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Sudário de Turim: a controvérsia.

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Fernando Matos

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Jun 7, 1998, 3:00:00 AM6/7/98
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Sudário de Turim: a controvérsia.

por Maria Luísa Albuquerque

O «JP» já publicou artigos sobre o Sudário de Turim nas edições nº 12 e 20.
Após alguns anos e depois da célebre datação pelo carbono 14(1) a
controvérsia recruscedeu. Muitas pessoas ainda o olham como uma falsificação
do séc. XIV. Mas felizmente que os estudos continuam e a editora Albin
Michel publicou o ano passado (1997) um interessante livro escrito por ANDRÉ
MARION e ANNE-LAURE COURAGE intitulado NOVAS DESCOBERTAS SOBRE O SUDÁRIO DE
TURIM (Nouvelles decouvertes sur Le Suaire de Turin). Os autores são
professores da ESCOLA SUPERIOR DE ÓPTICA, em Paris. Foi-lhes pedido em Maio
de 1994, pelo CIELT (Centro Internacional de Estudos sobre o Lençol de
Turim) uma opinião sobre umas letras ou sinais que aparecem no rosto do
Homem do Sudário. Só nesta Escola seria possível fazer ressaltar, por
tratamento de imagem, os caracteres que apareciam um pouco imperceptíveis no
lençol.
O estudo do lençol de Turim exige interdisciplinariedade: exegese(2),
história, arqueologia, iconografia(3), numismática, química, espectografia,
antropologia, anatomia, radiodatação, óptica, tratamento de imagens,
paleografia(4)... Cada um destes domínios traz os seus elementos de estudo,
mas cada um reconhece os seus limites diante de um objecto tão espantoso.
Todos reconhecem que a pergunta é só uma: será verdadeiramente este o lençol
que envolveu o corpo de Jesus de Nazaré depois da crucifixão?
A fim de tentar responder a esta questão é importante recolher todos os
dados históricos, iconográficos ou científicos, tanto os que vão no mesmo
sentido como os que se contradizem.

Natureza da imagem
A nossa primeira certeza é a seguinte: A imagem do lençol não é uma obra
pictural.
Não foram encontrados sinais de tinta no tecido e a imagem em negativo e em
dupla silhueta é dificilmente concebida ter sido feita em época medieval ou
em época anterior, pois não foi encontrado qualquer produto químico; tem
caracter indelével e o seu planeamento é perfeito como se tratasse de uma
projecção óptica num ecrã. Foi igualmente estudada a sua
tridimensionalidade, de acordo com a lei das distâncias, realização
impossível em tempos antigos e ainda hoje de difícil compreensão.
Estudos mostraram que a imagem não foi feita a partir de pigmentos ou
colorantes. Foram encontrados uns traços ínfimos de pigmentos não
suficientes para fazer toda a imagem. A impressão está marcada com líquidos
fisiológicos e corresponde perfeitamente à anatomia e ao sistema
circulatório humano tal como o conhecemos hoje, desconhecido na Idade Média.
Destas observações tiramos o nossa segunda certeza: o lençol de Turim foi um
dia posto em contacto com um verdadeiro cadáver de um crucificado.
Estes dois pontos são quase os únicos em que a comunidade científica parece
estar de acordo. Mas se o lençol não é uma obra pictural, poderia ser um
falso lençol fabricado por outro processo qualquer? Vamos ver as condições
que teriam de ser reunidas para a realização de uma falsidade.

A hipótese do falsário
O falsário teria que escolher um belo tecido de linho que não oferecesse
ambiguidade sobre a época da sua fabricação.
É que a matéria do lençol e a técnica de fabricação era usada no tempo de
Cristo: tipo de ponto, torção do fio, técnica de tecelagem, tudo indica que
a sua origem é anterior à Idade Média europeia ou oriental. A análise dos
pólens encontrados no lençol mostraram que foi fabricado numa região
mediterrânica e que aí permaneceu algum tempo.
Como a impressão teria de se formar a partir do corpo de um verdadeiro
crucificado, era preciso que o falsário dispusesse de um tal tipo de
cadáver. Depois teria de encontrar um homem que tivesse semelhança física
com as representações iconográficas de Cristo. Que o seu martírio tivesse
sido inspirado nos textos do Evangelho: Flagelação com um chicote semelhante
ao flagrum(5) romano, imposição de um capacete de espinhos e não de uma
coroa como mostra a iconografia; carregamento da cruz, quedas sucessivas e
pancadas; crucifixão com os cravos colocados nos punhos e não nas palmas, em
oposição a toda a iconografia, mas de acordo com as práticas dos carrascos;
golpe de lança do lado direito depois da morte.
Admitindo que o falsário fosse de origem medieval, do séc. XIV, como
sugeriram os resultados da datação do carbono 14, parece muito improvável
que já tivesse este tipo de conhecimentos. Na Idade Média ignoravam-se estes
detalhes e os costumes históricos da antiguidade e dos primeiros séculos da
nossa era.
O falsário teria depois de envolver o corpo do supliciado no lençol e assim
se explicariam as marcas de coágulos de sangue e os traços de serosidade.
Para obter marcas semelhantes às do lençol, sem traços de decomposição, ele
teria que ter deixado o corpo permanecer entre 36 a 40 horas no lençol.
Depois teria que o retirar sem marcas de ter sido arrancado (por causas das
crostas que entretanto se teriam formado), fenómeno incompreensível no
momento actual aos olhos dos médicos.

