Sapatilhas - Ténis
Alpergatas - Ténis
Atirar - Amandar
Fino - Imperial
Café - Bica
Cimbalino - Bica
Bolso - Algibeira
Pom - Pam
Binho - Vinho
Rio - Riu
Aloquete - Cadeado
Cadeado - Corrente
Corrente - Corrente
Matosinhos - Mátosinhos
Májor - Major
Capitom - Capitão
Seiscentos - Seichentos
Coelho - Coâlho
Sentar - Abancar
Gajo - Bacano
F. d. p. - Cabrão
Cabrão - Borrego
Choné - G'and'a Maluco
Chicharro - Carapau
Escamar - Arrepiar (uma pescada)
Cliente - Freguês
Molete - Papo-seco
Cumprimentos
Vímara Peres
P.S.: Amanhã há mais
[..]
> Aloquete - Cadeado
Se soubesses o tempo que tive para perceber o que raio era um aloquete,
quando morava em Lisboa...
Acho que o termo se usa bastante por lá também.
E se te pedir um abatanado e dois pães-de-Deus com manteiga, sabes o que é?
--
-darwin-
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Não faço ideia, embora cá em cima se chame Pão-de-Deus a um doce regional
que é uma espécie de pão doce coberto com côco e açúcar em pó.
Mas continuando:
Négus - Copo-de-três
Prego - Bifana
Conquilhas - Lambujinhas
Com - Cachorro
Lapada - Galheta
Morcão - Palerma
Carcassa - Bica
E por hoje fico-me
Cumprimentos
Vímara Peres
P.S.: Grão a grão enche a galinha o papa...
[..]
> Não faço ideia, embora cá em cima se chame Pão-de-Deus a um doce regional
> que é uma espécie de pão doce coberto com côco e açúcar em pó.
Sim, é isso, mas tinha a ideia de que também tinha outro nome...
Um abatanado é um café duplo, mas não estou bem certo se é típico de
Lisboa.
[..]
> Lapada - Galheta
Isto não sei o que é.
> Carcassa - Bica
Não querias dizer paposeco?
Deixa lá que o Vímara enganou-se em muitas mais :-)
Realmente. Chamar aloquete a um cadeado não lembrava ao diabo. Aloquete é o
fecho (com chave) que une ou prende o cadeado. E a carcaça é um pão de meio
quilo.
Xerxes
è o que muita genta chama de chapada, estalada, bofetada nas faces.
> >
> > > Carcassa - Bica
> >
> > Não querias dizer paposeco?
Não, pom ou pomhe (com um pequeno espaçõ entre pom e o he que não é
aspirado), é que é papo-seco
Carcassa, cá pelo burgo é um pão com um formato elipsoidal com dom duas
'maminhas de cada lado...
> Deixa lá que o Vímara enganou-se em muitas mais :-)
Então em quais é que me enganei?
Já agora mais um
Testo (de um tacho) - Tampa
Cumprimentos
Vímara Peres
P.S.: Biba o puôrto.
Quem chama cadeados aos aloquetes é o pessoal da Zona Sul e não o contrário.
Essa aprendi na tropa.
Quanto a carcaça ou carcassa, tem várias medidas. Há quem no sul chame
carcaça a um pão, há quem chame cá por cima carcassa a um pão de tamanho
médio e outros que o chamam a pão de tamanho normal, o feitio é que é
mandatório e que é parecido com as bicas, mas de confecção diferente.
Enquanto a carcaça é da textura do pão branco normal, a bica tem uma
confecção idêntica à das rocas/regueifas.
Cumprimentos
Vímara Peres
P.S.: As variações são a riqueza da língua.
Estás errado, nessa não houve engano. Aquilo a que no Porto se chama
aloquete é realmente chamado de cadeado noutros pontos do País.
Peço desculpa mas quem se enganou fui eu e explico: referias "Carcassa -
Bica" e eu não percebi que estavas a falar de bica=pão e fiquei apenas em
associar bica-café.
> P.S.: Biba o puôrto.
Biba, carago!
Olha que carcaça (assim com ç) na minha terra é um papo-seco...
"Xerxes" <xer...@notme.com> escreveu na mensagem
news:c15ovb$1e2d7s$1...@ID-146499.news.uni-berlin.de...
