AvanMilton
unread,Aug 2, 2010, 6:12:09 PM8/2/10Sign in to reply to author
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to Rancor do Passado
“São seus olhos”, foi o que ela me disse, já fazia alguns meses que
ela vinha me encarando, algo que estranhamente me agradava, pelo que
pude perceber, ela era a filha única do regente dessa tal raça elfa,
Teli’nnar era seu nome, longos cabelos verdes, combinando com seus
olhos, sua pela era de um moreno forte, que ficava mais claro conforme
o passar do dia, seu andar era majestoso, como se o vento a carregasse
pela floresta, as plantas a tocavam mas em tempo algum freavam seu
avanço, seu cheiro era um misto de frutas com amêndoa bem como um leve
toque de mel, sua aura era pequena mas poderosa, eu podia ver a
autoridade e ternura que ela irradiava, e após algum tempo de análise,
concluí que ela se enquadraria ao que esses elfos descrevem como
“bonita”, foi o que eu disse a ela naquele dia, “São seus olhos”, foi
o que ela me respondeu, três palavras acompanhadas de um sorriso.
Não entendi bem o que aquelas espadas faziam apontadas para mim, a
expressão de aflição dela não me deu nenhuma dica, eu já havia
testemunhado outros elfos chamando outras elfas de bonita, e nenhuma
das vezes houve o surgimento de espadas para quem se declarou, um tapa
foi o máximo de agressividade que eu vira, talvez eu tivesse feito
algo errado, devo então me corrigir, acrescentando a frase mais comum
para encerrar uma conversação “Você é bonita, tenha um bom dia”.
As espadas ainda estavam lá, como se quisessem me impedir de sair
daquele local, ouvi então um elfo, este conhecido como Ke’Gard,
sujeito com uma aura de autoridade maior, e com olhos que emanavam uma
hostilidade que eu não compreendia, ele falou diversos termos que
custo a lembrar, na época meu conhecimento da linguagem élfica não me
permitia a entrar numa discursão mais calorosa, foi quando ela
aparentemente intercedeu, e sob o olhar repreensivo de todos ela falou
algo que realmente não compreendi, mas como estavam todos com um olhar
acusador sobre ela, e eu percebendo que aquilo não a agradava, eu a
peguei pela mão e a afastei dali, foi nosso primeiro encontro.
Eu podia ver em seu rosto o quanto ela havia mudado desde que estava
comigo, ela sorria mais, estava mais graciosa, possivelmente mais
bonita, ela ria e corava toda vez que eu dizia isso a ela, bem como
toda vez que nossos lábios se tocavam, aquilo agiu como uma espécie
de encantamento pra mim, eu sentia um calor toda vez que estávamos
juntos, como se eu estivesse esperando todo o dia para o momento em
que nós sairíamos escondidos, esse calor doía sempre que a chamada
guarda real nos encontrava, uma dor que eu passei a perceber que ela
também partilhava, algum tempo depois, ela me perguntou se eu não
tinha nada a pedir dela, eu sinceramente não sabia o que dizer, o que
parece tê-la deixado furiosa, a mesma fúria que eu via de crianças
élficas quando não conseguem o que querem, nosso encontro foi curto
nesse dia, e a despedida foi no mínimo rude, não satisfeito, eu entrei
na casa real em sua procura apenas para encontrar aqueles mesmos elfos
e suas espadas novamente apontadas contra mim, isso já estava ficando
repetitivo, foi quando um arcano de nome Hanuh, um sujeito que sempre
me encarou com hostilidade e curiosidade, me disse algo sobre me por
em meu lugar, o que me soou deveras ilógico, afinal como eu poderia
estar em outro lugar a não ser onde eu estou? seja como for ele
mencionou que Teli’nnar estava prometida em casamento com o tal chefe
da guarda.