A duplicação da imagem
Resta o problema crucial da imagem da dupla silhueta: ela teria que ter sido
fabricada depois das marcas de sangue e colocada com muita precisão a fim de
fazer coincidir exactamente com as marcas dos líquidos fisiológicos na
frente e nas costas.
Ainda hoje o mecanismo da formação da marca da imagem corporal é
inexplicável. Mas poderia ser um fenómeno natural que o falsário não tivesse
previsto e que tivesse acontecido por mero e oportuno acaso. A coincidência
seria fantástica... E porque não se conhece mais nenhum lençol com uma
imagem deste tipo?
A hipótese mais vulgarmente admitida pela tese de falsário, é que a imagem
pode ter sido criada intencionalmente, portanto um lençol simplesmente sujo
de sangue seria suficiente para convencer as multidões. Lembremo-nos que
durante os séculos precedentes o fervor religioso perante o lençol
concentrou-se sobretudo no “sangue de Cristo” enquanto a imagem passava
quase para segundo plano. Um falsário de génio teria na sua época de
imaginar e concretizar um procedimento que seria uma espantosa proeza
técnica: mesmo neste final do séc. XX, quando dispomos de muitos meios
tecnológicos sofisticados da ciência moderna ninguém foi capaz de reproduzir
uma imagem que apresentasse exactamente as mesmas características da imagem
de Turim. E ainda por cima, este falsário só teria realizado a experiência
uma vez, pois esta imagem é única no mundo. Enfim, ele não teria transmitido
o seu segredo a mais ninguém, teria morrido levando-o com ele.
Uma tal acumulação de hipóteses, parece difícil de ser concebida. Em termos
matemáticos poderíamos dizer que a probabilidade que todos os pontos
precedentes pudessem ter sido realizados é ínfima...
Definitivamente parece extremamente improvável que o Sudário de Turim possa
ser obra de um falsário, sobretudo numa época tão tardia como a Idade Média
teria que ter sido um génio, e um génio não deixa uma obra só.

Historial dum suplício
Se não é obra nem de um artista nem de um falsário o que poderá ser este
objecto senão o autêntico lençol de um verdadeiro crucificado? Imediatamente
se põe nova pergunta: de que época poderia ser a crucifixão do Homem do
Sudário?
A morte por crucifixão não foi praticada em todas as épocas da História. Era
usada em todas as civilizações da antiguidade e o mais antigo documento que
lhe faz alusão é de origem suméria. Entre os romanos começou a ser usada
cerca de 200 A.C. e os métodos eram diferentes segundo as regiões, a
natureza do crime e o estatuto social. A cruz era um pelourinho vergonhoso,
um sinal de desprezo, um patíbulo escandaloso. Na cruz eram pregados os
mais desprezíveis, que morriam desonrados e de maneira tão cruel e
vergonhosa que os romanos proibiam crucificar um cidadão romano. O
supliciado podia ser pregado à cruz ou amarrado por cordas. Nos dois casos o
condenado estava suspenso, posição que impedia a respiração. No pelourinho
da cruz eram asfixiados os escravos, os rejeitados, os fora da sociedade,
que se contorciam em convulsões pavorosas, no cheiro fétido das próprias
fezes e no gargarejar de seus pulmões inundados do próprio sangue. "Como um
verme", diz a Bíblia com toda a crueza... De facto, para não asfixiar, o
crucificado tinha de puxar o corpo para cima com os braços pregados no
madeiro, e assim soltar o ar dos pulmões. Mas a dor desse movimento era tão
grande que impulsivamente deixava o corpo cair de novo. Aí então os pulmões
enchiam-se de ar, e não era possível expulsá-lo. Para o expelir, tornava a
puxar o corpo para cima com a força dos braços e das pernas presas. E assim
repetidamente, até ficar esgotado e morrer asfixiado.

O fim do suplício
Foram encontrados na Judeia corpos de crucificados do séc. I e o suplício
foi abolido no Ocidente cerca do ano 320 d.C., por ordem do Imperador
Constantino. Desapareceu dos tribunais públicos, mas foi usado ainda algum
tempo para as condenações em tribunais particulares. Os historiadores
consideram que a crucifixão desapareceu totalmente nos países cristãos no
fim do séc. IV, especialmente depois do Imperador Teodósio ter proibido as
execuções privadas. No entanto continuou a ser praticada noutros países
especialmente no Próximo Oriente, até cerca do séc. VII ou VIII.
Parece improvável que o Homem do Sudário tenha sido crucificado na Idade
Média no Ocidente visto que este suplício tinha desaparecido alguns séculos
antes. Todos os detalhes presentes no Sudário coincidem com uma crucifixão à
romana segundo técnica empregue no séc. I. Lembramos que os cravos estavam
colocados nos punhos e não nas palmas, para evitar que as mãos se rasgassem.
Se esta técnica era bem conhecida dos carrascos que praticavam
frequentemente a crucifixão, a iconografia testemunha que ela não fazia
parte dos usos correntes no Oriente e no Ocidente pelo menos depois do séc.
IV.
A única possibilidade de ser falso depois do séc. IV seria a utilização dum
lençol que tivesse embrulhado o corpo dum crucificado no Médio Oriente, num
país onde a crucifixão estivesse ainda a ser usada, e recuperado para ser
apresentado como o Sudário de Cristo. Lembramos que os monges bizantinos
eram conhecidos pelo seu gosto pronunciado pelas falsas relíquias e pela
qualidade das suas realizações. Neste caso o lençol poderia ser do séc.V.
Mas assim é curioso que não se encontre na iconografia oriental nenhuma
representação da crucifixão colocando os cravos nos punhos. Seja qual for a
conclusão juntando os dados históricos da crucifixão com os da
palinologia(6) e da palinografia, concluímos que o lençol de Turim é
originário da bacia mediterrânea, ou ao menos aí permaneceu algum tempo, o
suficiente para apresentar os pólens da zona.

