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TEMOS DE DEFINIR OBJECTIVOS DE LUTA EM CADA ESCOLA DESTE PAÍS

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Elviro Pereira

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Oct 25, 2008, 8:57:33 AM10/25/08
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A população ignora a gravidade do que se passa nas escolas portuguesas.
Os docentes não estão a conseguir quebrar o isolamento em que foram
colocados por uma campanha governamental denegrindo a sua imagem. São bons
comunicadores com os seus alunos, mas estão demasiado envolvidos nas teias
absurdas de um processo de avaliação que nasceu torto e que não se pode
endireitar. Se ele não for para onde merece, o caixote de lixo, é a ESCOLA
PÚBLICA PORTUGUESA que estará liquidada, na prática.

As implicações da política do Ministério da Educação e do Governo PS, devem
ser conhecidas de toda a cidadania:

- No domínio da qualidade das aprendizagens: ela está em risco de descer e
de não se conseguir sequer diagnosticar a grave falência do ensino. Porquê?
Porque é forçar a inflacção de notas querer (segundo modelo imposto pelo ME)
que a avaliação do desempenho dos professores seja feita em função dos
resultados dos seus alunos.

- No domínio da democracia, a escola pública vai ser autocraticamente
dirigida por um director, com uma corte de acessores nomeados por ele, à
revelia das pessoas que na escola trabalham. Será o reino da prepotência, do
arbítrio, do compadrio. Podemos esperar o pior, incluindo perseguições
políticas e ideológicas.
É difícil de imaginar algo mais importante do que a escola: uma sociedade
sem escola democrática, não poderá manter a democracia nos restantes
domínios da vida pública.

- Tudo o que acontecer dentro deste contexto é previsível. Já se verifica
agora uma hemorragia dos professores com mais experiência. Uns preferem a
reforma antecipada, mesmo com reduções (penalizações) significativas no
montante da pesnão. Outros conseguirão transitar para outras profissões.
Os mais novos, com vocação para docentes, mas afastados do ensino por uma
política de contenção de custos ultra-neo-liberal, irão para outras
profissões e muitos irão emigrar, dando o seu valor (e o saber adquirido em
escolas portuguesas) noutros países, onde o seu talento é reconhecido.

- A escola vai perder qualidade; os orçamentos vão sempre ser menores do que
as necessidades. Tirando uma ou outra escola «modelo», a imensa maioria das
escolas vai degradar-se, pois a componente humana (fundamental no processo
educativo) vai ficar diminuída. Haverá maior conflitualidade interna,
instigada por uma concorrência artificial entre docentes, haverá uma
degradação das relações humanas. Haverá um acentuar do autoritarismo. Haverá
um atirar com deficientes profundos para a escola pública, sem os meios
correspondentes de atendimento e acompanhamento. Isso tudo somado com uma
sobrecarga de alunos por turma
O governo gaba-se de ter extinto ou destinar à extinção, mais de 3 000
escolas públicas do 1º ciclo, agrupando crianças de baixa idade em grandes
centros, com crianças de idades mais avançadas, longe de suas freguesias, em
muitos casos.

As medidas publicitárias, como a distribuição de computadores «Magalhães»
são apenas isso, medidas publicitárias, sem nenhum efeito real, a não ser
levar alguns incautos a votar ps nas própximas eleições.
A regra deste governo tem sido privatizar as universidades e institutos
superores com interesse para a indústria e os negócios. Fazer baixar a
qualidade nas escolas públicas não-superiores, levando muitos pais a retirar
seus filhos da escola pública e colocá-los nos colégios privados, onde vão
gastar milhares de euros por ano, para obter o ensino que o Estado tem
obrigação de lhes dar.

É preciso portanto fazer campanha nas escolas, junto dos pais e encarregados
de educação e formar -com eles- comissões de defesa da escola pública, para
conseguir derrotar os intuitos deste governo. Os docentes perfeitamente
capazes de esclarecer a população; é na medida em que ganhem a população que
poderão derrotar esta política contrária à escola pública e à dignidade da
sua função

http://www.luta-social.org/2008/10/temos-de-definir-objectivos-de-luta-em.html


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