Apssesses de duas horas concentradas primeiro em conscincia corporal e, depois, em retreinar movimentos no Instituto Feldenkrais, em Nova York, compreendi o que significava experimentar a incrvel leveza do ser. Depois de liberar --ainda que temporariamente-- a tenso muscular que agrava a minha dor nas costas e no quadril, eu me senti caminhando em nuvens.
O mtodo Feldenkrais uma entre as vrias tcnicas de movimento cada vez mais populares, semelhante tcnica Alexander, que tentam integrar melhor as conexes entre corpo e mente. Ao se tornar consciente de como o organismo interage com seus arredores e ao aprender como se comportar de um jeito menos estressante, possvel abandonar padres habituais de movimento que causam ou contribuem para a dor crnica.
O mtodo foi desenvolvido por Moshe Feldenkrais, mdico israelense, engenheiro mecnico e especialista em artes marciais, depois que uma leso no joelho ameaou deix-lo incapacitado de andar. Valendo-se de seus conhecimentos da gravidade e da mecnica do movimento, ele desenvolveu exerccios que ajudam a ensinar ao corpo formas mais fceis e eficazes de se movimentar.
Procurei o instituto a pedido de Cathryn Jakobson Ramin, autora do recm-publicado livro "Crooked" (torto, em traduo livre para o portugus), que detalha a natureza e os resultados de praticamente todas as abordagens atuais para tratar a dor nas costas, problema que me aflige mais ou menos (recentemente tem sido mais) h dcadas. Como ela mesma se beneficiou com o mtodo, Ramin tinha bons motivos para crer que ele poderia me ajudar.
No livro, ela conta a experincia de Courtney King, que comeou a sentir espasmos paralisantes nas costas por volta dos 30 anos. King fazia aulas de dana uma vez por semana e praticava ioga, por isso acreditava que o estresse dessas atividades pudesse estar causando a dor. Contudo, aps vrias sesses de Feldenkrais, ela disse a Ramin: "Vi que a dor tinha mais a ver com a forma como eu me movimentava todos os dias."
Com apenas uma sesso, entendi o que ela quis dizer. Quando decido caminhar ereta e fluidamente, sentar reta, cozinhar relaxada e sem pressa, no sinto dor. Os movimentos repetitivos, lentos e suaves que pratiquei durante uma aula em grupo de Feldenkrais ajudaram a fomentar a conscincia de como uso meu corpo em relao ao meu ambiente, e conscincia a primeira etapa para mudar o comportamento de uma pessoa.
A aula em grupo, chamada conscincia atravs do movimento, foi acompanhada por uma sesso individual de integrao funcional com um terapeuta que me ajudou a libertar msculos e articulaes rgidas que limitavam meus movimentos, aumentando o desconforto. Ao usar a manipulao suave e movimentos passivos, o terapeuta individualizou sua abordagem s minhas necessidades particulares.
O objetivo final das duas sesses retreinar o crebro --estabelecer novos percursos neurais que resultem em movimentos simples, fceis, efetivos fisiologicamente e confortveis. Embora o mtodo Feldenkrais tenha sido desenvolvido em meados do sculo XX, desde ento neurofisiologistas demonstraram a plasticidade do crebro, sua capacidade de formar novas clulas, de se reorganizar e, na verdade, aprender jeitos novos de fazer as coisas.
A beleza das aulas de Feldenkrais que elas so relativamente baratas (aulas em grupo variam de US$ 15 a US$ 25, as sesses individuais ficam entre US$ 100 e US$ 200), sendo potencialmente acessveis para praticamente todos. Existem mais de sete mil professores e instrutores em 18 pases, incluindo um grande nmero de profissionais nos Estados Unidos. No existem limitaes de idade, fora, nvel de condicionamento fsico e estado de bem-estar para participar. Os exerccios so lentos, suaves e ajustveis a qualquer coisa que o aflija. Seus efeitos calmantes combatem o estresse resultante de msculos contrados, rigidez e dor.
Instrutores de Feldenkrais como Marek Wyszynski, diretor do centro nova-iorquino, geralmente comeam a vida profissional como fisioterapeutas. Depois fazem trs anos de estudos para receberem o diploma do mtodo.
Wyszynski diz que comea observando como o paciente se senta, fica em p e caminha de uma forma que podem causar ou colaborar para sua patologia, quer seja uma hrnia de disco, artrite, dor no ombro ou articulaes desgastadas. Segundo a observao astuta de Feldenkrais, "se voc no sabe o que est fazendo, no pode fazer o que deseja", os pacientes recebem uma experincia sensorial ntida de como sua postura e comportamento contribuem para sua dor e limitaes fsicas.
Por exemplo, algumas pessoas podem usar fora excessiva, ranger os dentes, segurar o flego ou se apressar, provocando tenso muscular indevida e estresse sseo. Anos atrs, percebi que minhas dores de cabea frequentes resultavam do hbito inconsciente de apertar a mandbula quando me concentrava intensamente em tarefas como costurar ou cozinhar. Os instrutores de Feldenkrais no do frmulas de comportamento adequado; em vez disso, eles se valem da capacidade do paciente de se autodescobrir ou autocorrigir.