Pergunta inevitável
E encontramo-nos de novo confrontados com a inevitável pergunta: de que
época data o lençol?...
Historicamente está estabelecida que a datação do Sudário de Turim remonta
pelo menos a 1357, época da sua aparição em França, em Lirey. Se admitirmos
os resultados do carbono 14 a data não é 1260/1390 mas 1260/1256. Entretanto
ela é incompatível com a que poderíamos deduzir do exame do Codex(7) Pray. O
Codex Pray é um manuscrito medieval húngaro, conservado na Biblioteca
Nacional de Budapeste. Deve o seu nome a um erudito historiador jesuíta:
GEORGIUS PRAY, que o descobriu no séc. XVIII na Biblioteca do Capítulo da
antiga capital da Hungria medieval, Poszoni actual Bratislava. Foi datado
pelos musicólogos(8) entre 1192 e 1195, graças aos critérios paleográficos e
musicológicos. Na realidade ele contém folhas de épocas diversas. Tem
algumas miniaturas datadas anteriormente a 1150.
Muitas destas miniaturas representam cenas da Paixão. A iconografia da época
situava habitualmente os cravos nas palmas do crucificado, e mostrava muitas
vezes os dois pés cravados separadamente. Ao contrário das tradições
iconográficas o Codex Pray mostra detalhes mais de acordo com a imagem de
Turim. Na miniatura da unção, o Cristo morto é mostrado nu, com as mãos
cruzadas e os polegares retraídos para o interior da mão.
Os artistas, quase universalmente, desde os bizantinos aos modernos,
imaginavam a colocação dos cravos dos membros superiores, no metacarpo
(palma da mão). A experimentação feita pelo médico cirurgião Barbet,
demonstrou que cravando um braço na palma da mão (metacarpo) e submetendo-o
a um peso de 40 kg, depois de 10 minutos a mão não resiste e é rasgada pelo
cravo. Os romanos, ao usarem este género de tortura, sabiam bem que se
queriam dar uma segurança estática ao crucificado, deviam pregar o braço na
zona do carpo, ou no espaço entre o rádio e o cúbito (região “distal”). No
Homem do sudário, o cravo foi certamente pregado no carpo: aqui se encontra
o chamado “espaço de Destot” e é aqui que o cravo vai encontrar o nervo
médio, o qual é sensorial (quer dizer, se é lesado, causa uma dor lancinante
até ao delírio) e também é motório já que, através dos feixes musculares do
tenar ( músculo da mão), preside ao movimento do dedo polegar.
As experiências do Dr. Barbet, revelaram que assim que o cravo é pregado no
carpo, o dedo polegar retrai-se imediatamente para o interior da palma da
mão. A impressão da mão esquerda do sudário mostra só quatro dedos, faltando
o polegar.
Jerómé Le Jane, membro da Academia de Ciências Morais e Políticas e Yvonne
Bongert, professora emérita da Universidade de Paris II, afirmam que os
desenhos e pormenores que aparecem no Codex Pray não se poderiam explicar se
o autor não tivesse conhecimento do sudário de Turim.
Ora, como todos sabemos, a crucifixão tinha desaparecido havia alguns
séculos. O raciocínio presente conduz-nos assim a pôr em causa da datação
pelo carbono 14. Lembremos entretanto que muitos factores podem falsear
estes factos e que é pouco sensato dar-lhes uma confiança absoluta. Se o
lençol é verdadeiramente o de um crucificado, como é provavelmente o caso,
seria espantoso que datasse da Idade Média. Podemos legitimamente concluir
pelo conjunto de dados históricos e paleográficos, que se o lençol é de
origem ocidental, é muito provavelmente anterior ao fim do séc.IV, século
que viu desaparecer o suplício da crucifixão no ocidente.

Quem é o Homem do sudário?
Que homem então, poderia ter sido crucificado antes do séc. IV e envolvido
num lençol de tecido precioso?... Como não é possível responder a esta
pergunta apoiando-nos em testemunhos históricos irrefutáveis  pois tais
testemunhos não existem ou ao menos não chegaram até nós  não é possível
ter senão presunções, apoiadas por dados de que dispomos e fundamentados em
hipóteses. Em lógica matemática, vamos raciocinar em termos de
probabilidades.

A hipótese mais provável, que parece a mais credível, e que nos vem
imediatamente ao espírito, é que o crucificado é muito provavelmente Jesus
de Nazaré. Tudo no lençol, corresponde perfeitamente aos conhecimentos
universalmente admitidos sobre o personagem histórico, bem como aos relatos
dos Evangelhos. A fasquia de coincidências é tal que, para qualquer outra
personagem, o debate não tinha mais razão de ser.
Se se admitir que o sudário de Turim é o lençol de Jesus, os traços que se
encontram são tão claros e tão concordantes que se pode praticamente fazer
ali uma leitura da paixão de Cristo, tal como nos é descrita pela tradição e
pelos relatos evangélicos. O desenho 1 esquematiza a racionalidade lógica
que nos conduz a esta conclusão.
As experiências que tiverem lugar durante o corrente ano, por ocasião da
exposição do sudário permitirão talvez desfazer a dúvida. Novos estudos das
poeiras e dos pólens poderão ser efectuados. Poderão ser feitas novas
fotografias já adaptadas ao tratamento de imagem, o que será uma vantagem.
Os cientistas desejam particularmente voltar a estudar a região dos olhos a
fim de estudar as moedas que teriam sido lá postas, e que parecem ser
leptons cunhados por Pôncio Pilatos.
Em 1978, os americanos JUMPER, JAKSON e STEVENSON (cientistas da NASA)
analisando a imagem tridimensional do rosto obtida num aparelho VP8,
repararam a presença de dois objectos circulares na região das pálpebras.
Pareciam duas moedas pousadas nos olhos costume de acordo com os ritos
funerários da época.
Já IAN WILSON tinha ficado intrigado com a forma circular dos olhos. E tinha
chamado a atenção para a semelhança do círculo com uma moeda antiga, um
lepton cunhada por Pôncio Pilatos no ano 30 ou 31. Estas moedas eram de uma
má qualidade técnica, com letras mal impressas e mal centradas. Todos estes
pormenores aparecem nos olhos do Homem do sudário.
Feitas ampliações e consultado um especialista de renome em Chicago, MICHAEL
MARX, este procurando em obras do museu britânico confirmou que aquelas
moedas foram cunhadas por Pilatos em honra de Júlia mãe do imperador
Tibério. Mais um dado que o suposto falsário precisaria ter...

Uma comparação das marcas das feridas impressas no lençol com as da túnica
de Argenteuil(9) assim como dos grupos de sangue das duas relíquias, poderia
trazer novos elementos. Também seria desejável que fossem feitas novas
datações de bocados espalhados por toda a face do lençol e utilizando
técnicas diferentes.

