Carta Potiguar - Atualizações
|
|
|
Os ventres do homem e da mulher Posted: 06 Jul 2012 06:13 AM PDT Esta semana, na UFRN, conversando com uma colega do mestrado, lamentando por não ter podido assistir a sua apresentação de dança do ventre (até porque ela foi chamada de última hora), tirando uma onda porque, supostamente, eu observaria os detalhes da apresentação (ela estava parada havia um ano, e eu fiz uns dois meses, aí parei por motivos que escaparam a meu controle), e eu comento que havia feito dança do ventre… Não, ela respondeu, homens não fazem dança do ventre, homens fazem dança árabe.
Breve silêncio. Tão breve que não deu nem um segundo e retruquei: como é a história? O que é dança árabe? E por que homens não dançam dança do ventre? O primeiro argumento dela: homens não possuem ventre, só quem tem ventre são as mulheres. Pedi que definisse “ventre”: porque, até onde eu saiba, “ventre” é o mesmo que “abdômen”, “barriga”, “bucho” – enfim, esse espaço ocupado por órgãos variados. Ela não sabia o que era “ventre”. Oi? Mas ainda arrisquei, pra ver se ela soltava algo mais consistente: arrisquei a hipótese de que “ventre” = “útero”. (A princípio ela não endossou, mas viria a adotar a metonímia mais tarde. Depois disso, cheguei à conclusão de que dança do ventre é mesmo uma coisa histérica (1).). E ela dizendo que o homem não fazia os mesmos movimentos que a mulher, e depois dizendo que homens quem dançavam dança do ventre não são bem vistos e são um fenômeno marginal… Ela ainda soltou um belíssimo argumento de autoridade, segundo o qual a professora com quem fez aula tem dezenove anos de experiência. Fora de brincadeira, eu entendi aonde ela queria chegar, mas simplesmente não soltou nenhum argumento coerente. O ônus da prova cabia a ela, mas ela delegou a mim a tarefa de pesquisar sobre o assunto. O que fiz. Hora de matar a cobra e mostrar o pau.Segundo a hipótese mais aceita, a dança do ventre teria iniciado no Egito como uma reverência às fertilidades agrícola e reprodutiva. Alguns séculos mais tarde no entanto, apareceram os primeiros dançarinos, tão valorizados quanto as dançarinas – a ponto mesmo de serem preferidos em ambientes misóginos e conservadores. Só a partir do século XIII que tanto homens quanto mulheres passaram a ser malvistos se dançassem (2). O fato, porém, é que existem mesmo danças praticadas tipicamente por homens, como o tahtib (que também pode ser dançado por mulheres). Houve mesmo época em que a dança do ventre esteve ligada à prostituição e/ou à atividade cortesã. É bom deixar claro um detalhe: a dança do ventre, tal como a conhecemos hoje em dia, possui origem bem recente apesar de suas antecedências milenares, datando da primeira metade do século XX, com o raqs sharqi; a expressão, no fim das contas, é um guarda-chuva pra um conjunto de danças similares nos movimentos e nos propósitos (de fertilidade, feminilidade etc.), e foi criada no século XIX a partir da onda orientalista que passou pela Europa de então. Acompanhando essa hipótese, existe entre várias praticantes um apego ferrenho a essa tradição “feminilista”. Só mulé dança dança do ventre, só mulé ensina dança do ventre, só mulé saca de dança do ventre – e ai do homem que disser que faz, pois será tachado de gay e despertará a ira dos maridos ciumentos, que só liberam as esposas pra fazerem aula por causa desse preconceito largamente difundido! Olha, a falta à tradição mata; quando não mata, mingua aqueles que não a respeitam. Entretanto, uma coisa bastante simples é a seguinte: há outras mulheres que simplesmente não vêem nada de mal em que homens dancem; eles são igualmente admirados e, por vezes, invejados. Há alguns que põem movimentos feminis na coreografia, ao passo que outros emprestam uma dimensão masculina à dança (3). E, como já disse, há mulheres que também praticam danças masculinas. Tudo isso está bem longe de ser queer, naturalmente; mas é digno de nota que a heterotopia marcante da pós-modernidade, agrupando em um mesmo topos práticas tidas por distintas e mesmo incompatíveis, de alguma forma perturba os pilares dessa tradição (ou pelo menos o modo como enxergamos tais pilares). Não pretendo de modo algum refutar a hipótese de que a dança do ventre surgiu como um culto à fertilidade. O que está em questão é simplesmente reconhecer que sim, existem homens que dançam dança do ventre, independente de dançarem como