Meu pouco conhecimento sobre a cultura élfica me fez entender a
situação “casamento” como um contrato onde uma pessoa fica ao lado de
outra pessoa pelo resto da vida de uma delas, e isso envolvia a
produção e criação de filhotes bem como uma cumplicidade e respeito
mútuo comumente conhecida como “amor”, bem, nenhuma dessas cláusulas
desse contrato me agradou, se alguém deveria ficar ao lado dela teria
que ser eu, afinal, ela sempre fica feliz ao meu lado, a idéia dela
ter filhotes com o tal de Ke’Gard me dava um enjôo no estômago que não
poderia significar boa coisa, foi quando eu disse que quem deveria
casar com ela seria eu, algo me acertou na nuca, assim que me abaixei,
diversos outros golpes seguiram, um nível de hostilidade que eu nunca
tinha visto antes nesses elfos, pouco depois ouvi Teli’nnar gritar
para que parassem, lágrima escorriam em seu rosto, mas eu vi que a sua
autoridade não valia nada perante aqueles elfos que estava já se
cansando de me bater, tentei acalmá-la tocando em seu rosto mas as
espada novamente me bloquearam, já estava perdendo a paciência.
A cutucadas e palavrões fui escoltado diante do regente, pai de
Teli’nnar, ví em seus olhos cansados que aquele senhor já viu muitas
estações, mas seu coração ainda arde uma chama forte de batalha, ele
deve ter sido glorioso em sua juventude, assim que fui jogado aos seus
pés, ele falou como se dirigisse aos presentes se eu era quem estaria
fugindo com sua filha, nem foi preciso poder enxergar auras pra saber
o nível de hostilidade que Ke’gar e Hanuh dirigiam a mim, até
Teli’nnar estava abalada para reagir de qualquer maneira, coube a mim
responder “Sim, sou eu, muito prazer, Értarus”. Todos os olhos da sala
já estavam em minha direção, mas o que eu disse pareceu fazer com que
mais pessoas estivessem me olhando, como se observassem cada movimento
do meu corpo, segundos se passaram antes do regente quebrar o silêncio
e perguntar quem eu era e quais minhas intenções com a filha dele,
repeti o meu nome, agora pausadamente, e falei que gostaria de casar
com ela, afinal, pela descrição que eu mencionei anteriormente, seria
melhor tê-la casada comigo do que qualquer outra pessoa.
A sala toda estava focada em mim, agora eu tinha certeza que todos os
meus movimentos estavam sendo observados, o regente com uma gargalhada
quebrou novamente a tensão, e disse que o futuro regente só poderia
ser uma pessoa capaz de viver pelo que afirma, e que se eu quizesse
tal responsabilidade deveria enfrentar o antigo pretendente. Ke’gar
por um momento pareceu ter ouvido algo que esperava a tempos, sua mão
agarrava a sua lança tão forte que poderia partí-la se esta não fosse
feita de aço élfico, ele já dava um passo a frente quando Teli’nnar
intercedeu dizendo que não queria aquilo, mas antes que ela pudesse se
explicar, eu disse que não queria saber de virar regente, e que pelo
que eu sabia, casar com ela não tem nada a ver com isso, mencionei
sobre a parte do amor e sobre a criação de filhos, mas neguei
novamente a vontade de virar regente.
Talvez tenha sido a parte sobre os filhos, não sei ao certo, só sei
que o sangue de Teli’nnar deve ter ido todo para o rosto, tal corada
ficou sua face, assim como Ke’gar, que reagiu mais bruscamente me
lançando sua arma, conseguí desviar dela por poucos centímetros, uma
confusão maior se formou e custou a se acalmar, foi preciso as
palavras enérgicas do regente e cinco dos mais fortes elfos que já vi
para conter o avanço de Ke’gar sobre mim.
Com a paz restaurada, o regente me informou que para casar com
Teli’nnar, eu precisaria enfrentar Ke’gar, antes que eu pudesse dizer
qualquer coisa, Teli’nnar interrompeu abdicando de sua coroa, desta
forma, disse ela, ela poderia se casar e eu não precisaria enfrentar
ninguém, mais uma discursão começou, e mais uma vez meu élfico deixou
a desejar, algo no final eu consegui entender, o regente disse “Uma
princesa deve ser a representação de seu povo, assim sendo, nunca
permitirei que minha filha se case com alguém que teme diante da
tarefa de provar seu valor em combate para a sua nação”. Essas
palavras tiveram o poder de encerrar o assunto, Teli’nnar me pegou
pela mão e saímos pela porta da frente, eu podia ver no rosto dela a
determinação mas também a tristeza de largar algo que lhe era
precioso.
