José
da Tora sendo traído pelos seus irmãos com Yehuda como líder da traição.
Esta
alegoria seria particularmente apelativa para os Samaritanos Notzrim, que se
consideravam filhos de José, traídos pelos Judeus ortodoxos (representados
por
Judas/Yehuda.)
No entanto, a história dos doze apóstolos perdeu a sua interpretação
alegórica
original, e os Cristãos começaram a pensar que os "doze apóstolos" eram doze
pessoas reais que seguiram Jesus. Os Cristãos tentaram encontrar nomes para
estes doze apóstolos. Mateus e Tadeu foram baseados em Mattai e Todah, dois
dos
discípulos de Yeishu. Um ou os dois apóstolos chamados Jacobus (Tiago) é
possivelmente baseado no Jacob de Kfar Sekanya, um primitivo Cristão
conhecido
do rabi Eliezer ben Hyrcanus, mas isto é apenas uma suposição. Como já
vimos, a
personagem de Judas é maioritariamente baseado no Judah da Tora, mas poderá
haver também uma ligação com um contemporâneo de Yeishu, Yehuda ben Tabbai,
o
discípulo do Rabi Yehoshua ben Perachyah. Como já foi mencionado, a ideia do
traidor na última ceia é derivada da mitologia de Osíris, que foi traído por
Set-Typhon. Set-Typhon tinha cabelo ruivo, e esta é provavelmente a origem
da
afirmação de que Judas tinha o cabelo ruivo. Esta ideia levou ao retrato
estereotipo Cristão de que os Judeus têm cabelo ruivo, não obstante o facto
de
que, na realidade, o cabelo ruivo é de longe mais comum entre Arianos do que
entre Judeus.
O apelido "Iscariotes" é muitas vezes atribuído a Judas. Em algumas partes
onde
os Novos Testamentos Ingleses têm "Iscariotes", o texto Grego realmente tem
"apo
Kariotou", que significa "de Karyot". Karyot era o nome de uma cidade em
Israel,
provavelmente o moderno lugar conhecido em árabe como Karyatein. Portanto,
vê-se
que o nome Iscariotes é derivado do Hebreu "ish Karyot", que significa
"homem de
Karyot". Isto é, com efeito, a compreensão aceite hoje em dia, pelos
Cristãos,
do nome. No entanto, no passado, os Cristãos entendiam mal este nome, e
nasceram
lendas de que Judas era da cidade de Sychar, que ele era um membro do
partido
extremista conhecido como Sicarii, e que ele era da tribo de Issacar. O mais
interessante mal entendimento do nome é a sua primitiva confusão com a
palavra
scortea, que significa uma bolsa de couro. Isto levou ao mito do Novo
Testamento
de que Judas carregava uma tal bolsa, o que por sua vez levou à crença de
que
ele era o tesoureiro dos apóstolos.
O apóstolo Pedro parece ser uma personagem largamente ficcional. De acordo
com a
mitologia Cristã, Jesus escolheu-o para ser o "guardião das chaves do reino
dos
céus". Isto é claramente baseado na divindade pagã egípcia Petra, que era o
porteiro do céu e da vida após a morte, governados por Osíris. Temos também
de
duvidar da história de Lucas "o médico", que era suposto ser amigo de Paulo.
O
original Grego para Lucas é Lycos, que era um outro nome para Apolo, o deus
da
cura.
João Baptista é largamente baseado numa personagem histórica que praticava
imersão ritual na água como um símbolo físico de arrependimento. Ele não
realizava baptismos sacramentais ao estilo Cristão para purificar as almas
das
pessoas - tal ideia era totalmente estranha ao Judaísmo. Ele foi condenado à
morte por Herodes Antipas, que temeu que ele estivesse prestes a começar uma
rebelião. O nome de João em Grego era "Ioannes", e em latim "Johannes".
Apesar
de estes nomes serem usualmente usados para o nome Hebreu Yochanan, é
improvável
que este tenha sido o verdadeiro nome Hebreu de João. "Ioannes" assemelha-se
a
"Oannes", o nome Grego para o deus pagão Ea. Oannes era o "Deus da Casa de
Água". Baptismos sacramentais para purificação mágica das almas era uma
prática
que aparentemente originou a adoração de Oannes. A mais provável explicação
do
nome de João e a sua relação com Oannes é a de que João provavelmente
ostentou o
apelido "Oannes", dado que ele praticava o baptismo, que tinha adaptado do
culto
de Oannes. O nome "Oannes" foi mais tarde confundido com "Ioannes" (de
facto, a
lenda do Novo Testamento que diz respeito a João providencia uma pista de
que o
seu verdadeiro nome talvez tenha sido Zacarias.) É sabido, dos escritos de
Flávio Josefo, que o João histórico rejeitou a interpretação pagã do
baptismo
como "purificação de almas". Os Cristãos, no entanto, voltaram a esta
interpretação pagã original.
O deus Oannes era associado com a constelação do Capricórnio. Tanto Oannes
como
a constelação do Capricórnio eram associados com a água (a constelação é
suposto
representar uma mítica criatura marítima com o corpo de peixe e as partes
dianteiras de um bode.) Já vimos que a Jesus é dado a mesma data de
nascimento
do deus sol (25 de Dezembro), quando o sol está na constelação de
Capricórnio.
Os pagãos pensavam deste período como um onde o deus sol imerge nas águas de
Oannes e emerge renascido (o Solstício de Inverno, quando os dias começam a
ficar maiores, ocorre perto de 25 de Dezembro.) Este mito astrológico é
aparentemente a origem da história de que Jesus foi baptizado por João.