mulheres ou de serem gays ou whatever. Ponto. A própria garota reconheceu, na fala contraditória dela, que dançarinos do ventre são um fenômeno marginal; mas só porque é um fenômeno marginal não quer dizer que é um fenômeno inexistente. Homens passam roupa, mulheres dirigem caminhão. Homens e mulheres dançam dança do ventre. E dança do ventre não é mais uma coisa histérica. (1) Como todos sabemos, histeria vem do grego hysteron (útero). Dizia Freud que essa doença era típica das mulheres (apesar de os sintomas também existirem entre os homens). Não estou surpreso por ver um pouco desse freudismo em certas praticantes da dança do ventre (como minha colega). (2) Dados livremente apropriados daqui e daqui. (3) Bom lembrar que, quando se fala de masculino ou feminino aqui, estou me referindo ostensivamente a todo um sistema taxionômico de identificação de gêneros presente no Ocidente. Estou falando da recepção da dança do ventre aqui no Brasil, mais especificamente; ainda não faço idéia exata de como esses preconceitos funcionam em outros lugares. Mas basta mencionar o fato de que o raqs sharqi já mencionado foi fortemente censurado no Egito durante parte do século XX; mesmo as mulheres não poderiam estar com o corpo bastante descoberto. Seguramente, homens que dançam dança do ventre também não são bem vistos no mundo árabe. |
|
Deus me livre da família Cristã Posted: 05 Jul 2012 11:54 AM PDT Os deuses são grandes exemplos de famílias disfuncionais e de relacionamento complicado com seus filhos, e com o Deus Cristão não seria diferente.Uma família disfuncional é aquela em que prevalecem os abusos, os excessos, o mau comportamento e os conflitos, geralmente com reincidência, causando sofrimento de forma contínua e periódica aos membros da família. Exemplos comuns de famílias disfuncionais na mídia são os desenhos como Os Simpsons, The Family Guy, The Cleveland Show e Bob’s Burgers e, nas séries de TV, temos The Middle, Two and a Half Men e Modern Family. Quem assiste a essas séries, de primeira se depara com relacionamentos familiares desestruturados, sem a mínima confiança mútua e que é pautada em hierarquias quase gorílicas entre os membros. Uma criança que cresça num ambiente familiar disfuncional aprende que o fisiologismo (a troca de favores e o tráfico de interesses) é algo natural e ético, e futuramente resulta em adultos com forte dependência emocional que, devido a isso, gerará sua própria família disfuncional. É muito comum a presença de membros alcoólatras, usuários de drogas e violentos que perpetuam vícios observados em seus pais, muitos dos quais têm transtornos de personalidade. O mais comum nas famílias disfuncionais é a falta de respeito (os membros não respeitam as escolhas, as decisões, as individualidades e as opiniões uns dos outros), levando ao pouco diálogo, à falha na construção dos valores emocionais necessários para formatar uma família saudável.
Javé e seus filhos Um dos motivos que me fazem não ser mais cristão é uma simples epifania. Certa vez percebi que Deus era um tipo de pai disfuncional e, como tal, estava longe de ser perfeito. Como toda a crença bíblica acerca de Deus está centrado na figura de Javé, que alega para si mesmo a perfeição, percebemos então que temos um problema nas mãos. Como todos os pais e mães que se prezem, Javé quer que seus filhos (ou escolhidos, se assim o preferir) sigam os caminhos que ele ditou. Nem sempre serão os melhores caminhos, e nem sempre serão os mais plausíveis, lógicos ou racionais, mas são caminhos que ele, Javé, fez questão de ditar, e nós temos de seguir se quisermos ir para o céu. O problema é que Deus não criou o homem para os caminhos que ele próprio ditou: nos deu genitálias e hormônios potentes, fez o sexo como medida preventiva para várias doenças, nos dotou de linguagem, pensamento, razão, livre arbítrio e liberdade e, no fim, nos condena por realizar justo aquilo para o qual nós fomos feitos. O problema é que nem sempre seguir o caminho judaico-cristão faz as pessoas felizes, uma vez que a maior parte das estruturas de nosso corpo e de nossa mente não suportam coerentemente o modo de vida cristão. O problema é que a felicidade das pessoas não importa muito para Javé, pois sempre que uma pessoa está simplesmente cuidando de sua vida e sendo feliz sem causar mal a outra pessoa ele faz cair fogo e enxofre do céu para castigar a felicidade dos mortais.
