AvanMilton
unread,Aug 20, 2010, 1:24:41 AM8/20/10Sign in to reply to author
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to Rancor do Passado
Arrumar as mesas, esfregar o chão, limpar as manchas de sangue, esse é
o meu trabalho, todo abençoado dia a mesma coisa, pode não ter o
explendor de uma vida de aventuras, ora, pode não ter explendor algum,
mas me dá o que ter de comer e um teto para dormir.
A confusão de ontem até que foi divertida, um grupo recém-chegado e
bem disposto a gastar seu dinheiro com o que tínhamos a oferecer,
malte puro, fermentado, hidromel, até uma boa porção de romãs, o lucro
que o taverneiro teve deve ter sido o suficiente para ele finalmente
trocar a mobília, eu acredito que deva ter um limite de vezes que um
móvel possa ser reparado antes de virar pó, possivelmente umas duas
mesas e com certeza três cadeiras já passaram desse limite.
Seja como for, o chão já estava melhor e já desistira de tentar limpar
o sangue de meio-orc da tapeçaria, talvez algum mago saiba como limpar
aquilo afinal minhas ideias ficaram limitadas a um pouco de álcool e
fogo. Já anoitecia e eu já podia sentir o cheiro da comida sendo
preparada, o grupo de ontem ficou pra retornar hoje, falaram algo
sobre estarem esperando por mais alguém, seja como for, vou preparar
umas ervas tranquilizantes caso eles se exaltem novamente, uma ou duas
gotas em cada bebida costumam resolver, bem, talvez não resolva com o
anão, mas esse é melhor não tentar, eles costumam ter um paladar bem
aguçado pra cerveja, os outros não vão ter a mínima idéia.
Logo no cair do dia começam a chegar nossos clientes, em sua maioria
de fazendeiros locais em busca de algo forte pra recuperar suas
energias, ninguém fala nada mas nosso preço diferenciado é o que faz a
diferença no negócio, cobramos 5 peças de cobre por semana para cada
fazendeiro, e uma peça de prata em média por cada bebida para os
aventureiros, assim os fazendeiros não precisam se endividar pra
encher a cara e o bar mantém sua economia graças aos heróis beberões,
em troca os fazendeiros costumam ajudar os aventureiros com dicas e
mistérios que ouviram falar ou inventar, o tempo vai passando e nossa
vila fica conhecida ponto para heróis, a economia gira, e todo mundo
sai feliz, uma ou outra confusão até acontece mas normalmente a
quantidade de aventureiros acaba evitando que algo assuma um nível
mais perigoso.
As mesas estão cheias, o cheiro da comida, o barulhos dos talheres se
confundindo com a música, as risadas, os palavrões, de repente me
sinto em casa, dou uma breve olhada, hoje tem duas delas, uma mal
encarada e uma se sentindo completamente deslocada nesse mundo, quase
se encolhendo em sua cadeira. Estava na hora de trabalhar, com o
passar do tempo eu passei a notar as pessoas, ouvir e pressentir suas
reações, não que eu esteja me orgulhando do que faço mas pelos menos o
faço honestamente, me aproximo da primeira, possivelmente bárbara do
povo nômade de Kausur, afinal em nenhum outro lugar uma mulher poderia
conseguir um físico daqueles, é como se alguém esculpisse uma ninja em
granito sólido e depois desse vida a ela, porém sem tirar a dureza do
granito, o povo de Kausur costuma desprezar os fracos, o que me deixa
numa posição desconfortável mas, eu já estava preparado, servi aos
seus companheiros primeiro o que já a deixou irritada, já era bem
claro que ela era a líder do grupo, mas minhas ações tem um motivo,
assim que só restava ela a ser servida eu notei o quanto ela estava se
contendo, provavelmente pela reação de seus companheiros, ela tinha o
costume de perder o controle e estava quase a ponto de jogar a mesa na
minha cara,foi quanto eu bati com o copo na mesa, espalhando um pouco
a cerveja, virei de costas e fui para de traz do bar, com um gesto
simples eu avisei o taverneiro, que olhava impressionado pra mim e
aflito para a bárbara que com certeza estava logo atrás de mim, virei
pra de traz do bar, saindo de seu campo de visão, assim que ela
