Description:
Este livro foi escrito com a intenção de apoiar os
estudos iniciais sobre a presença africana no Brasil. A reflexão contida
nestas páginas não estaciona no passado, mas o retoma a fim de
compreender o Brasil atual e projetar horizontes de esperança. Por isso,
sob diversos aspectos convidamos você a pensar e repensar a democracia
racial necessária como futuro possível.
Longe está o autor da neutralidade. Por ser parcial, o perfil da
narrativa traz as influências da história familiar marcada pelo ranço da
escravidão criminosa e da vivência acadêmica como estudante. O texto
está marcado também por mais de trinta anos de trabalho como professor e
pesquisador das africanidades.
De maneira particular, o autor manifesta respeito e gratidão ao
movimento negro brasileiro, este território espiritual, negro, móvel,
forjado na luta de libertação. Fortalecido pelas contradições dos
enfrentamentos, o movimento negro brasileiro tem contribuído para o
avanço da consciência negra. Uma lembrança especial à militância do
Movimento Negro Unificado – MNU, fundado em 1978, em seus quarenta anos
de combate
ao racismo e do compromisso sincero na construção de outras
possibilidades libertadoras para a gente negra. Nosso louvor a todas as
mulheres, a todos os homens e à diversidade, às pessoas mais velhas e
jovens que, voluntaria e corajosamente, constituem o movimento negro
brasileiro e, por meio dele, vêm alterando a pauta nacional e, aos
poucos, abrindo novos espaços de enfrentamento e emancipação do nosso
povo.
Grave erro será concluir que traçamos uma linha de ódio aos brancos.
Jamais! Devemos encarar o passado serena e honestamente, ainda que isso
seja dolorido. O espírito de ubuntu e o axé de nossos ancestrais
inspiram-nos a convocar nossas irmãs e nossos irmãos brancos a deixarem
de lado o conforto da branquitude e a se unirem a nós na edificação de
um país onde haja verdadeira pluralidade racial.
Oxalá o espírito de ubuntu e o axé recebido dos ancestrais sensibilize a
gente racista do Brasil ao respeito pela justiça e liberte o seu
pequeno eu egoísta de perseguir unicamente o bem-estar individual.
Em que pese o papel e a força da lei, como reguladora das relações
sociais, sugerimos que a fraternidade e a sororidade sejam os valores
primários que antecedam à lei na democracia racial necessária. Por isso,
o tema deve ser estudado com mente aberta e coração quebrantado. Ubuntu
e axé não combinam com arrogância e prepotência.