Stone Flower
é o 6º disco da carreira solo do grande
compositor brasileiro Tom Jobim. Gravado em
1970, o álbum é um excelente trabalho
instrumental do músico, marcado pelo seu
clássico estilo de tocar piano. Porém, o disco
pode ser considerado uma espécie de lado b da
carreira de Tom. Possui grande qualidade e, para
alguns críticos, é mais refinado que o seu
trabalho solo anterior, Wave, porém
mais conhecido do público.
Stone
Flower inspira por suas ricas melodias e é
recheado de ritmos sensuais da bossa nova, que
de maneira silenciosa, seduzem e encantam o
ouvinte. É um álbum ao mesmo tempo intenso e
charmoso, que soa calmo e agradável. Trata-se de
uma trilha perfeita para qualquer oportunidade
na qual se queira relaxar e deixar os
pensamentos fluírem. Original e sofisticado, o
disco é resultado de uma profunda imersão de
Tom. Música por música vai se desdobrando, e,
aos poucos, preenche espaços com sua leve
sonoridade.
Antônio Carlos
Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994) está no
hall dos mais importantes músicos nascidos no
Brasil no século XX. Começou sua carreira no
final dos anos 1940, trabalhando como pianista
em casas noturnas do Rio de Janeiro. Em 1952,
conseguiu um emprego como arranjador na
gravadora Continental, época em que começou a
escrever letras de músicas e quando se
consolidaram grandes parcerias. É considerado o
compositor mais prolífico do Brasil e um dos
disseminadores da bossa nova. Sua imensa obra
influenciou muitos artistas clássicos e, até
hoje, recruta pupilos.
A foto da capa
foi tirada por Pete Turner, fotógrafo consagrado
no meio musical. Formou-se no Rochester
Institute of Technology e, curiosamente, viu sua
carreira deslanchar dentro de um laboratório de
impressão a cores do Exército, localizado em
Long Island City, no bairro do Queens, em Nova
York. Desde então, passaram-se cinco décadas,
durante as quais desenvolveu um olhar próprio,
trazendo cores deslumbrantes e composições
abstratas para o seu trabalho. Suas fotografias
já foram publicadas em revistas estrangeiras de
moda, como Esquire e Look, porém, seu
trabalho é bastante conhecido por um público que
tem outro foco: o jazz.
Em 2006, Turner
lançou um livro intitulado The Colors of
Jazz, que reúne mais de 80 capas de discos,
produzidas entre 1959 e 1982. John Coltrane,
Bill Evans, Freddie Hubbard, George Benson e
Quincy Jones, compõem o hall de estrelas para as
quais o fotógrafo trabalhou. Para deleite de
Turner, suas imagens tornaram-se parte de uma
revolução industrial, onde as capas com os
retratos simples e diretos dos músicos foram
progressivamente abandonados e deram espaço para
imagens com abstrações temáticas, proporcionado
aos fãs um novo tipo de reflexividade entre a
arte e a música.
As capas de
autoria de Pete Turner eram compostas
eventualmente de retratos encomendados, mas, na
maioria das vezes, as imagens eram escolhidas
diretamente do portfólio do fotógrafo. Portanto,
muitas das capas que se consagraram são
registros feitos anteriormente pelo fotógrafo e
encaixados no contexto dos discos. Seus retratos
são imagens simples e intensas. O jogo de cores
que Turner alcança no seu trabalho é parte
fundamental para a obtenção dessa combinação
fantástica. Trata-se de um trabalho no qual vale
a pena imergir