>
> "Pão-pão Queijo-queijo" <qual...@netcabo.pt> escreveu
Na minha terra (Porto) é chamado molete (lê-se "muléte"), além do nome
genérico "pão" (lê-se "pom", claro...). Ouvi dizer que este nome vem
do apelido de um padeiro francês (Moulet ou coisa parecida), que veio
para o Porto fugido à Revolução Francesa, tendo sido ele o introdutor
nesta cidade desse tipo de pão. Custa-me um pouco a acreditar nesta
história, pois a palavra "molete" é também conhecida na Galiza, em
Miranda do Douro, na Guarda, etc. Será que a fama desse padeiro chegou
tão longe?
Cumprimentos
Fernando de Sousa Ribeiro
Não me fiz entender. Mea culpa, mea maxima. Não questiono que em Lisboa e
noutros lugares se chame cadeado ao aloquete, o que digo é que o Vímara
encadeou de tal forma aloquete e corrente que o menos avisado poderia pensar
que aloquete e corrente (cadeado) poderiam ser o mesmo, quando o aloquete é
o fecho. Daí a minha confusão :)
Veja-se:
----------------
"Aloquete - Cadeado
Cadeado - Corrente
Corrente - Corrente"
----------------
Já agora, tempo para uma intervenção oportuna:
---------------
Perguntou «o derivado do nome aloquete». Ora aloquete não tem nenhum
derivado, a não ser que fosse o verbo aloquetar, mas bem sabemos que tal
palavra não existe, porque ninguém a diz.
O que certamente deseja saber é outra coisa: donde deriva a palavra
aloquete. Vem de loquete com a prótese do a. E loquete provém do inglês
antigo "loc", com o significado de fechadura, por intermédio do francês
"loquet" a significar trinco, fecho. Não tem nada que ver com o nome de «um
francês com este apelido».
in http://ciberduvidas.sapo.pt/php/resposta.php?id=843
---------------
Xerxes
Pois. Vários Ministérios sedeados em Lisboa denominam carcaça ou carcassa o
pão de trigo até 30 Gr, salvo erro, enquanto no Norte lhe chamam molete,
amolete, e, entre outros nomes, pão bijú (bijou).
O curioso é não terem ainda os Ministérios lisboetas decidido finalmente
pela carcaça ou carcassa do povo. Um bom dicionário ajudará a perceber a
hesitação dos governantes.
Xerxes
> Então em quais é que me enganei?
Enganaste-te, por exemplo, na "lapada"-galheta ... o termo é "lambada"
... e também no "prego"-"bifana"
deverias ter dito "prego no prato"-"bitoque" já que em Lisboa "prego"
(no pão) significa sandes de bife de vaca grelhado e "bifana" sandes
de bife de porco frito.
Cumprimentos
RAF
PS- viva a capital !!!
Lamento dizer-te o contrário, não a respeito da oficial carcaça que é um
formato e não tem peso definido, pois há carcaças de 30, 40, 50 e muitas
mais gramas.
Diz-se pão do tipo carcaça, que em Lisboa é chamado 'papo-seco' e pesa em
volta de 40 a 45 gramas.
Quanto ao amolete, poderá ser um alentejano a dizer amolei-te, mas cá pelo
Porto não me consta ser nome dado ao produto a que chamamos vulgarmente
'pom'.
O pão bijú (à portuguesa) não tem o mesmo formato que a carcaça ou carcassa
de que aqui falamos, pois é mais alto do que largo tendo em vista o
tradicional corte que sofre antes de ir ao forno.
> O curioso é não terem ainda os Ministérios lisboetas decidido finalmente
> pela carcaça ou carcassa do povo. Um bom dicionário ajudará a perceber a
> hesitação dos governantes.
Segundo os dicionários da Porto Editora, Aurélo Sec. XXI e Houaiss é
carcaça, mas cá pelo Porto escrevem muitas vezes carcassa, talvez por o
confundirem com o francês 'carcasse'.
Quantos aos Ministérios e Ministros, não creio que tenham sido eles a dar o
nome ao pãozinho, mas também não sei como é que ele aparece escrito nos
diversos Diários (sejam do Governo ou da República) para me permitir
discordar.
Mas já agora aí vão mais uns poucos:
Bueiro - Sarjeta
Isca - Patanisca
Bolinho de bacalhau - Pastel de bacalhau
Largo - Praceta
Ministro - Menistro
Parolo - Saloio
Cumprimentos
Vímara Peres
P.S.: Que gosta muito de pão.