Analogias necessárias Assim como ocorre na relação entre Deus e Homem, a relação Pais e Filhos também leva consigo alguns problemas. Lembremos que não sou pai ainda, mas muito do que penso a respeito de criar filhos perpassa uma linha tênue entre o amar e o respeitar, principalmente respeitar as escolhas dos filhos. Minha proposta pessoal é que eles não confundam o ato de vigiar seus passos para assisti-los quando algo der errado com o controle de seus passos para que não cometam erros (como posso demonstrar em um texto futuro, considero o erro a melhor forma de autoaprendizagem de todas). Primeiro problema: Deus desrespeita as individualidades que ele próprio instituiu, causando sofrimento, morte e dor a todos os seus filhos. Do mesmo modo, um pai que não respeita as individualidades dos filhos pode causar sofrimento para o mesmo. Um pai hétero que não respeita um filho gay em sua individualidade está mais preocupado com o que os outros dirão dele que propriamente com a felicidade de seu filho. Segundo problema: Deus não tolera a expressão de determinadas emoções (tristeza, raiva, cansaço), julgando e punindo muitos dos que expressam tais sentimentos. Da mesma forma, muitos pais, achando que estão fazendo o melhor pelos filhos, muitas vezes punem o choro como sinal de fraqueza, ou o simples gosto por costura ou decoração como sinal frescura, ou a ambição profissional como sinal de mal-caratismo. Terceiro problema: como narcisista-mor, Deus manipula o povo com milagres, promessas, profecias, ameaças. Em vez de um povo amá-lo pelo que ele simplesmente é, ele gasta seu tempo tentando comprar esse amor por meio de ameaças ou presentes. Alguns pais fazem isso para comprar a obediência de seus filhos: surras desnecessárias (não confundir com palmadinhas), presentes pra parar o choro, promessas pra parar a birra, ameaça de castigo pra parar a desobediência. Muito do que temos como fisiologismo e ditadura é basicamente o que foi ensinado em casa. Quarto problema: Deus é o tipo de pai abusador. Ele mata, comete genocídios, castiga duramente qualquer pessoa, manda crianças de peito e fetos para o inferno. Os pais humanos fazem o mesmo às vezes, dando surras e espancando seus filhos o tempo todo, torturando física e mentalmente, valendo-se de agressões verbais constantes, e tudo isso no intuito de dominá-los. Quinto problema: Deus priva os humanos de sua liberdade ou de direitos básicos em troca de amor. Privou povos inteiro de seu direito à vida, à liberdade, à opinião, ao lar, à paz, e tudo isso em troca de ser amado. Ainda por cima, privou o próprio povo judeu de suas terras por quase dois mil anos somente porque não acreditaram de cara em uma evidência de Messias (nascido no Natal, segundo os que creem nele), cujas evidências foram apresentadas de forma vaga, irracional e sem o mínimo de plausibilidade. Alguns pais fazem o mesmo: privam seus filhos de experiências de vida, de liberdade, de opiniões, enfim, muitos pais, para sentirem-se dominadores na relação pais-filhos, privam seus filhos de suas próprias individualidades. Sexto problema: Deus é dogmático e sectário. Qualquer pessoa que disser a Deus que não acredita nele é simplesmente mandado para o inferno. Você faz de tudo para melhorar a vida de todos os que te cercam, e sem esperar nada em troca, nem mesmo após a morte, sem esperar reconhecimento nem nada, apenas faz porque acha que é o correto, mas se você simplesmente não amá-lo nem acreditar nele, vai para o inferno, enquanto que toda uma bancada evangélica corrupta rouba milhões dos cofres públicos, mata muito mais gente, e vai para o céu somente porque acredita nele. Enfim, Deus não gosta de opiniões contrárias. Alguns pais são assim: seus filhos são proibidos ou impedidos de exercer opinião e, quando o fazem, jogam a culpa nos amigos, nos relacionamentos, nos colegas, pois os filhos deles jamais seriam capazes de pensar por si mesmos e de discordar das ideias de seus pais. Sétimo problema: Deus é perfeccionista. Não adianta tentarmos, tentarmos, tentarmos, nunca conseguiremos fazer nada do que é necessário. O excesso de regras