Jorge Emanuel Luz De Souza – Sonhos Da Diamba, Controles Do Cotidianoby Livr'Andante |

Jorge Emanuel Luz De Souza - Sonhos Da Diamba, Controles Do Cotidiano: Uma História Da Criminalização Da maconha No Brasil Republicano
A cannabis sativa, chamada popularmente de maconha, tem hoje seu cultivo e consumo proibidos no Brasil. Sua legalização vem sendo discutida em diversos meios de comunicação, entre juristas e médicos, políticos e eleitores.
Em Sonhos Da Diamba, Controles Do Cotidiano, o autor revira arquivos históricos, a fim de investigar a forma com que a guerra às drogas e a proibição da erva afetou a sociedade brasileira na história recente.
O texto reflete a política higienista adotada pelos governos ao longo dos anos, reavaliando o pensamento proibicionista da droga.
Em sua obra, Jorge mostra grande sensibilidade e perspicácia. Como evidência, podem-se destacar alguns dos seus achados. Remontando ao início do século passado, lembra-nos novamente da maneira como expoentes da elite médica de então advogavam as teses da eugenia e do racismo dito “científico”.
Estas foram de grande influência na construção da maneira como a nação brasileira, por longos anos, viria a se conceber, sob o que Nelson Rodrigues chamou de “complexo de vira-latas”.
Nesse caso, sua atenção se concentra sobre a atuação do dr. Rodrigues Dória, médico e político com importante atuação na Bahia e no Sergipe.
Foi ele quem inicialmente teria, de uma só vez, naturalizado o “problema da maconha”, elegido um bode expiatório, sugerido uma solução repressiva e apresentado um caminho legal para um mais efetivo modo de controlar a população negra, que tanto preocupava e encabulava as elites, em seu afã de manter sua hegemonia e construir uma nação branca.
Ao contrário daqueles que atribuem uma indigência cultural a esses setores da população e que consideram os usuários de maconha como desprovidos de senso e inteligência, Jorge, examinando a contrapelo a literatura proibicionista, revela diversos aspectos da cultura desenvolvida em torno do uso dessa planta.
Ressalta a sua heterogeneidade, sua riqueza linguística e poética, assim como seus aspectos socialmente integradores e redutores de danos.
O
trabalho deixa evidente a maneira como – apesar de sua posição na base
da escala social – importante parcela dos maconheiros, cujos casos foram
relatados em jornais e em relatórios médicos, eram socialmente integrados e muito diferentes dos estereótipos difundidos.