Provavelmente começou como uma história astrológica alegórica, mas parece
que o
deus Oannes mais tarde foi confundido com a personagem histórica de apelido
Oannes (João.)
A crença de que Jesus tinha conhecido João contribuiu para a crença de que a
pregação e crucificação de Jesus tenha ocorrido quando Pôncio Pilatos era
procurador da Judeia. É de notar que muitas das datas para Jesus citadas
pelos
Cristãos são completamente absurdas. Jesus foi em parte baseado em Yeishu e
ben
Stada, que provavelmente viveram com mais de um século de diferença. Ele foi
também baseado nos três falsos Messias, Yehuda, Theudas e Benjamim, que
foram
crucificados pelos Romanos em várias épocas diferentes. Outro facto que
contribuiu para a datação confusa de Jesus foi que Jacob de Kfar Sekanya e
provavelmente também outros Notzrim usavam expressões como "assim fui
ensinado
por Yeishu ha-Notzri", apesar dele não ter sido ensinado por Yeishu em
pessoa.
Sabemos da Gemara que o testemunho de Jacob levou o Rabi Eliezer ben
Hyrcanus a
incorrectamente concluir que Jacob era um discípulo de Yeishu. Isto sugere
que
havia rabis que não sabiam que Yeishu tinha vivido nos tempos Asmoneus.
Mesmo
depois dos Cristãos situarem Jesus no primeiro século D.C., a confusão
continuou
entre os não-Cristãos. Houve um contemporâneo do Rabi Akiva chamado Pappus
ben
Yehuda que costumava trancar a sua esposa infiel. Sabemos da Gemara que
algumas
pessoas que algumas pessoas que confundiam Yeishu e ben Stada confundiam a
mulher de Pappus com Míriam, a infiel esposa de Yeishu. Isto iria situar
Yeishu
mais de dois séculos depois do que ele actualmente viveu!
A história do Novo Testamento confunde tantos períodos históricos que não há
maneira de a reconciliar com a História. O ano tradicional do nascimento de
Jesus é 1 D.C. Era suposto Jesus não ter mais de dois anos de idade quando
Herodes ordenou a matança dos inocentes. No entanto, Herodes morreu antes de
12
de Abril do ano 4 A.C.. Isto levou alguns Cristãos a redatarem o nascimento
de
Jesus entre 6 - 4 A.C.. No entanto, Jesus era também suposto ter nascido
durante
o censos de Quirinius. Este censos teve lugar depois de Arquelau ter sido
deposto em 6 D.C., dez anos depois da morte de Herodes. Era suposto Jesus
ter
sido baptizado por João logo depois de João ter começado a baptizar e a
pregar,
no décimo quinto ano do reinado de Tibério, i.e., 28 - 29 D.C., quando
Pôncio
Pilatos foi governador da Judeia, i.e., 26 - 36 D.C. De acordo com o Novo
Testamento, isto também aconteceu quando Lysanias foi tetrarca de Abilene e
Anás
e Caifás eram sumos sacerdotes. Mas Lysanias governou Abilene de c. 40 A.C.
até
ser executado em 36 A.C. por Marco António, cerca de 60 anos antes da data
para
Tibério, e cerca de 30 anos antes do suposto nascimento de Jesus! Além do
mais,
nunca houve dois sumos sacerdotes juntos, em particular, Anás não foi sumo
sacerdote juntamente com Caifás. Anás foi retirado do ofício de sumo
sacerdote
em 15 D.C., depois de deter o ofício por alguns nove anos. Caifás só se
tornou
sumo sacerdote em 18 D.C., cerca de três anos depois de Anás (ele deteve
este
ofício durante cerca de 18 anos, e assim as suas datas são consistentes com
Tibério e Pôncio Pilatos, mas não com Anás ou Lysanias.) Apesar dos Actos
dos
Apóstolos apresentarem Yehuda da Galileia, Theudas e Jesus como três pessoas
diferentes, situa incorrectamente Theudas (crucificado no ano 44 D.C.) antes
de
Yehuda, que menciona correctamente como tendo sido crucificado durante o
censos
(6 D.C.) Muitos destes absurdos cronológicos parecem ser baseados em
leituras
mal interpretadas e mal entendimentos do livro de Flávio Josefo
"Antiguidades
Judaicas", que foi usado como referência pelo autor do Evangelho segundo S.
Lucas e dos Actos dos Apóstolos.
A história do julgamento de Jesus é também altamente suspeita. Tenta
claramente
aplacar os Romanos enquanto difama os Judeus. O Pôncio Pilatos histórico era
arrogante e déspota. Ele odiava os Judeus e nunca delegou nenhuma autoridade
neles. No entanto, na mitologia Cristã, ele é retratado como um governante
preocupado que se distancia das acusações contra Jesus e que foi forçado a
obedecer às pretensões dos Judeus. De acordo com a mitologia Cristã, em cada
Passagem os Judeus pediriam a Pilatos para libertar um qualquer criminoso
que
eles escolhessem. Isto é, claro, uma mentira espalhafatosa. Os Judeus nunca
tiveram o costume de libertar criminosos culpados na Passagem ou em qualquer
outra época do ano. De acordo com o mito, Pilatos deu aos Judeus a chance de
libertar Jesus, o Cristo, ou um assassino chamado Jesus Barrabás. Os Judeus
são
supostos ter entusiasticamente escolhido Jesus Barrabás. Esta história é uma
malévola mentira anti-semita, uma das muitas mentiras semelhantes
encontradas no
Novo Testamento (maioritariamente escrito por anti-semitas.) O que é
particularmente odioso nesta história sem sentido é que é aparentemente uma
distorção de uma história mais antiga que clamava que os Judeus tinham
pedido
para Jesus Cristo ser liberto. O nome "Barrabás" é simplesmente a forma
Grega do
Aramaico "bar Abba", que significa "filho do Pai". Assim, "Jesus Barrabás"
originalmente significava "Jesus o filho do Pai", em outras palavras o usual
Jesus Cristão. Quando a história antiga clamava que os Judeus queriam que
Jesus
Barrabás fosse solto, estava a referir-se ao Jesus usual. Alguém distorceu a
história afirmando que Jesus Barrabás era uma pessoa diferente de Jesus
Cristo e
isto enganou os Cristãos Romanos e Gregos, que não sabiam o significado do
nome
"Barrabás".