Ouvi muitas vezes o termo 'galheta' a alfacinhas puros, daí a minha possível
confusão, embora o termo 'lambada' também seja de uso cá no Porto.
> ... e também no "prego"-"bifana"
>
> deverias ter dito "prego no prato"-"bitoque" já que em Lisboa "prego"
> (no pão) significa sandes de bife de vaca grelhado e "bifana" sandes
> de bife de porco frito.
Para nós a instituição 'prego' começou no pão, só muito recentemente passou
a ser utilizada no prato. Quanto às 'bifanas', já as comi de tó, de vaca, de
novilho (como agora é moda dizer-se para não se dizer boi), de vitela, de
borrego, e até de javali.
Acredito que a original tenha sido de porco, mas pelos vistos evoluiu...
Mais uma que aprendi.
Cumprimentos
Vímara Peres
P.S.: Prefiro viva Lisboa, porque é bonita e não faz mal a ninguém enquanto
a capital é outra coisa.
Poderá ser mais uma historieta, mas o pãop em França no sec. XVII tinha
diversos formatos entre os quais o célebre 'pain mollet', outros eram o
'pain de châpitre', 'pain à la reine', 'pains à la Montauron', 'pain à la
Segovie', 'pain de Gentilly', 'pain cornu', 'pain blême', 'pain à la
citrouille' e por aí fora.
Talvez de facto um dos refugiados da revolução tenha atrrado por cá e dado
origem ao molete/bijú (bijou), que é um pão branco e salgado muito diferente
dos então comidos entre nós e feitos à base de milho, centeio e cevada. O
trigo era pouco utilizado na confecção de pães de levedura.
Já dizia o Bocage: - Dá-me um pão com manteiga, senão... , e respondia o
padeiro: - Se não o quê? E o Bocage cabisbaixo respondia: Senão, não como e
vou-me embora...
Cumprimentos
Vímara Peres
P.S.: Tragam manteiga e pão quente e não há fome presente.
Sobre o bijou também conheço uma historieta... Contaram-me uma vez que
havia aqui no Porto um bordel, de cujas "meninas" se dizia que eram
"uns bijous", de tão bonitas e bem feitas que eram. Esse bordel era
frequentado pelos burgueses boémios e libertinos da cidade, que lá
iam, sobretudo, depois de assistirem a um espectáculo de ópera no
Teatro S. João. Um dia o teatro ardeu, os clientes começaram a rarear
e o bordel acabou por fechar, tendo o seu edifício sido vendido a um
padeiro. A partir daí, ter-se-ia dado o nome de bijou ao pão desse
padeiro, em homenagem às "meninas" da casa que ele comprou...
Já agora, dou também uma pequena contribuição para o teu dicionário
tripeiro-alfacinha:
Chapéu - chapéu
Guarda-chuva - chapéu (de chuva)
Mala - mala
Pasta - mala
Carteira (de senhora) - mala (de mão)
Sertã - frigideira
Penca - couve portuguesa
Salsicha - salchicha
Mortadela - mortandela
Chila - gila
Cavala - sarda
"Há cabala", li num letreiro à porta de um restaurante de Lousada, a
poucos quilómetros de Felgueiras...
Sim, por cá já se usou o termo galheta também, embora tenha caído um
pouco em desuso.
>
> > ... e também no "prego"-"bifana"
> >
> > deverias ter dito "prego no prato"-"bitoque" já que em Lisboa "prego"
> > (no pão) significa sandes de bife de vaca grelhado e "bifana" sandes
> > de bife de porco frito.
>
> Para nós a instituição 'prego' começou no pão, só muito recentemente passou
> a ser utilizada no prato. Quanto às 'bifanas', já as comi de tó, de vaca, de
> novilho (como agora é moda dizer-se para não se dizer boi), de vitela, de
> borrego, e até de javali.
Quanto ao prego de javali, deve ser uma maravilha, devo dizer que
nunca experimentei. Quanto ao novilho, deve ter sido uma forma de
normalizar a nível nacional, já que, enquanto no Porto se dizia "boi",
em Lisboa dizia-se "vaca", no que se refere aos bifes ... e agora
dizemos todos novilho !
>
> Acredito que a original tenha sido de porco, mas pelos vistos evoluiu...
Em Lisboa, se pedires uma bifana, receberás uma sandes de porco frito
e com um prego, uma sandes de vaca grelhada ... isso, é claro,
acompanhado por uma bela imperial ou fino !
