Uma personagem que dramatiza e faz pensar em meio à comédia. Aramyz
interpreta Dona Alzira, mulher que aborda os problemas que toda mãe
com um filho homossexual enfrenta e ao mesmo tempo, os benefícios de
ser mãe de um. Nesse momento, ela o valoriza e escreve uma música para
homenageá-lo. É a hora que a plateia para e reflete.
Minhas Mulheres
Texto, direção e interpretação: Aramyz. 70min. Não recomendado para
menores de 14 anos. Sozinho em cena ele interpreta oito personagens
femininos.
“Minhas Mulheres” é uma comédia que joga com a comicidade na tragédia
de cada um de seus personagens. No palco, o ator faz a transição entre
as personagens por meio de figurinos, gestos e entonação; e critica
tudo o que passar pela sua frente: a saúde, a prostituição, a igreja,
a família e todas as instituições corrompidas pelo moralismo.
Elas são doces, meigas, tirânicas, mães, amigas, irmãs, amantes, todas
as figurinhas carimbadas do nosso cotidiano. Cheias de dor, amor e
alegria elas se expõem. Entre uma troca e outra é gasto apenas 30
segundos, incluindo figurinos, adereços, perucas. Em comum, apenas o
coturno, para não nos deixar esquecer que todas são vistas pelo olhar
de um homem. “Não é humor para criança... É humor de adulto que não
tem medo da verdade... É um pé na cara do politicamente correto... Em
determinados momentos é escrachado, poético, em outros: cáustico,
corrosivo”, comenta Aramyz.
“Minhas Mulheres” faz rir, mas também faz a pizza dar indigestão. Faz
o seu refrigerante desentupir suas artérias. As mulheres de ARAMYZ em
cena são:
Adriana Tokagada – comissária de bordo de uma Cia. em fase de
experiência fazendo seu primeiro vôo.
Barbara Glória – uma ex-atriz pornô que virou evangélica e agora vende
rifa para angariar dinheiro para igreja.
Cleonice – trabalha na área da saúde, mas avisa não ser sexy. Também
não está em hospital pra bajular ninguém que quer ser bem tratado;
faz plano de saúde.
Dona Alzira - fala sobre o que é ter um filho gay.
Edcarla Cristina - tem apenas 8 anos e quer ser famosa, então faz um
vídeo para o BBB. Gularmina Guinle – uma gordinha feliz, que critica o
perfil anoréxico das nossas modelos.
Mãe Bendita - uma mãe de santo especializada em fazer trabalhos para a
classe pobre.
Ozerina – feia e fértil.
“Os moralistas e piadistas de plantão diriam ser um humor afro-
descendente. Sim, porque não têm coragem de dar o nome que as coisas
têm...” explica Aramyz.
PUB Sonoma
Largo Santa Cecília, 88, Santa Cecília, região central e em frente à
Estação de Metrô Santa Cecília, tel. (11) 3337-4116, 100 lugares,
terças-feiras às 21h30, até 24/11. Ingressos: R$ 20,00.
Contexto
A partir do primeiro momento da nossa concepção já entramos em contato
com as mulheres, são elas que nos trazem ao mundo. E com certeza é
ela, a mulher, nosso primeiro e eterno amor. As defendemos, brigamos
por elas, as quais serão sempre santas intocáveis. No mundo são nossas
mães, eternizadas em Maria, mãe de nosso irmão mais nobre... Depois
vêm nossas irmãs, avós, tias, namoradas, musas e inconfessáveis
desejos. Elas nos perseguirão e nós as perseguiremos por toda vida.
Elas são comissárias, enfermeiras, a gordinha sexy do segundo andar, a
mulher feia que mora em frente que suspira quando passa por nós, a
negra da cor do pecado e preferência nacional... Elas são as mulheres
que povoam nosso inconsciente consciente.
O espetáculo Minhas Mulheres é composto de histórias curtas e flashes
que exploram o universo feminino e suas carências, anseios, decepções
e também o quadro amoroso. No palco, afetos, desafetos, carreira
profissional, escolhas, vida e morte. Temas universais, que afetam
todas as mulheres, se refletem nas alegrias e tristezas exploradas na
peça. Por meio de um humor ácido e escrachado que Aramyz vê essas
mulheres. Esse olhar inusitado, delicado e bem humorado sobre o
universo feminino contemporâneo começou com um trabalho de pesquisa
iniciado no espetáculo “Deboshow”, que ficou seis anos em cartaz em
São Paulo.
“Humor tem que ser engajado, de ser quente.
O meu objetivo é a identificação.
Procuro dar o meu recado através do humor
Humor pelo humor é sofisticação, é frescura.
Meu negócio é pé na cara.” – Henfil.
Confira os vídeos dos personagens: www.ataquederiso.com.br
ARAMYS
Foto: João Valério
Por Adriana Del Ré
Aramyz está por toda parte. Integrante do Deboshow, da Confraria da
Comédia e também dos Chutando o Balde, além de novelas na internet,
ele se divide entre seus personagens e o stand up.
Formado pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul, o ator
paranaense sempre teve vontade de participar de um show de humor e,
assim como aconteceu com outros atores, o Terça Insana foi uma
inspiração.
Começou, então, a dar vida a seus personagens, como Pai Bingo e o
polêmico enfermeiro Deodato, com o qual critica o sistema de saúde no
País. "Adoro sentar perto das pessoas, porque é de onde saem as
melhores coisas." Um dia, ele se aproximou de duas enfermeiras, porque
tinha certeza que aquela conversa iria lhe render alguma boa idéia.
Não deu outra: uma enfermeira virou para a outra e disse 'aí, eu
falei... é UTI ou é necrotério'. O ator, claro, tratou de aproveitar
aquela pérola.
Depois, foi a vez do stand up comedy cruzar seu caminho. Irriquieto,
Aramyz passou a trabalhar em um texto dentro desse universo, só que
não sabia o que faria na abertura. Marcelo Mansfield, expert em stand
up, deu a dica: "Autoflagelo, fale de você". Ele seguiu o conselho. "O
compromisso do comediante é com a verdade", ressalta o ator. "Todo
stand up começa com autoflagelo." É nessas horas que o humorista
escancara seus defeitos. Afinal, para rir do outro, deve-se começar
rindo de si próprio.
Mas vida de stand up comedian não é das mais fáceis, admite Aramyz. É
preciso estar antenado em tudo, como se o ator estivesse com uma lupa
na mão. Toda atenção é importante, pois a notícia mais comentada da
semana ou um escândalo envolvendo uma celebridade pode render a melhor
tirada do espetáculo. Mas ele alerta para os riscos de se cair no mau
gosto: uma vez perdida a plateia, ela nunca mais será recuperada.
Jardel Teixeira
jardelteixeira.blogspot.com
jardel.teixeira.blog.uol.com.br
tempodearte.blogspot.com
(11) 3909-7822
(11) 9382-2271