
Eva Lúcia de Moraes Faria Rosa fundou, com a comunidade jongueira de Barra do Piraí, no ano de 2007, a Associação Cultural Sementes D’África, que tem como objetivo a promoção da cidadania e a afirmação da identidade negra por meio da preservação, transmissão e fortalecimento das práticas, história e valores do jongo e da cultura negra do Vale do Paraíba. No mesmo ano, junto com Cosme Aurélio Medeiros, passou a representar a comunidade jongueira de Barra do Piraí no Pontão de Cultura do Jongo/Caxambu, programa da Universidade Federal Fluminense que articula, junto com lideranças jongueiras, ações de salvaguarda do “Jongo no Sudeste”, registrado, em 2005, como patrimônio cultural do Brasil. Eva Lúcia participou ainda de filmes e pesquisas importantes no campo da cultura e do patrimônio, como "Jongos, Calangos e Folias", do Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI/UFF), e "Soude Jongo", do Pontão de Cultura do Jongo/Caxambu. Seus saberes e sua experiência também estão na dissertação de mestrado “BARRA DO PIRAÍAINDA É TERRA DE JONGUEIROS”: patrimônio familiar e patrimônio cultural entrepermanências e transformações do Jongo no Sudeste, de Luana da Silva Oliveira, do Programa de Pós-Graduação em História da UFF.
Eva Lúcia domina com maestria os segredos do jongo, em seus pontos, tambores, e dança, e é uma jongueira que confecciona tambores. Liderança jongueira de Barra do Piraí, é responsável pela articulação das ações desenvolvidas em sua comunidade, como rodas de jongo, apresentações, trabalhos educativos, e suporte aos próprios integrantes da comunidade. Como afirma no documentário “Sou de Jongo”, para ela, o jongo sempre foi um patrimônio, mantido por toda uma vida, ninguém via, ninguém sabia, mas a gente estava lá, praticando o jongo porque a gente gosta! A novidade na vida de Eva Lúcia foi o reconhecimento do jongo como patrimônio cultural por parte do Estado brasileiro.
Em 2013, no entanto, Eva Lúcia teve o diagnóstico de retinopatia diabética e indicação de um tratamento com quinze aplicações a laser, que deveriam ter sido feitas, para o controle da doença na retina e para manter a visão. Desde então, Eva Lúcia vem lutando para fazer o tratamento pelo Sistema Único de Saúde. Como a demanda pelo SUS é enorme, das quinze aplicações prescritas, só conseguiu fazer cinco, até o início deste ano. Sem o devido tratamento, teve, há cinco meses, um derrame no olho esquerdo. A consequência foi que Eva Lúcia perdeu parcialmente a visão, o que tem limitado muito a sua vida. Ela precisa, com urgência, de uma cirurgia no olho, para limpá-lo, sob pena de perder definitivamente a visão. Os termos técnicos da intervenção que Eva Lúcia precisa são os seguintes: Cirurgia de Vitrectomia via pars plana, endolaser e facectomia com implante de Lio.
A resposta que Eva Lúcia teve do serviço de saúde de seu município foi que teria que entrar em uma longa fila de espera, mesmo correndo o risco de perder a visão. Com a colaboração de alguns parceiros e apoiadores do jongo de Barra do Piraí, Eva Lúcia consultou dois médicos particulares no município vizinho de Volta Redonda. Ambos deram o mesmo diagnóstico, alertaram para o fato de que ela não pode mais correr o risco de esperar (a cirurgia deve ser feita no prazo de um mês, aproximadamente), e afirmaram ser impossível conseguir fazer pelo SUS no prazo necessário. Um médico deu um orçamento de R$ 11.000,00 (Onze mil reais) e o outro de R$ 11.900,00 (Onze mil e novecentos reais) para a realização dos procedimentos. Deste total, Eva Lúcia já conseguiu R$ 5.000,00 (Cinco mil reais) por meios próprios.
Infelizmente, o fato de ser detentora de um patrimônio cultural do Brasil não garante a Eva Lúcia condições de acesso a um tratamento digno de saúde. Afinal, como tantas outras, Eva Lúcia é uma mulher negra que vive em uma comunidade periférica, majoritariamente negra, de Barra do Piraí. Como os demais moradores de sua comunidade, o acesso a serviços que garantam direitos básicos é muito precário. Diante da urgência da situação de saúde de Eva Lúcia e da sua grandeza e importância para todas e todos nós, decidimos convocar nossas redes de professores, pesquisadores, estudantes, amigos e parceiros para uma campanha de doação.
Esperamos que Eva Lúcia consiga com isso realizar a cirurgia de que necessita com a máxima urgência e que retome as suas atividades com saúde. Por isso, solicitamos a sua contribuição, com a doação do valor que puder, na conta de Paulo Otávio Rosa, marido de Eva Lúcia.

AXÉ!
Elaine Monteiro - Pontão de Cultura do Jongo/Caxambu/UFF
Martha Abreu e Hebe Mattos - Laboratório de História Oral e Imagem/UFF