Finalmente, a afirmação de que o Jesus ressurrecto apareceu aos seus
discípulos
é também baseada em superstições pagãs. Na mitologia Romana, Rómulo, nascido
de
uma virgem, apareceu ao seu amigo na estrada antes de ser levado para o céu
(o
tema de ser levado para o céu é encontrado em grande número de mitos e
lendas
pagãs, e até em histórias Judaicas.) Foi afirmado que Apolónio de Tyana
também
tinha aparecido aos seus discípulos depois de ter ressuscitado. É
interessante
de notar que o Apolónio histórico nasceu mais ou menos ao mesmo tempo que o
mítico Jesus era suposto ter nascido. Em lendas, as pessoas afirmavam que
ele
tinha executado muitos milagres, que eram idênticos àqueles atribuídos a
Jesus,
tal como exorcismos de demónios e o de trazer novamente a vida a uma
rapariga
morta.
Quando confrontados com missionários Cristãos, deve-se apontar tanta
informação
quanta for possível acerca das origens do Cristianismo e do mito de Jesus.
Quase
nunca os irás conseguir convencer de que o Cristianismo é uma falsa
religião.
Não poderás provar para além de todas as dúvidas de que a história de Jesus
surgiu da maneira que nós afirmamos, uma vez que muita da evidência é
circunstancial. De facto, não podemos ter a certeza da origem precisa de
muitos
pontos particulares da história de Jesus. Isto não interessa. O que é
importante
é que tu próprio compreendas que existem alternativas lógicas à crença cega
nos
mitos Cristãos e que pode ser lançada uma dúvida racional sobre a narrativa
do
Novo Testamento.
A FALTA DE EVIDÊNCIA HISTÓRICA PARA JESUS
A resposta Cristã habitual para os que questionam a historicidade de Jesus é
manusear vários documentos como "evidência histórica" para a existência de
Jesus. Eles normalmente começam com os evangelhos canónicos, ou seja, O
Evangelho segundo S. Mateus, O Evangelho segundo S. Marcos, O Evangelho
segundo
S. Lucas e O Evangelho segundo S. João. A afirmação habitual é a de que
estes
são "registos de testemunhas oculares sobre a vida de Jesus feitas pelos
seus
discípulos". A resposta a este argumento pode ser resumido numa palavra -
pseudepigráfico. Este termo refere-se a trabalhos de escrita cujos autores
ocultam as suas verdadeiras identidades atrás de nomes de personagens
lendárias
do passado. A escrita pseudepigráfica era particularmente popular entre os
Judeus durante os períodos Asmoneu e Romano, e este estilo de escrita foi
adoptado pelos primeiros Cristãos.
Os evangelhos canónicos não são os únicos evangelhos. Por exemplo, há também
evangelhos de Maria, Pedro, Tomé e Filipe. Estes quatro evangelhos são
reconhecidos como sendo pseudepigráficos tanto por escolares Cristãos como
não
Cristãos. Eles providenciam uma informação histórica ilegítima dado que
foram
baseados em rumores e crenças. A existência destes óbvios evangelhos
pseudepigráficos faz com que seja bastante racional suspeitar que os
evangelhos
canónicos poderão também ser pseudepigráficos. O facto de que os primeiros
Cristãos escreviam evangelhos pseudepigráficos sugere que isto era de facto
a
norma. Deste modo, é quando os missionários afirmam que os evangelhos
canónicos
não são pseudepigráficos que requer provas.
O Evangelho segundo S. Marcos é escrito no nome de S. Marcos, o discípulo do
mítico S. Pedro (S. Pedro é maioritariamente baseado no deus pagão Petra,
que
era o porteiro do céu e da vida depois da morte na religião egípcia.) Até na
mitologia Cristã S. Marcos não era discípulo de Jesus, mas um amigo de S.
Paulo
e S. Lucas. O Evangelho segundo S. Marcos foi escrito antes do Evangelho
segundo
S. Mateus e do Evangelho segundo S. Lucas (c. de 100 D.C.), mas depois da
destruição do Templo em 70 D.C., que menciona. Muitos Cristãos acreditam que
foi
escrito em c. 75 D.C. Esta data não é baseada em História, mas na crença de
que
um histórico S. Marcos escreveu o evangelho na sua velhice. Isto não é
possível,
dado que o estilo de linguagem usada em S. Marcos mostra que foi escrita
(provavelmente em Roma) por um Romano convertido ao Cristianismo, cuja
primeira
língua era Latim e não Grego, Hebreu ou Aramaico. De facto, como todos os
outros
evangelhos são escritos em nome de personagens lendárias do passado, o
Evangelho
segundo S. Marcos foi provavelmente escrito muito depois de algum Marcos
histórico (se houve um) ter morrido. O conteúdo do Evangelho segundo S.
