Marcos Adegas De Azambuja – Da Alma Para O Corpo E Do Corpo Para O Cérebroby Livr'Andante |

Marcos Adegas De Azambuja - Da Alma Para O Corpo E Do Corpo Para O Cérebro: Os Rumos Da Psicologia Com As Neurociências
Da Alma Para O Corpo E Do Corpo Para O Cérebro analisa os rumos da Psicologia com as Neurociências considerando a centralidade do discurso do cérebro na contemporaneidade.
Tendo como suporte o pensamento arquegenealógico de Michel Foucault, procurou-se visibilizar as relações entre os dois campos de saber a partir do mapeamento de um dispositivo do cérebro.
Encontra-se a convergência de dois eixos de análise ao longo do trabalho: da disciplinarização da Psicologia e da problematização da subjetividade.
O primeiro, procurou mapear as condições de emergência para a constituição de uma Psicologia científica, entendendo que ela passa a se sustentar sobre os discursos da clínica e da interioridade.
Neste mapeamento, acompanhou-se principalmente as práticas de interiorização e de exteriorização da subjetividade, tornando-se possível delinear os deslocamentos nos vetores da clínica e da interioridade que articulam a Psicologia enquanto ciência.
O segundo eixo, pretendeu mapear os processos de subjetivação e com isso desfazer a ideia de uma teoria do sujeito. Além disso, as linhas que compõe os processos de subjetivação interior e exterior constituem um campo para a emergência do que denominou-se como subjetividade estendida.
As práticas de extensão da subjetividade, como um novo território de constituição do conhecimento de si do sujeito, também encontra um campo de convergência com a Psicologia Social.
E se a escrita prima pela qualidade, não menos elogiável é a leitura, ou as várias leituras, de diferentes autores presentes no texto. Entre todas elas, merece destaque a acurada leitura de Michel Foucault.
As análises aqui empreendidas transitam com maestria por este perigoso território de complexas sutilezas conceituais, sem tropeços ou vacilos, posicionando-se de maneira bastante sólida e afirmativa.
Este é, no entanto, um trabalho com textos que não se limita a fazer uma revisão bibliográfica – longe disso –, não se restringe a formular uma interpretação teórica, mas dá a eles um tratamento documental, instrumental.
Trata-se aqui de uma leitura arqueológica desses discursos, atenta às suas condições históricas de possibilidade, aos seus jogos de verdade, de enunciação e seus atravessamentos por poderes, tratamento que toma textos como artefatos políticos, expondo a intimidade das relações entre saber e poder.