DOMINGO 16 DE
NOVEMBRO Evangelho segundo Mateus 25, 14-30
Reflexões: Arrisca tua
Vida – Unisinos
Vigiai – Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa
«Acontecerá como um homem
que ia viajar para o estrangeiro. Chamando seus empregados, entregou seus bens a
eles. A um deu cinco talentos, a outro, dois, e um ao terceiro: a cada qual de
acordo com a própria capacidade. Em seguida, viajou para o
estrangeiro.
O empregado que havia recebido cinco
talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. Do mesmo modo o
que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas, aquele que havia recebido um
só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu
patrão.
Depois de muito tempo, o patrão
voltou, e foi ajustar contas com os empregados. O empregado que havia recebido
cinco talentos, entregou-lhe mais cinco, dizendo: "Senhor, tu me
entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. O patrão
disse: "Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na
administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da
minha alegria’. Chegou também o que havia recebido dois talentos, e
disse: "Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que
lucrei’. O patrão disse: "Muito bem, empregado bom e fiel! Como
você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito
mais.
Venha participar da minha alegria’.
Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse:
"Senhor, eu sei que tu és um homem severo pois colhes onde não
plantaste, e recolhes onde não semeaste. Por isso, fiquei com medo, e escondi o
teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. O patrão lhe
respondeu: “Empregado mau e preguiçoso! Você sabia que eu colho onde não
plantei, e que recolho onde não semeei. Então você devia ter depositado meu
dinheiro no banco, para que, na volta, eu recebesse com juros o que me
pertence’. Em seguida o patrão ordenou: "Tirem dele o talento,
e dêem ao que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, será dado mais, e
terá em abundância. Mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado.
Quanto a esse empregado inútil, joguem-no lá fora, na escuridão. Aí haverá choro
e ranger de dentes».
(Correspondente ao domingo 33º do ciclo A do ano
liturgico).
Arrisca tua vida
Locutor: Ricardo
Machado
Estamos no final do Evangelho de Mateus,
um pouco antes da parábola conhecida como parábola do Juízo Final, que teremos
na próxima semana, na festa de Cristo Rei do Universo.
O capítulo 25 do Evangelho apresenta, por
meio de parábolas, a vinda futura do Filho do Homem e as atitudes adequadas para
esperá-lo: a vigilância como é narrado da parábola das dez virgens e compromisso
da caridade (parábola dos talentos e critérios de julgamento das
ações).
A parábola dos talentos que é lida e
escutada nas celebrações deste domingo é uma das mais populares. Seu lugar tanto
no evangelho como no fim do ano litúrgico oferece uma orientação para sua
interpretação. Somos convidados a uma interpretação escatológica, o fato de ter
bem investidos os talentos.
Ao ler o texto evangélico
“literalmente” podemos pensar que Deus é injusto porque procura aquilo
que aparentemente não entregou nem colocou sobreaviso para que o talento
entregue seja acrescentado. Podemo-nos perguntar por que ele culpa o terceiro
por tê-lo enterrado?
Como foi dito por Raymond Gravel,
sacerdote de Quebec, Canadá falecido no ano passado, no seu comentário
bíblico semanal, “Ousar arriscar a fé”, devemos
lembrar que “na lei rabínica da época, enterrar era considerado a
proteção mais segura contra os ladrões; aquele que enterrava, ao recebê-lo, uma
garantia, um depósito, estava dispensado de qualquer responsabilidade. Por isso,
na parábola de Mateus, o talento não é mais o dinheiro, mas a fé dos servos, dos
discípulos de Cristo”.
Se a fé é enterrada, morre, perde seu
valor, deixa de ser fé, porque a fé é arriscar a vida. Por isso esta parábola
está nos convidando a abrirmos e conhecer mais profundamente o valor desses
talentos recebidos. Conhecer também as diferentes respostas que podem ser
oferecidas e entrar assim nesse mistério da ação de Deus, seja em nossas vidas
assim como em nossas comunidades.
Centremos, inicialmente, nossa atenção no
homem que vai viajar e entrega aos servos os talentos. Os bens que possui e são
distribuídos são de um grande valor, cerca de 2kg de ouro cada um. É uma quantia
considerável! Mas o senhor confia em seus empregados e está perfeitamente a par
de suas capacidades. Ele entrega a cada um deles, quantias que, a seu juízo,
poderão administrar.
Por isso o empregado é considerado pelo
dono como um empregado folgado e negligente: ele prefere não arriscar o que foi
recebido. A imagem de um Deus severo, “que colhes onde não plantaste, e recolhes
onde não semeaste” não ajuda para reconhecer os dons recebidos.
Esse medo não lhe favorece o compromisso
com seus projetos e suas necessidades. A falta de uma relação de amor, de
confiança, não permite que arrisque sua vida caminhando por novas
trilhas.
