O CIGANO HOJE E A PRESERVAÇÃO DA SUA CULTURA
Atualmente o cigano brasileiro mora em mansões luxuosas no interior paulista. O cigano brasileiro está morrendo de fome na Paraíba. O cigano brasileiro extrai ouro na Bahia. O cigano brasileiro virou médico, advogado ou artista no Rio de Janeiro. O cigano brasileiro arma tendas às beiras das marginais e avenidas. O cigano brasileiro também viaja para o exterior para ler a sorte mas continua analfabeto.
Afinal, onde está o cigano brasileiro?
No Brasil há dois grupos que mais se destacam, por serem a maioria. São eles: os caloms e os roms. Estes na verdade já não são mais nômades, mas compensam esse extinto nomadismo com viagens ou montam suas barracas no quintal da própria casa ou também ao lado de mansões luxuosas.
Os roms são sedentários e em melhores condições de vida, trabalham no comércio de carros e tapetes ao invés de cavalos, ou trabalham como restauradores de igrejas ao invés de artesanato, compensando o nomadismo com viagens.
Os caloms que não possuem condições de vida tão boas quanto os roms, trabalham vendendo o que encontrar para tentar se manter e, para compensar o nomadismo trabalham também com teatros e, principalmente em circos, que para eles é uma forma de nomadismo, onde estão sempre.
Não podemos esquecer também daqueles velhos ciganos que, com suas tendas montadas no fundo de quintais fazem questão de ficarem próximos a fim de tentarem manter sua tradições.
A vida do cigano brasileiro é cercada de inúmeros problemas uma vez que, com o crescimento das grandes cidades, o aumento de assaltos e a supervalorização das áreas urbanas, têm levado os ciganos para áreas cada vez mais periféricas, sem muros, água, luz, esgoto, sem contar que a simples chegada de uma tribo pode causar medo e revolta na população local que muitas vezes têm muitos preconceitos com relação ao cigano.
Devido a esse problema de moradia, hoje muitos ciganos estão preocupados em trabalhar para conseguir comprar uma casa para morar.
A questão da falta de documentos como o C.I.C. e o R.G., dificulta e muito a vida do cigano num atendimento médico, por exemplo. Assim como a falta de escolas itinerantes, fazendo com que os ciganos permaneçam analfabetos, prejudicando sobretudo as crianças que no futuro poderão precisar da alfabetização para integrar-se à sociedade, caso as tradições ciganas desapareçam.
Mas o que esse povo tem feito para melhorar a sua situação? O que eles almejam?
Em São Paulo os ciganos estão se organizando para preservar as histórias e costumes do seu povo, que hoje são em torno de 60 mil pessoas espalhadas por todo o Brasil. Esse povo que vive em um terreno baldio na marginal do Tietê criou um espaço cultural circense com a idéia de preservar tais costumes que, preocupado em amenizar sobretudo o problema de moradia, conseguiu um terreno na prefeitura local onde os ciganos pudessem ficar acampados.
Entre outros projetos há também o da escola itinerante onde acompanhará as crianças em seus acampamentos para que estas sejam alfabetizadas.
Um fator muito importante tem mudado a vida e até mesmo os costumes de alguns ciganos brasileiros, a religião.
Em Campinas, interior de São Paulo, onde há a maior concentração cigana do Brasil - 400 famílias - foi fundada a primeira Igreja Evangélica Pentescostal Comunidade Cigana freqüentada hoje, por cerca de 900 ciganos. Há também mais cinco igrejas evangélicas no país onde se espera a construção de mais 20 templos até o ano 2000.
O primeiro cigano a se converter foi Henrique Hadorovich, aos 27 anos, por um pastor em Minas Gerais.
Cabe ressaltar também que esses templos são ligados à Igreja Central Cigana, que fica em Paris-França.
O que há de interessante nesses templos é que eles fizeram com que os ciganos perdessem alguns de seus costumes, como o uso de bebidas alcoólicas em suas festas e, acredite, a leitura de mãos não é mais permitida pois se torna incompatível, uma vez que a Bíblia condena a previsão do futuro.
"Amar não é aceitar tudo. Aliás, onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor".
"To love is not to accept everything. In fact, where everything is accepted, I distrust that there is love lack".
(Wladimir Maiakovski)