José Rubens Mascarenhas De Almeida & Luci Mara Bertoni (Orgs) – Estado, Política E Sociedadeby Livr'Andante |

José Rubens Mascarenhas De Almeida & Luci Mara Bertoni (Orgs) – Estado, Política E Sociedade: Está O Mundo De Ponta-Cabeça?
A coletânea de textos que o leitor tem em mãos é uma obra oriunda das
ponderações dos Colóquios do Museu Pedagógico da Universidade Estadual
do Sudoeste da Bahia (Uesb), mais precisamente dos XII Colóquio Nacional
e V Colóquio Internacional, realizados em setembro de 2017 nas
dependências da Uesb, campus de Vitória da Conquista, Bahia, cujas
reflexões giraram em torno da conjuntura e estrutura do mundo atual, nos
seus vários aspectos e esferas: Estado, Política e Sociedade,
sinalizando sempre para a questão candente “estaria o mundo de
ponta-cabeça”?
O principal objetivo da problemática levantada foi conjeturar sobre a
realidade então vivida no âmbito das relações sociais naquele – que
ainda é atual – contexto, marcado por eventos expressivos – muitos deles
inusitados – e que, no ambiente do primeiro quartel do século XXI,
apontaram/apontam para imprevisibilidades históricas, trazendo consigo
medos e incertezas de um presente e futuro assolados por “fantasmas” que
antes já assombraram a Humanidade e que agora retornam com preocupante
força. Por isto, a renitente pergunta a transversalizar a maioria dos
trabalhos aqui apresentados: estaria o mundo de ponta-cabeça?
Ao historicizar esse processo, vemos que desde os idos da II Guerra
Mundial uma onda de saudosismo político foi impulsionada por
ultraliberais que, no decurso da reestruturação capitalista ocorrida no
pós-guerra, coroou uma nova configuração imperialista de escala
planetária, que substituiu a sanha imperial inglesa pela estadunidense.
A partir dos anos de 1970, o sistema capitalista viu-se frente à sua
mais longa crise econômica (e social). Buscando responder ao quadro de
retração acumulativa sistêmica, as classes dominantes articularam, em
escala global, uma ordem mundial marcada pela monetarização e
financeirização, que reestruturou sua esfera produtiva (novos padrões de
desenvolvimento tecnológico – robotização, informatização e automação –
e novo regime de produção), espraiou a ideologia do “Estado Mínimo”,
preconizou a quebra das fronteiras nacionais para tecnologias,
mercadorias e fluxo de capitais. Para tudo isto constituiu novos
aparatos jurídicos institucionais de caráter transnacional e ao processo
nominou “globalização”.
Nesse contexto, ao pensarmos a temática do citado Colóquio do Museu
Pedagógico, sentimos a necessidade de evocar a História para analisar o
conjunto da obra como forma de aproximação ao entendimento do momento
então vivido, e à mente sobreveio o título de uma das obras de Christopher Hill:
O Mundo de Ponta-Cabeça, que historiciza o contexto revolucionário
inglês do século XVII, mais precisamente dos anos 40 daquele século.
Não que os tempos atuais lembrem a radicalidade e dinâmica daquela conjuntura, mas pelo quadro de valores, práticas, retrocessos e desesperança que o hoje evoca. Assim, ficamos apenas com o título da obra como ponto de partida para refletirmos sobre a atualidade: estaria o mundo atual de ponta-cabeça?