Com o passar dos dias ela voltou a se animar, descobrimos novas
carícias que me fizeram sentir uno com ela o que foi maravilhoso, ela
me ensinou a real definição de amor que eu acreditava saber antes,
contavamos sobre nossas vidas passadas, ela logicamente se enraivecia
pelas lacunas que eu deixava, mas seu soriso estava mais lindo que
nunca, como se um fardo tivesse sido tirado de suas costas.
Uma bela manhã ela saiu para caçar e desapareceu, eu senti minha alma
agonizar ao pensar o que havia acontecido, quando recuperei a razão a
rastreei até um grupo de elfos a poucas centenas de metros, com um
pulo eu cheguei lá, assim que perceberam minha presença os elfos se
preparavam pra batalha, eu observei a procura do meu amor, e a ví
aflita olhando para mim, me dizendo que tinha acabado tudo e que tinha
que voltar para seu reino, eu estava perdendo o controle, meu olhar
sobre ela foi tão forte que ela caiu ao chão, ela gritou pra eu fugir
pois eles iriam me matar, nisso, eu senti magias sendo preparadas e o
som de espadas desembainhandas bem como da corda de arcos, pensei
comigo, inúteis.
Pela primeira vez desde muito tempo eu pedi o controle, não mais me
guiava, e sem esse sentimento chamado amor, veio a primeira saraivada
de flechas, essas caíram a um metro de mim, ouço um xingamente e uma
magia para anular meus encantamentos, como se eu tivesse algum, logo
em seguida o som de ozônio parece me cercar, uma descarga elétrica de
luz vem em minha direção lenta o suficiente para que eu esquivasse,
ponho deliberadamente minha mão naquela descarga, ela age como se eu
tivesse jogando água fria no rosto, agora estou desperto.
Eu me movo rápido, mesmo, antes de chegar no meu primeiro alvo, um
elfo brandindo uma espada longa, eu já havia conjurado quatro
relâmpagos duplos, eu podia ouvir o cheiro de queimado dos arcanos, o
som dos ossos do elfo quebrando por dentro de sua armadura me
distrairam um segundo, mas logo remediei ao fazer o tempo parar, notei
instantêamente que um dos arcanos não foi afetado, olhei e vi magias
saindo por contigência do corpo de Hanuh, um elemental surgiu do meu
lado destruindo a imagem que eu tinha deixado por lá, em seguida ví
Hanuh empunhar algo que romperia com qualquer efeito mágico, antes que
ele pudesse usá-la, ergui uma muralha de terra ao seu redor, afinal,
erguer terra é magia, a terra em sí não, me permiti esboçar um leve
sorriso enquanto ouvi o item sendo usado sem nenhum efeito, já tinha
em mente as diversas possibilidades para a continuação desse embate
acabei optando com uma magia que transformou a barreira de pedra em pó
e em seguida com uma luvada de vento fiz com que a invisibilidade de
Hanuh fosse inútil, além de atrapalhar sua próxima conjuração.
Acredito que ele tenha dito alguma profanidade em élfico antes de
receber minha combinação favorita de criar água, área escorregadia, e
relâmpago, tudo bem na hora em que o tempo voltou a correr, invertí a
gravidade e brinquei de tiro ao alvo por alguns segundos, por último,
olhei para o atordoado Ke’gar e me despedi “Tenha um bom dia”.
Assim que todos foram derrotados, eu me aproximei do meu amor que me
olhava impressionada, eu segurei sua mão e lhe disse que sempre a
amaria e nunca ia descansar para perseguir qualquer ofensa que lhe
fosse dirigida desde que ela me amasse da mesma forma, com um abraço e
um beijo ela selou nosso pacto e partimos em direção a oeste, talvez
mais tarde eu pergunte a ela sobre o porquê dela ter uma aura
crescendo em seu corpo já a poucos dias.