Na correria como sempre, por isso não entrei para responder a dúvida anterior sobre o georreferenciamento no QGIS 1.8.
A primeira questão que você acabou de colocar, é que as imagens do INPE recebem um ajuste geométrico que eles chamam de georreferenciamento, atribuir coordenadas reais do terreno eles chamam de retificação (citando Tolkien, eles vivem num mundo com linguagem própria e só deles...) em resumo você precisa georreferenciar com coordenadas do terreno para poder usá-las.
Primeiro, delete qualquer outro arquivo que venha com a imagem que não tenha a extensão .TIF de forma a zerar a associação das coordenadas do INPE (isso só tira a referencia, não as coordenadas em si).
Você pode baixar imagens verdadeiramente georreferenciadas (e ortoretificadas, que atendem o PEC para cartas 1:50.000) no projeto:
http://www.landcover.org (cuidado que as imagens tem referência ao hemisfério Norte) ou baixar as cartas topográficas (completas em raster e/ou as vetoriais em DGN - cuidado que estão em KM) do IBGE para servirem como base (no blog do Gustavo ele ensina o procedimento com as cartas do IBGE pelo ArcGIS:
http://gustavotiger.blogspot.com.br).
Eu particularmente prefiro baixar a carta topográfica raster (
http://biblioteca.ibge.gov.br/colecao_digital_mapas.php) e georreferenciá-la pelas coordenadas da grade UTM para usar como base (isso vai depender da diferença de idade entre sua imagem e a referencia para que não sejam muito díspares).
No QGIS você abre a imagem/vetor base, não esqueça de configurar corretamente o SRC do projeto e das camadas. Abra o Georreferenciador GDAL, e clique em {Abrir raster} e abra a imagem que você quer georreferenciar.
Agora clique em {Adicionar pontos (de controle)} e clique em um ponto facilmente reconhecível (quina de um prédio, cruzamento de estradas, entroncamento de rios, ou mais fantasiosamente em RN - marcos topográficos que não serão visíveis com pixels de 30x30m), lembre-se que feições como rios mudam ao longo do tempo e até sazonalmente, e isso vai influenciar na precisão dos seus pontos.
Vai abrir uma caixa de diálogo (depois que você clicou o ponto de controle) pedindo para você inserir as coordenadas reais desse ponto (no caso da carta topográfica é esse o caminho) ou você clique no botão {(lápis verde) Á partir do mapa na tela} e ele automaticamente vai para a tela do QGIS, então você localiza o mesmo ponto no mapa base, clica nele e voltará ao GDAL onde as coordenadas terão sido capturadas.
Dê Ok e continue na sua tarefa de coletar pontos de controle, lembrando novamente que os pontos devem ser dispersos por toda a cena que está sendo georreferenciada (não importa se sua área de estudo for só uma parcela dessa cena).
Também foi obtido experimentalmente pelo prof. Paranhos a necessidade de um mínimo de 80 pontos para uma cena Landsat poder ficar ajustada dentro do estabelecido no PEC (norma cartográfica Decreto 89.817).
Abaixo da imagem aparece a tabela dos pontos de controle, com os erros posicionais associados pontos coletados, sendo que atenção maior deverá ser dada à coluna residuals[pixels] onde será apresentado o valor do Erro Residual para o ponto e depois de ajustado as configurações do georreferenciamento aparecerá o RMS (erro quadrático médio) que na norma cartográfica para a escala 1:50.000 deverá corresponder a 0,3mm na escala da carta. Isso significa que o RMS para uma imagem (sensor TM) do satélite Landsat não pode ser maior que 15 metros (ou meio pixel).
Após coletar um número razoável de pontos e os erros residuais e RMS estiverem dentro do PEC (por isso se coleta um número grande de pontos, pois pode-se ir eliminando os que apresentarem os maiores erros), vá no botão {Configurações de transformação}, outro lembrete, salve os pontos GCP para evitar dores de cabeça ou mesmo para acrescentar novos pontos mais tarde.
Na janela da Configurações de transformação em transformação use Linear (ou polinomial de 1° ordem) - assumindo-se que a imagem ou carta a ser georreferenciada esteja em boas condições, ou seja, se quer apenas associar um SRC e não corrigir distorções e deformações (polinômios de alta ordem servem para casos em que o mapa escaneado, por exemplo, apresente muitas distorções, o que dará uma grande dificuldade de se ajustar pontos sem que se excedam os Erros admissíveis para a carta.).
O mesmo vale para o Método de reamostragem dos pixels (por conta das rotações que sofrerão quando do reposicionamento da imagem em relação á grade de coordenadas), use Vizinho mais próximo ou Linear.
Criar arquivo "wld" (World file) é gerar o arquivo de referência .TFW ou .JGW associado ao .TIFF (ou .JPG) que será criado, alguns programas exigem esse arquivo para abrir o Geottif corretamente.
Escolha a pasta e dê um nome ao arquivo de saída, e na caixa seguinte escolha o SRC (no caso de cartas topográficas sempre aparece embaixo, no meio, logo embaixo da escala gráfica) que foi informada pela fonte de origem (em metadados ou verbalmente, o SRC é obrigatório em todos os mapas segundo a norma).
Acertar a resolução pode ser necessário no caso de imagens de satélite (formalmente: de sensores remotos orbitais) pois as mesma tem resolução espacial (tamanho do pixel) pré definidos, no caso do TM do Landsat 5 (um dos poucos gratuitos em operação atualmente) é de 30x30 metros.
Opcionalmente pode-se pedir para carregar no QGIS quando terminar.
Nesse momento irá aparecer os valores dos erros na tabela, bem como na barra de status, embaixo, o Erro Médio (RMS), ajuste (apagando pontos ou coletando mais) para atender o PEC.
Agora é só clicar no botão {Iniciar o georreferenciamento} e esperar ele carregar no QGIS.
Se não me engano esse procedimento está descrito no Manual do QGIS em português, dê uma lida lá.