atropelou a porta com um martelo do tamanho de um homem adulto eu a
puxei a jogando contra umas mesas quebradas, podia ver o fogo sair de
seus olhos e sabia que minha vida iria acabar aqui se eu não fosse
perfeito, antes dela avançar eu saltei por cima dela, segurei suas
mãos e dei-lhe um beijo forte, ela me arremessou segundos depois, eu
sentí o encantamento do meu cinturão enfraquecer, a cara se espanto
dela foi a minha vantagem, de mão fechada eu desferi o soco mais forte
que eu pude, ela deu apenas dois passos para trás, minha cara dizia
que eu era o macho alfa, minha cabeça estava rezando pra que tivesse
dado certo senão minha maior preocupação seria quem iria jogar meus
restos na limpeza de amanhã. Ela se recompôs, um filete de sangue
escorria de seu lábio, ela saltou rápido demais pra eu reagisse e me
comeu com seus lábios enquanto rasgava minha roupa, um pouco atordoado
pelo choque, consegui ser hábil o suficiente para esconder o cinturão
de força de gigante, caso ela o visse eu teria sérios problemas, bem,
descrever o que aconteceu não é pra mim, teve horas que eu temi em ter
quebrado alguma costela ou coisa do tipo, quando terminamos eu me
apresentei e pedi desculpas se a ofendi, ela aceitou, se identificou
como Ranak, e agradeceu as desculpas, tudo conforme o que se espera de
alguém de Kausur, ela se arrumou, desejou-me o hintar, palavra que pra
eles significa “uma vida com muitas aventuras e possivelmente com uma
morte em batalha” e voltou ao bar, terminei de me vestir, tomei uma
poção cura por via das dúvidas e voltei ao salão, os companheiros de
Ranak levaram um susto quando me viram inteiro, o susto maior talvez
tenha sido de ter visto sua companheira gargalhando e pedindo por mais
cerveja, o taberneiro disse que eles tinham ido pará-la mas como eu
tinha gesticulado, ele os impediu, pelo que ficou sabendo, ela
destruiu meio bairro da última vez que alguém a ofendeu, sorte minha
eu saber a cultura dos Kausur principalmente sobre como cortejar uma
mulher, ou fêmea como eles chamam.
O taverneiro abriu um sorriso, afinal ele sabe que um bárbaro feliz,
homem ou mulher, significa muitas bebidas a noite toda, uma já foi,
falta a outra, essa tinha a cara de ser clérica, possivelmente recém
ordenada, essa vai dar mais trabalho, não pra conquistar, mas pra
seguir adiante, não me entenda mal, eu não sou um calhorda ou coisa do
tipo, eu sou um acompanhante, um prostituto se preferir, é ofensivo
mas eu já estou acostumado, nem sempre as coisas acabam em sexo,
aliás, quase nunca, a maioria das mulheres querem conversar, ouvir
histórias românticas, se sentir amadas e que elas tem importância e
valor nesse mundo, eu faço isso, eu acalento, levo pra passear, canto
canções, massageio os pés, enfim, faço o que a maioria dos
aventureiros deixa passar, assim como eles procuram companhia na casa
de prazeres, eu faço o mesmo serviço só que sem cobrar, bem, lógico
que costuma rolar algum benefício como o cinturão que mencionei
anteriormente mas não é algo que eu peça, são só presentes que eu
aceito, meu verdadeiro benefício é a emoção da conquista.
Essa clérica porém é uma cliente difícil, primeiro, mesmo que os
deuses não costumam exigir castidade alguns cléricos escolhem essa
opção de vida, e costumam se afastar de qualquer ser do sexo oposto
pra evitar a tentação, os sinais que eu captei dela eram confusos, não
tinha certeza se era o caso ou se era o fato dela ter sido
provavelmente cantada por seus companheiros de aventura, seja como
for, algo na atitude dela me prendeu a atenção, eu ela estava aflita
demais, a minha primeira impressão dela ter sido ordenada a pouco
tempo não fez mais sentido, ela estava bem equipada demais pra uma
novata, e pior, eu senti o cheiro de rosas ao me aproximar, exalando
de seu corpo, efeito clássico de quem tem alta conexão com alguma
divindade, me recordo de apenas de duas outras ocasiões de que senti
esse efeito, e as pessoas envolvida não poderia ser chamadas de
novatos.