e a pouca tolerância com falhas vêm do fato de ele ter nos criado para errar, para cometer falhas, e de isso ser praticamente um fato autoevidente, mas ele nos faz acreditar que a falha é nossa, nos convence de que nós somos imperfeitos e ele é perfeito, e exige de nós uma perfeição humanamente impossível. Alguns pais fazem o mesmo: querem que seus filhos sejam perfeitos em todos os sentidos do que eles consideram perfeição. Pais cristãos querem que seus filhos sejam exemplos máximos de vida cristã. Pais politizados querem que seus filhos sejam exemplos perfeitos de suas ideologias. Pais consumistas querem que seus filhos sejam exemplos perfeitos de capitalistas. Muitas vezes, é uma perfeição que não se pode exigir de um ser humano, e que os próprios pais não cumprem, fazendo com que os filhos vejam a hipocrisia como um caminho válido a se seguir. Oitavo problema: Deus é o maior promotor da Síndrome de Münchhausen por procuração de toda a existência. Enquanto que um portador da síndrome inventa ou mente sobre sintomas próprios para conseguir remédios ou benefícios, quem o faz por procuração atribui doenças inexistentes a terceiros, inventando doenças ou mentindo sobre sintomas para obter controle sobre eles. Deus atribui uma doença ao homem, o pecado, afirma que o meio de se libertar da doença é confiar no sacrifício de outro filho seu, morto por ele próprio. Alguns pais (principalmente mães) têm Síndrome de Münchhausen por procuração, criando seus filhos como portadores de asma, TAG, TOC, Depressão, Esquizofrenia, Hiperatividade e outras doenças que, na maior parte das vezes, são simplesmente inventadas pelas mães para manter o controle sobre seus filhos (ou para justificar a falta de controle). Corrigindo o problema E o que fazer para não me tornar um pai disfuncional? Bastante simples: antes que seu filho chegue à adolescência, procure corrigir em si mesmo todos os problemas que uma criação disfuncional fez com você, ou simplesmente respeite a individualidade dele. Você pode fazer em qualquer um dos vários caminhos psicológicos à disposição de qualquer pessoa, ou simplesmente não usando seu filho como depósito de frustrações. Todo pai quer que os filhos sigam seus passos, e isso é natural, nada contra. Obviamente, todos os pais querem filhos que exerçam as mesmas profissões que eles, que pratiquem as mesmas religiões que eles, que tenham a mesma sexualidade que eles, que sigam as mesmas opiniões políticas que eles, que morem nas mesmas cidades que eles, que tenham os mesmos gostos que eles e que possuam os mesmos pontos de vista que eles. Porém, nem sempre nossos filhos serão felizes exercendo a mesma profissão que a nossa, praticando a mesma religião que nós, tendo a mesma sexualidade que nós, seguindo as mesmas opiniões políticas que nós, morando nas mesmas cidades que nós, tendo os mesmos gostos que nós, nem possuindo os mesmos pontos de vista que nós. A maioria dos pais, hoje, criam filhos para serem suas cópias, e terminam deixando a felicidade deles em segundo plano. Muitas vezes, um filho nosso poderá seguir uma profissão que consideremos loucura (como ser professor de nível fundamental em vez de empresário de publicidade). Muitas vezes, um filho nosso pode simplesmente praticar uma religião que consideremos esquisita (imaginem-se como dois evangélicos pais de um filho umbandista). Pode ser que nossos filhos tenham sexualidade divergente do restante da família (imaginem uma filha trazendo a namorada para casa num lar heterossexual). Nossos filhos podem ter opiniões políticas diferentes (mesmo eu sendo coletivista libertário, pode ser que um filho meu simpatize com os ideais direitistas neoliberais). Pode acontecer de um filho nosso querer tentar a vida em outra cidade ou país (imaginem se um filho aparece com passaporte carimbado e malas prontas pra passar o resto da vida na Austrália). Pode ocorrer de nossos filhos terem gostos diferentes (mesmo eu amando Rock, um filho meu se tornar apaixonado por pagode). Pode ser que um filho nosso desenvolva pontos de vista distintos (um evolucionista pode ter um filho criacionista).