Marcos é
uma colecção de mitos e lendas que foram juntos de forma a formar uma
narrativa
contínua. Não há provas de que tenha sido baseado em qualquer fonte
histórica de
confiança. O Evangelho segundo S. Marcos foi alterado e editado muitas
vezes, e
a versão moderna provavelmente data de cerca de 150 D.C. Clemente de
Alexandria
(c. de 150 D.C. - c. de 215 D.C.) queixou-se acerca das versões alternativas
deste evangelho, que ainda circulavam no seu tempo (os Carpocratians, uma
primeira facção Cristã, considerava a pederastia como sendo uma virtude, e
Clemente queixou-se da sua versão do Evangelho segundo S. Marcos, que
contava as
explorações homossexuais de Jesus com rapazes novos!.)
O Evangelho segundo S. Mateus certamente não foi escrito pelo apóstolo S.
Mateus. A personagem de S. Mateus é baseada na personagem histórica chamada
Mattai, que era um discípulo de Yeishu ben Pandeira (Yeishu, que viveu nos
tempos Asmoneus, foi uma das várias pessoas históricas em quem a personagem
de
Jesus foi baseada.) O Evangelho segundo S. Mateus foi originalmente anónimo
e só
foi lhe foi imputado o nome de S. Mateus algures durante a primeira metade
do
segundo século D.C. A forma primitiva foi provavelmente escrita mais ou
menos ao
mesmo tempo do Evangelho de S. Lucas (c. de 100 D.C.), pois nenhum dos dois
parece saber do outro. Foi alterado e editado até cerca de 150 D.C. Os
primeiros
dois capítulos, que tratam da virgem a dar à luz, não estavam na versão
original, e os Cristãos de Israel com descendência Judaica preferiram esta
primeira versão. Para suas fontes, usou o Evangelho segundo S. Marcos e uma
colecção de ensinamentos referidos como a Segunda Fonte (ou o Documento Q.)
A
Segunda Fonte não sobreviveu como um documento isolado, mas todos os seus
conteúdos são encontrados no Evangelho segundo S. Marcos e no Evangelho
segundo
S. Lucas. Todos os ensinamentos aí contidos podem ser encontrados no
Judaísmo.
Os ensinamentos mais razoáveis podem ser encontrados no Judaísmo ortodoxo,
enquanto que os menos razoáveis podem ser encontrados no Judaísmo sectário.
Não
há nada nele que requeira a nossa suposição da existência de um Jesus
histórico
real. Apesar do Evangelho segundo S. Mateus e do Evangelho segundo S. Lucas
atribuírem os ensinamentos neles contidos a Jesus, a Epístola de S. Tiago
atribui-os a S. Tiago. Como foi visto, o Evangelho segundo S. Mateus não
providencia nenhuma evidência histórica para Jesus.
O Evangelho de S. Lucas e o livro dos Actos dos Apóstolos (que eram duas
partes
de um mesmo trabalho) foram escritos em nome da personagem mitológica Cristã
de
S. Lucas, o médico (que provavelmente não foi uma personagem histórica mas
uma
adaptação Cristã do deus Grego da cura Lycos.) Até na mitologia Cristã S.
Lucas
não foi um discípulo de Jesus, mas um amigo de S. Paulo. O Evangelho segundo
S.
Lucas e os Actos dos Apóstolos usam o livro de Flávio Josefo, "Antiguidades
Judaicas", como referência, e assim não podiam ter sido escritos antes de 93
D.C. Nesta altura, qualquer amigo de S. Paulo estaria ou morto ou bem senil.
De
facto, tanto escolares Cristãos como não Cristãos estão de acordo de que as
primeiras versões dos dois livros foram escritas por um Cristão anónimo em
c.
100 D.C., e foram alterados e editados até c. 150 - 175 D.C. Além do livro
de
Flávio Josefo, o Evangelho segundo S. Lucas e os Actos dos Apóstolos também
usam
o Evangelho de S. Marcos e a Segunda Fonte como referências. Apesar de
Flávio
Josefo ser considerado mais ou menos de confiança, o autor anónimo muitas
vezes
lê ou entende mal Flávio Josefo, e além disso nenhuma das informações acerca
de
Jesus no Evangelho segundo S. Lucas e nos Actos dos Apóstolos vem de Flávio
Josefo. Como se vê, o Evangelho segundo S. Lucas e os Actos dos Apóstolos
não
têm valor histórico.
O Evangelho segundo S. João foi escrito em nome do apóstolo S. João, o irmão
de
S. Tiago, filho de Zebedeu. O autor do Evangelho segundo S. Lucas usou
tantas
fontes quantas pode obter, mas ele não tinha conhecimento do Evangelho
segundo
S. João. Assim, o Evangelho segundo S. João não podia ter sido escrito antes
do
Evangelho segundo S. Lucas (c 100 D.C.) Consequentemente, o Evangelho
segundo S.
João não podia ter sido escrito pela semi-mítica personagem de S. João, o
apóstolo, que era suposto ter sido morto por Herodes Agripa pouco antes da
sua
própria morte em 44 D.C. (S. João, o apóstolo, é aparentemente baseado num
histórico discípulo do falso Messias, Theudas, que foi crucificado pelos
Romanos
em 44 D.C., e cujos discípulos foram assassinados.) O autor real do
Evangelho
segundo S. João foi, de facto, um anónimo Cristão de Éfeso, na Ásia Menor. O
fragmento mais velho sobrevivente do Evangelho segundo S. João data de c.
