O antigo presidente do Benfica, Manuel Vilarinho, foi ontem ao
Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, depor a favor de Pedro Gameiro, um
dos 14 arguidos que respondem por acusações de extorsão a bares de
alterne e lenocínio.
Vilarinho explica que Pedro Gameiro, um dos arguidos que está em
prisão preventiva, foi seu segurança "durante onze meses" enquanto foi
presidente do Benfica. "Fizemos uma amizade que mantenho e não vejo
nenhuma razão para acabar com ela", disse ex-dirigente encarnado.
Manuel Vilarinho admitiu frequentar casas como o Elefante Branco, o
Gallery ou o Lobhy e diz que só por uma vez viu Gameiro envolvido numa
"pequena escaramuça", no Black Tie, mas que o arguido até ajudou a
apaziguar os ânimos.
Também ontem depôs a ex--mulher de Alfredo Morais, o principal arguido
do processo. Disse que era ela quem recebia as receitas do Photus – o
bar de Alfredo – quando este estava preso. "Recebia 1500 euros por
semana", disse.
Testemunha confirma roubo a Petit
L.S., o ex-gerente do bar Gallery que descreveu em Tribunal várias
situações envolvendo o grupo liderado por Alfredo Morais, entre elas
um sequestro a jogadores do Benfica, e um dos quais Petit, conforme o
CM avançou – voltou ontem a reafirmar aos advogados de defesa todas as
acusações.
A estratégia da defesa dos 14 arguidos era pôr em causa a
credibilidade da testemunha, mas a intervenção da juíza-presidente
obrigou os causídicos a deixar de fora questões sobre a vida pessoal.
L.S. reiterou na Boa-Hora que, apesar de se encontrar sob julgamento,
o grupo de Alfredo Morais mantém o controlo sobre muitos
estabelecimentos de diversão nocturna em Lisboa.
A diferença está só "nos operacionais que se deslocam aos bares de
alterne para recolher o dinheiro" pago pela segurança imposta. As
declarações de L.S., à porta fechada, foram depois lidas para
conhecimento dos vários arguidos.
Depois de já ter acusado em tribunal o grupo conhecido por ‘Máfia da
Noite’ de ter assaltado "jogadores de um grande clube", entre vários
crimes ligados ao alterne, L. S. foi ontem convidado pela juíza a dar
nomes das vítimas. Sob pena de perder a credibilidade. E o ex-gerente
do bar Gallery apontou "Petit", na altura jogador do Benfica – que
estaria "com colegas numa festa privada com raparigas, numa casa de
Telheiras [Lisboa]. Chegou o grupo armado e roubou quatro jogadores –
relógios Rolex, Franck Muller, Cartier..."
A testemunha de Acusação ainda hesitou em avançar o nome do jogador da
selecção nacional, desde o início da época a representar o Colónia, da
Alemanha. Mas o crime ocorreu dentro de um apartamento particular "há
mais de um ano", e L. S. não assistiu. Diz ao tribunal ter sabido de
tudo "pelo próprio Petit", que, tal como os outros jogadores, não
apresentou queixa à polícia.
"O Petit ligou-me a contar. Estava com os colegas numa festa, em casa
de raparigas, quando de repente chegaram cinco homens. Levavam
pistolas à cintura – e intimidaram os jogadores, antes de lhes roubar
carteiras e relógios." Os quatro atletas usavam "Rolex, Franck Muller
e Cartier", que valem em média 20 mil euros. Ficaram sequestrados,
enquanto os elementos do gang "foram levantar dinheiro" com cartões
das vítimas.
L. S. foi pressionado pela defesa dos arguidos a apontar outras
vítimas, mas a juíza não insistiu – este crime não consta na Acusação
do actual processo. E o ex-gerente de um bar de alterne resistiu à
inconfidência – mesmo quando lhe perguntaram se um dos jogadores "é o
Miguel", ex-jogador do Benfica.
Petit não conhece quem os assaltou, mas L.S. diz saber quem são:
"Falei com a Denise [arguida no processo por ligações ao alterne], que
estava lá, e ela contou-me". A brasileira ajudou a montar a armadilha
aos jogadores e chamou "Pedro Gameiro, Paulo Baptista, Pedro Alemão,
François e Veiga."
"NÃO PASSEI POR SITUAÇÃO PARECIDA"
"Não passei por nenhuma situação parecida, nem quero ser envolvido em
situações deste género. Estou aqui no meu cantinho, na Alemanha,
concentrado na minha equipa – e não entendo como é que o meu nome
aparece nisto", reagiu ontem Petit, que só teve conhecimento das
declarações do ex-gerente do Gallery, ao colectivo da Boa-Hora que
julga a ‘Máfia da Noite’, através de um contacto do CM. "Mas, a ser
verdade que alguém [L. S.] falou no meu nome, vou já entregar o caso
ao meu advogado e agir em conformidade." Entretanto, o CM sabe que é
intenção da Defesa dos arguidos chamar a depor o internacional
português, de 32 anos. O objectivo é desacreditar a testemunha L. S.,
que neste processo acusa o grupo de crimes de extorsão, entre outros.
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FUNCIONÁRIOS DO GALLERY EXPÕEM CLIENTES AO GANG
De acordo com o depoimento de L. S., os empregados que trabalham no
Gallery "ligam para os amigos do Alfredo Morais a dizer quem são os
clientes que lá estiveram e quais são as suas profissões". Sabendo que
a maior parte dos frequentadores do bar de alterne da av. Duque de
Loulé "são homens casados, com cargos influentes em várias áreas da
sociedade portuguesa", o grupo "é um perigo público, capaz de usar
essa informação". Desconhece-se qual o destino dado a essa informação
e quantas pessoas já terão sido ‘manipuladas’ pelo grupo; mas, segundo
o ex-gerente do Gallery, o gang "é capaz até de fazer sequestros".
PORMENORES
TESTEMUNHA CONTINUA
L. S., que durante anos conviveu com o grupo no Gallery, acusando-o de
extorsão aos donosdo bar, continua a ser ouvidoàs 09h30 de
Quarta-feira.
BENFICA NÃO COMENTA
Contactado pelo CM, o director de Comunicação do Benfica, João
Gabriel, diz que "o clube não comenta a vida privada dos seus
jogadores ou ex-jogadores".
SEGURANÇA PESSOAL
L. S., entre três testemunhas--chave da Acusação, continua a ter
segurança pessoal da PSP.
Pinto da Costa Dixe, e Dixe Mesmo!