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Mãe e filha internadas após serem mordidas por ratos em casa

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Oscar de Bensaude

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Feb 24, 2016, 6:48:50 AM2/24/16
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MARISA RODRIGUES

Comida estragada, lixo acumulado no chão e bacias com urina e fezes. É
nestas condições que vivem uma idosa, de 85 anos, a filha, acamada no sofá
da sala, e o filho, esquizofrénico, numa casa precária, em Olhão, no
Algarve.

Ontem, a mulher mais nova foi mordida por ratos e levada para o hospital,
onde já estava internada a mãe, há dois dias, pelos mesmos motivos.

A família está sinalizada pela Segurança Social desde 2014, embora os
vizinhos garantam que a situação já se arrasta há, pelo menos, quatro anos.
Autarquia, PSP e delegado de Saúde também já tinham conhecimento do caso,
que foi comunicado ao Ministério Público, devido à recusa da família em ser
ajudada.

No domingo, os gritos e pedidos de ajuda vindos do número 13 da Rua da
Liberdade alertaram os vizinhos. Cátia Batista, que cuida regularmente da
família, encontrou a mulher mais velha com várias marcas de dentadas de
ratos. "Estava cheia de dores, não conseguia andar e tinha os pés inchados
do tamanho de bolas de futebol", descreveu. Perante a gravidade dos
ferimentos, a idosa foi levada de ambulância para a unidade de Faro do
Centro Hospitalar do Algarve, onde ainda estava internada, em observações,
ao final do dia de ontem.

Em casa permaneceram os dois irmãos e foi Cátia quem assumiu a higiene da
mulher, de 65 anos, acamada no sofá da sala. "Tive de usar máscaras e luvas.
Cheirava muito mal, havia pulgas e ratos a correrem pela casa. São enormes,
parecem coelhos", acrescentou a vizinha. Ontem, mais duas ambulâncias foram
chamadas ao local. A primeira, a meio da manhã, para levar a mulher para o
hospital, também por ferimentos provocados pelos ratos. Mais tarde, uma
outra para levar o homem, de 51 anos, que sofre de esquizofrenia, e que saiu
de casa pelo próprio pé depois de falar com a PSP. Apesar das várias
tentativas, não foi possível apurar se ficou internado.

Os vizinhos temem agora que a situação se mantenha quando a família
regressar a casa e asseguram que a idosa tem mostrado sinais de perturbações
mentais. "Por vezes anda na rua com as calças para baixo, sem roupa
interior, e perde-se com frequência", garantiu Filomena Nunes.

Segundo fonte da Autarquia de Olhão, a dona da casa, professora reformada,
sempre recusou ser ajudada e uma eventual limpeza do espaço só poderá
acontecer com ordem do Ministério Público e do delegado de Saúde.

O Instituto de Segurança Social garante, em comunicado, que "a progenitora
recusa qualquer tipo de apoio" e "manifesta incapacidade para gerir a sua
vida e os seus bens". Assegura que "tentou realizar diversas visitas
domiciliárias, em maio e em junho de 2014, tendo em todas elas sido vedada a
realização dessas visitas, assim como de qualquer tipo de apoio aos
elementos do agregado familiar". Face à recusa, diz o Instituto de Segurança
Social, "foi participada ao Ministério Público, uma vez que a Segurança
Social, no âmbito das suas competências, não pode intervir".

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Faro&Concelho=Olh%E3o&Option=Interior&content_id=5044680&page=2

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