PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO
“Ficai de sobreaviso, vigiai; porque
não sabeis quando será o tempo. Será como um homem que, partindo em viagem,
deixa a sua casa e delega sua autoridade aos seus servos, indicando o trabalho
de cada um, e manda ao porteiro que vigie.
Vigiai, pois, visto que não sabeis
quando o senhor da casa voltará, se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do
galo, se pela manhã, para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo. O
que vos digo, digo a todos: vigiai!” (Marcos
13:33-37)
Venha a nós
o vosso Reino!
Locutora:
Evlyn Zilch
Iniciamos neste domingo o tempo litúrgico do Advento que
compreende as quatro semanas que antecedem o Natal. É um tempo de preparação
para o encontro do Senhor, Aquele que sempre vem...
Devemos aqui deter-nos, a fim de
entendermos um pouco melhor o significado das diferentes vindas de
Cristo.
Em primeiro lugar, Cristo é Aquele que
veio, uma vez cumprida a plenitude dos tempos. Ele é o Filho de Deus, enviado
pelo Pai, que veio até nós em Jesus de Nazaré, nascido de uma
mulher, Maria, a fim de que por ele e nele recebêssemos a adoção filial (cf Gl
4,4).
Mas, ele é também Aquele que virá, pois
nEle haverão de cumprir-se todas as coisas. Como diz São Paulo, a criação
inteira espera ansiosa a revelação dos filhos de Deus (Rm 8, 19). E ainda:
Sabemos, com efeito, que a criação inteira geme, até agora, como que em dores de
parto. E não só ela, mas também nós que possuímos as primícias do Espírito,
gememos interiormente, esperando a redenção do nosso corpo (ib 23).
No evangelho deste domingo, o evangelista
Marcos utiliza uma parábola para falar-nos desta visita do Senhor e de como
devemos preparar-nos para recebê-lo.
Alerta-nos, antes de tudo, com um convite
a sairmos do sono: já é hora de vocês acordarem: a nossa salvação está agora
mais próxima do que quando começamos a acreditar (Rm 13,11).
Temos que acordar do sono da rotina do dia
a dia, do sono da desesperança, do sono das discussões descabidas, do sono dos
problemas corriqueiros... Despertemos, pois eis que Ele chega, que ele
vem, mas inesperadamente, sem que saibamos quando! Sem perda de tempo,
preparemo-nos para tão importante visita. Não corramos o risco de passar-nos
despercebida a sua passagem!
A sociedade em que vivemos espera alguma
coisa? Na sua visita a Estrasburgo, discursando no Parlamento Europeu pela
primeira vez, Francisco falou que a Europa deveria criar empregos e não permitir
que a burocracia de suas instituições sufoque os ideais que, certa vez, a
fizeram vivaz. Ele fez da defesa dos migrantes e trabalhadores um elemento-chave
de seu papado. Ele tem atacado o sistema econômico global por fracassar na
partilha da riqueza e escolheu a minúscula ilha italiana de Lampedusa, na qual
muitos migrantes morrem tentando entrar no continente, como o lugar de sua
primeira visita papal.
“Não se pode tolerar que o Mar
Mediterrâneo se torne um grande cemitério”, declarou.“Nos
barcos que chegam diariamente às costas europeias, há homens e mulheres que
precisam de acolhimento e ajuda”, disse, convocando as potências
europeias a trabalharem unidas para proteger os imigrantes das mãos dos
traficantes de pessoas.
Neste tempo de Advento é pois um convite a
reavivarmos a esperança, e as possíveis mudanças que nela podem
realizar-se.
Com efeito, segundo a mentalidade
reinante, nossa vida é a passagem de uma sombra e nosso fim irreversível e,
assim sendo, nada mais há a fazer senão desfrutar dos bens presentes e gozar das
criaturas... (Sb 2, 5-6ss).
Ouçamos a Jesus que, bem ao contrário, nos
diz: levantai vossas cabeças, pois está próxima a vossa libertação (Lc
21,28).
Estou realmente à espera da visita do
Senhor? Como imagino que ela será? Que sentimentos desperta em meu coração
a promessa de sua vinda?
Somos, pois, nesse tempo, convidados/as a
alimentar em nós o desejo de querer receber o Senhor, a acalentar em nosso
coração a alegria de acolher sua visita, a levantar esperançosos para Deus os
nossos olhos (cf Sl 123, 1-2).
Em texto paralelo ao nosso, Mateus (24,
42-44) nos diz que Aquele que vem é o dono da casa, ou seja, o Criador do
Universo, Senhor de tudo quanto existe. Aquele que nos fez e que tudo nos dá
para sermos felizes e felizes fazermos nossos irmãos e irmãs. Para cuidarmos com
amor e carinho deste mundo que é a sua casa... Ele próprio é Aquele que
vem!
E para que vem? Para continuar construindo
em nós, e por meio de nós, a sua grande utopia: um mundo onde reine a
justiça, a esperança para todos os homens e mulheres, onde se reúnam os esforços
para mudar critérios, ideias, a comodidade, o
individualismo.