Com o desconhecido a frente eu me aproximei, ficou claro que minha
presença incomodou diretamente o guerreiro do grupo, assim como eu, um
humano mas com o dobro do meu tamanho, por um instante pensei se foi
uma boa idéia ter guardado o cinturão mágico, enfim, os servi com o
básico, para ela preparei um prato especial, não que eu seja um
cozinheiro de mão cheia, mas eu sei certas receitas que agradam
especialmente aos olhos e ao paladar, coisas que a maioria não presta
atenção, afinal, se vai encher a barriga pra quê se preocupar com o
gosto?
O prato foi um frango servido ao molho de tomate com orégano, batatas
assadas com hortelã e bastões de noz-moscada e canela, trouxe o prato
tomando o cuidado de mantê-lo fechado, assim que o servi e tirei a
tampa eu pude ver os olhares de todos em direção àquela mesa, mas a
melhor reação foi dela, por um segundo seus olhos se fecharam e quando
abriram eu tive a certeza de que era outra pessoa, como eu tinha
adivinhado, ela era de origem nobre, esse prato não sairia por menos
que uma peça de ouro, já contando o desconto, eu tinha certeza que ao
sentir o cheiro ela iria se lembrar de sua época de boa vida, afinal,
meses comendo apenas comida salgada e provisões de viagem acabam com
as forças de qualquer um.
Com o passar da noite ela me perguntou quem teria feito o prato, daí
nós continuamos a conversa, e minha habilidade conseguiu tirar até
umas boas risadas dela, conforme o tempo passava eu sentia o olhar
frio do guerreiro aumentando, me desculpei dela e combinei nos
encontrar mais tarde, capturei sua atenção quando mencionei meu
conhecimento sobre a ordem dos Piratas de G’ere, então com um toque
marcamos nos encontrar a poucos metros daqui, debaixo de uma
cerejeira.
Bem mais tarde, vejo ela ao longe se aproximando, agora estava sem sua
armadura, só seu símbolo divino a denunciaria como aventureira,
trajava vestes azuis com detalhes em prata, seu movimento criava
riscos no ar como se estivesse envolta em estrelas, nos sentamos e
conversamos sobre a vida, sonhos futuros não pareciam ser seu assunto
favorito, muito menos família, conversamos então sobre pessoas
distantes, lendas, contos locais e histórias de amor, foi quando eu
avistei Enok cambaleando em direção à taverna, a peguei pelo braço e
perguntei se ela gostaria de ouvir o melhor contador de histórias da
região, ela ruborizada disse que sim, sabia que agora não tinha mais
como falhar, Enok ia me dar a oportunidade de ouro, suas histórias
sempre foram o melhor pano de fundo para minhas conquistas.
Assim que entramos, a levei até o terceiro andar, onde eu tinha um
quarto reservado e a iluminação é precária, ficamos na varanda olhando
aquele velho senhor se aproximar no balção, quando ela me perguntou
quem era ele, eu expliquei que ninguém sabe ao certo, ele chegou na
cidade a alguns meses e permaneceu desde então, anda sempre com uma
bolsa retangular grande amarrada nas costas e com as roupas que nós
damos pra ele, de dia é costume encontrá-lo andando na cidade e nas
redondezas, se resume apenas a responder cumprimentos e agradecer
quando lhe dão comida e roupas, mas nunca aceita dinheiro ou
hospedagem, outro dia afugentou uns animais que estavam prestes a
atacar algumas crianças próximas ao riacho, isso acabou fazendo
crescer um respeito das pessoas por ele, os guardas só o incomodam
quando ele esquece de tomar banho, e mesmo assim eles fazem uma
espécie de perseguição pela cidade sempre acabando com ele caindo no
riacho, virou uma atração na cidade. De noite ele costuma sumir,
normalmente visto indo pra floresta, ocasionalmente ele vem a taverna
contar histórias, histórias maravilhosas de um mundo que ninguém ouviu
falar, tudo que ele faz é quase teatral, demorou um pouco pro
taverneiro entrar no jogo mas agora ele entrou na brincadeira, você só
precisa prestar atenção no que eles vão fazer.
Entramos um pouco depois de Enok, mas deu pra notar que a taverna que
estava quase vazia lotou novamente, a maioria de locais que já
conheciam Enok, a banda parou o que alertou os poucos grupos de heróis
que ainda estavam presentes a prestar atenção no que acontecia. Enok
se aproximou do bar, xingando aos quatro ventos como sempre, o
taverneiro se esforçou ao esconder o sorriso e entrou no personagem,
“Que foi velho bêbado? pra que você vem aqui se não tem com o que
pagar”, dava pra sentir a raiva e orgulho ferido do velho Enok “VELHO?