125
D.C., e assim podemos datar o Evangelho de c. 100 - 125 D.C. Baseados em
considerações estilísticas, muitos escolares diminuem a data para c. 100 -
120
D.C. A primeira versão do Evangelho segundo S. João não contém o último
capítulo, que trata da aparição de Jesus aos seus discípulos. Tal como os
outros
Evangelhos, o Evangelho segundo S. João provavelmente só chegou à sua
presente
forma por volta de 150 - 175 D.C. O autor do Evangelho segundo S. João usou
o
Evangelho segundo S. Marcos frugalmente, e assim pode-se suspeitar que não
confiava nele. Ele ou não tinha lido o Evangelho segundo S. Mateus e o
Evangelho
segundo S. Lucas ou não confiava neles, pois ele não usa nenhuma informação
deles que não tenha sido encontrada no Evangelho segundo S. Marcos. Grande
parte
do Evangelho segundo S. João consiste em lendas com óbvias interpretações
fundamentais alegóricas, e pode-se suspeitar que o autor nunca tencionou que
fossem História. O Evangelho segundo S. João não contém nenhuma informação
de
fontes históricas de confiança.
Os Cristãos afirmarão que próprio Evangelho segundo S. João declara que é um
documento histórico escrito por S. João. Esta pretensão é baseada nos versos
Jo
19.34 - 35 e Jo 21.20 - 24. Jo 19.34 - 35 não afirma que o Evangelho foi
escrito
por S. João. Afirma que os eventos descritos nos versos imediatamente
precedentes foram reportados correctamente por uma testemunha. A passagem é
ambígua e não é claro se a testemunha é suposta ser a mesma pessoa que o
autor.
Muitos escolares são da opinião de que a ambiguidade é deliberada e que o
autor
do Evangelho segundo S. João está a tentar arreliar os seus leitores nesta
passagem, bem como nas passagens em que conta histórias miraculosas com
interpretações alegóricas. Jo 21.20 - 24 também não afirma que o autor é S.
João. Afirma que o discípulo mencionado na passagem é alguém que testemunhou
os
eventos descritos. É mais uma vez notavelmente ambíguo no que refere à
questão
do discípulo ser a mesma pessoa que o autor. É de notar que esta última
passagem
é no último capítulo do Evangelho segundo S. João, que não fazia parte do
Evangelho original, mas que foi adicionado como um epílogo por um redactor
anónimo. Tem de se estar consciente do facto de que muitas traduções "fáceis
de
entender" do Novo Testamento distorcem as passagens mencionadas para remover
a
ambiguidade encontrada no original Grego (idealmente, uma pessoa precisa de
estar familiarizada com o texto original Grego do Novo Testamento de maneira
a
evitar traduções preconceituosas e corrompidas usadas por fundamentalistas e
missionários Cristãos.)
De maneira a fazer recuar as suas pretensões de que o Evangelho segundo S.
Marcos e o Evangelho segundo S. Mateus foram escritos pelos "reais"
apóstolos S.
Marcos e S. Mateus, e que Jesus é uma personagem histórica, os missionários
muitas vezes chamam a atenção para o assim chamado "testemunho de Papias".
Papias foi o bispo de Hierápolis (perto de Éfeso) em meados do segundo
século
D.C. Nenhum dos seus escritos sobreviveu, mas o historiador Cristão Eusébio
(c.
260 - 339 D.C.), no seu livro História Eclesiástica (escrito c. 311 - 324
D.C.)
parafraseou certas passagens do livro de Papias "Exposition of the Oracles
of
the Lord" (escrito c. 140 - 160 D.C.) Nestas passagens, Papias afirma que
tinha
conhecido as filhas do apóstolo S. Filipe, e também reportou várias
histórias
que afirmou terem vindo de pessoas chamadas Aristion e João, o Ansião, que
ainda
estariam vivos durante a sua própria vida. Eusébio parece ter pensado que
Aristion e João, o Ansião eram discípulos de Jesus. Papias afirmava que
João, o
Ansião tinha dito que S. Marcos tinha sido o intérprete de S. Pedro e tinha
escrito exactamente tudo o que S. Pedro tinha escrito sobre Jesus. Papias
também
afirmou que S. Mateus tinha compilado todos os "oráculos" em Hebreu, e todos
os
tinham interpretado o melhor que podiam. Nada disto, no entanto, providencia
uma
evidência histórica legítima de Jesus nem suporta a crença de que o
Evangelho
segundo S. Marcos e o Evangelho segundo S. Mateus foram realmente escritos
por
apóstolos ostentando aqueles nomes. Papias foi um blasonador e não é de
nenhuma
maneira certo de que ele tenha sido honesto quando afirmou ter conhecido as
filhas de S. Filipe. Mesmo que tivesse, isto iria, no máximo, provar que o
apóstolo S. Filipe da mitologia Cristã tinha sido baseado numa personagem
histórica. Papias nunca afirmou explicitamente que tinha conhecido Aristion
e
João, o Ansião. Além do mais, só porque Eusébio no século IV acreditou que
tinham sido discípulos de Jesus não quer dizer que tenham sido. Nada é
conhecido
sobre quem realmente seria Aristion. Ele não é certamente um dos discípulos
na
usual tradição Cristã. Já vi livros em que certos fundamentalistas Cristãos
afirmam que João, o Ansião era o apóstolo S. João, o filho de Zebedeu, e que
ele
ainda estaria vivo quando Papias era jovem. Eles também afirmam que Papias
viveu
entre c. 60 - 130 D.C., e que ele escreveu o seu livro em c. 120 D.C. Estas
datas não são baseadas em nenhuma legítima evidência e são um completo
disparate: Papias foi bispo de Hierápolis em c. 150 D.C. e como foi já
mencionado o seu livro foi escrito algures no período c. 140 - 160 D.C.