Neste momento do texto podemos
perguntar-nos: Quais são os dons, os presentes, que eu tenho recebido? A imagem
de Deus que eu vivo favorece que os reconheça? Deus nos concedeu o dom da vida e
junto com ele entregou-nos também a incomensurável riqueza da sua própria Vida,
em Jesus Cristo, seu Filho, de cuja plenitude "recebemos, graça
sobre graça" (Jo 1,18).
E ele confiou em todos/as nós para
fazermos depositários/as de seu Espírito de Amor que em cada um/a se expressa de
forma única e original, embora seja o "único e mesmo Espírito que o realiza,
concedendo a cada um diversos dons pessoais segundo a sua vontade" (1 Cor 12,
11).
Pensando nisto também podemos
perguntar-nos: somos capazes de reconhecer os talentos das pessoas que estão ao
nosso redor? Que pessoas nos têm confiado seus bens, suas riquezas, seus
temores, suas aspirações? Temos sido objeto de confiança ou de indiferença, se
não de desconfiança?
Recentemente os Bispos reunidos num Sínodo
sobre a Família divulgaram um documento que trouxe perguntas desafiadoras.
Escreve o padre James Martin, redator da revista América, dos jesuítas dos EUA:
“O Sínodo também faz perguntas, desafiando dioceses e paróquias: ‘Os
homossexuais têm dons e qualidades para oferecer à comunidade cristã: somos
capazes de acolher essas pessoas, garantindo-lhes um espaço fraterno em nossas
comunidades? Muitas vezes, eles querem encontrar uma Igreja que ofereça-lhes um
lar acolhedor. As nossas comunidades são capazes de oferecer isso, aceitando e
valorizando a sua orientação sexual, sem comprometer a doutrina católica sobre a
família e o matrimônio?" (Texto disponível em O Sínodo: uma
mudança impressionante, publicado pelo IHU nas Notícias do Dia 15 de outubro de
2014.)
O fato de confiar a uns mais e a outros
menos talentos não significa amar a uns mais que a outros: uma parábola deve ser
considerada, não em suas particularidades, mas como um todo e dentro do contexto
geral do Evangelho.
Deus manifesta seu amor incondicional para
cada pessoa e a originalidade e mistério que comporta este amor. Diversa
quantidade de talentos distribuídos sublinha a ideia de que somos diferentes,
devendo, por isso mesmo, complementar-nos, como bem nos ensina Paulo a respeito
da diversidade dos dons e dos carismas (cf 1 Cor 12). Deus não faz distinção de
pessoas e ama a todos/as como um Pai que ama seus filhos ou como uma mãe, como
disse o Papa Francisco. Por isso a comparação com as
outras pessoas não entra na lógica de Deus e menos ainda
julgá-los/as!
Nossa pergunta deve ser como cooperamos,
entregando e arriscando os talentos recebidos para colaborar na construção do
Reino de Deus?
Na riqueza desta parábola apreciamos
também que Deus não supre a nossa liberdade nem dela prescinde, mas conta com a
nossa total disponibilidade. Em razão de sua operosidade, os dois são largamente
recompensados: "Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu
lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha
alegria".
Pela parábola, Mateus nos apresenta um
Deus feliz e alegre que recompensa homens e mulheres, tornando-os partícipes de
sua festa que começa na terra e culmina na eternidade. Podemos, assim, dizer
que, com nossa liberdade, construímos nossa eternidade.
Qual tem sido o rendimento das riquezas
pessoais que Deus nos concedeu ao longo da vida?
Detenhamo-nos, um instante, na
justificativa que o terceiro empregado alega para sua conduta. Começa por
ocultar o real motivo de seu fracasso, desculpando-se com o fato de que o
patrão, sabidamente, é muito exigente.
Mas a verdade é que o medo de arriscar
paralisou-o, levando-o a ocultar numa cova o talento recebido. Ora, amar é
arriscar-se, expor-se, estar disposto a dar a vida, não omitir-se!
Lembremos que neste final de semana, 16 de
novembro, se cumprem 25 anos da morte do Pe. Ignacio Ellacuría, seus
companheiros jesuítas e duas mulheres assassinadas junto com eles. Junto com
eles lembramos todas as pessoas que no mundo inteiro são assassinadas pelo seu
compromisso com o Evangelho e sua entrega generosa. Eles/as souberam reconhecer
os talentos recebidos e os fizeram crescer transformando-se em profetas da
justiça e da verdade defendendo com sua vida os pobres e denunciando as
estruturas injustas que os oprimiam.
Ao partilhar conosco sua causa e seu
Reino, Deus nos convida a sermos não meros expectadores, mas protagonistas
com Ele, fazendo nossa a sua proposta. Quem a julga arriscada demais, enterra o
seu talento... mas perde o Reino!
Também me é dirigido o convite a dispor
livremente de minha vida a serviço de Deus e do próximo. Qual é a minha
resposta?
