Dois casos envolvendo a sabedoria indígena. O primeiro está em artigo de Jorge Caldeira publicado na Folha, em 31/05.
No início do século 16, o francês Jean de Léry andava pela Guanabara quando encontrou um ancião tupinambá que lhe perguntou para que os brancos precisavam de tanto pau-brasil. O europeu explicou que aquela madeira alimentava um comércio que tornava alguns brancos
muito ricos.
Diante disso, o velho indígena respondeu:
... agora vejo que vós outros sois grandes loucos,
pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos
pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que, depois da nossa morte, a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.
O segundo relato é do livro “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, de
Yuval Noah Harari.
Em 1969, astronautas americanos ensaiavam uma das missões à Lua em um deserto do oeste estadunidense. No local, havia alguns indígenas. Quando um deles soube para onde os homens da NASA pretendiam ir, pediu-lhes que levassem um recado para quem quer que encontrassem
em solo lunar. Disse algumas palavras em sua língua, obrigou os astronautas a decorá-las, mas se recusou a traduzi-las.
De volta a sua base, os astronautas conseguiram alguém para traduzir a mensagem indígena. Em meio a risos, o intérprete revelou:
Não acredite em uma única palavra do que essas pessoas estão lhe
dizendo. Eles vieram roubar suas terras.