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Escola-Empresa Em Todo o Seu Esplendor

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Elviro Pereira

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Nov 29, 2009, 4:45:18 AM11/29/09
to
A escola global e a "onda" EPIS

"A realidade � que as raz�es verdadeiras est�o quase sempre ocultas."
(Richard Bach)

Se na d�cada de 80 a OCDE tinha definido a qualidade do ensino como ponto
fulcral da sua agenda, dez anos depois estabeleceu como prioridade a
avalia��o das escolas, dos professores e das aprendizagens. O Estado
portugu�s e os media come�am ent�o a prestar aten��o redobrada � an�lise
comparativa dos resultados internacionais.
Esta agenda educativa global marcada pela ideologia da qualidade e da
efic�cia do sistema educativo � bem acolhida por pol�ticos e empres�rios. A
no��o de compet�ncia, por exemplo, entra na gram�tica das escolas por via do
mundo empresarial: n�o basta saber os "saberes", � preciso mobiliz�-los em
contextos sempre renovados.
Os novos princ�pios defendem a necessidade de se promover a articula��o
entre a escolariza��o, o emprego, a produtividade, o mercado, no pressuposto
de que da� resultar� o equil�brio do d�fice e o aumento do PIB. Solicita-se
ao sistema que racionalize e optimize os seus investimentos e recursos e
recomenda-se uma gest�o escolar baseada em crit�rios de efici�ncia e de
competitividade.
A ret�rica que defende a organiza��o de um mercado escolar institu�do com
base nas prefer�ncias dos "consumidores" � exactamente a mesma que transfere
para o terreno educativo a moderna fraseologia empresarial: metas
educativas, sustentabilidade, gest�o global, standard superior, hard skills
(pensamento estrat�gico, planeamento e controlo, accountability, gest�o de
projectos, inova��o), soft skills (gest�o e motiva��o de equipas, gest�o de
conflitos, comunica��o interna e externa, gest�o de parcerias), mec�nicas de
proximidade, pr�ticas de benchmarking.
A qualidade e a excel�ncia assumem-se, deste modo, como novos paradigmas de
uma escola que se abre aos seus "clientes futuros": as universidades e as
empresas.
Nesta l�gica, a escola com qualidade � aquela que promove o progresso de
todos os alunos em todos os aspectos do seu rendimento e aproveitamento,
para al�m do que se podia esperar, dada a sua situa��o inicial e o seu
aproveitamento anterior, assegurando que cada aluno consegue o maior sucesso
poss�vel e continua a melhorar de ano para ano.
Uma escola assim remete para o princ�pio da equidade: uma escola s� � eficaz
se o for para todos os alunos. Est� associada � no��o de valor acrescentado,
o indicador utilizado para medir a efic�cia da escola; n�o � o rendimento
m�ximo da escola mas sim o avan�o relativamente �s suas potencialidades.
Salienta o desenvolvimento integral do aluno, n�o reduzindo o seu sucesso
aos aspectos meramente cognitivos. Aposta na continuidade, ou seja, uma
escola com qualidade tem de manter elevados padr�es de desempenho ao longo
de um certo n�mero de anos.
Desta forma, o sistema educativo continuar� a ter de promover o talento e o
m�rito mas, paralelamente, n�o poder� deixar de promover o sucesso "m�nimo"
de modo a que todos possuam a escolaridade obrigat�ria.
Mas uma educa��o com qualidade tem custos e o Estado tem procurado reduzir a
sua interven��o ao mostrar-se favor�vel � devolu��o de parte das suas
fun��es �s autarquias e � iniciativa privada.
E � precisamente neste contexto que se insere o projecto da Associa��o
EPIS, - Empres�rios Pela Inclus�o Social denominado - "Mediadores para o
sucesso escolar", que terminou o segundo ano de trabalho no terreno e o
primeiro completo de capacita��o para o sucesso escolar. Este projecto teve
in�cio no ano lectivo 2007/2008, envolvendo os alunos dos 7� e 8� anos, bem
como uma equipa de oito psic�logas.
De acordo com o seu �ltimo relat�rio de avalia��o, o trabalho dos mediadores
da EPIS ao longo dos tr�s per�odos de 2008/2009 determinou um aumento da
taxa de aprova��o dos alunos EPIS em 14 pontos percentuais.
Este ano lectivo, a Associa��o EPIS pretende atingir um standard superior
atrav�s do projecto "Boas pr�ticas de Gest�o nas Escolas". Ap�s um estudo de
v�rios meses em parceria com o Minist�rio da Educa��o e com a consultora
McKinsey & Company, que permitiu inquirir cerca de 500 escolas, foi
elaborado um manual de boas pr�ticas, o qual foi oficialmente apresentado
durante os meses de Outubro e Novembro.
As escolas ficaram a conhecer as fases do projecto, bem como a Plataforma
EPIS, uma ferramenta pensada e concebida no sentido de ajudar as equipas
directivas a identificar pontos de melhoria e a definir planos de ac��o.
Tamb�m sob o patroc�nio do Minist�rio da Educa��o, a EPIS, a Universidade
Cat�lica (Faculdade de Ci�ncias Econ�micas e Empresariais e Faculdade de
Educa��o e de Psicologia) e a Universidade de Lisboa (Faculdade de Economia
e Faculdade de Ci�ncias Sociais e Humanas) est�o a lan�ar as bases para a
cria��o de um programa de forma��o para directores de escola, num contexto
de forma��o avan�ada, em ambiente de business school. O objectivo � realizar
um projecto-piloto nacional durante este ano lectivo.
Neste contexto, n�o � dif�cil adivinhar qual ser� pr�ximo standard superior
a alcan�ar.
Entretanto, os partidos pol�ticos, as associa��es sindicais e os media
continuam muito entusiasmados com a discuss�o do modelo de avalia��o do
desempenho docente.


