Schopenhauer encontrou nas tradições do hinduísmo, do budismo, e até
mesmo do misticismo cristão, o caminho possível para vencer Maya,
representação ilusória e impermanente do mundo, e nos voltarmos para a
Eternidade, um pensamento de cada vez.
A grande questão é que,
apesar de seus extraordinários esforços, o filósofo ainda foi limitado
pelas palavras, pela linguagem, pela racionalidade tão comum no
Ocidente. Assim, talvez tenham sido poucos os que chegaram a compreender
que o seu pessimismo era antes um chamamento, um incentivo a que nós
mesmos nos arriscássemos também a abandonar Maya, rumo ao Nirvana, rumo a
Vontade, rumo ao que em realidade existe, sempre existiu e sempre há de
existir.
Mas isso ainda seria filosofia? Não sei bem. Fato é que
Schopenhauer tampouco esteve preocupado com tais classificações. No fim
das contas tudo pode ser resumido em algumas poucas reflexões:
O
mundo é a minha representação, mas é possível transcender esta
representação? E, em sendo, é possível descrever tal transcendência com
palavras? Em suma, é possível relatar a face da Eternidade?
Talvez
tais perguntas só possam mesmo ser respondidas pelo ser que se aventura
neste caminho. E se forem de fato respondidas, temo que só mesmo ele, o
caminhante, consiga compreender as respostas.
Então não custa
nada tentarmos seguir neste caminho também. Talvez esta leitura, de
trechos selecionados das grandes obras de Schopenhauer, "O mundo como
vontade e representação" e "Parerga e Paralipomena", seja já um vigoroso
primeiro passo, ou quem sabe mais um proveitoso material de consulta
para os aventureiros... Boa viagem!