Puxando
a data para Papias para 60 D.C., ainda não o coloca durante o tempo de vida
do
apóstolo S. João, que, de acordo com as lendas Cristãs normais, foi morto em
44
D.C. Além disso, é improvável que João, o Ansião tenha tido alguma coisa a
haver
com S. João, o apóstolo. De acordo com Epifâneo (c. 320 - 403), um primitivo
Cristão chamado João, o Ansião tinha morrido em 117 D.C. Teremos mais a
dizer
sobre ele quando discutirmos as três epístolas atribuídas a S. João.
Qualquer
que seja o caso, as histórias que Papias coleccionou eram sendo contadas
pelo
menos uma década depois de os Evangelhos e os Actos dos Apóstolos terem sido
escritos, e reflectem rumores e superstições infundadas acerca das origens
destes livros. Em particular, a história acerca de S. Marcos obtida de João,
o
Ansião, não é mais que uma elaboração superficial da lenda acerca de S.
Marcos
encontrada nos Actos dos Apóstolos, e assim não nos diz nada acerca das
verdadeiras origens do Evangelho segundo S. Marcos. A história acerca de S.
Mateus escrever os "oráculos" é simplesmente um rumor, e além disso, não tem
nada a haver com o Evangelho segundo S. Mateus. O termo "oráculos" pode
apenas
ser entendido como uma referência à colecção de escritos conhecidos como
Oracles
of the Lord, que é referido no título do livro de Papias, e que com toda a
probabilidade é a mesma coisa que a Segunda Fonte, não o Evangelho segundo
S.
Mateus.
Além dos Evangelhos canónicos e dos Actos dos Apóstolos, os missionários
também
tentam usar as várias epístolas Cristãs como prova da história de Jesus.
Eles
afirmam que as epístolas são cartas escritas por discípulos e seguidores de
Jesus. No entanto, epístolas (do Grego epistolē, significando mensagem
ou ordem)
são livros, escritos sob forma de cartas (usualmente de personagens
lendárias do
passado), que expõem doutrinas e instruções religiosas. Esta forma de
escrita
religiosa foi usada pelos Judeus nos tempos Greco-Romanos (a mais famosa
epístola Judaica é a Epístola de Jeremias, que é uma prolongada condenação
da
idolatria, escrita durante o período Helénico na forma de carta pelo profeta
Jeremias à população de Jerusalém mesmo antes deles terem sido exilados para
a
Babilónia.) Como no caso dos Evangelhos, há epístolas Cristãs que não estão
contidas no Novo testamento, que escolares tanto Cristãos como não-Cristãos
concordam serem epístolas pseudepigráficas e de nenhum valor histórico, pois
expõem crenças e não História. A existência de epístolas pseudepigráficas, e
verdadeiramente todo o conceito de uma epístola, sugere que as epístolas
eram
normalmente pseudepigráficas. Ainda assim, são as afirmações dos
missionários e
Cristãos fundamentalistas de que as epístolas canónicas são cartas genuínas
que
requerem provas.
A Epístola de S. Judas é escrita em nome de Jude (Judas), o irmão de S.
Tiago.
De acordo com o Evangelho segundo S. Marcos e o Evangelho segundo S. Mateus,
Jesus tinha irmãos chamados Judas e Tiago. Comparando com outros escritos
mostra
que a Epístola de S. Judas foi escrita em c. 130 D.C., e assim é obviamente
pseudepigráfica. No entanto, não há nenhuma evidência que o seu autor usou
alguma fonte histórica legítima no que se refere a Jesus.
Duas das epístolas canónicas são escritas em nome de S. Pedro. Dado que S.
Pedro
é uma adaptação da divindade pagã egípcia Petra, estas epístolas certamente
não
foram escritas por ele. O estilo e o carácter da Primeira Epístola de S.
Pedro
sozinhos mostram que não pode ter sido escrita antes de 80 D.C. Até de
acordo
com a lenda Cristã, S. Pedro era suposto ter morrido no decurso das
perseguições
instigadas por Nero em c. 64 D.C. e portanto ele não poderia ter escrito a
epístola. O autor do Evangelho segundo S. Lucas e dos Actos dos Apóstolos
usou
todas as fontes escritas que conseguiu obter e tendia a usá-los
indiscriminadamente, no entanto ele não menciona quaisquer epístolas de S.
Pedro. Isto mostra que a Primeira Epístola de S. Pedro foi provavelmente
escrita
depois do Evangelho segundo S. Lucas e dos Actos dos Apóstolos (c. 100 D.C.)
Nenhuma das referências a Jesus na Primeira Epístola de S. Pedro é tirada de
fontes históricas, mas em vez disso reflecte crenças e superstições. A
Segunda
Epístola de S. Pedro é uma declaração contra os Marcionistas, e portanto
deve
ter sido escrita em c. 150 D.C. Como se vê, é claramente pseudepigráfico. A
Segunda Epístola de S. Pedro usa como fontes: a história da transfiguração
de
Jesus encontrada no Evangelho segundo S. Marcos, Evangelho segundo S. Mateus
e
Evangelho segundo S. Lucas, o Apocalipse de S. Pedro e a Epístola de S.
Judas. O
não canónico Apocalipse de S. Pedro (escrito algures no primeiro quarto do
segundo século D.C.) é reconhecido como sendo não-histórico até pelos
fundamentalistas Cristãos. Assim, a Segunda Epístola de S. Pedro também não
usa
qualquer fonte histórica legítima.