Assim Jesus nos ensinou a pedir ao Pai:
"venha a nós o vosso reino"!
Atendamos, pois, ao convite de Deus e da
Igreja, renovando neste Advento a nossa esperança. A esperança cristã é ativa,
em movimento. À espera do Deus que vem, suplicamos ansiosos a sua vinda - Venha
a nós o vosso Reino! – colocando-nos à disposição, para que, através de nós, o
sonho que é seu e que fazemos nosso, finalmente aconteça!
Acreditamos que um outro mundo é possível?
Como colaborar, principalmente neste tempo, para que ele aconteça em nós e ao
nosso redor?
Oração
Senhor, olha do céu e vê!
Vem visitar tua vinha,
a muda que a tua direita plantou, e
que tornaste vigorosa.
Que tua mão proteja o teu escolhido,
o homem que tu confirmaste.
Nunca mais nos afastaremos de ti.
Faz-nos viver, para invocarmos o teu
nome.
Restaura-nos, Senhor Deus do
universo!
Faz brilhar a tua face, e seremos
salvos! (Sl 80,15-16.18ss)
Referências
AGUIRRE MONASTEIRO, Rafael;
RODRIGUEZ Antonio. Evangelhos sinóticos e atos dos apóstolos. São Paulo,
Ed. Ave Maria. 1994.
KONINGS, Johan. Espírito e mensagem da
liturgia dominical. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia.
1981
O Evangelho é uma EXORTAÇÃO à vigilância constante para preparar a
vinda do Senhor. (Mc 13,33-37)
Fonte: Meu Domingo – (Material enviado semanalmente pelo Padre Antonio Geraldo Della
Costa)
O texto é o final do "Discurso
escatológico". A Parábola do Porteiro conta a história do homem que
partiu em viagem, distribuiu tarefas aos seus servos e deu ao porteiro uma ordem
que vigiassem...
O "Dono da casa" é Jesus,
que ao voltar para o Pai, confiou aos discípulos a tarefa de construir o
"Reino", iniciado por ele.
Quem é o "porteiro"? São
as lideranças da Comunidade, a quem foi confiada a missão da vigilância e da
animação da Comunidade.
O que
a Parábola tem a nos dizer?
1. A Vinda do Senhor é motivo de ESPERANÇA. A nossa caminhada humana não é um
avançar sem sentido ao encontro do nada, mas uma caminhada feita na alegria ao
encontro do "Senhor que vem". E o Advento nos recorda que no
final da nossa caminhada, o Senhor nos oferecerá a vida definitiva, a felicidade
sem fim.
2. Advento é tempo da ESPERA
vigilante do Senhor. O verdadeiro discípulo deve estar sempre
"vigilante".
- VIGIAR significa não esquecer que toda
a vida cristã é uma caminhada rumo ao encontro final com Cristo
Salvador e Juiz.
- VIGIAR é a atitude de quem se sente
responsável pela "casa" de Deus, proteger a Comunidade de invasões
estranhas.
- VIGIAR significa viver sempre
empenhado e comprometido na construção de um mundo de vida, de amor
e de paz.
- VIGIAR Significa cumprir os
compromissos assumidos no dia do batismo e ser um sinal vivo
do amor e da bondade de Deus no mundo.
- VIGIAR significa cumprira
Missão recebida: dar testemunho de Jesus e do seu
evangelho.
- VIGIAR significa não viver como se a
vida se reduzisse à duração terrena, mas viver sempre na expectativa
da revelação plena do Senhorio de
Jesus.
Somos convidados a não
"dormir", a estar acordados e "vigilantes", sempre
prontos para lhe entregar a qualquer momento a sua "casa" bem
cuidada. É o que pretende esse tempo litúrgico, quando nos convida a seguir a
marcha do Povo de Deus, que se preparava para a primeira vinda do Senhor: uma
marcha lenta, obscura e dolorosa, para ali apreendermos qual deve ser a nossa
ESPERANÇA nessa caminhada para Cristo. Em meio a tantos
convites comerciais, permaneçamos atentos e vigilantes no Senhor.
"Nesse Natal,
Cristo pede um lugar em nossa casa". Ele pode contar com um
lugar em nosso coração? Estamos dispostos a remover tudo o que rouba
espaço para Ele, e impede nosso caminho para Deus? Já reservamos tempo para
a NOVENA do Natal em família?
A novena é uma forma de concretizar a esperança e de reunir-se na mesma fé,
permitindo que a ternura de Deus abra caminhos para a realização e a
paz.
Nesse Natal, serão realmente felizes... as
pessoas,em quem Cristo encontrou um lugar para nascer! ELE É A NOSSA
PAZ"
Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa
CS
- 30.11.14
Pastoral Fé e Política
Arquidiocese de São Paulo
A partir de Jesus Cristo em busca do bem comum
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