Colunista do Globo revela seu nojo contra pobres
Jornalista Silvia Pilz "diz o que pensa" sobre os
pobres que frequentam consultórios médicos; "Normalmente, [o pobre] se
arruma para ir a consultas médicas e aos laboratórios", onde
"provavelmente se sente em um cenário de novela"; tentando ser
engraçada, ela afirma que pobre "faz drama, fica de cama" para não ir
trabalhar quando tira sangue e que muitos sonham em "ter nódulos"; para
arrematar seu desprezo, ela diz que "a grande preocupação do pobre é
procriar"
13 de Janeiro de 2015 às 16:44
247 – Em um artigo espantoso publicado em seu
blog no Globo,
a jornalista Silvia Pilz desfere todo seu asco contra os pobres.
Especialmente o pobre que frequenta consultórios médicos, para onde "se
arruma" para ir, segundo ela, por "provavelmente" se sentir "em um
cenário de novela". Segundo ela, "o pobre quer ter uma doença" – como
tireoide, "é quase chique" – e tem como principal preocupação na vida
"procriar". Leia:
O plano cobre
Todo pobre tem problema de pressão. Seja real ou imaginário. É uma
coisa impressionante. E todos têm fascinação por aferir [verificar] a
pressão constantemente. Pobre desmaia em velório, tem queda ou pico de
pressão. Em churrascos, não. Atualmente, com as facilidades que os
planos de saúde oferecem, fazer exames tornou-se um programa
sofisticado. Hemograma completo, chapa do pulmão, ressonância magnética e
etc. Acontece que o pobre - normalmente - alega que se não tomar café
da manhã tem queda de pressão.
Como o hemograma completo exige jejum de 8 ou 12 horas, o pobre,
sempre bem arrumado, chega bem cedo no laboratório, pega sua senha, já
suando de emoção [uma mistura de medo e prazer, como se estivesse
entrando pela primeira vez em um avião] e fica obcecado pelo lanchinho
que o laboratório oferece gratuitamente depois da coleta. Deve ser o
ambiente. Piso brilhante de porcelanato, ar condicionado, TV ligada na
Globo, pessoas uniformizadas. O pobre provavelmente se sente em um
cenário de novela.
Normalmente, se arruma para ir a consultas médicas e aos
laboratórios. É comum ver crianças e bebês com laçarotes enormes na
cabeça e tênis da GAP sentados no colo de suas mães de cabelos lisos
[porque atualmente, no Brasil, não existem mais pessoas de cabelos
cacheados] e barriga marcada na camiseta agarrada.
O pobre quer ter uma doença. Problema na tireoide, por exemplo, está
na moda. É quase chique. Outro dia assisti um programa da Globo, chamado
Bem-Estar. Interessantíssimo. Parece um programa infantil. A
apresentadora cola coisas em um painel, separando o que faz bem e o que
faz mal dependendo do caso que esteja sendo discutido. O caso
normalmente é a dúvida de algum pobre. Coisas do tipo "tenho cisto no
ovário e quero saber se posso engravidar". Porque a grande preocupação
do pobre é procriar. O programa é educativo, chega a ser divertido.
Voltando ao exame de sangue, vale lembrar que todo pobre fica tonto
depois de tirar o sangue. Evita trabalhar naquele dia. Faz drama, fica
de cama.
Eu acho que o sonho de muitos pobres é ter nódulos. O avanço da
medicina - que me amedronta a cada dia porque eu não quero viver 120
anos - conquistou o coração dos financeiramente prejudicados. É uma
espécie de glamourização da doença. Faz o exame, espera o resultado,
reza para que o nódulo não seja cancerígeno. Conta para a família
inteira, mostra a cicatriz da cirurgia.
Acho que não conheço nenhuma empregada doméstica que esteja sempre
com atacada da ciática [leia-se nervo ciático inflamado]. Ah! Eles
também têm colesterol [leia-se colesterol alto] e alegam "estar com o
sistema nervoso" quando o médico se atreve a dizer que o problema pode
ser emocional.
O que me fascina é que o interesse deles é o diagnóstico.
O tratamento é secundário, apesar deles também apresentarem certo fascínio pelos genéricos.
Mesmo "com colesterol" continuam comendo pastel de camarão com
catupiry [não existe um pobre na face da terra que não seja fascinado
por camarão] e, no final de semana, todo mundo enche a cara no churrasco
ao som de "deixar a vida me levar, vida leva eu" debaixo de um calor de
48 graus.
Pressão: 12 por 8
Como são felizes. Babo de inveja.