>
> Mais uma que aprendi.
Já não vou ao Porto há algum tempo, mas uma das memórias que me
ficaram, a nível de comida, foi um lanche de prego no prato, pelo qual
paguei uma ninharia e que tomei antes de apanhar o combóio de volta e
que em Lisboa seria um verdadeiro "bife à casa" de tão bem servido que
estava ! Depois de um almoço de MacDonalds à pressa soube-me que nem
ginjas !!!
> P.S.: Prefiro viva Lisboa, porque é bonita e não faz mal a ninguém enquanto
> a capital é outra coisa.
O problema está aí, é que a capital do país é Lisboa e não apenas os
gabinetes de S.Bento e do Terreiro do Paço !!! Viva Lisboa e viva a
capital do país por representa-lo tão bem !
Cumprimentos
RAF
É bom quando comido na hora e no fim de uma montaria, e não do habitual
javi-porco que nos é servido em muitos restaurantes de luxo.
O novilho por cá ainda aparece, mas a maioria de novilho só tem o nome
porque o corpanzil é de boi feito. Depois da febre das vacas loucos, deixou
de existir carne de vaca e passou a boi ou a novilho...
...
> Já não vou ao Porto há algum tempo, mas uma das memórias que me
> ficaram, a nível de comida, foi um lanche de prego no prato, pelo qual
> paguei uma ninharia e que tomei antes de apanhar o combóio de volta e
> que em Lisboa seria um verdadeiro "bife à casa" de tão bem servido que
> estava ! Depois de um almoço de MacDonalds à pressa soube-me que nem
> ginjas !!!
Se foi ali na zona de Campanhã, há uns anos, havia por lá um cafézito, com
um pequeno balcão que era um autêntico milagre, quer pelos preços que
praticava, quer pelas iguarias que apresentava. Mas mudou de dono e agora é
mais uma das muitas casas onde se come o trivial, sem imaginação, nem
qualidade.
> > P.S.: Prefiro viva Lisboa, porque é bonita e não faz mal a ninguém
enquanto
> > a capital é outra coisa.
>
> O problema está aí, é que a capital do país é Lisboa e não apenas os
> gabinetes de S.Bento e do Terreiro do Paço !!! Viva Lisboa e viva a
> capital do país por representa-lo tão bem !
Sabes que a palavra capital dá-me engulhos... Já quando chamavam ao Porto
capital do Norte, ou capital do trabalho, eu muitas vezes dizia que era
também a capital dos camelos, pois queriam tanto ser a capital de alguma
coisa que ainda haviam de ficar sem capital nenhum. Agora é que eu reparo
como fui profético.
Eu gosto de me lembrar das cidades pela sua beleza e não por serem capitais
seja do que for.
Gosto de Lisboa, porque é luminosa, tem boas casas de fado, tinha a 'revista
à portuguesa' que uma dúzia de revolucionários de trazer por casa mataram à
fome, tem o Tejo, tem a Praça do Comércio, as suas três ruas tão
perpenducularmente iguais e tão diferentes, tem o Castelo na bordadura do
horizonte, uma estação do Rossio com uma fachada fabulosa, os prédios Valmor
dos quais destaco o da Avenida da República (Clube dos Empresários), e o da
Fontes Pereira de Melo; tem o Marquês de Pombal que tinha ali à beira um
hotelzito com uns quartos com janela para um jardinzinho que era um
espectáculo na Primavera, acirdei neles algumas vezes e com que disposição
ficava...
Muito havia a dizer de uma cidade que vi ir-se degradando dia-a-dia por
cupidez de empreiteiros e estupidez de políticos, que arruinaram cinemas e
teatros para construirem centros comerciais pindéricos, com obras como a da
renovação do Rossio que pareciam as de Santa Engrácia, a destruição da rua
do Carmo e das suas lojas elegantes, o crescimento anárquico dos comes-em-pé
substituindo lojas de qualidade que morreram agonizantes, enfim de uma
Lisboa que eu muito estimo por aí ter vivido muitos anos em regime de
permanância de segunda-a-sexta, para poder ter uma carreira decente e não
apenas a que teria se me negasse a abandonar a terra dos tripeiros.
Por isso, às vezes a minha irritação.
Cumprimentos
Vímara Peres
P.S.: E que vivam as cidades bonitas, sejam capitais ou não.
>
>
> Cumprimentos
>
> RAF