O mistério persiste
De momento mantêm-se múltiplos mistérios, e será muito difícil de explicar,
por exemplo a formação da imagem em dupla silhueta. Supomos que devem ser
feitas novas fotos numéricas, em condições variadas: ângulos de iluminação
diferentes, tomadas de vista por reflexão e por transparência, bandas
expectrais que devem ir do infravermelho ao ultra violeta, etc. Estas
experiências, ligadas a outras, podem talvez fazer avançar os conhecimentos
e trazer de novo elementos de resposta às perguntas seguintes: existem
marcas de letras noutras regiões do lençol? Em que época poderão ter sido
feitas as inscrições e com que finalidade?... Como pode ser o lençol
separado do corpo do supliciado sem que haja a mínima marca de ter sido
arrancado? Qual é a natureza exacta da imagem corporal, e como pode ser
impressa no lençol?...

Por si só, o mistério da formação da imagem parece tocar os limites da
ciência actual. Poderá explicar-se um dia, amanhã, daqui a dez anos, daqui a
um século, o processo que criou esta imagem?
Entre aqueles que não se agarram à tese da falsidade mas se interrogam,
encontram-se tanto racionalistas, materialistas, como ateus e cristãos
fervorosos. Os primeiros não podem senão responder afirmativamente a esta
questão e esperar pelos futuros progressos da ciência. Quanto aos cristãos,
sabem que seguramente uma explicação racional nunca poderá ser encontrada,
pela simples razão que atinge o domínio do sobrenatural, do miraculoso, do
acto divino. A imagem seria devida ao fenómeno da ressurreição; o corpo de
Jesus Cristo teria sido, não sabemos como “desmaterializado” para atravessar
o tecido antes de se “rematerializar”(*). Esta hipótese que está de acordo
com a do Pe. Rinaudo(10) poderia explicar ausência de marcas de arrancamento
e a formação desta imagem maravilhosa e cheia de mistério.
Decidir entre estas duas teses opostas é impossível, porque aqui deixamos o
domínio da razão pura para entrarmos na fé, o que ultrapassa o quadro e a
finalidade deste artigo...

Glossário:
(1)Carbono 14: o carbono é um dos elementos químicos presentes em toda a
matéria orgânica e existe em diversas variedades. O átomo de carbono tem um
núcleo composto de seis protões e de um numero variado de neutrões: este
número permite determinar a variedade carbono à qual aquele átomo pertence.
Estas espécies são denominadas isótopos. Chama-se carbono 14 por exemplo, a
um átomo de carbono cujo núcleo tem seis protões e oito neutrões, ou seja 14
componentes. O princípio da datação baseia-se na instabilidade do carbono,
que se desintegra a pouco e pouco. Durante esta reacção, emite um electron
chamado partícula beta e uma partícula neutra chamada neutrino. Enquanto um
organismo está vivo, a perda do carbono é compensada por exemplo pela
alimentação. Assim que um organismo morre, a taxa de carbono diminui
inexoravelmente. Sabendo a velocidade à qual a taxa diminui e conseguindo-se
medir a quantidade de carbono existente no tecido no momento presente, é
possível calcular o tempo decorrido desde a morte do tecido. Por exemplo, no
lençol de Turim, poderia saber-se a data da recolha do linho que serviu para
o fabricar.
O sudário de Turim esteve submetido a muitos tipos de poluição ao longo da
sua história, especialmente no pedaço donde foram retirados os fios para
análise, local constantemente manipulado e portanto, sujeito a
contaminações.
Os neutrões teriam dado origem ao enriquecimento em C14. Isto foi verificado
bombardeando um tecido com neutrões num reactor do Centro de Estudos
Nucleares de Saclay (França) e depois foi submetido à datação pelo C14 e o
resultado foi que o tecido feito nos nossos dias, apresentou uma datação de
46.000 anos D.C.
Segundo GABRIEL VIAL, do museu de Tecidos de Lyon, as datações de tecidos
pelo carbono 14, mostram frequentemente uma imprecisão que pode ir até 400
anos.
Só que a taxa de C14 sofre variações durante os séculos e nem todos os seres
vivos fixam os diferente isótopos de carbono nas mesmas proporções. O
fraccionamento isotópico, varia segundo as espécies.
Também a taxa de carbono 14 na atmosfera se foi modificando com o decorrer
dos tempos, por alteração de variações da intensidade de radiações
cósmicas. Estas variações estão ligadas aos ciclos solares e a diversos
factores terrestres, como o geomagnetismo e as proporções de gás carbónico e
de vapor de água na atmosfera. A taxa de carbono aumenta quando há erupções
vulcânicas, grandes incêndios e sob o efeito da poluição. Há ainda outros
factores menos conhecidos que podem falsear a datação, como por exemplo, no
caso do sudário, o incêndio acontecido em Chambéry, em 1532.
(2)Exegese: ciência que consiste a estabelecer, segundo normas de crítica
científica, o sentido dum texto ou duma obra literária. Este termo é
aplicado sobretudo à interpretação dos textos bíblicos.
(3)Iconografia: estudo descritivo das diferentes representações figuradas de
um mesmo sujeito.
(4)Paleografia: ciência que estuda as Antigas Escrituras.
(5) Flagrum: chicote usados pelos romanos, com as correias ornadas de bolas
de chumbo ou osso.
(6) Palinologia: estudo dos pólens e dos fósseis
(7)Codex: da Antiguidade ou da Idade Média: conjunto de folhas escritas
costuradas juntas, como tabletes endurecidas por cera e ligadas entre si
(por oposição a volumem: enrolado).
(8)Musicologia: ciência da história da música e da teoria musical.
(9)Túnica de Argenteuil: nesta cidade francesa, está uma túnica inconsútil
(sem costuras) que se acredita pertenceu a Jesus. Não se têm feito muitos
estudos sobre esta túnica, como seria importante.
(10)A tese do Pe. Rinaudo: Professor na Faculdade de Medicina de
Montpellier, afirma que o lençol foi submetido a um duplo bombardeamento de
protões e neutrões, provenientes da desintegração do núcleo de deutérium.
Mas donde poderiam vir estes núcleos e sobretudo, a energia necessária à sua
desintegração?... Segundo o Pe. Rinaudo, seriam núcleos cheios de água e
outros elementos que constituíam o corpo de Jesus e a energia precisa para o
fenómeno, teria vindo precisamente da imensa energia libertada no momento da
“desmaterialização” do corpo, numa palavra, do instante da ressurreição.
Na literatura científica há casos conhecidos de datações falsas: o
laboratório de Tucson datou um capacete viking de 2.006 D.C.; uma pele de
mamute, com 26.000 anos, foi datada como tendo 5.600, etc.
O Pe. Rinaudo, calculou a quantidade de protões necessários para provocar
uma oxidação comparável à do lençol de Turim (na ordem dos 40 microns), bem
como a quantidade de neutrons que pudessem induzir a um erro na datação de
treze séculos. Encontrou dois números praticamente iguais e assim viu
confirmada a sua hipótese de desintegração do núcleo de deutérium.
(*) Para se dar esta ocorrência, potencialmente sugerida pelas marcas
deixadas no lençol, supõe-se haver antes uma suspensão do corpo, levitação,
para a manutenção da equidade da radiação, ao longo do corpo numa constância
que nos é mostrada pelo lençol, por, encontrando-se no ar, não haveria
obstáculos que pudessem ricochetear as partículas, como seria realmente se
estivesse encimado na laje. No entanto, se assim não fosse, i. e. se a
ocorrência da desintegração infinitésimal e instantânea do corpo e dos
demais resíduos de líquidos fisiológicos e sangue solidificado, que
produziria uma luz explendorosa, aquando deste na laje, poderia tal
contribuir para a duplicação da referida imagem com o efeito tridimensional?
(Nota de Fernando Matos, colaborador do CLAP-Portugal, extra edição do
Jornal de Parapsicologia.)

