Raquel Coelho De Freitas – Indignação E Conhecimentoby Livr'Andante |

Raquel Coelho De Freitas - Indignação E Conhecimento: Para Sentir-Pensar O Direito Das Minorias
Este trabalho da Professora Raquel Coelho de Freitas, Indignação E Conhecimento: Para Sentir-Pensar O Direito Das Minorias, traz à tona a face obscura das relações entre conhecimento e poder, presente na conduta inercial e inconsciente da obtenção, utilização e criação do conhecimento, em desfavor da dignidade e da Vida.
O apelo forte da médica Nise da Silveira, que, no Brasil, revolucionou a Psiquiatria com as artes, ecoou forte, por igual, nos sentidos e na mente da Professora Raquel: “É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade”.
As reflexões da autora, neste trabalho, apresentam uma possibilidade de cura das epistemologias apontadas como esquizofrênicas por fragmentarem o ser humano amputando-lhe as emoções e os sentimentos ou aprisionando outras dimensões da alma e do espírito.
Ela nos dá uma senha para a libertação dos espíritos humanos, espíritos dos que criam os conhecimentos e daqueles afetados por eles. Quando se demonstra e se aceita a atuação das emoções e dos sentimentos nos processos cognitivos, parece ser mais fácil romper o monopólio do conhecimento como fonte de poder distorcido, e de seu efeito nefasto, do sofrimento das minorias dominadas.
Para o senso comum, parece intuitivo seja a emoção a que mobiliza, por primeiro, os processos de percepção e compreensão do mundo e a consequente elaboração de linguagens e de teorias que o descrevem, projetam e recriam.
A autora, em suas reflexões, explica de modo dialógico, articulado e ordenado, a partir da visão sociológica de Boaventura de Sousa Santos e através do prisma neurocientífico de António Damásio, a participação da emoção nos processos cognitivos.
Vai mais além e, com um olhar integral, reconectando coração e razão, cria uma teoria libertadora das minorias, batizada de “Indignação Epistêmica”. Descreve e analisa a indignação na luta do movimento de resistência zapatista, na resiliência dos Baniwa no Alto do Rio Negro e na indignação antirracista e diaspótica como estratégia do Movimento Negro no Brasil.