Ou seja, bons pais respeitam as decisões (mesmo aquelas que consideramos ruins ou loucuras) e a individualidade dos filhos, incentivam a livre expressão dos filhos (inclusive o questionamento das verdades dos pais), têm a mente aberta o suficiente para não sair julgando demais os amigos ou os gostos do filho, tiram dúvidas sobre a vida de forma aberta, compreensiva e não impositiva, não descontam raivas ou frustrações nos filhos, e estão presentes para interagir com eles quando precisarem (ou seja, colocam o bem-estar de seus filhos acima do cansaço do fim do dia após o trabalho). O lance é: nunca aja como Javé, pois ele não é lá um bom exemplo de pai. |
|
O estado de calamidade na saúde do RN e o problema do jornalismo-release Posted: 05 Jul 2012 07:44 AM PDT Os veículos de imprensa divulgaram a decretação de estado de calamidade na saúde do RN por parte da governadora Rosalba Ciarlini. Porém, alguns se limitaram a apresentar às informações que constam no release (comunicado) da assessoria do governo. Tal atitude, que não se restringe a esse caso específico, leva, muito comumente, a construção de um texto que tende a ocultar a análise dos fatos, que é fundamental para uma demonstração mais crítica da realidade.
Um release, sobretudo governamental, não vai mencionar os pontos negativos do passado e que desencadeou a ação que ele deseja descrever e transmitir. Releases não costumam ter história.O caso de Rosalba Ciarlini é exemplar. A sua assessoria de imprensa, cumprindo o seu dever, apenas disse que o Governo do RN vai investir 25 milhões na saúde e reequipar e estruturar unidades hospitalares da rede estadual. Ora, se aquele que mexe com informação só reproduz esse ponto de vista, não considera o fato, imprescindível para o entendimento da situação, de que a administração rosada está, na verdade, reagindo à ação do Ministério Público, que promoveu intervenção no hospital Walfredo Gurgel pelo caos ali instalado e estabeleceu um conjunto de sanções, caso não ocorra alteração no serviço prestado. A mera reprodução de um release também secundariza que a verba apresentada como investimento, não passa de uma reposição do corte no orçamento geral do estado para 2012. Em que pese os recordes mensais de arrecadação estatal, a saúde, educação, segurança pública a área de recursos hídricos sofreram diminuição de verba para 2012 em relação a 2011. Estas informações são imprescindíveis, se o jornalista quer pintar um quadro adequado do contexto. Mais. Muda completamente o olhar: ao invés de investimento, o posicionamento da governadora mostra que ela corre atrás dos acontecimentos, que não planejou e que está corrigindo erro que cometeu no início do ano, ao retirar verba da saúde. Talvez até não seja intenção do jornalista, mas o control-c control-v no release produz uma relação chapa branca com o poder governamental. A alta modernidade, que alastra cada vez a reflexividade entre os agentes e instituições, não admite mais o jornalismo release. Quer opinião e uma informação que se preocupe em estabelecer uma análise sincrônica e diacrônica dos acontecimentos. É a diferença entre o que (des)informa e o que leva o interlocutor a pensar a realidade criticamente. |
| You are subscribed to email updates from Carta Potiguar
To stop receiving these emails, you may unsubscribe now. |
Email delivery powered by Google |
| Google Inc., 20 West Kinzie, Chicago IL USA 60610 | |