VELHO BÊBADO??? escuta aqui seu filho de orc com kobold, eu sou um
nobre guerreiro, eu sou uma lenda no meu mundo!!! eu posso destruir
ordas de demônios só com um golpe de espada!!!”, a platéia estava
atenta em também interpretar seu papel, podia se ouvir as vaias
misturadas com “mentira”, “velho bêbado” ou o novo e com certeza
previamente pensado “a merda do meu cavalo tem mais nobreza que você”,
para quem é novato como a nobre clérica que eu estava abraçando,
parecia que a cidade toda tinha se transformado, outrora os
civilizados e acolhedores habitantes de Riverside se transformaram em
completos selvagens, Enok estava em vão tentando responder aos
xingamentos mas estava em desvantagem, ele então voltou-se ao
taverneiro e pediu por uma dose ao menos, era a deixa que todos
esperávamos, todos ficamos em silência, ele serviu uma dose e antes
que Enok pudesse pegar ele a puxou de volta e disse que para beber ele
teria que fazer por merecer, a banda já tinha se retirado do palco à
tempos, Enok novalmente xingando respondeu “Eu posso contar histórias
do meu mundo, serve?”, a platéia ja tinha toda se arrumado em volta do
palco quando o taverneiro disse que sim, Enok se dirigiu ao palco,
pegou um violão convenientemente deixado e olhou para todos,
pareciamos crianças diante de um presente, a ansiedade na sala era
imensa. Enok abriu a sua bolsa de modo que ninguém pudesse ver o que
lá tinha, tirou um papel pequeno retangular, colocou denovo na bolsa e
tocou o violão.
Não há como descrever a habilidade dele, então eu vou usar eufemismos
pobres, entenda que o que eu descrevo não chega aos pés da realidade,
a música de Enok atinge a alma das pessoas, a gente perde a noção do
tempo e do espaço, ninguém com o que já tenha conversado faz idéia do
que seria aquilo, alguns magos a contragosto afirmaram que aquilo não
era magia mas sim pura habilidade, diversos bardos que ousaram vir a
desafiá-lo desistiram assim que ouviram os primeiros acordes de suas
canções, talvez a única maneira de compará-lo seria com o desaparecido
bardo Darpheus, um vilão que escravizou todo um reino com o poder de
sua magia de sugestão, alguns que já viram os dois tocarem descrevem
sensações semelhantes mas a ausência de magia pôe todas as teorias
malucas por terra. E como sempre, a música é só o acompanhamento para
a história.
A história de hoje é sobre um guerreiro poderoso, o nome dele a muito
foi esquecido, ele fazia parte de um grupo de heróis conhecidos em
todo o mundo, os vilões temiam ter que encontrar aquele grupo,
milhares de pessoas foram salvas por eles, mas a melhor história ficou
para o final, o grupo decidiu enfrentar os próprios deuses e libertar
uma deusa de um castigo imposto por seus irmãos, para isso o grupo
precisou entrar no maior e mais perigoso labirinto conhecido, um
labirinto construído pelos próprios deuses para julgar as pessoas, foi
uma tarefa árdua, os aventureiros foram caindo um a um, quase próximos
de completar a tarefa restou apenas o guerreiro, preso num labirinto-
plano que mudava de forma constantemente, triste pela morte de seus
amigos ele caiu em uma tristeza incomparável, sua mente estava quase
totalmente perdida quando ele viu uma figura se aproximar, uma figura
baixa e verde, usava um máscara estranha com tubos que iam para dentro
de uma mochila na sua costa, essa parou na sua frente como se pensasse
sobre o que fazer, o guerreiro então sentiu um calor no peito, algo o
queimava, ele então puxou de seu pescoço um cordão, e nele uma pedra
vermelha brilhava, a Ordem o chamava, aos poucos a sua mente foi
voltando, primeiramente ele lembrou onde ele estava, por fim lembrou
quem era, o guerreiro ergueu-se, para surpresa da figura verde a sua
frente, e com um gesto recusou o que seu amigo goblin oferecia, ele
