Caros amigos,
Tentando contribuir com a discussão... Desculpem o tamanho do
testamento que ficou o comentário...
A resolução, ou número de bits, tem a ver apenas com a faixa
dinâmica (relação entre o sinal e o ruído de quantização).
Teoricamente podemos ouvir 120 dB de faixa dinâmica (do limiar da
audição até o limiar da dor), mas na prática essa faixa dinâmica é
reduzida por causa do ruído ambiental e porque ninguém ouve música
perto do limiar da dor (ou pelo menos não deveria, para não ficar
surdo rapidamente...). Além disso, os conversores A/D e D/A
tipicamente possuem no máximo 120 dB de relação sinal/ruído. Portanto
não haveria necessidade de utilizar mais de 20 bits. Utiliza-se 24
bits para que seja múltiplo de 8 bits, o que facilita a nossa vida,
computacionalmente. Normalmente os arquivos de áudio são armazenados
no máximo com essa resolução também. Porém, quando falamos em
processamento de áudio faz sentido trabalhar com resoluções maiores.
Isso porque o processamento pode alterar o ganho do sinal e não
desejamos com isso perder resolução. Claro que antes do processamento
o áudio tinha no máximo 24 bits e no final da mixagem deve ter
novamente 24 bits ou 16 bits. Para aumentar o número de bits basta
acrescentar zeros nos bits menos significativos. Para diminuir deve-se
primeiro utilizar dither para depois truncar ou arredondar para o
número de bits desejado.
No caso do ProTools, todos os cálculos feitos pelo processador do
computador são feitos em 32 bits ponto flutuante, que é a resolução
normal dos processadores. Os cálculos feitos pelos DSPs das placas do
ProTools TDM são feitos em 48 bits ponto fixo (DSPs de 24 bits
utilizados com precisão dupla). No caso da UAD são plug-ins RTAS que
utilizam um DSP próprio de 32 bits ponto flutuante. Então do ponto de
vista da resolução (faixa dinâmica) são equivalentes a qualquer plug-
in RTAS. Processá-los em DSP separado pode ter 3 vantagens: 1) liberar
a CPU do computador para outros plug-ins, aumentando o número de plug-
ins que você pode executar simultaneamente; 2) realizar o
processamento do plug-in com latência (atraso) menor que se fosse
utilizada a CPU; 3) realizar um processamento que não seria possível
utilizando a CPU.
Exclicando melhor o 2:
Todo processamento precisa de N amostras anteriores do sinal de
entrada para calcular uma amostra do sinal de saída. Isso já impõe um
atraso de N-1 amostras no processamento, independente do processador.
Além disso há o atraso de calcular uma amostra de saída a partir dos
valores já acumulados. Esse atraso pode variar de acordo com o
processador ou DSP.
Explicando melhor o 3:
Para que o processamento seja feito em tempo real, o processador (ou
DSP) tem que ser capaz de realizar um determinado número de cálculos
por segundo.
A única vantagem de que se pode ter certeza é a primeira, até porque
você não tem a opção de utilizar os plug-ins do UAD sem o DSP deles.
Por fim, sobre a qualidade, é preciso ter claro que qualquer
processador ou DSP usando o mesmo algoritmo terá exatamente o mesmo
resultado. Então é uma questão de avaliação subjetiva do algoritmo, e
pra isso não há resposta certa. Só interessa se você gosta do
resultado sonoro do plug-in.
Algums links interessantes:
http://akmedia.digidesign.com/support/docs/48_Bit_Mixer_26688.pdf
http://www.digidesign.com/index.cfm?navid=54&langid=100&itemid=15523
http://www.digidesign.com/index.cfm?navid=54&langid=100&itemid=12687
Abraços a todos,
Luiz Fausto
> 2008/9/3 ViniciusBrazil <
brazi...@gmail.com>