Quando esto cientes dos hbitos contraproducentes, os alunos tm a oportunidade de experimentar movimentos, posturas e comportamentos alternativos e, por meio da prtica, criar novos hbitos com menor probabilidade de causar dor.
Como engenheiro mecnico e mdico, Feldenkrais sabia que a funo do esqueleto humano era acomodar os efeitos da gravidade para permanecer ereto. E ele queria que as pessoas chegassem a isso da forma mais eficaz possvel.
Usando dois cilindros altos de espuma, um sobre o outro, Wyszynski demonstrou um princpio norteador do mtodo Feldenkrais. Quando o cilindro superior estava centrado sobre o inferior, ele ficava no lugar sem ajuda. Porm, quando no estava, ficando alinhado na borda do cilindro inferior, ele caa. Se, em vez de cilindros, fossem partes do esqueleto humano formadas por msculos enrijecidos e tortos, eles teriam de impedir a queda do paciente.
Nas palavras de Wyszynski: "A boa postura permite que o esqueleto contenha e apoie o corpo sem gastar energia desnecessria apesar da fora da gravidade. Entretanto, com a postura ruim, os msculos desempenham uma parte do trabalho dos ossos e, com pouco suporte do esqueleto, eles precisam permanecer contrados para impedir a queda do corpo".
Era uma vez uma garota... Que acreditava nas pessoas, na beleza da vida e em um amor puro e bonito. Era uma vez uma garota... Que descobriu que pessoas so ruins. Que o mundo em que vive cheio de maldade e de dor. Era uma vez uma garota... Presa em uma torre alta, por um homem horrvel e cruel. Era uma vez uma garota... Que deixou de acreditar em sonhos, contos de fadas e que prncipes encantados existem. Era uma vez uma garota... Que pulava entre as nuvens. Agora... essa garota caminha entre espinhos. Aviso: O livro uma introduo do romance entre Peter e Fabiana. Contm cenas de violncia e linguajar indevido. Aborda temos polmicos como preconceito, abuso, escravido sexual e tortura. No recomendado para menores de 16 anos.
As voltas que o mundo d. E fica tudo dito, neste movimento, da terra sobre si para que contemos as revolues, neste n que o destino d aos planos de cada qual, as tonturas da pressa como as da travagem brusca. Dois amigos que h muito se no viam reencontraram-se. E logo ergueram planos, vrios, que foram pondo em movimento, em invarivel busca do cruzamento entre imagem e palavra. Estavam nisto quando regressaram os dias que pareceram um s, estendido at perder de vista. Suspenderam-se os encontros e os abraos congelaram no ar. Era o confinamento. Diz um: as nuvens olham por ns, envolvem-nos em silncio. Podem absorver maus pensamentos, s por lhe devolvermos um olhar paciente, diz o outro. O primeiro escolhia a nuvem vista da sua janela de ltimo andar e logo transmitia desafio, travando a passagem das massas fascinantes. O segundo na varanda do seu derradeiro andar parado antes do cu acompanhava a dana sem marcao, na absoluta liberdade da recolha de ecos do mundo e do esprito das palavras. O pargrafo s se fechava, entre o delrio e a trova, a observao e o pensamento, com o espelho da fotografia. No recolhimento imposto pela catstrofe estes dois amigos, que vivem ambos rente ao cu, impedidos de o fazer de copo na mo, insistiram no jogo dos vasos comunicantes. E prolongaram-no em filmes, em exposies, neste livro. O mais limpo dos cus contm a promessa de nuvens. Mas a nvoa no tem que significar mau tempo. Sigamos o sopro e os ventos.
Esttuas de nuvens um dicionrio escrito por infantes de todas as idades. Um livro que prope um longo exerccio de pensar e criar, perguntar e duvidar das definies e da definio de definio. Os verbetes descascaram as palavras, tiraram camadas que saturam e pesam. Furaram as palavras, deixaram entrar um ar fresco, fizeram silncio, deixaram as palavras brincar e escutaram os tropeos, os suspiros, as hesitaes.
Os autores escreveram Esttuas de nuvens porque precisavam respirar. Talvez, os leitores dos verbetes sintam seus pensamentos serem espetados tambm, e, talvez, o ar fresco entre por seus olhos e narinas e inspire outras percepes, outras formas de pensar.
Esttuas de nuvens um exerccio de si, uma provocao, um desejo de incitar e convocar no uma infncia dominante, reconhecida, fundada, mas, sim, infncias por vir. Esttuas de nuvens um jeito de esperar o inesperado.
graduado em psicologia, com Doutorado em Educao pela UFRGS. coorganizador do livro Vidas do Fora: habitantes do silncio (editora da UFRGS, 2010) e um dos coordenadores da Coleo Nota Azul, voltada publicao de textos minoritrios. Trabalha como docente de psicologia, tendo suas pesquisas voltadas ao campo das escrituras de si e dos processos biogrficos.
Estratgias Biogrficas: biografema com Barthes, Deleuze, Nietzsche e Henry Miller
J imaginou caminhar sobre um imenso tapete branco, to vasto que parece se unir ao cu no horizonte? No Viajante em Srie, vou te levar para uma aventura surreal pelas Salinas Grandes, um deserto de sal na Argentina que transforma sonhos em realidade. Mas ser que d pra sentir mesmo que voc t flutuando nas nuvens?
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