Agora voltamo-nos para as epístolas supostamente escritas por S. Paulo. A
Primeira Epístola de S. Paulo a Timóteo avisa contra o trabalho Marcionista
conhecido como Antithesis. Marcion foi expulso da Igreja de Roma em c. 144
D.C.
e a Primeira Epístola de S. Paulo a Timóteo foi escrita pouco depois. Como
se
vê, temos novamente um caso claro de pseudepigrafia. A Segunda Epístola de
S.
Paulo a Timóteo e a Epístola de S. Paulo a Tito foram escritas pelo mesmo
autor
e datam de cerca do mesmo período. Estas três epístolas são conhecidas como
as
"epístolas pastorais". As 10 restantes epístolas "não-pastorais" escritas no
nome de S. Paulo eram conhecidas por Marcion em c. 140 D.C. Algumas delas
não
foram escritas somente no nome de S. Paulo, mas estão na forma de cartas
escritas por S. Paulo em colaboração com vários amigos como Sosthenes,
Timóteo e
Silas. O autor do Evangelho segundo S. Lucas e dos Actos dos Apóstolos usou
todas as vias para obter todas as fontes disponíveis e tendeu a usá-las
indiscriminadamente, mas ele não usou nada das epístolas Paulinas. Podemos
então
concluir que as epístolas não-pastorais foram escritas depois do Evangelho
segundo S. Lucas e dos Actos dos Apóstolos no período c. 100 - 140 D.C. A
não-canónica Primeira Epístola de Clemente aos Coríntios (escrita c. 125
D.C.)
usa a Primeira Epístola de S. Paulo aos Corintios como fonte, e portanto
podemos
reduzir a data para essa epístola para 100 - 125 D.C. No entanto, ficamos
com a
conclusão de que todas as epístolas Paulinas são pseudepigráficas (o
semi-mítico
S. Paulo era suposto ter morrido durante as perseguições instigadas por Nero
em
c. 64 D.C.) Algumas das epístolas Paulinas aparentam terem sido alteradas e
revistas numerosas vezes antes de terem chegado às suas formas modernas.
Como
fontes usam-se mutuamente, e ainda os Actos dos Apóstolos, o Evangelho
segundo
S. Marcos, o Evangelho segundo S. Mateus, o Evangelho segundo S. Lucas e a
Primeira Epístola de S. Pedro. Podemos então concluir que não providenciam
nenhuma evidência histórica de Jesus.
A Epístola aos Hebreus é uma epístola particularmente interessante, dado que
não
é pseudepigráfica mas completamente anónima. O seu autor nem revela o seu
próprio nome nem escreve em nome de uma personagem mitológica Cristã. Os
Cristãos fundamentalistas clamam ser outra epístola de S. Paulo e de facto
chamam-lhe Epístola de S. Paulo aos Hebreus. Esta ideia, aparentemente
datando
do final do quarto século D.C., não é no entanto aceite por todos os
Cristãos.
Como fonte para a sua informação sobre Jesus usa material comum ao Evangelho
segundo S. Marcos, ao Evangelho segundo S. Mateus e ao Evangelho segundo S.
Lucas, mas não fontes legítimas. O autor da Primeira Epístola de São
Clemente
usou-o como fonte, e portanto deve ter sido escrita antes dessa epístola (c.
125
D.C.) mas depois de, pelo menos, o Evangelho segundo S. Marcos (c. 75 - 100
D.C.)
A Epístola de S. Tiago é escrita no nome de um servo de Jesus chamado Tiago
(ou
Jacobus.) No entanto, na mitologia Cristã havia dois apóstolos chamados
Tiago e
Jesus também tinha um irmão chamado Tiago. Não é claro qual dos Tiagos é o
pretendido, e não há entendimento entre os próprios Cristãos. Cita
declarações
da Segunda Fonte, mas ao contrário do Evangelho segundo S. Mateus e do
Evangelho
segundo S. Lucas não atribui estas declarações a Jesus, mas apresenta-as
como
sendo de S. Tiago. Contém um importante argumento contra a doutrina da
"salvação
através da fé" exposta na Epístola de S. Paulo aos Romanos. Podemos então
concluir que foi escrita durante a primeira metade do segundo século D.C.,
depois da Epístola aos Romanos mas antes do tempo em que o Evangelho segundo
S.
Mateus e o Evangelho segundo S. Lucas foi aceite por todos os Cristãos.
Assim,
indiferentemente de qual seja o S. Tiago pretendido, a Epístola de S. Tiago
é
pseudepigráfica. Não diz quase nada de Jesus e não há evidência de que o
autor
tinha quaisquer fontes históricas para ele.
Há três epístolas com o nome do apóstolo S. João. Nenhuma delas é, de facto,
escrita no nome de S. João, e provavelmente só lhas foram atribuídas algum
tempo
depois de terem sido escritas. A Primeira Epístola de S. João, tal como a
Epístola aos Hebreus, é completamente anónima. A ideia de que foi escrita
por S.
João vem do facto de que usa o Evangelho segundo S. João como fonte. As
outras
duas epístolas com o nome de S. João foram escritas por um único autor que
em
vez de escrever em nome de um apóstolo, escolheu simplesmente chamar-se "o
Ancião". A ideia de que estas duas epístolas foram escritas por S. João
nasceu
das crenças de que "o Ancião" se referia a João, o Ancião, e que ele era a
mesma
pessoa que o apóstolo S. João. No caso da Segunda Epístola de S. João, esta
crença foi reforçada pelo facto de que essa epístola também usa o Evangelho
segundo S. João como fonte. Podemos então concluir que as primeiras duas
epístolas atribuídas a S. João foram escritas depois do Evangelho segundo S.
