
O multiculturalismo permeia a discussão deste livro. Termo problemático,
esta é uma palavra que pode se tornar gasta e esvaziada em debates
acadêmicos, jornais ou revistas. Com um aparato crítico que perpassa
múltiplas áreas do saber e ancorados no domínio e conhecimento sólidos
dos discursos e imagens produzidas ao longo do século 20, quando o
cinema se tornou um meio de comunicação muito popular, os autores
analisam e desvendam lugares comuns do nosso imaginário audiovisual,
identificando nele valores morais, políticos e estéticos, produzidos,
representados, introjetados e, por fim, naturalizados. Este é um livro
que se vale do cinema (inclusive da teoria e da história do cinema) para
fazer a genealogia e a crítica da hegemonia de determinadas idéias, que
determinaram o jeito de ser e de pensar da sociedade contemporânea, no
âmbito da cultura popular, abrangendo ainda meios como a propaganda e a
televisão. O livro refaz a história das idéias que formaram o imaginário
contemporâneo, ou das idéias que venceram. No primeiro e segundo
capítulos, 'Do eurocentrismo ao policentrismo' e 'Formação do discurso
colonialista', os autores tentam esclarecer quando e como a idéia de uma
sociedade ocidental surge. Partem da análise do nascimento do mito de
uma cultura superior elaborada ainda no auge da civilização grega,
quando foram criados os modelos ainda vigentes de política e cultura. No
terceiro e quarto capítulos, 'O imaginário imperialista' e 'Tropos do
império', os autores desenvolvem a questão da representação ideológica e
ideologizante, ou de como o cinema serviu de aparelho adequado para a
necessária expansão do ideário imperialista. As idéias estéticas de
representação e auto-representação dos cinemas produzidos nos confins e
para além da sociedade ocidental - África, Ásia, América Latina, Oriente
Próximo e Médio -, e também pelas minorias excluídas no interior do
próprio mundo ocidental de matriz eurocêntrica - negros, gays, mulheres,
irlandeses, judeus etc. -, os quais, na medida do possível, fazem
resistência a esta hegemonia, são expostos no quinto, sexto e sétimo
capítulos, 'Estereótipos, realismos e luta por representação',
'Etnicidades em relação' e 'O cinema terceiro-mundista'. Sem
maniqueísmo, trata-se das tensões e, sobretudo, das reações destes
cinemas contra a indústria, bem como suas posições estéticas.
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Crítica da Imagem Eurocêntrica
Author(s): Robert Stam, Ella Shohat
Publisher: Cosac & Naify, Year: 2006
ISBN: 857503510X
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| Title: Crítica da Imagem Eurocêntrica
Author(s): Robert Stam, Ella Shohat
Publisher: Cosac & Naify
Year: 2006
ISBN: 857503510X |
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