podia sentir o efeito do ar daquele local, como estava querendo voltar
a afetar seus sentidos, assim como tivera feito anteriormente e aos
seus amigos, o globin então explicou que as proteções do labirindo
enfraqueceram muito, aparentemente alguns dos deuses estão perdendo
poder, Hynn era um deles por isso que ele pôde teleportar diretamente
para esse plano, o guerreiro então olhou ao seu redor e avistou o
mundo em que estava entrando em colapso, rapidamente agradeceu seu
amigo que disse não ter feito nada “Fez sim amigo, me lembrou que
nunca estamos sozinhos, agora volte a Arton, que eu pretendo voltar
para lá em breve”, numa explosão elétrica o goblin desapareceu a tempo
de ver o guerreiro avançando em direção ao um templo grande nas
fronteiras da cidade em que estavam, o guerreiro saltava entre os
prédios, havia recuperado uma energia a muito perdida, ele parou assim
que encontrou o que procurava, avistou ao longe um grupo de pessoas
fugindo por um portal na cidade, aparentemente três humanos estavam
organizando a saída de todos daquele plano em colapso, por uma mera
quantia é lógico, o guerreiro então se preparou, assim que percebeu
que a bolsa com as moedas tinha sido trocada o guerreiro pulou com
fúria e brandiu um pedaço de madeira que tinha pego de um dos
telhados, sem surpresa ele notou ter atingido algo, e esse mesmo algo
ter voado alguns metros com o impacto, antes que alguém pudesse notar
o que tinha acontecido o guerreiro já estava por cima desse criatura
invisível, ele então disse “Guardião do portal eu presumo, passei no
teste do labirinto.” assim que disse essas palavras um portal se abriu
no lado do guerreiro que entrou logo após de jogar a figura invisível
longe.
O guerreiro apareceu em uma sala branca, o choro de uma pessoa podia
ser ouvido, ele olhou pros lados e viu um homem maltrapilho no chão,
aparentemente ele sentia uma enorme dor, o guerreiro entrou num
segundo portal e deixou aquele deus para trás.
O próximo labirinto estava pior que o anterior, uma floresta em
chamas, o cheiro de morte no ar, pessoas mortas por todo lugar, o
guerreiro avançou em direção a uma luz verde distante, ao lá chegar
ele viu uma linda elfa deitada num mármore azul, sua beleza era
majestosa, seu corpo emitia uma luz verde acolhedora e ao mesmo tempo
poderosa, perto da deusa havia um portal já aberto, centenas de elfos
mortos estavam ao redor do mármore, o guerreiro se aproximou, foi
quando notou uma criança entre os corpos, a criança tinha um olhar
assustador, como se milhares de furacões estivessem concentrados
naquele minúsculo ponto, o guerreiro de aproximou da falecida deusa e
disse, “O que eu preciso fazer para trazê-la de volta?” a criança
respondeu e sua voz desintegrou os corpos que os rodeavam “O que você
pode fazer que eu não possa? EU JÁ TENTEI DE TUDO!!”, o guerreiro
respondeu, “eu sou filho de Valkíria, eu não tento, eu faço”, a fúria
da criança pareceu diminuir, de repente o brilho verde da deusa morta
desapareceu, agora ele estava rodeando a criança, sem aviso aquela
energia entrou no guerreiro e ele sentiu a vida de milhões de elfos
pelo seu corpo, ele podia ouvir a vida deles, como nasceram, como
viveram, quem amaram, quem foram e o que odiaram, como sofreram e como
morreram, o guerreiro então levantou-se pois o choque o havia levado
ao chão, com um gesto acariciou a cabeça da criança que parecia
enormemente cansada e mandou ir pra casa e se proteger, pois a ajuda
estará a caminho, ainda um pouco atordoado o guerreiro entrou no
portal.
A sala branca estava vazia, o guerreiro sentiu uma tristeza em seu
coração, fez uma última conferida nos itens que carregava, mascou umas
ervas medicinais, fechou os olhos e entrou no próximo portal.