Referências:
BARBET, Pierre, A Paixão de Cristo segundo o Cirurgião, 1965 São Paulo, Ed.
Loyola
BONGERT, Yvonne: L’inconographie du Christ et le Linceul de Turin, Actes du
symposium scientifique international du CIELT em Rome em 1993, op. Cit.
BONGERT, Yvonne: L’inconographie du Christ et le Linceul de Turin, art. Cit.
BONGERT, Yvonne: Le Codex Pray et le Linceul de Turin, dans Nouveaux Regards
sur le Linceul de Turin, CIELT, 1995
BONNET-EYMARD, Bruno: Le Saint Sudaire, preuve de la morte et de la
résurrection du Christ, CRC, 1986
CHEVALIER, Ulysse: Le Saint Sudaire est-il l´original ou une copie?, 1899
DELIBRIAS, Georgette: Le carbone 14, capitulo XV de E. Roth e B. Poty:
Téthode de datation par les phénomènes nucléairs naturels. Applications,
Paris, Masson, 1985
DUPLESSY, Jean-Claude e ARNOLD, Maurice: La mesure du carbone 14 en
spectrométrie de masse par accélérateur. Premières applications, cap. XVI de
E. Roth e B. Poty: Métothe de datation par les phénomènes nucléairs
naturels. Applications, Paris, Masson, 1985
FILAS, S.J., Francis L.: The Dating of the Shroud of Turin from Coins of
Pontius Pilate, Gogan Productions, 1980
GILBERT, Roger Jr. e M. Gilbert, Marion: Ultraviolet-Visible Reflectance and
Fluorescence Spectra of the Shroud of Turin, em Applied Optics, 19, nº 12,
15 JUN. 1980
JACKSON, J. e JUMPER, J.: The Shroud of Turin, Proceedings of the 1977
United States Conference Albuquerque Holy Shroud Guild, New York, 1977
LEGRANG, Antoine, Datation par l´iconographie, Actes du symposium
scientifique international du CIELT em Rome em 11993, op. Cit.
MARION, André e COURAGE, Anne-Laure: Nouvelles Decouvertes sur le Suaire de
Turin, Paris 1997, Albin Michel
PETROSILLO, Orazio e MARINELLI Emanuela: Le Suadire, une énigme à l´épreuve
de la science, op. Cit. Barbet, Dr. Pierre: La Passion de Notre Seigneur
Jésus Christ selon le chirurgien, Paris, ed. Paulines, 1982
RICCI, Giulio, Via Sacra segundo o Santo Sudário de Turim, 1978, ed. do
autor
RINAUDO, Jean-Baptiste: Noveau mécanisme de formation de l´image sur le
linceul de Turin, ayant pu entraîner une fausse radiodatation médiévale,
Actes du symposium scientifique international du CIELT em Roma em 1993, op.
Cit.
STEVENSON, Kenneth E. e HABERMAS, Gary R.: A verdade sobre o Sudário, 1986
São Paulo, Ed. Paulinas
WILSON, Ian: O Santo Sudário, trad. Inglês por Nestor e Ayako Deola, São
Paulo 1979, Ed. Melhoramentos

--
*********************************************************************
Fernando Matos: fj...@mail.telepac.pt
«CLAP-Portugal»
(Centro Latino-Americano de Parapsicologia de Portugal)
http://www.terravista.pt/Mussulo/1287/
*********************************************************************


Lord Black Goblin

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Jun 7, 1998, 3:00:00 AM6/7/98
to

E' por isto que eu nao gosto de usar acentuacao...