"Podemos imaginar um futuro em que o Minist�rio da Educa��o ter� apenas
fun��es de regula��o do servi�o p�blico de Educa��o. A escola continuar� a
ser o local de presta��o do servi�o de Educa��o onde se far�o sentir, e
ser�o sempre maiores, as exig�ncias de lideran�a e de responsabiliza��o
pelos resultados dos alunos, bem como as exig�ncias de garantia da qualidade
das aprendizagens."

(Maria de Lurdes Rodrigues)

Fernando Alberto Cardoso

--

�Se os pais soubessem o que se passa nas escola p�blicas iriam para a rua
manifestar-se com os professores.�

(Medina Carreira)


viriato

unread,
Nov 30, 2009, 1:27:11 AM11/30/09
to
On 29 Nov, 09:45, "Elviro Pereira" <elviro_pere...@hotmail.com> wrote:
> A escola global e a "onda" EPIS
>
> "A realidade é que as razões verdadeiras estão quase sempre ocultas."
> (Richard Bach)
>
> Se na década de 80 a OCDE tinha definido a qualidade do ensino como ponto

> fulcral da sua agenda, dez anos depois estabeleceu como prioridade a
> avaliação das escolas, dos professores e das aprendizagens. O Estado
> português e os media começam então a prestar atenção redobrada à análise

> comparativa dos resultados internacionais.
> Esta agenda educativa global marcada pela ideologia da qualidade e da
> eficácia do sistema educativo é bem acolhida por políticos e empresários. A
> noção de competência, por exemplo, entra na gramática das escolas por via do
> mundo empresarial: não basta saber os "saberes", é preciso mobilizá-los em
> contextos sempre renovados.
> Os novos princípios defendem a necessidade de se promover a articulação
> entre a escolarização, o emprego, a produtividade, o mercado, no pressuposto
> de que daí resultará o equilíbrio do défice e o aumento do PIB. Solicita-se

> ao sistema que racionalize e optimize os seus investimentos e recursos e
> recomenda-se uma gestão escolar baseada em critérios de eficiência e de
> competitividade.
> A retórica que defende a organização de um mercado escolar instituído com
> base nas preferências dos "consumidores" é exactamente a mesma que transfere

> para o terreno educativo a moderna fraseologia empresarial: metas
> educativas, sustentabilidade, gestão global, standard superior, hard skills
> (pensamento estratégico, planeamento e controlo, accountability, gestão de
> projectos, inovação), soft skills (gestão e motivação de equipas, gestão de
> conflitos, comunicação interna e externa, gestão de parcerias), mecânicas de
> proximidade, práticas de benchmarking.
> A qualidade e a excelência assumem-se, deste modo, como novos paradigmas de

> uma escola que se abre aos seus "clientes futuros": as universidades e as
> empresas.
> Nesta lógica, a escola com qualidade é aquela que promove o progresso de

> todos os alunos em todos os aspectos do seu rendimento e aproveitamento,
> para além do que se podia esperar, dada a sua situação inicial e o seu

> aproveitamento anterior, assegurando que cada aluno consegue o maior sucesso
> possível e continua a melhorar de ano para ano.
> Uma escola assim remete para o princípio da equidade: uma escola só é eficaz
> se o for para todos os alunos. Está associada à noção de valor acrescentado,
> o indicador utilizado para medir a eficácia da escola; não é o rendimento
> máximo da escola mas sim o avanço relativamente às suas potencialidades.
> Salienta o desenvolvimento integral do aluno, não reduzindo o seu sucesso