João (c. 110 -120 D.C.) Consequentemente, nenhuma das três epístolas poderia
ter
sido escrita pelo apóstolo S. João. Deve-se apontar que é bastante possível
que
o pseudónimo "o Ancião" se refira à pessoa chamada João, o Ancião, mas se
tal
assim é, ela não é certamente o apóstolo S. João. As primeiras duas
epístolas de
S. João apenas usam o Evangelho segundo S. João como fonte para Jesus; elas
não
usam nenhumas fontes legítima. A Terceira Epístola de S. João menciona
"Cristo"
escassamente e não há evidências de que tenha usado qualquer fontes
históricas
para ele.
Além das epístolas com o nome de S. João, o Novo Testamento também contém um
livro conhecido como Apocalipse do Apóstolo S. João. Este livro combina duas
formas de escrita religiosa, a da epístola e a do apocalipse (apocalipses
são
trabalhos religiosos que são escritos na forma de revelação acerca do futuro
por
uma personagem famosa do passado. Estas revelações geralmente descrevem
eventos
infelizes que ocorrem no tempo em que foram escritas, e também oferecem
alguma
esperança ao leitor de que as coisas irão melhorar.) Não é certo por quantas
revisões passou o Apocalipse do Apóstolo S. João, e assim é difícil datá-la
precisamente. Dado que menciona as perseguições instigadas por Nero, podemos
dizer com certeza que não foi escrita antes de 64 D.C. Assim sendo, não
poderia
ter sido escrita pelo "verdadeiro S. João". Os primeiros versos formam uma
introdução que é claramente entendida como não sendo de S. João, e que
providencia uma vaga admissão de que o livro é pseudepigráfico, apesar do
autor
sentir que a sua mensagem é inspirada por Deus. O estilo de escrita e as
referências à prática de kriobolium (baptismo em sangue de ovelha) sugerem
que o
autor era dessas pessoas de descendência Judaica que misturavam o Judaísmo
com
práticas pagãs. Havia muitos destes "Judeus pagãos" durante os tempos
Romanos, e
foram estas pessoas que se tornaram nos primeiros convertidos aos
Cristianismo,
estabeleceram as primeiras igrejas, e que foram provavelmente também
responsáveis pela introdução de mitos pagãos na história de Jesus (eles são
também lembrados pela sua crença ridícula de que "Adonai Tzevaot" era o
mesmo
que o deus pagão "Sebazios".) As referências a Jesus no livro são poucas e
não
há evidências de que são baseadas em nada mais que crença.
Além das epístolas aceites no Novo Testamento, e além das epístolas que são
unanimemente reconhecidas como não tendo qualquer valor (como a Epístola de
Barnabas), existem também várias epístolas que embora não aceites no Novo
Testamento são consideradas de valor por alguns Cristãos. Primeiramente, há
as
epístolas com o nome de Clemente. Na lenda Cristã, S. Clemente foi o
terceiro na
sucessão a S. Pedro como bispo de Roma. A Primeira Epístola de S. Clemente
aos
Coríntios não é, de facto, escrita em nome de Clemente, mas no nome da
"Igreja
de Deus que estadia em Roma". Refere-se a uma perseguição que é geralmente
pensada como tendo ocorrido em 95 D.C., no reinado de Domiciano, e refere-se
à
exoneração dos anciãos da Igreja de Corínto em c. 96 D.C. Os Cristãos
acreditam
que S. Clemente foi bispo de Roma durante esta altura, e esta é
aparentemente a
razão pela qual a epístola lhe foi mais tarde atribuída. Os Cristãos
fundamentalistas acreditam que a epístola foi de facto escrita em 96 D.C.
Esta
data não é possível dado que a epístola se refere a bispos e a padres como
grupos separados, uma divisão que não tinha ainda tomado lugar.
Considerações
estilísticas mostram que foi escrita em c. 125 D.C. Como referências, usa a
Epístola aos Hebreus e a Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios, mas
nenhuma legítima fonte histórica. A Segunda Epístola de S. Clemente é de um
autor diferente do primeiro e foi escrita mais tarde. Podemos então concluir
que
também não foi escrita por S. Clemente (não há evidências de que qualquer
uma
destas epístolas tenham sido atribuídas a S. Clemente antes da sua
incorporação
na colecção de livros conhecida como o Codex Alexandrinus, no século quinto
D.C.) Como fontes para Jesus, a _Segunda Epístola de S. Clemente usa o
Evangelho
dos Egípcios, um documento que é rejeitado até pelos mais fundamentalistas
Cristãos, e também os livros do Novo Testamento que mostramos serem de
nenhum
valor. Assim, e uma vez mais, não temos nenhuma legítima evidência de Jesus.
A seguir, temos as epístolas escritas no nome de Inácio. De acordo com a
lenda,
St. Inácio era o bispo de Antioquia que foi morto durante o reinado de
Trajano
c. 110 D.C. (apesar de ele ser provavelmente baseado numa personagem
histórica
real, as lendas acerca do seu martírio são largamente ficcionais..) Existem
quinze epístolas escritas no seu nome. Destas, oito são unanimemente
reconhecidas como sendo pseudepigráficas e de nenhum valor no que respeita a
Jesus. As restantes sete têm cada uma duas formas, uma maior e outra mais
pequena. As formas maiores são claramente edições alteradas e revistas das
formas mais pequenas. Os fundamentalistas Cristãos clamam que as formas mais
pequenas são as cartas genuínas escritas por St. Inácio. A Epístola de St.