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ONU dificulta vida ao escudo

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JAC

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Dec 28, 1999, 3:00:00 AM12/28/99
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ONU dificulta vida ao escudo

ONU dificulta vida ao escudo

Obstáculos atrás de obstáculos. Situações caricatas. A circulação da moeda
portuguesa em Timor não tem sido nada fácil


João Figueira
Leonardo Negrão
INCERTEZAS.A paz regressou a Timor, mas os problemas não cessam. Agora é com
a circulação do escudo


Em Díli A vida do escudo em Timor-Leste está difícil. O Conselho Nacional da
Resistência Timorense (CNRT) defende o uso da moeda portuguesa, o BNU paga
aos pensionistas em escudos e mais de 75 por cento das contas abertas ao seu
balcão são em escudos, mas algumas organizações internacionais, em especial
a UNTAET (administração da ONU), tudo têm feito para impedir a afirmação da
moeda no território.
O combate ao escudo é tão cego que chega a atingir o caricato. Ainda
recentemente, quando o banco fretou um avião russo para transportar o
dinheiro para Díli, o staff a bordo recusou colocar os caixotes à porta do
avião e os australianos, na pista, fizeram um enorme braço-de-ferro para
impedir o respectivo descarregamento. O impasse foi de tal ordem que o
coordenador do BNU em Timor, Vasco Silva, foi obrigado a pressionar o
Comando do aeroporto a tomar uma atitude.

O assunto resolveu-se, mas posteriormente a Interfet (forças internacionais
lideradas pela Austrália) recusou-se a garantir a segurança do transporte do
dinheiro até ao centro da cidade, assim como negou qualquer autorização para
o banco recorrer a segurança privada. Alguns jipes e uma dezena de bombeiros
fardados foram a segurança daquelas centenas de milhares de contos.

Mas os obstáculos não se ficam por aí. Primeiro, conta ao DN Vasco Silva,
"foi-nos exigida uma licença de operação para procedermos ao pagamento de
pensões e subsídios em escudos e ao estabelecimento de um mecanismo de
convertibilidade do escudo para a rupia. O que do ponto de vista técnico não
é complicado, mas a questão está em que, sendo o BNU um banco português, tem
de encontrar um banco indonésio para fazer o repatriamento do dinheiro",
acrescenta, sublinhando que, em alternativa, "ainda solicitei à UNTAET a
disponibilização de meios para me deslocar a Kupang, a fim de contactar um
banco estrangeiro instalado na Indonésia. O pedido foi recusado, com o
argumento de que as Nações Unidas não podem transportar pessoas nem carga
estranhas à organização", disse Vasco Silva.

Há três dias, "preparava-me para celebrar a consoada", denuncia o mesmo
responsável, "recebo um telefonema da UNTAET a informar que não poderia
proceder ao pagamento em escudos dos subsídios anunciados pelo
Alto-Comissariado para o Apoio à Transição de Timor".

Posteriormente, a UNTAET explicou ao alto-comissário, Vítor Melícias, que
terá havido um mal-entendido no processo, ao que aquele responsável, em
declarações ao DN, comentou que "há coisas que foram esclarecidas, mas há
ainda alguns aspectos que continuam por clarificar". De resto, frisou, "na
ONU há quem não perceba isto muito bem", ou seja, a vontade expressa pelo
CNRT de ver circular em Timor a moeda portuguesa.


João Figueira
Leonardo Negrão
INCERTEZAS.A paz regressou a Timor, mas os problemas não cessam. Agora é com
a circulação do escudo


Em Díli A vida do escudo em Timor-Leste está difícil. O Conselho Nacional da
Resistência Timorense (CNRT) defende o uso da moeda portuguesa, o BNU paga
aos pensionistas em escudos e mais de 75 por cento das contas abertas ao seu
balcão são em escudos, mas algumas organizações internacionais, em especial
a UNTAET (administração da ONU), tudo têm feito para impedir a afirmação da
moeda no território.
O combate ao escudo é tão cego que chega a atingir o caricato. Ainda
recentemente, quando o banco fretou um avião russo para transportar o
dinheiro para Díli, o staff a bordo recusou colocar os caixotes à porta do
avião e os australianos, na pista, fizeram um enorme braço-de-ferro para
impedir o respectivo descarregamento. O impasse foi de tal ordem que o
coordenador do BNU em Timor, Vasco Silva, foi obrigado a pressionar o
Comando do aeroporto a tomar uma atitude.

O assunto resolveu-se, mas posteriormente a Interfet (forças internacionais
lideradas pela Austrália) recusou-se a garantir a segurança do transporte do
dinheiro até ao centro da cidade, assim como negou qualquer autorização para
o banco recorrer a segurança privada. Alguns jipes e uma dezena de bombeiros
fardados foram a segurança daquelas centenas de milhares de contos.

Mas os obstáculos não se ficam por aí. Primeiro, conta ao DN Vasco Silva,
"foi-nos exigida uma licença de operação para procedermos ao pagamento de
pensões e subsídios em escudos e ao estabelecimento de um mecanismo de
convertibilidade do escudo para a rupia. O que do ponto de vista técnico não
é complicado, mas a questão está em que, sendo o BNU um banco português, tem
de encontrar um banco indonésio para fazer o repatriamento do dinheiro",
acrescenta, sublinhando que, em alternativa, "ainda solicitei à UNTAET a
disponibilização de meios para me deslocar a Kupang, a fim de contactar um
banco estrangeiro instalado na Indonésia. O pedido foi recusado, com o
argumento de que as Nações Unidas não podem transportar pessoas nem carga
estranhas à organização", disse Vasco Silva.

Há três dias, "preparava-me para celebrar a consoada", denuncia o mesmo
responsável, "recebo um telefonema da UNTAET a informar que não poderia
proceder ao pagamento em escudos dos subsídios anunciados pelo
Alto-Comissariado para o Apoio à Transição de Timor".

Posteriormente, a UNTAET explicou ao alto-comissário, Vítor Melícias, que
terá havido um mal-entendido no processo, ao que aquele responsável, em
declarações ao DN, comentou que "há coisas que foram esclarecidas, mas há
ainda alguns aspectos que continuam por clarificar". De resto, frisou, "na
ONU há quem não perceba isto muito bem", ou seja, a vontade expressa pelo
CNRT de ver circular em Timor a moeda portuguesa.


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