>O «JP» já publicou artigos sobre o Sudário de Turim nas edições nº
12 e 20.
>Após alguns anos e depois da célebre datação pelo carbono 14(1) a
>controvérsia recruscedeu. Muitas pessoas ainda o olham como uma
falsificação
>do séc. XIV. Mas felizmente que os estudos continuam e a editora Albin
>Michel publicou o ano passado (1997) um interessante livro escrito por
ANDRÉ
>MARION e ANNE-LAURE COURAGE intitulado NOVAS DESCOBERTAS SOBRE O SUDÁRIO
DE
>TURIM (Nouvelles decouvertes sur Le Suaire de Turin). Os autores são
>professores da ESCOLA SUPERIOR DE ÓPTICA, em Paris. Foi-lhes pedido em
Maio
>de 1994, pelo CIELT (Centro Internacional de Estudos sobre o Lençol de
>Turim) uma opinião sobre umas letras ou sinais que aparecem no rosto do
>Homem do Sudário. Só nesta Escola seria possível fazer ressaltar, por
>tratamento de imagem, os caracteres que apareciam um pouco imperceptíveis
no
>lençol.

cep...@mail.telepac.pt

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Jun 8, 1998, 3:00:00 AM6/8/98
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In article <6le5fq$6qs$1...@duke.telepac.pt>, "Fernando Matos" <fj...@mail.telepac.pt> wrote:
>Sudário de Turim: a controvérsia.
>
>por Maria Luísa Albuquerque
>
>O «JP» já publicou artigos sobre o Sudário de Turim nas edições nº 12 e
> 20.
>Após alguns anos e depois da célebre datação pelo carbono 14(1) a
>controvérsia recruscedeu. Muitas pessoas ainda o olham como uma falsificação
>do séc. XIV. Mas felizmente que os estudos continuam e a editora Albin
>Michel publicou o ano passado (1997) um interessante livro escrito por ANDRÉ
>MARION e ANNE-LAURE COURAGE intitulado NOVAS DESCOBERTAS SOBRE O SUDÁRIO DE
>TURIM (Nouvelles decouvertes sur Le Suaire de Turin). Os autores são...

Please, ponham o artigo legivel sff.
"Parece-me" que gostava de fazer alguns comentarios mas assim e' impossivel
Obrigado

Fernando Matos

unread,
Jun 9, 1998, 3:00:00 AM6/9/98
to

E assim?

Fernando Matos escreveu na mensagem <6le5fq$6qs$1...@duke.telepac.pt>...

Sudário de Turim: a controvérsia.

por Maria Luísa Albuquerque

O «JP» já publicou artigos sobre o Sudário de Turim nas edições nº 12 e 20.
Após alguns anos e depois da célebre datação pelo carbono 14(1) a
controvérsia recruscedeu. Muitas pessoas ainda o olham como uma falsificação
do séc. XIV. Mas felizmente que os estudos continuam e a editora Albin

Michel publicou o ano passado (1997) um interessante livro escrito por André
Marion e Anne-Laure Courage intitulado Novas descobertas sobre o Sudário de
Turim (Nouvelles decouvertes sur Le Suaire de Turin). Os autores são
professores da Escola Superior de Óptica, em Paris. Foi-lhes pedido em Maio

Georgius Pray, que o descobriu no séc. XVIII na Biblioteca do Capítulo da

pergunta apoiando-nos em testemunhos históricos irrefutáveis ? pois tais
testemunhos não existem ou ao menos não chegaram até nós ? não é possível


ter senão presunções, apoiadas por dados de que dispomos e fundamentados em
hipóteses. Em lógica matemática, vamos raciocinar em termos de
probabilidades.

A hipótese mais provável, que parece a mais credível, e que nos vem
imediatamente ao espírito, é que o crucificado é muito provavelmente Jesus
de Nazaré. Tudo no lençol, corresponde perfeitamente aos conhecimentos
universalmente admitidos sobre o personagem histórico, bem como aos relatos
dos Evangelhos. A fasquia de coincidências é tal que, para qualquer outra
personagem, o debate não tinha mais razão de ser.
Se se admitir que o sudário de Turim é o lençol de Jesus, os traços que se
encontram são tão claros e tão concordantes que se pode praticamente fazer
ali uma leitura da paixão de Cristo, tal como nos é descrita pela tradição e
pelos relatos evangélicos. O desenho 1 esquematiza a racionalidade lógica
que nos conduz a esta conclusão.
As experiências que tiverem lugar durante o corrente ano, por ocasião da
exposição do sudário permitirão talvez desfazer a dúvida. Novos estudos das
poeiras e dos pólens poderão ser efectuados. Poderão ser feitas novas
fotografias já adaptadas ao tratamento de imagem, o que será uma vantagem.
Os cientistas desejam particularmente voltar a estudar a região dos olhos a
fim de estudar as moedas que teriam sido lá postas, e que parecem ser
leptons cunhados por Pôncio Pilatos.

Em 1978, os americanos Jumper, Jakson e Stevenson (cientistas da NASA)


analisando a imagem tridimensional do rosto obtida num aparelho VP8,
repararam a presença de dois objectos circulares na região das pálpebras.
Pareciam duas moedas pousadas nos olhos costume de acordo com os ritos
funerários da época.

Já Ian Wilson tinha ficado intrigado com a forma circular dos olhos. E tinha


chamado a atenção para a semelhança do círculo com uma moeda antiga, um
lepton cunhada por Pôncio Pilatos no ano 30 ou 31. Estas moedas eram de uma
má qualidade técnica, com letras mal impressas e mal centradas. Todos estes
pormenores aparecem nos olhos do Homem do sudário.

Feitas ampliações e consultado um especialista de renome em Chicago, Michael
Marx, este procurando em obras do museu britânico confirmou que aquelas

Segundo Gabriel Vial, do museu de Tecidos de Lyon, as datações de tecidos

Referências:
Barbet, Pierre, A Paixão de Cristo segundo o Cirurgião, 1965 São Paulo, Ed.
Loyola
Bongert, Yvonne: L’inconographie du Christ et le Linceul de Turin, Actes du


symposium scientifique international du CIELT em Rome em 1993, op. Cit.

