Plantasmedicinais so de grande importncia nos estudos para elaborao de frmacos de origem natural. A Curcuma Longa Linn uma planta pertencente a espcie Zingiberaceae, cujo nome cientfico Curcuma longa L. popularmente conhecida como aafro, aafro da terra, gengibre amarela e raiz de sol. Possui aspecto rizomatoso e forte tonalidade amarela. Originria da sia e cultivada em regies tropicais e subtropicais, muito utilizada na culinria e medicina popular. Esta reviso bibliogrfica teve por objetivo descrever os principais usos medicinais da Curcuma longa L. utilizada como tempero, especialmente na regio continental da ndia. Sendo consumido principalmente na forma de p seco, utilizado para colorao alimentcia devido sua forte colorao amarela, associada aos efeitos teraputicos e dietticos Os pigmentos responsveis por essa colorao forte, pertencem classe dos diferoluilmetano, representados pela curcumina, se tornando bastante utilizada como corante. Os rizomas da crcuma so processados e deles se extraem leo essencial, curcumina e fcula. Possui diversas atividades farmacolgicas, destacando seus principais potenciais teraputicos, tais como; atividades anti-inflamatria, antiviral, antibactericida, antioxidante, antifngica, anticarcinognica, entre outras aes. Estudos indicaram que a curcumina apresenta efeitos neuroprotetores no tratamento da Doena de Alzheimer e de Parkinson, prevenindo a inflamao e o dano oxidativo. A pesquisa permitiu verificar a importncia da Curcuma longa L. e seu grande potencial de utilizao, contendo, principalmente, efeito anti-inflamatrio e provvel efeito neuroprotetor com potencial para o desenvolvimento de medicamentos. Diante disso, fazem-se necessrios estudos, para avaliar seu potencial como planta medicinal.
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A descoberta de novos tratamentos para doenas humanas apresenta sempre uma etapa de ensaios clnicos, na qual, em uma das fases finais, indivduos acometidos pela doena so submetidos ao tratamento testado. Apesar do desenho e implementao desses ensaios terem se tornado cada vez mais precisos ao longo da histria (utilizao de placebo, estudos duplo-cego, estudos duplo-cego randomizados), existe uma variabilidade de resposta entre os indivduos (Figura 1) que no pode ser explicada unicamente por variaes de idade, estado nutricional, ambiente ou outros fatores comumente analisados. A busca por respostas que justificassem a ineficcia, os efeitos colaterais ou o bito em determinados indivduos avanou quando progrediram os estudos do genoma humano. A resposta estava nos genes.
A farmacogentica nasceu da combinao das reas de gentica, bioqumica e farmacologia e trouxe evidncias da relao causal entre o gentipo[1] e a resposta a drogas, indicando padres de variaes fenotpicas de grande relevncia clnica. Variao na sequncia de genes se traduz em variao nas protenas-alvo, em enzimas de metabolismo ou em protenas transportadoras, gerando variabilidade de resposta a drogas. A convergncia entre a farmacogentica e a genmica humana potencializou ainda mais estes resultados, gerando a farmacogenmica. Soma-se a isso o fato de que o conhecimento de sequncias e alteraes gnicas gera dados que podem ser utilizados na preveno e diretamente na interveno mdica. Esse conhecimento pode ento ser traduzido clinicamente como Medicina Personalizada (Ma & Lu, 2011) ou Medicina de Preciso[2].
Do ponto de vista do tratamento, permite a escolha de drogas que minimizem efeitos colaterais e que produzam os melhores resultados. Sob a tica da preveno, permite a deteco da susceptibilidade a certas patologias, mesmo antes que elas se manifestem clinicamente, possibilitando seu monitoramento e at mesmo preveno. Do ponto de vista da indstria, permite o desenvolvimento de solues para indivduos ou grupos de pacientes que no responderiam a tratamentos convencionais e pode potencialmente reduzir os custos e a demora dos ensaios clnicos.
O Quadro 1 levanta os benefcios, potenciais prejuzos e necessidade de investimento sob pontos de vista individual e populacional, que devem ser pontos de discusso, principalmente em pases em que o sistema de sade misto.
Pode se tornar o nico foco de instituies particulares com a criao de centros de medicina individualizada. Apesar de promover o benefcio individual, pode restringir-se queles que podem arcar com os custos, podendo ofuscar os benefcios coletivos antes idealizados, como a reduo dos gastos com tratamento pelo sistema de sade.
A utilizao de testes genticos em ensaios clnicos para novas drogas poder caracterizar subpopulaes, com nmero bastante reduzido, que no apresentam resposta ou apresentam risco droga testada. Essas subpopulaes podem ser pequenas a ponto de se aproximar da prevalncia de doenas raras, o que pode torna-las desinteressantes como segmento de mercado para as grandes farmacuticas, a menos que haja incentivos especficos para t-las como alvo.