> aos aspectos meramente cognitivos. Aposta na continuidade, ou seja, uma
> escola com qualidade tem de manter elevados padrões de desempenho ao longo
> de um certo número de anos.
> Desta forma, o sistema educativo continuará a ter de promover o talento e o
> mérito mas, paralelamente, não poderá deixar de promover o sucesso "mínimo"
> de modo a que todos possuam a escolaridade obrigatória.
> Mas uma educação com qualidade tem custos e o Estado tem procurado reduzir a
> sua intervenção ao mostrar-se favorável à devolução de parte das suas
> funções às autarquias e à iniciativa privada.
> E é precisamente neste contexto que se insere o projecto da Associação
> EPIS, - Empresários Pela Inclusão Social denominado - "Mediadores para o

> sucesso escolar", que terminou o segundo ano de trabalho no terreno e o
> primeiro completo de capacitação para o sucesso escolar. Este projecto teve
> início no ano lectivo 2007/2008, envolvendo os alunos dos 7º e 8º anos, bem
> como uma equipa de oito psicólogas.
> De acordo com o seu último relatório de avaliação, o trabalho dos mediadores
> da EPIS ao longo dos três períodos de 2008/2009 determinou um aumento da
> taxa de aprovação dos alunos EPIS em 14 pontos percentuais.
> Este ano lectivo, a Associação EPIS pretende atingir um standard superior
> através do projecto "Boas práticas de Gestão nas Escolas". Após um estudo de
> vários meses em parceria com o Ministério da Educação e com a consultora

> McKinsey & Company, que permitiu inquirir cerca de 500 escolas, foi
> elaborado um manual de boas práticas, o qual foi oficialmente apresentado

> durante os meses de Outubro e Novembro.
> As escolas ficaram a conhecer as fases do projecto, bem como a Plataforma
> EPIS, uma ferramenta pensada e concebida no sentido de ajudar as equipas
> directivas a identificar pontos de melhoria e a definir planos de acção.
> Também sob o patrocínio do Ministério da Educação, a EPIS, a Universidade
> Católica (Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais e Faculdade de
> Educação e de Psicologia) e a Universidade de Lisboa (Faculdade de Economia
> e Faculdade de Ciências Sociais e Humanas) estão a lançar as bases para a
> criação de um programa de formação para directores de escola, num contexto
> de formação avançada, em ambiente de business school. O objectivo é realizar

> um projecto-piloto nacional durante este ano lectivo.
> Neste contexto, não é difícil adivinhar qual será próximo standard superior
> a alcançar.
> Entretanto, os partidos políticos, as associações sindicais e os media
> continuam muito entusiasmados com a discussão do modelo de avaliação do
> desempenho docente.
>
> "Podemos imaginar um futuro em que o Ministério da Educação terá apenas
> funções de regulação do serviço público de Educação. A escola continuará a
> ser o local de prestação do serviço de Educação onde se farão sentir, e
> serão sempre maiores, as exigências de liderança e de responsabilização
> pelos resultados dos alunos, bem como as exigências de garantia da qualidade

> das aprendizagens."
>
> (Maria de Lurdes Rodrigues)
>
> Fernando Alberto Cardoso
>
> --
>
> «Se os pais soubessem o que se passa nas escola públicas iriam para a rua

> manifestar-se com os professores.»
>
> (Medina Carreira)

Ñão basta SABER "OS SABERES" é preciso levá-los á prática.

Um ESTADO vale o que valer o que existe no seu TERRITÓRIO mais a
QUALIDADE DA SUA POPULAÇÃO

A fábrica da QUALIDADE DA POPULAÇÃO deve ser exactamente A ESCOLA bem
ligada Á PRÁTICA DA VIDA

Elviro Pereira

unread,
Nov 30, 2009, 9:45:33 AM11/30/09
to

"viriato" <bastos...@gmail.com> escreveu na mensagem
news:7824073e-de6a-4137...@9g2000yqa.googlegroups.com...


Um ESTADO vale o que valer o que existe no seu TERRIT�RIO mais a
QUALIDADE DA SUA POPULA��O

A f�brica da QUALIDADE DA POPULA��O deve ser exactamente A ESCOLA bem
ligada � PR�TICA DA VIDA

- o ensino n�o � encher chouri�os, este frenesim neo-saloio que transforma
os meninos em doutores da mula russa.


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