Oração
Mas há a vida
Mas há a vida que
é para ser intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.
Clarice
Lispector
Referências:
BARBAGLIO, Giuseppe; FABRIS, Rinaldo;
MAGGIONI, Bruno. Os Evangelhos. São Paulo: Lyola, 1990.
KONINGS, Johan. Espírito e mensagem da
liturgia dominical. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia.
1981.
MIRANDA, Mario de França. A salvação de
Jesus Cristo. São Paulo: Loyola, 2005.
Vigiai
Fonte: Meu Domingo
(Material para reflexão enviado semanalmente pelo Pe. Antonio Geraldo
Dalla Costa)
Ao aproximar-se o final do Ano Litúrgico,
a Liturgia nos convida a estarmos prontos a prestar conta a Deus da
administração dos bens que ele nos concedeu. É um apelo à
VIGILÂNCIA para a vinda do Senhor, que pode vir a qualquer
momento em nossa vida.
A Parábola refere-se à Vinda do Senhor
Jesus, no final dos tempos...
O "Senhor" representa
Jesus, que antes de deixar este mundo, para viajar de volta ao Pai, deixou os
seus "Bens" aos discípulos.
Os Talentos são os "bens"
que Jesus deixou na sua Igreja: o Evangelho, a sua mensagem de
salvação; o Batismo, a Eucaristia e todos os sacramentos, seu amor
pelos pobres, sua atenção para os doentes...
Os Servos, depositários desses bens,
são os discípulos de Jesus, somos todos nós, que devemos produzir na
medida de nossas possibilidades...
Depositários dos Bens de Cristo... Nós
somos agora no mundo as testemunhas de Cristo e do projeto de salvação que o Pai
tem para os homens.
- É com o nosso coração que Jesus continua a amar os
publicanos e os pecadores do nosso tempo;
- É com as nossas palavras que Jesus continua a consolar os que
estão tristes e desanimados;
- É com os nossos braços abertos que Jesus continua a
acolher os imigrantes que fogem da miséria e da degradação;
- É com as nossas mãos que Jesus continua a quebrar as cadeias
que prendem os escravizados e oprimidos;
- É com os nossos pés que Jesus continua a ir ao encontro de cada
irmão que está só e abandonado;
- É com a nossa solidariedade que Jesus continua a alimentar
as multidões famintas do mundo e a dar medicamentos e cultura àqueles que nada
têm…
O que a Parábola nos diz hoje?
A Parábola mostra a grande
responsabilidade de quem se omite, deixando que os bens do Senhor permaneçam
infrutíferos, privando desta forma a comunidade e o mundo dos frutos a que têm direito.
- Os "servos" da
parábola, que frutificaram os "bens", nos mostram como
devemos proceder:
-
Eles lutaram, esforçaram-se,
arriscaram, ganharam...
-
Não se deixaram dominar pelo comodismo
e arriscaram...
-
Não devemos nos deixar dominar pelo
comodismo e ter a coragem de lutar contra a injustiça e propor os valores do
Evangelho;
-
Não aceitar que os "grandes" decidam
os destinos do mundo e lutar contra os projetos desumanos que desfiguram
esta terra;
-
Não aceitar que a Igreja se
identifique com a riqueza, com o poder e torná-la mais pobre, mais simples,
mais humana, mais evangélica;
-
Não aceitar que a liturgia deva ser
sempre tão solene que assuste os mais simples, nem tão etérea que não
tenha nada a ver coma vida do dia a dia...
- E o servo, que enterrou os
"bens", mostra como não devemos proceder: contentar-se
com o que se tem e não querer mais, por medo ou covardia... Não fazer
render os "bens" que Deus nos confiou... não dar
frutos... Como usamos os talentos que o Senhor nos
confiou?
- Em muitas comunidades encontramos
pessoas ricas de talentos... de estudo, de tempo e de recursos...
mas não se doam aos outros... Dizem que não tem tempo, não tem
jeito... e não fazem nada pela comunidade...
- No entanto, encontramos pessoas pobres,
humildes, muito ocupadas... e com pouco ou nenhum estudo, que se
entregam com generosidade a serviço da Comunidade: nas pastorais, nos movimentos
e no serviço de caridade... * No fim de nossa vida, o que desejamos ouvir?
"Servo bom e fiel... vem participar da minha alegria..." ou "Servo mau e
preguiçoso... Servo inútil... joguem-no fora... na escuridão... onde
haverá choro e ranger de dente?"
A
Escolha será
nossa!...
Meditada
por:
Pe. Antônio Geraldo
Dalla Costa CS
Pastoral Fé e Política
Arquidiocese de São Paulo
A partir de Jesus Cristo em busca do bem comum
Caso não queira receber os nossos informes, por favor,
responder esse e-mail com o assunto “Remover meu e-mail da
lista