Um dos maiores exploradores da história mundial, Cândido Rondon teve uma
vida extraordinária. Nesta minuciosa biografia, o jornalista Larry
Rohter revela para o leitor a amplitude de seu legado para o país e os
povos indígenas.
No início da tarde de 26 de abril de 1914, um grupo de dezenove homens
chegou à confluência de dois rios no coração da selva amazônica. Durante
meses eles enfrentaram uma sucessão de dificuldades e privações para
realizar um feito notável: navegar e mapear um rio ainda desconhecido,
chamado rio da Dúvida, porque seu curso e comprimento eram um mistério.
Os líderes dessa expedição eram Theodore Roosevelt, ex-presidente dos
Estados Unidos, e o brasileiro Cândido Mariano da Silva Rondon, que há
mais de vinte anos explorava a região.
Depois que a jornada com Roosevelt chegou ao fim, Rondon continuaria por
muitos anos seu importante trabalho, que incluiu o levantamento de
rios, montanhas e vales até então ignorados, a instalação de quilômetros
de linhas telegráficas, a construção de estradas, pontes e a fundação
de povoamentos. Foi também Rondon quem primeiro estabeleceu contatos
pacíficos com dezenas de etnias indígenas. Em 1910, fundou o Serviço de
Proteção aos Índios, em um esforço de inclusão dos índios ao Estado
nacional brasileiro.
Hoje Rondon empresta seu nome a ruas, museus, cidades e até a um estado,
Rondônia. O lema que norteou suas expedições e contatos com os povos
indígenas — "Morrer se preciso for, matar nunca" —, porém, se perdeu no
tempo, e muitos de seus incríveis feitos como explorador permanecem
ignorados.
A grandiosidade de seus feitos inspirou o jornalista Larry Rohter a
mergulhar por mais de cinco anos em sua trajetória, oferecendo agora ao
leitor brasileiro um livro que redimensiona o lugar de Rondon na
história do Brasil.
LARRY ROHTER nasceu em Chicago, nos Estados Unidos, em 1950. Foi
correspondente estrangeiro no Brasil durante catorze anos. Primeiro, na
época da ditadura militar para a revista Newsweek e, depois, de 1998 a
2008 para o jornal The New York Times. Desde 1978, quando visitou
Rondônia pela primeira vez, já fez mais de cinquenta viagens pela região
amazônica. É autor de dois livros sobre o Brasil: Deu no New York Times
(2008) e Brasil em alta (2012). Ganhou os prêmios Imprensa Embratel, em
2003, e Maria Moors Cabot, em 1997.