Vivel, mas alto custo devido necessidade de caracterizao gentica prvia do indivduo para a escolha da conduta mdica. Necessidade de criao de centros de referncia. Podem requerer parcerias pblico-privadas.
Alto, mas desejado, pois permite caracterizao de populaes. Representado por estudos em grandes coortes populacionais, como exemplificado na Europa para identificar marcadores na deteco precoce de doenas e de fentipos pr-clnicos (veja adiante).
De acordo com o National Institutes of Health (NIH), em 2017 j existiam mais de 50 mil testes genticos para 10 mil condies clnicas[3]. Nesse mesmo ano, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) estimava o surgimento de dois a trs novos testes por semana. Estes testes permitem a avaliao do potencial de resposta da terapia de escolha a determinada doena (Figura 2), sendo que 80% orientam a escolha teraputica para diversos tipos de cncer (Wu et al., 2017).
Mas cncer no o nico alvo: h testes genticos para detectar polimorfismos em enzimas relacionadas ao metabolismo de drogas antidepressivas, anticoagulantes e inibidores de bomba de prtons; enzimas que metabolizam quimioterpicos utilizados no tratamento de leucemias, doenas autoimunes e na preveno de rejeio de rgos transplantados; no metabolismo de opiides; alm de doenas neurodegenerativas e infecciosas.
A lista parece inesgotvel, mas certamente os diferentes tipos de cncer so o principal alvo. Do ponto de vista econmico, as neoplasias representam a segunda causa de bitos nos EUA (atrs das doenas crdio-vasculares), com um gasto estimado de US$ 174 bilhes para 2020, segundo o CDC. Alm disso, so temidos por sua alta letalidade, seus sintomas e pela toxicidade das terapias existentes, e sua incidncia tende a aumentar com o envelhecimento da populao.
Figura 2. Testes genticos como uma etapa intermediria entre a deteco da doena e a escolha do tratamento, evitando que o indivduo seja direcionado a algo ao qual ele no apresenta a resposta adequada, ou apresenta algum risco. Elaborao prpria.
Alm dos testes genticos para definio de conduta, h testes genticos focados em prever a suscetibilidade individual a determinadas doenas, a partir do perfil gentico. As terapias celular e gnica podem ser tambm includas como medicina de preciso, atualmente fortemente direcionadas para doenas degenerativas da retina, leucemia e linfoma.
Os EUA se destacam pela velocidade de produo e de disponibilizao de produtos e servios de medicina de preciso no mercado. Segundo a Personalized Medicine Coalition, o nmero de drogas, tratamentos e diagnsticos personalizados disponveis passaram de 13 em 2006 para 113 em 2014. Esta mesma instituio classificou como personalizadas 16 das 46 novas terapias registradas em 2017 no Food and Drug Administration (FDA), rgo regulatrio norte-americano, onde novas drogas devem ser registradas. Grandes instituies mdicas distribudas pelo territrio estadunidense oferecem um portflio de marcadores moleculares e tratamentos desenhados individualmente.
Na Europa, destaca-se o projeto Personalized Medicine 2020 and Beyond da Comisso Europia, cujo objetivo disponibilizar para a populao a medicina de preciso, promover o desenvolvimento de pesquisa estratgica e implementar uma agenda de inovao, estimulando a sinergia e evitando duplicaes e competies. H estudos com foco em cncer e doenas raras envolvendo vrios pases europeus. Pases como a Alemanha, Reino Unido, Frana e Noruega se destacam por seus investimentos na rea.
O desconhecimento sobre as tcnicas, no entanto, ainda grande. Um levantamento de opinio pblica em 2018 do Personalized Medicine Coalition mostra que mais de 60% da populao norte-americana desconhece o termo. Quando a tcnica esclarecida, a maioria das pessoas apresenta reaes positivas, mas acreditam que os testes devem ser cobertos pelas seguradoras, e mostram-se preocupados com a forma que os dados gerados podem ser utilizados e com os valores elevados. Segundo este mesmo estudo, esses dados se assemelham a levantamento anterior (2016) realizado em paralelo na Alemanha e Estados Unidos, que mostrava, no entanto, uma preocupao por parte dos mdicos alemes com a disponibilizao de dados genticos em registros eletrnicos de sade, de amplo uso.
As implicaes da coleta de dados individuais so grandes: positivas e negativas. A possibilidade de melhora no diagnstico e tratamento gera discusses ticas de acesso, seja sob uma tica de polticas pblicas onde h um sistema universal, ou uma tica jurdica, quando envolve os planos de sade. Os dados coletados, se amplamente disponibilizados, podem ser utilizados para seleo de pessoas a serem excludas de planos de sade ou de determinado posto de trabalho. Os mesmos dados, em grande nmero, podem produzir bancos utilizados para se buscar padres, gerando um efeito multiplicador, melhorando ainda mais a seletividade de diagnstico e tratamento.
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