.
MIRANDA, Mario de França. A salvação de Jesus Cristo. São Paulo: Loyola, 2005.

talentos1Vigiai

 

Fonte: Meu Domingo (Material para reflexão  enviado semanalmente pelo Pe. Antonio Geraldo Dalla Costa)

 

Ao aproximar-se o final do Ano Litúrgico, a Liturgia nos convida a estarmos prontos a prestar conta a Deus da administração dos bens que ele nos concedeu. É um apelo à VIGILÂNCIA para a vinda do Senhor, que pode vir a qualquer momento em nossa vida.
 
A Parábola refere-se à Vinda do Senhor Jesus, no final dos tempos...
O "Senhor" representa Jesus, que antes de deixar este mundo, para viajar de volta ao Pai, deixou os seus "Bens" aos discípulos. 
 
Os Talentos são os "bens" que Jesus deixou na sua Igreja:  o Evangelho, a sua mensagem de salvação;  o Batismo, a Eucaristia e todos os sacramentos,  seu amor pelos pobres, sua atenção para os doentes...
 
Os Servos, depositários desses bens,  são os discípulos de Jesus, somos todos nós, que  devemos produzir na medida de nossas possibilidades...
 
Depositários dos Bens de Cristo... Nós somos agora no mundo as testemunhas de Cristo e do projeto de salvação que o Pai tem para os homens.
- É com o nosso coração que Jesus continua a amar os publicanos e os pecadores do nosso tempo;
- É com as nossas palavras que Jesus continua a consolar os que estão tristes e desanimados;
- É com os nossos braços abertos que Jesus continua a acolher os imigrantes que fogem da miséria e da degradação;
- É com as nossas mãos que Jesus continua a quebrar as cadeias que prendem os escravizados e oprimidos;
- É com os nossos pés que Jesus continua a ir ao encontro de cada irmão que está só e abandonado;
- É com a nossa solidariedade que Jesus continua a alimentar as multidões famintas do mundo e a dar medicamentos e cultura àqueles que nada têm… 
talentosO que a Parábola nos diz hoje?
 
A Parábola mostra a grande responsabilidade de quem se omite, deixando que os bens do Senhor permaneçam infrutíferos, privando desta forma a comunidade e o mundo dos frutos a que têm direito.
- Os "servos" da parábola, que frutificaram os "bens",  nos mostram como devemos proceder: 
    • Eles lutaram, esforçaram-se, arriscaram, ganharam...
    • Não se deixaram dominar pelo comodismo e arriscaram... 
    • Não devemos nos deixar dominar pelo comodismo e ter a coragem de lutar contra a injustiça e propor os valores do Evangelho; 
    • Não aceitar que os "grandes" decidam os destinos do mundo e lutar contra os projetos desumanos que desfiguram esta terra; 
    • Não aceitar que a Igreja se identifique com a riqueza, com o poder e torná-la mais pobre, mais simples, mais humana, mais evangélica; 
    • Não aceitar que a liturgia deva ser sempre tão solene que assuste os mais  simples, nem tão etérea que não tenha nada a ver coma vida do dia a dia...
- E o servo, que enterrou os "bens", mostra como não devemos proceder:  contentar-se com o que se tem e não querer mais, por medo ou covardia...  Não fazer render os "bens" que Deus nos confiou... não dar frutos...   Como usamos os talentos que o Senhor nos confiou?
 
- Em muitas comunidades encontramos pessoas ricas de talentos...   de estudo, de tempo e de recursos... mas não se doam aos outros... Dizem que não tem tempo, não tem jeito...   e não fazem nada pela comunidade...
 
- No entanto, encontramos pessoas pobres, humildes, muito ocupadas...   e com pouco ou nenhum estudo, que se entregam com generosidade a serviço da Comunidade: nas pastorais, nos movimentos e no serviço de caridade... * No fim de nossa vida, o que desejamos ouvir? "Servo bom e fiel... vem participar da minha alegria..."  ou "Servo mau e preguiçoso... Servo inútil... joguem-no fora...  na escuridão... onde haverá choro e ranger de dente?"
 
A Escolha será nossa!...                         

Meditada por:

 Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa CS


 
Pastoral Fé e Política
Arquidiocese de São Paulo
A partir de Jesus Cristo em busca do bem comum
 
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