De olhos fechados o guerreiro permaneceu, sentia o veneno entrando em
seu corpo, as ervas ofereciam uma proteção temporária, sentia suas
pernas sendo roçadas por incontáveis cobras, aos mordidas eram
constantes, mas como alguém andando em um terreno lamacento ele
continuou andando na escuridão, diversas vezes vozes conhecidas o
chamaram, ele as ignorou, pessoas o tocaram, algumas pediam ajuda,
outras ofereciam conforto, ela as ignorou, foi quando ele notou a
presença dela, com rapidez subrehumanna ele correu naquela direção, as
cobras já não conseguiam o prender e por algum motivo mas conseguiam
arranhar sua pele, as vozes que ele ouvia claramente antes como sendo
de conhecidos agora tinham um sibilar proeminente, o veneno no ar que
já estava o incomodando passou a ser desapercebido, o guerreiro sentia
criaturas se aproximando dele e com gestos rápidos e poderosos ele as
cortou sem nem diminuir sua velocidade, cada vez mais ele se
aproximava daquela presença e cada vez mais ele se sentia melhor, já
tinha custido as ervas faz tempo, abriu seus olhos e viu um mundo de
ilusões ao seu redor, persistiu em seu caminho até que parou em um
ponto onde não haviam serpentes, só um chão negro como a noite, ele
havia achado a presença dela. Com um sorriso ele olhou pro mundo ao
sei redor e disse a si mesmo “Tenebra, sou seu fã.” aparentemente
Tenebra havia feito um pedido interessante a Ordem a que pertence o
guerreiro, na qualidade de pessoa oprimida ela pediu auxílio ao
campeão do povo, e com sua interferência fez com que o tempo naquele
plano passasse diferente do mundo real, acelerando-o, resultado, um
campeão do povo, que no caso é o nosso guerreiro da história, ao
receber uma missão fica mais forte a cada dia que a missão não é
cumprida, não se sabe quanto o tempo foi alterado naquele labirinto
mas o guerreiro olhou o mundo ao redor e gritou “EU E VOCÊ, AGORA” o
plano todo tremou como resposta, as cobras fugiram, a própria névoa
venenosa se dissipou, uma figura distante tremia de horror enquanto
outras centenas fugiam de perto dela, caminhando em sua direção o
guerreiro via as ilusões quebrando ao seu redor, antes mesmo de chegar
o portal para o próximo já estava aberto, bastou encarar a naga
sacerdote para ele força-la a abrir o portal verdadeiro, após
esbofetear a naga longe, ele entrou no portal.
Na sala branca ele encontrou uma figura encapuzada e um portal aberto,
assim que ele entrou o sorriso da figura encapuzada sumiu, ele
perguntou surpreso “Qual a misssssão que ela lhe deu? DIGASSSS!!!”, o
guerreiro apontou o braço com o punho fechado pra criatura e levantou
o dedo médio para cima antes de entrar no portal.
Último labirinto, Valkária, assim que entrou o guerreiro sentiu um
calor no seu peito, tudo naquele lugar parecia atraí-lo, ele podia ver
castelos dominados por dragões, labirintos, diversas entradas de
calabouços, um paraíso para um aventureiro, o guerreiro sentou-se e
pediu a presença da deusa, estranhamente ela apareceu em sua frente,
embora o guerreiro pareceu não se surpreender, ele pegou um suas
coisas uma garrafa de vinho que havia pego no labirinto de Lena e lhe
ofereceu, a deusa aceitou e sentou-se ao seu lado, eles conversaram
sobre a viagem e sobre tudo o que tem acontecido, trocaram boa
gargalhadas por um tempo, era como se os dois fossem amigos de muito
tempo, quando a garrafa de vinho acabou, eles se olharam e a deusa
perguntou se ele realmente ia fazer o que ela estava pensando, ele se
ergueu, e com um reverência disse que sim, os olhos da deusa pareciam
brilhar como mil estrelas, o tipo de olhar que só se vê nos olhos
daqueles atingidos pelo verdadeiro amor, ela se levantou, e com um
sorriso disse “Sinto muito por você desistir do labirinto”, o
guerreiro respondeu “Pois é, muito difícil, sabe como é”, contendo as
gargalhadas ela responde “Verdade, é ambição demais pra qualquer um,
assim que você quiser é só avisar que eu abro o portal pra você sair”,
o guerreiro então andou em direção a um pequeno ponto no chão próximo
deles, cravou sua espada feita do cristal criador de planos e disse
“Em um segundo minha deusa”.
