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Quarta-Feira, 18 de abril de 2012 |
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JC e-mail 4478, de 17 de Abril de 2012.
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| 9. Paulo Freire é declarado patrono da educação brasileira
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Lei publicada no Diário Oficial reconhece importância do pedagogo e filósofo para o País.
O Diário Oficial da União publicou nesta
segunda-feira (16) a lei que declara o educador Paulo Freire patrono da
educação brasileira. O projeto de lei foi aprovado no início de março
pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, em decisão
terminativa, por unanimidade.
Paulo Reglus Neves Freire (1921-1997) foi educador e filósofo.
Considerado um dos principais pensadores da história da pedagogia
mundial, influenciou o movimento chamado pedagogia crítica. Sua prática
didática fundamentava-se na crença de que o estudante assimilaria o
objeto de análise fazendo ele próprio o caminho, e não seguindo um já
previamente construído.
Pernambucano, oriundo de uma família de classe média, Freire conviveu
com a pobreza e a fome na infância, durante a depressão de 1929. A
experiência o ajudou a pensar nos pobres e o levou, mais tarde, a
elaborar seu revolucionário método de ensino. Em 1943, chegou à
Faculdade de Direito da Universidade de Recife, hoje Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE). Durante o curso, teve contato com
conteúdos de filosofia da educação. Ao optar por lecionar língua
portuguesa, deixou de lado a profissão de advogado. Em 1946, assumiu a
direção do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social de
Pernambuco, onde passou a trabalhar com pobres analfabetos.
Em 1961, como diretor do Departamento de Extensões Culturais da
Universidade de Recife, montou uma equipe para alfabetizar 300
cortadores de cana em 45 dias. As experiências bem-sucedidas com
alfabetização foram reconhecidas em 1964 pelo governo de João Goulart,
que aprovou a multiplicação das experiências no Plano Nacional de
Alfabetização. No entanto, poucos meses após a implantação, o plano foi
vetado pelos militares, que assumiram o governo. Freire foi preso e
expulso do País. Em 16 anos de exílio, passou por Chile, Suíça, Estados
Unidos e Inglaterra e difundiu sua metodologia de ensino em países
africanos de colonização portuguesa, como Guiné-Bissau e Cabo Verde.
Em sua obra mais conhecida, A Pedagogia do Oprimido, o educador
propõe um novo modelo de ensino, com uma dinâmica menos vertical entre
professores e alunos e a sociedade na qual se inserem. O livro foi
traduzido em mais de 40 idiomas.
Visão - Para a diretora de currículos e educação
integral do Ministério da Educação, Jaqueline Moll, o Brasil presta uma
homenagem a Paulo Freire por sua obra pela educação brasileira. "Paulo
Freire é a figura de maior destaque na educação brasileira
contemporânea, pelo olhar novo que ele constrói sobre o processo
educativo", afirma. "Ele tem ajudado muitos países no mundo a repensar a
visão vertical que temos nas salas de aula, de um professor que sabe
tudo e do estudante que é uma tábula rasa e nada sabe."
"Uma homenagem mais que justa", comemora Leocádia Inês Schoeffen,
secretária municipal de Educação de São Leopoldo (RS), cidade a 50 km de
Porto Alegre. Todas as 35 escolas públicas do município já aderiram ao
Programa Mais Educação, que amplia a jornada diária para o mínimo de
sete horas. "O Mais Educação, do ponto de vista da educação popular, não
é restrito ao ambiente escolar, mas articula-se com a comunidade.
Assim, há afinidade grande desse programa com o que o Paulo Freire
defendia, que é fazer a leitura do mundo e a inserção do educando no seu
meio, capacitando-o para que seja agente do seu momento histórico",
diz.
Reconhecido internacionalmente, Paulo Freire recebeu inúmeros títulos
e importantes premiações e 41 títulos de doutor honoris causa de
universidades como Harvard, Cambridge e Oxford. No portal Domínio
Público, http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me4713.pdf,
pode-se baixar gratuitamente o livro Paulo Freire, de Celso de Rui
Beisiegel, uma coletânea de análises de seus textos mais importantes.
(Informações do MEC)
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