Crenças e equívocos de professores, autores e críticos
A autora faz aqui a defesa da teoria de Piaget e aponta
os descaminhos dessa teoria no âmbito educacional, esclarecendo, além de
rebater, as principais críticas que se faz a ela. Para isso, levanta e
discute ideias comumente encontradas em textos educacionais “ditos
construtivistas”, artigos e obras de seus críticos e, ainda, nas
concepções que emergem no discurso de professores, buscando identificar
equívocos, distorções e congruências.
O principal objetivo da
autora é mostrar como o Construtivismo tem sido “desconstruído” na área
educacional e recolocar a teoria piagetiana em seus espaços próprios –
os da Epistemologia e Psicologia. Ela procura analisar as concepções que
considera falsas ou simplesmente desvirtuadas sobre o Construtivismo no
âmbito educacional a partir do interior da teoria, ou seja, recorrendo a
argumentos que se apoiam nos “propósitos, questões e conceitos que
informaram o trabalho científico de Piaget”.
O livro foi dividido
em três partes. A primeira, intitulada “Construtivismo, psicologia e
educação” trata de elucidar os conceitos-chave da teoria piagetiana,
recordar como o Construtivismo veio a tornar-se uma corrente hegemônica
na Psicologia e mostrar sua trajetória na educação brasileira.
A
segunda parte (“Uma pesquisa sobre os desvios do Construtivismo em
professores do ensino fundamental”) apresenta dados quantitativos acerca
desses “desvios”, os principais equívocos dos professores e uma
interpretação sobre as causas de tal “assimilação deformante”.
A
terceira parte, “Piaget e seus intérpretes”, é dedicada aos intérpretes
de Piaget, incluindo seus críticos. Aborda os “recados” enviados aos
professores por autores construtivistas e os “pecados” contidos em
certas ideias que se transformaram, inclusive, em slogans, além de
questionar mais um caso de “assimilação deformante”.