De repente, um turbilhão de energias se formou ao redor do guerreiro,
a espada estava sugando a energia dos planos do labirinto, os mais
fracos completamente, os mais forte só um pouco, assim que terminou,
ele estava com uma nova arma, uma fina espada longa de cor roxa, a
energia daquela espada não é possível ser mensurada, mas possivelmente
a simples menção de atacar algo com ela já faria o alvo ser destruído,
o guerreiro observou sua nova arma e disse “Bonita, mas um tanto
chamativa” e como por um passe de mágica a espada desapareceu um uma
adaga curta e simples “Hum! melhorou, minha deusa, o portal por favor,
pra última área de tormenta por gentileza”, o portal já estava aberto
antes dele terminar de dizer isso, o plano ao redor agora parecia bem
menor e os desafios assustadoramente mais fracos, antes de entrar o
guerreiro disse “Eu tratei de deixar energia suficiente pra você se
proteger do que vai acontecer, não precisava me dar tanto”, “Eu não
consegui evitar, sabe como é, aumentar a dificuldade”, com uma
gargalhada os dois se despedem e o guerreiro entra no portal.
O guerreiro sai numa área horrenda cercado de criaturas insectóides,
com um gesto ele aplaca qualquer reação hostil dessas criaturas, no
seu lado aparece uma figura humanóide completamente armada empunhando
um poderoso martelo, um velho amigo, logo atrás um golem gigantesco
serve de local de pouso para alguns dragões, a sua frente a uma
considerável distância ele vê umo maior exército que já vira na vida,
e pensa consigo, vai ser lendário.
Segundos se passam antes de alguem reagir, alguém da platéia pergunta
“e daí, o que aconteceu?”, o velho Enok só responde, eu já falei
demais, já vou indo, os protestos foram enormes mas o velho Enok é
irredutível, apanhou seu trago e saiu da taverna, eu pude ver as
lágrimas de emoção da minha companheira que me abraçava fortemente,
procuramos abrigo para nossos corações no meu quarto onde ficamos até
de manhã.
Após deixá-la partir, eu voltei aos meus afazeres, mais um dia de
limpar o chão, arrumar as mesas e limpar o sangue, “hum, essa mancha
não vai sair mesmo?”, pela tarde pensei em procurei a clérica, ela me
disse chamar... deixei o prato cair no chão, ouvi o taverneiro falar
alguma coisa, mas minha mente estava em outra coisa, o nome dela
Hilerenoir, é elfico! ela estava com alguma ilusão, por isso cobria a
cabeça quando saiu hoje de manhã! ainda não tinha tempo pra repetir a
magia, meu deus, uma élfa aqui! se o regente souber ela vai morrer,
corro pela vila a sua procura, só consigo saber que ela já tinha
saído, quando perguntei para onde me respondem que ela vai pro
reinado, e que o grupo iria ver o regente!
Não, não posso deixá-la assim, o que raios ela está pensando em fazer,
todo mundo sabe que o regente odeia elfos por algum motivo, ninguém
sobreviveu pra ouvir a resposta do porquê, embora as cidades e vilas
costumam aceitar tranquilamente a presença de elfos, afinal todos
achamos o preconceito do regente completamente desmotivado e
insensato, ele não perdoa e caça qualquer boato que exista elfos em
seu reino, droga, porque ela vai vê-lo, eu não posso deixar, eu não
vou deixar... mas como eu faço pra ir pro reinado? Como se ouvisse as
minhas preçes, eu escuto duas pessoas falando na rua, “Ei, ouvi que o
velho Enok foi convidado a contar histórias pro próprio regente!”,
“Quer dizer que vamos ficar sem ele? sacanagem, pô mas parabéns pro
Enok, haha”.
Eu corro procurando o velho Enok, pouco depois o encontro fugindo dos
guardas gritando que ele já tomou banho a dois dias atrás, os guardas
gritam de volta dizendo que só querem falar com ele e que é ordem do
regente, o velho Enok só responde com profanidades e continua a fugir,
observando-os consegui arrumar local para interceptar o velho Enok,
quando consigo emparelhar com ele eu peço por ajuda, explico que
preciso de carona pra ir pro reinado salvar uma amiga, o velho me
olhou e por um piscar de olho eu me senti frágil, tanto que tropecei e
caí, assim que levando envergonhado e limpo a sujeira da minha cara o
velho Enok estava de pé na minha frente erguendo a mão dizendo “Então
vamos”.