Adolescente é absolvido 70 anos depois de ser executado por homicídio nos EUA
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Romilson Madeira
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Dec 18, 2014, 4:16:16 PM12/18/14
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Adolescente é absolvido 70 anos depois de ser executado por homicídio nos EUA
Do UOL, em São Paulo
Departamento de Arquivos e História da Carolina do Sul/Reuters
Em 1944, George Stinney, 14, foi julgado culpado pela morte de duas garotas brancas e executado em apenas 83 dias após o crime
A Justiça do Estado da Carolina do Sul (EUA) inocentou um adolescente
negro de 14 anos pela morte de duas garotas brancas –70 anos depois de
ele ser julgado culpado e ter a pena de morte executada. George
Stinney foi julgado, condenado e executado em apenas 83 dias após o
assassinato de Betty June Binnicker, 11, e Mary Emma Thames, 7. Elas
foram encontradas mortas em um bairro negro na cidade de Alcolu, em
março de 1944. As meninas tinham ferimentos na cabeça, supostamente
causados por golpes de barra de ferro. A família de Stinney
sempre acreditou na inocência do adolescente, que teria sido forçado a
confessar o crime para servir de bode-expiatório, segundo o "Guardian",
"de uma comunidade branca procurando vingar a morte de duas meninas".
Ele foi a pessoa mais nova a ter a pena de morte executada nos Estados
Unidos no século 20. Em um julgamento nesta quarta-feira (17), a
juíza Carmem Mullen anulou a sentença anterior e chamou o caso de "um
episódio realmente infeliz" na história da Carolina do Sul. Para
justificar a sentença que inocentou Stinney, a juíza afirma ter havido
"violação dos procedimentos processuais que macularam sua acusação".
"A confissão simplesmente não pode ser considerada válida e voluntária,
dados os fatos e circunstâncias desse caso, destacando-se a idade do
acusado e sugestionabilidade", disse Mullen. Ela se referia ao
fato de o adolescente negro ter confessado o crime sem os pais ou um
advogado estarem presentes, em interrogatório conduzido por policiais
brancos. Ainda, o advogado público designado para defende-lo, Charles
Plowde, "fez nada ou muito pouco" para ajudar o réu. Aime
Ruffner, irmã de Stinney, participou como testemunha de defesa no novo
julgamento, ocorrido em janeiro, afirmando que estava com ele na hora em
que o crime foi cometido por outrem, porém nunca foi ouvida pela
Justiça até então. Os testemunhos de outros dois irmãos de Stinney
também ajudaram a provar, setenta anos depois, a sua inocência.
"Eu nunca voltei [a Alcolu]. Eu amaldiçoei aquele lugar. Foi lá que
minha família foi destruída e meu irmão, morto", disse Ruffner. (Com
Guardian e Washington Post)