Nestes ensaios, escritos de 1984 a 1989, Richard Rorty discute vários
aspectos do pensamento de Heidegger aos quais os seus discípulos nunca
se mostraram muito atentos; aqui o autor examina a relação do "mestre de
Fribourg" com a política, a sua concepção da linguagem comparando-o a
autores, cuja contribuição foi essencial para o pragmatismo: John Dewey,
particularmente, e Ludwig Wittgenstein. Porém, as questões abordadas
por Rorty não se limitam a Heidegger, se bem que este seja a personagem
dominante desta obra. Nas suas reflexões, Rorty abraça uma corrente
muito mais larga da filosofia contemporânea, de Derrida e dos seus
discípulos americanos até Habermas, Jünger e Castoriadis. Nestes
diferentes textos, o autor aborda, com uma liberdade pouco comum, os
principais sujeitos de discussão, e até de divisão, que caracterizam a
filosofia destas últimas décadas. Rorty faz este trabalho com a
distância e a faculdade de discernimento daqueles que resolveram jamais
desposar as rígidas clivagens que presentemente espreitam o filósofo.
Entre outras, duas qualidades tornam a leitura desta obra preciosa para
os nossos "tempos de depressão": o seu optimismo fortificativo por um
lado, e, por outro, a sua vontade de repor a reflexão filosófica face
aos seus desafios políticos, ou que deveriam ser os seus, hoje mais do
que nunca.
RICHARD RORTY, é professor na Universidade de Stanford, membro da
Associação Filosófica Americana e da Academia Americana de Artes e
Ciências. Autor de várias publicações entre as quais Consequências do
Pragmatismo, já publicado pelo Instituto Piaget.