Bongert, Yvonne: L’inconographie du Christ et le Linceul de Turin, art. Cit.
Bongert, Yvonne: Le Codex Pray et le Linceul de Turin, dans Nouveaux Regards


sur le Linceul de Turin, CIELT, 1995

Bonnet-Eymard, Bruno: Le Saint Sudaire, preuve de la morte et de la


résurrection du Christ, CRC, 1986

Chevalier, Ulysse: Le Saint Sudaire est-il l´original ou une copie?, 1899
Delibrias, Georgette: Le carbone 14, capitulo XV de E. Roth e B. Poty:


Téthode de datation par les phénomènes nucléairs naturels. Applications,
Paris, Masson, 1985

Duplessy, Jean-Claude e Arnold, Maurice: La mesure du carbone 14 en


spectrométrie de masse par accélérateur. Premières applications, cap. XVI de
E. Roth e B. Poty: Métothe de datation par les phénomènes nucléairs
naturels. Applications, Paris, Masson, 1985

Filas, S.J., Francis L.: The Dating of the Shroud of Turin from Coins of


Pontius Pilate, Gogan Productions, 1980

Gilbert, Roger Jr. e M. Gilbert, Marion: Ultraviolet-Visible Reflectance and


Fluorescence Spectra of the Shroud of Turin, em Applied Optics, 19, nº 12,
15 JUN. 1980

Jackson, J. e Jumper, J.: The Shroud of Turin, Proceedings of the 1977


United States Conference Albuquerque Holy Shroud Guild, New York, 1977

Legrang, Antoine, Datation par l´iconographie, Actes du symposium


scientifique international du CIELT em Rome em 11993, op. Cit.

Marion, André e Courage, Anne-Laure: Nouvelles Decouvertes sur le Suaire de


Turin, Paris 1997, Albin Michel

Petrosillo, Orazio e Marinelli Emanuela: Le Suadire, une énigme à l´épreuve


de la science, op. Cit. Barbet, Dr. Pierre: La Passion de Notre Seigneur
Jésus Christ selon le chirurgien, Paris, ed. Paulines, 1982

Ricci, Giulio, Via Sacra segundo o Santo Sudário de Turim, 1978, ed. do
autor
Rinaudo, Jean-Baptiste: Noveau mécanisme de formation de l´image sur le


linceul de Turin, ayant pu entraîner une fausse radiodatation médiévale,
Actes du symposium scientifique international du CIELT em Roma em 1993, op.
Cit.

Stevenson, Kenneth E. e Habermas, Gary R.: A verdade sobre o Sudário, 1986
São Paulo, Ed. Paulinas
Wilson, Ian: O Santo Sudário, trad. Inglês por Nestor e Ayako Deola, São
Paulo 1979, Ed. Melhoramentos

*********************************************************************

joao ferreira

unread,
Jun 10, 1998, 3:00:00 AM6/10/98
to

"Fernando Matos" <fj...@mail.telepac.pt> disse

Agora que esta legivel, o artigo merece uma analise mais detalhada,
que deixo para outro dia. Mas com tanta bibliografia, desde ja' faco
um pequeno reparo:


>(3)Iconografia: estudo descritivo das diferentes representações figuradas de
>um mesmo sujeito.

Do dicionario:
iconografia s. f.
descrição das imagens, quadros, bustos e pinturas antigas e modernas;
conjunto de imagens a respeito de um determinado assunto.
(Do gr. eikonographía, «pintura de retratos»)

Na realidade dedica-se a muito mais coisas, sendo, hoje, praticamente
uma ciencia auxiliar da Historia da Arte.

>(4)Paleografia: ciência que estuda as Antigas Escrituras.

Do dicionario
paleografia s. f.
tratado ou descrição de escritos antigos;
arte de decifrar esses escritos.
(Do gr. palaiós, «antigo» + gráphein, «escrever» + -ia)

E´uma cadeira disponivel em qualquer licenciatura em Historia, e
garanto que nao se ocupa das Antigas Escrituras (pelas maiusculas
supoe que se refere 'a Biblia).


aingles

unread,
Jun 11, 1998, 3:00:00 AM6/11/98
to

In article <6lk0hh$6mi$1...@duke.telepac.pt>, "Fernando Matos" <fj...@mail.telepac.pt> wrote:
>E assim?

Assim, sim.
Desculpem mas tenho de alterar a ordem do vosso texto.
Para mim a primeira questao e fundamental e' a datacao. Por isso comeco aqui.

>E encontramo-nos de novo confrontados com a inevitável pergunta: de que
>época data o lençol?...
>Historicamente está estabelecida que a datação do Sudário de Turim remonta
>pelo menos a 1357, época da sua aparição em França, em Lirey.

Esta datacao e' confirmada pela carta do Bispo de Lirey ao Papa Clemente VII.
Trata-se da primeira referencia escrita referindo o sudario. Nesta o bispo
informa ter encontrado o falsario. Note-se que na epoca existem varios
sudarios (pelo menos quatro). Ao longo dos seculos as falsas reliquias sao
algo de vulgar.
Note-se ainda que Clemente VII permite a exposicao sublinhando que o sudario
e' uma representacao simbolica do sofrimento e morte de Cristo.

>Se admitirmos os resultados do carbono 14 a data não é 1260/1390 mas
1260/1256.

Ao contrario do que se da a entender nao ha uma datacao por carbono mas 3
(TRES). Em 1989 sao retirados 3 pedacos de diferentes zonas do sudario e
entregues a 3 laboratorios independentes diferentes (penso que dois
franceses e um suico, mas amanha posso indicar quais)Os resultados foram os
mesmos: o sudario e' de 1260 a 1390 com um erro de 150 anos.

Ou seja, por uma vez os dados da ciencia e da historia coincidem
perfeitamente.

Entretanto
>ela é incompatível com a que poderíamos deduzir do exame do Codex(7) Pray. O
>Codex Pray é um manuscrito medieval húngaro, conservado na Biblioteca
>Nacional de Budapeste. Deve o seu nome a um erudito historiador jesuíta:
>Georgius Pray, que o descobriu no séc. XVIII na Biblioteca do Capítulo da
>antiga capital da Hungria medieval, Poszoni actual Bratislava. Foi datado
>pelos musicólogos(8) entre 1192 e 1195, graças aos critérios paleográficos e
>musicológicos. Na realidade ele contém folhas de épocas diversas. Tem
>algumas miniaturas datadas anteriormente a 1150.

O sudario e' incompativel porque?
Pomos em causa a datacao do sudario porque?

