Elviro Pereira
unread,May 14, 2013, 6:36:24 PM5/14/13You do not have permission to delete messages in this group
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A bolha imobili�ria estourou, o pa�s est� em recess�o, o desemprego sobe e a
d�vida dos consumidores � 250% do rendimento dispon�vel. O grande aliado da
Alemanha na imposi��o da austeridade por todo o continente come�a a provar o
amargo da sua pr�pria receita. Por Matthew Lynn, El Economista
A Holanda come�a a provar o amargo da austeridade que o seu ministro das
Finan�as quer aplicar em toda a Europa. Foto By Rijksoverheid.nl [CC0], via
Wikimedia Commons
Que pa�s da zona euro est� mais endividado? Os gregos esbanjadores, com as
suas generosas pens�es estatais? Os cipriotas e os seus bancos repletos de
dinheiro sujo russo? Os espanh�is tocados pela recess�o ou os irlandeses em
fal�ncia? Pois curiosamente s�o os holandeses s�brios e respons�veis. A
d�vida dos consumidores nos Pa�ses Baixos atingiu 250% do rendimento
dispon�vel e � uma das mais altas do mundo. Em compara��o, a Espanha nunca
superou os 125%.
A Holanda � um dos pa�ses mais endividados do mundo. Est� mergulhada na
recess�o e demonstra poucos sinais de estar a sair dela. A crise do euro
arrasta-se h� tr�s anos e at� agora s� tinha infetado os pa�ses perif�ricos
da moeda �nica. A Holanda, no entanto, � um membro central tanto da UE
quanto do euro. Se n�o puder sobreviver na zona euro, estar� tudo acabado.
O pa�s sempre foi um dos mais pr�speros e est�veis de Europa, al�m de um dos
maiores defensores da UE. Foi membro fundador da uni�o e um dos partid�rios
mais entusiastas do lan�amento da moeda �nica. Com uma economia rica,
orientada para as exporta��es e um grande n�mero de multinacionais de
sucesso, supunha-se que tinha tudo a ganhar com a cria��o da economia �nica
que nasceria com a introdu��o satisfat�ria do euro. Em vez disso, come�ou a
interpretar um gui�o tristemente conhecido. Est� a estourar do mesmo modo
que a Irlanda, a Gr�cia e Portugal, salvo que o rastilho � um pouco mais
longo.
Bolha imobili�ria
Os juros baixos, que antes do mais respondem aos interesses da economia
alem�, e a exist�ncia de muito capital barato criaram uma bolha imobili�ria
e a explos�o da d�vida. Desde o lan�amento da moeda �nica at� o pico do
mercado, o pre�o da habita��o na Holanda duplicou, convertendo-se num dos
mercados mais sobreaquecidos do mundo. Agora explodiu estrondosamente. Os
pre�os da habita��o caem com a mesma velocidade que os da Fl�rida quando
murchou o auge imobili�rio americano.
Atualmente, os pre�os est�o 16,6% mais baixos do que estavam no ponto mais
alto da bolha de 2008, e a associa��o nacional de agentes imobili�rios prev�
outra queda de 7% este ano. A n�o ser que tenha comprado a sua casa no
s�culo passado, agora valer� menos do que pagou e inclusive menos ainda do
que pediu emprestado por ela.
Por tudo isso, os holandeses afundam-se num mar de d�vidas. A d�vida dos
lares est� acima dos 250%, � maior ainda que a da Irlanda, e 2,5 vezes o
n�vel da da Gr�cia. O governo j� teve de resgatar um banco e, com pre�os da
moradia em queda cont�nua, o mais prov�vel � que o sigam muitos mais. Os
bancos holandeses t�m 650 mil milh�es de euros pendentes num sector
imobili�rio que perde valor a toda a velocidade. Se h� um facto demonstrado
sobre os mercados financeiros � que quando os mercados imobili�rios se
afundam, o sistema financeiro n�o se faz esperar.
Profunda recess�o
As ag�ncias de rating (que n�o costumam ser as primeiras a estar a par dos
�ltimos acontecimentos) j� se come�am a dar conta. Em fevereiro, a Fitch
rebaixou a qualifica��o est�vel da d�vida holandesa, que continua com o seu
triplo A, ainda que s� por um fio. A ag�ncia culpou a queda dos pre�os da
moradia, o aumento da d�vida estatal e a estabilidade do sistema banc�rio (a
mesma mistura t�xica de outros pa�ses da eurozona afetados pela crise).
A economia afundou-se na recess�o. O desemprego aumenta e atinge m�ximos de
h� duas d�cadas. O total de desempregados duplicou em apenas dois anos, e em
mar�o a taxa de desemprego passou de 7,7% para 8,1% (uma taxa de aumento
ainda mais r�pida que a do Chipre). O FMI prev� que a economia vai encolher
0,5% em 2013, mas os progn�sticos t�m o mau costume de ser otimistas. O
governo n�o cumpre os seus d�fices or�amentais, apesar de ter imposto
medidas severas de austeridade em outubro. Como outros pa�ses da eurozona, a
Holanda parece encerrada num c�rculo vicioso de desemprego em aumento e
rendimentos fiscais em queda, o que conduz a ainda mais austeridade e a mais
cortes e perda de emprego. Quando um pa�s entra nesse comboio, custa muito a
sair dele (sobretudo dentro das fronteiras do euro).
At� agora, a Holanda tinha sido o grande aliado da Alemanha na imposi��o da
austeridade por todo o continente, como resposta aos problemas da moeda.
Agora que a recess�o se agrava, o apoio holand�s a uma receita sem fim de
cortes e recess�o (e inclusive ao euro) come�ar� a esfumar-se.
Os colapsos da zona euro ocorreram sempre na periferia da divisa. Eram
pa�ses marginais e os seus problemas eram apresentados como acidentes, n�o
como prova das falhas sist�micas da forma como a moeda foi estruturada. Os
gregos gastavam demasiado. Os irlandeses deixaram que o seu mercado
imobili�rio se descontrolasse. Os italianos sempre tiveram demasiada d�vida.
Para os holandeses n�o h� nenhuma desculpa: eles obedeceram a todas as
regras.
Desde o in�cio ficou claro que a crise do euro chegaria � sua fase terminal
quando atingisse o centro. Muitos analistas supunham que seria a Fran�a e,
ainda que Fran�a n�o esteja exatamente isenta de problemas (o desemprego
cresce e o governo faz o que pode, retirando competitividade � economia),
n�o deixa de continuar a ser um pa�s rico. As suas d�vidas ser�o altas mas
n�o est�o fora de controlo nem come�aram a amea�ar a estabilidade do sistema
banc�rio. A Holanda est� a chegar a esse ponto.
Talvez se tenha de esperar um ano mais, talvez dois, mas a queda ganha ritmo
e o sistema financeiro perde estabilidade a cada dia. A Holanda ser� o
primeiro pa�s central a estourar e isso significar� demasiada crise para o
euro.
Matthew Lynn � diretor executivo da consultora londrina Strategy Economics.
Publicado originalmente em El Economista, republicado em Jaque al
Neoliberalismo.