Erik Porge - Freud, Fliess - Mito e Quimera da Auto-Análise - Zahar, 1988

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Dr. Mauricio Garcia

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Mar 30, 2020, 10:11:26 AM3/30/20
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Freud/Fliess: mito e quimera da auto-análise - Erik Porge

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Quando nos debruçamos sobre a origem da psicanálise, inevitavelmente nos deparamos com Freud e Fliess, cuja relação é conhecida sobretudo através de sua correspondência. Este livro busca mostrar que essas cartas foram exploradas no intuito de criar e sustentar aquilo a que se chamou a "auto-análise de Freud", que representaria uma versão mítica das origens da psicanálise.
A consideração da íntegra da correspondência conhecida em alemão, a descoberta de dados biográficos de Fliess e a leitura de sua obra - da qual três artigos encontram-se nos apêndices desse volume - levaram a Erik Porge a situar de outra maneira, e não pelo ângulo da auto-análise, o esclarecimento da amizade entre Freud e Fliess. Essa amizade foi, em especial, o que permitiu a Freud ancorar seu desejo de analistas no solo da ciência.
Porge mostra que a ideia de auto-análise revelou-se um anteparo que esconde o que realmente se passou entre Freud e Fliess. Seu rompimento com o amigo permitiu-lhe elaborar uma interpretação paranóica que, no mesmo movimento, ele aplicou ao caso Schreber. Mas essa espécie de sublimação teria se efetuado à custa de uma análise mais minuciosa da loucura de Fliess - anterior ao rompimento de ambos - que, Freud cultivou e desconheceu. Com isso, ele desconheceu também a ajuda que a loucura do amigo lhe proporcionou.
As questões que surgem a propósito da auto-análise de Freud lançam uma ponte entre as origens da psicanálise e alguns momentos decisivos de sua história, como aquele em que, renunciando a enunciar seu seminário sobre os nomes-do-pai, Lacan deixou a associação fundada por Freud para criar sua própria escola. A dissolução desta, em 1981, e a dispersão das associações lacanianas que se seguiu remetem-nos a nossas origens psicanalíticas, na ânsia de iluminar suas zonas de sombra.
Como o leitor verá, a paranóia de Fliess não para de assombrar a transmissão da psicanálise e, acima de tudo, as relações dos psicanalistas entre si.
Erik Porge - Freud, Fliess - Mito e Quimera da Auto-Análise - Zahar, 1988.pdf
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