>Jerómé Le Jane, membro da Academia de Ciências Morais e Políticas e Yvonne
>Bongert, professora emérita da Universidade de Paris II, afirmam que os
>desenhos e pormenores que aparecem no Codex Pray não se poderiam explicar se
>o autor não tivesse conhecimento do sudário de Turim.

Uma coisa nao impede a outra. Deve saber que a datacao por carbono admitiu um
erro de 150 anos. O suficiente para explicar este dado mas nunca para o
colocar no momento da morte de Jesus

>Ora, como todos sabemos, a crucifixão tinha desaparecido havia alguns
>séculos. O raciocínio presente conduz-nos assim a pôr em causa da datação
>pelo carbono 14. Lembremos entretanto que muitos factores podem falsear
>estes factos e que é pouco sensato dar-lhes uma confiança absoluta. Se o
>lençol é verdadeiramente o de um crucificado, como é provavelmente o caso,
>seria espantoso que datasse da Idade Média. Podemos legitimamente concluir
>pelo conjunto de dados históricos e paleográficos, que se o lençol é de
>origem ocidental, é muito provavelmente anterior ao fim do séc.IV, século
>que viu desaparecer o suplício da crucifixão no ocidente.

PAra mim e' mais espantoso que 3 laboratorios cometessem exactamente o mesmo
erro coincidindo nas datas.
Todos os argumentos contra sao raciocinios + ou - razoaveis.

Nota 1: Todas as observacoes feitas sobre o sudario ate 1980 sao feitas sobre
reproducoes, fotografias e copias. So em 1980 a Igreja permite o estudo
directo do sudario.
Nota 2: a Igreja nem hoje afirma que o sudario e' "o autentico".

E vamos ao inicio do artigo

>Todos reconhecem que a pergunta é só uma: será verdadeiramente este o lençol
>que envolveu o corpo de Jesus de Nazaré depois da crucifixão?

A pergunta nao e' so uma mas a esta e' facil responder: nao.
Nem sequer o sudario esta' de acordo com a descricao da deposicao do corpo de
Cristo no tumulo feita na Biblia.

>Natureza da imagem

Aqui sim podemos por questoes, porque ate hoje ninguem conseguiu provar ( e
penso que ninguem conseguira nunca) como foi feita.
Mas ha varias hipoteses que explicam a perfeicao das dimensoes, a imagem
negativa, e os restantes pormenores. Apenas me admira que nao refiram na vossa
bibliografia os trabalhos de Jack Nickell que penso e' quem se aproxima mais
ate' hoje de uma boa proposta de "feitura" do sudario

>A hipótese do falsário

Confirmada pela datacao e pelos contemporaneos. Se lerem Nickell verificam que
nao e' necessario um enforcado.
>
>A duplicação da imagem


>Um falsário de génio teria na sua época de
>imaginar e concretizar um procedimento que seria uma espantosa proeza
>técnica: mesmo neste final do séc. XX, quando dispomos de muitos meios
>tecnológicos sofisticados da ciência moderna ninguém foi capaz de reproduzir
>uma imagem que apresentasse exactamente as mesmas características da imagem
>de Turim.

Eis uma explicacao: um falsario de genio. Porque nao. A imagem negativa
consegue-se com saponaria. Consultem o National Geographic de 1980 (Março?)

>Uma tal acumulação de hipóteses, parece difícil de ser concebida. Em termos
>matemáticos poderíamos dizer que a probabilidade que todos os pontos
>precedentes pudessem ter sido realizados é ínfima...

Mas sao os senhores que acumulam hipoteses para fugirem a hipotese de
falsificacao.

>Definitivamente parece extremamente improvável que o Sudário de Turim possa
>ser obra de um falsário, sobretudo numa época tão tardia como a Idade Média
>teria que ter sido um génio, e um génio não deixa uma obra só.

Porque nao? Principalmente se e' "apertado" pelo bispo e o Papa?

>Historial dum suplício
>Se não é obra nem de um artista nem de um falsário o que poderá ser este
>objecto senão o autêntico lençol de um verdadeiro crucificado? Imediatamente
>se põe nova pergunta: de que época poderia ser a crucifixão do Homem do
>Sudário?

Este paragrafo e' curioso: "se" nao, "se" nao, "entao" e' autentico... curioso

>A hipótese mais provável, que parece a mais credível, e que nos vem
>imediatamente ao espírito, é que o crucificado é muito provavelmente Jesus
>de Nazaré. Tudo no lençol, corresponde perfeitamente aos conhecimentos
>universalmente admitidos sobre o personagem histórico, bem como aos relatos
>dos Evangelhos. A fasquia de coincidências é tal que, para qualquer outra
>personagem, o debate não tinha mais razão de ser.

Por acaso digam-me so quantos relatos de crucificacoes conhecem e quais os
pormenores que permitrem distinguir o de Cristo dos outros. Isto porque deve
haver algo que permite essa distincao...

>Uma comparação das marcas das feridas impressas no lençol com as da túnica
>de Argenteuil(9) assim como dos grupos de sangue das duas relíquias, poderia
>trazer novos elementos. Também seria desejável que fossem feitas novas
>datações de bocados espalhados por toda a face do lençol e utilizando
>técnicas diferentes.

Quantas datacoes serao necessarias?

>Entre aqueles que não se agarram à tese da falsidade mas se interrogam,
>encontram-se tanto racionalistas, materialistas, como ateus e cristãos
>fervorosos.

Eu nao me "agarro" a nenhuma tese. Apenas me limito a verificar os dados
existentes: a datacao por carbono afirma que e' uma fraude!

E o mais notavel e' que haja quem consiga afirmar que isto e' uma "prova" da
ressureicao

Carlos M. S. Antunes

unread,
Jun 12, 1998, 3:00:00 AM6/12/98
to

In pt.ciencia.geral Fernando Matos <fj...@mail.telepac.pt> wrote:
>
> Sudário de Turim: a controvérsia.
>

Ja agora, para quem nao conhece, http://www.shroud.com/.

Recomendo vivamente.

Regards,
Carlos Antunes.

--
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