Gelze Serrat De Souza Campos Rodrigues & Jurandyr Luciano Sanches Ross – A Trajetória Da Cana-De-Açúcar No Brasilby Livr'Andante |

Gelze Serrat De Souza Campos Rodrigues & Jurandyr Luciano Sanches Ross - A Trajetória Da Cana-De-Açúcar No Brasil: Perspectivas Geográfica, Histórica E Ambiental
Provavelmente oriunda da Índia, a cana-de-açúcar foi levada pelos árabes e chineses para territórios localizados na costa do Mar Mediterrâneo e do Oceano Índico. Posteriormente, os cavaleiros das Cruzadas, que haviam se acostumado ao uso do açúcar no Extremo Oriente e que queriam continuar a utilizá-lo, ao retornarem para a Europa, rapidamente desenvolveram um intenso comércio do açúcar produzido na costa do Mediterrâneo, o qual perdurou até o início do século XVI.
A conquista de Constantinopla pelos turcos, em 1453, fez a manufatura açucareira declinar no entorno do Mediterrâneo e possibilitou o seu monopólio produtivo pelos portugueses, que já haviam iniciado o plantio da cana-de-açúcar em ilhas do Atlântico. No século XVI, a cana é levada à recém-colônia descoberta – o Brasil.
É nesse ponto que se inicia a trajetória a ser percorrida neste livro. Como bem lembra o enredo do samba, “nesta terra, o que se planta dá”, foi no território brasileiro que a cana-de-açúcar e a manufatura açucareira se deram, resultando naquilo que seria denominado por Celso Furtado, em 1969, em seu livro Formação Econômica Brasileira, como a primeira grande empresa colonial agrícola europeia.
No Brasil, fatores especialmente favoráveis para o seu desenvolvimento foram encontrados: solos férteis, água profusa, temperaturas quentes, relevos planos e mão de obra indígena abundante, apoiados no desejo e no sonho portugueses de manter o território de onde no futuro se poderia, quem sabe, serem extraídas grandes quantidades de ouro, como ocorria do lado Oeste do Tratado de Tordesilhas.
Os canaviais começaram a ser implantados, primeiramente, nas porções litorâneas da costa brasileira e, posteriormente, também nas áreas interioranas. Os escravos, primeiramente indígenas e, posteriormente, africanos, cultivavam-na, cortavam-na e a levavam ao engenho, onde a cana era moída, o caldo aferventado até formar uma garapa, para então ser cristalizado e dar origem aos torrões de açúcar exportados para a Europa.
No ano de 2017, o Brasil se posicionou como o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e de açúcar, e o segundo de etanol. O que explica essa constância da cana-de-açúcar e dos seus derivados nas pautas de produção e de exportação brasileiras? Quais são as condicionantes físicas que explicam a expansão dos canaviais e, consequentemente, das unidades manufatureiras e industriais do açúcar, etanol e agroenergia em certas regiões do território brasileiro? Como esses determinantes, associados a fatores históricos, políticos e econômicos, levaram a arranjos territoriais e a impactos socioambientais diferenciados ao longo desses cinco séculos? Essas indagações nortearam o desdobramento dos temas tratados neste livro, descortinando um longo processo iniciado no período colonial, que aglutinou enorme quantidade de variáveis de abrangência política, econômica, social e tecnológica, ancoradas nas características físicas, sobretudo hidroclimatológicas, dos solos e do relevo das áreas onde a cana-de-açúcar, os engenhos e as usinas foram implantados.
| Front Matter / Elementos Pré-textuais / Páginas Iniciales | Preview | |
| Introdução | Preview | |
| 1. Inicia-se o percurso da cana-de-açúcar no Brasil | Preview | |
| 2. Uma transição sutil: dos engenhos centrais às usinas | Preview | |
| 3. Surge o novo polo canavieiro | Preview | |
| 4. A agroindústria sucroalcooleira e o proálcool | Preview | |
| 5. Continuidades e descontinuidades: a agroindústria sucroenergética | Preview | |
| Conclusão: final sem fim | Preview | |
| Referências | Preview |
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