José Calasans – Fernão Cabral De Ataíde E A Santidade De Jaguaripeby Livr'Andante |

José Calasans - Fernão Cabral De Ataíde E A Santidade De Jaguaripe
A reedição de Fernão Cabral De Ataíde E A Santidade De Jaguaripe, obra cuja primeira publicação data do ano de 1952, vai permitir que este livro do historiador José Calasans Brandão da Silva, notável pelos seus estudos sobre folclore e, sobretudo, sobre o episódio histórico de Canudos, passe da condição de raridade almejada por alfarrabistas, bibliófilos e colecionadores, para se tornar útil instrumento para quantos desejem estudar a complexidade e as sutilezas da religiosidade popular, através dos acontecimentos ocorridos no recôncavo baiano no século XVII.
Iniciativa oportuna e feliz da Editora da UNEB – EDUNEB, por sugestão do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia – IGHB, porquanto este relançamento acontece na passagem do décimo aniversário de morte do autor, esta reedição acrescida das ilustrações do artista plástico Trípoli Gaudenzi e do prefácio especializado da doutora Luitgarde Barros, fica marcada não só pelo seu forte simbolismo, como também, pela inegável qualidade da publicação, que honra o homenageado e os seus realizadores. Cumprem assim, a Universidade e a Casa da Bahia, seus compromissos com a preservação da nossa memória histórica e a sempre necessária difusão do conhecimento.
Texto produzido para ser apresentado no II Congresso de História da Bahia e publicado pela primeira vez sob o selo das Artes Gráficas, em 1952, Fernão Cabral De Ataíde E A Santidade De Jaguaripe resulta de criteriosa pesquisa documental e laborioso estudo bibliográfico, assentado nos escritos de cronistas coloniais, representando segundo depoimento do próprio autor, José Calasans, sua iniciação no assunto que ele categorizou como messiânico, conceito com o qual começaria suas pesquisas sobre Antonio Conselheiro e o episódio Canudos, sem desconsiderar a forte e definitiva impressão que antes lhe causara a leitura de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha.
Acontecimento passado na Bahia, na região do Recôncavo, durante o período colonial, o fato ainda não merecera interesse maior entre os historiadores, razão pela qual o trabalho de Calasans pode ser inscrito entre os pioneiros sobre o tema.
Tornou-se, todavia, em que pese sua importância e a modesta bibliografia existente sobre o acontecimento, obra rara daquelas somente encontráveis nos velhos sebos, aguardando os olhos e as mãos de algum bibliófilo ou pesquisador em busca de auxílio teórico.