XAMPU "2 EM 1"
--> Para entender como funciona o xampu "2 em 1", é necessário
primeiro saber como agem o xampu e o condicionador. Os dois possuem,
em sua composição, moléculas de surfactantes. Os surfactantes são
moléculas que possuem atividade detergente. Essas moléculas apresentam
uma estrutura química de dupla polaridade (um lado polar e o outro
apolar) que interage favoravelmente com as moléculas tanto de água
como com as moléculas não solúveis em água, como os óleos e
silicones.Os xampus e condicionadores diferem, basicamente, na carga
do surfactante: os xampus contém surfactantes aniônicos, enquanto os
condicionadores têm surfactantes catiônicos. Quando o cabelo está
sujo, ele contém óleo em excesso e uma série de partículas de poeira e
outras sujeiras que aderem à superfície do cabelo. Esta mistura é,
geralmente, insolúvel em água - daí a necessidade de um xampu para o
banho. O surfactante ajuda a solubilizar as sujeiras, e lava o cabelo.
Um problema surge do fato de que surfactantes aniônicos formam
complexos estáveis com proteínas, como é o caso da queratina, que
constitui o cabelo. O cabelo, após o uso do xampu, fica carregado
eletrostaticamente, devido a repulsão entre as moléculas de
surfactantes (negativas) "ligadas" à queratina. É aí que entra o
condicionador: os surfactantes catiônicos interagem fracamente com
polímeros e proteínas neutras, e são capazes de se agregar e arrastar
as moléculas de xampu que ainda estão no cabelo. Nos frascos de
condicionadores existem, ainda, alguns produtos oleosos, para repor a
oleosidade ao cabelo, que foi extraída com o xampu. PORTANTO, segundo
este critério, não existe xampu "2 em 1", ou seja, uma formulação
capaz de conter tanto um surfactante aniônico como um catiônico. Os
produtos encontrados no mercado que se dizem ser "xampu 2 em 1" são,
na verdade, xampus com surfactantes neutros ou, ainda, surfactantes
aniônicos com compostos oleosos, que minimizam o efeito eletrostático
criado pelo xampu normal.
MICELINA
--> Micela é uma macromolécula formada pela interação entre estruturas
que tenham afinidade eletrostática. Por exemplo: quando acrescentamos
detergente a um sistema constituído por água e óleo (que não têm
afinidade química), a molécula de detergente faz uma espécie de
"ponte" entre as moléculas de água e a partícula de óleo: a parte
apolar ou lipofílica do detergente liga-se à partícula do óleo e a
parte polar ou hidófila liga-se às moléculas de água. Assim, forma-se
uma grande estrutura formada por uma partícula de óleo no centro,
moléculas de detergente a rodeando e moléculas de água, por sua vez,
ligadas às outras extremidades das moléculas do detergente. Esta é uma
micela constituída por óleo-detergente-água.
EMULSÕES
--> São sistemas dispersos constituídos de duas fases líquidas
imiscíveis (oleosa e aquosa), onde a fase dispersa ou interna é
finamente dividida e distribuída em outra fase contínua ou externa.
Temos emulsões do tipo óleo em água (O/A: fase externa aquosa) e água
em óleo (A/O: fase externa oleosa). A estabilidade da emulsão é
garantida com o uso de agentes emulsificantes, geralmente substâncias
tensoativas. As emulsões podem ser pastosas ou líquidas, como as
loções, destinadas ao uso externo ou interno, devendo ser sempre
agitadas antes do uso.
FONTE
http://www.qmc.ufsc.br/qmcweb/artigos/cabelo.html (p/ xampu 2 em 1)
http://www.qmc.ufsc.br/qmcweb/micela/ (p/ micela)
http://www.fcf.usp.br/Departamentos/FBF/Disciplinas/Farmacotecnica/EMULSOES1.htm
(p/ emulsão)