Anna Luiza Salles Souto & Outras – Desigualdade E Jovens Mulheres Negrasby Livr'Andante |

Anna Luiza Salles Souto & Outras - Desigualdade E Jovens Mulheres Negras
“Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela.” A citação de Angela Davis resume bem o tom da publicação Desigualdade E Jovens Mulheres Negras, elaborada por Criola e Oxfam Brasil, em parceira com Ação Educativa, FASE – Federação de Órgãos para Assistência Social, Ibase – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, Inesc – Instituto de Estudos Socioeconômicos, e Instituto Pólis.
Trata-se de mais um fruto do Hub das Pretas, rede ciberativista formada no projeto Mulheres Negras Fortalecidas na Luta contra o Machismo e o Sexismo.
Os artigos retratam experiências compartilhadas por e com mulheres negras sobre suas vivências a partir de diferentes esferas e realidades que, de alguma forma, atravessaram o projeto.
Em busca de enriquecimento teórico e metodológico, relatamos também reflexões das organizações parceiras sobre a importância dessa iniciativa e questões que envolvem a luta antirracista e antissexista no campo das organizações da sociedade civil brasileira.
Do ponto de vista da experimentação, o projeto desponta como um celeiro de inovação em metodologias, seja para pensar incidência política num contexto de militância autonomista e independente ou para dar conta de construir novos horizontes num período de crise das institucionalidades, cenário que se acirra para a população negra, vítima das ações de violência do Estado e do racismo institucional.
Ao todo, participaram dos hubs cerca de 101 jovens mulheres negras, que atuam em 100 diferentes grupos ou coletivos. Elas têm entre 18 e 30 anos, são estudantes, artistas, poetisas, produtoras, advogadas, comunicadoras, mães, ativistas e ciberativistas, moram no Distrito Federal, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.
Vivenciam cotidianamente o que significa ser mulher, negra e jovem em um país reconhecidamente racista, machista e que até pouco tempo nem sequer discutia as especificidades das juventudes. Muitas se identificam como bissexuais ou lésbicas, apesar de predominar a afirmação de cis, e cinco delas são transexuais.
Essas mulheres atuam em coletivos urbanos ou exercem uma militância autonomista e não institucionalizada de mobilização e articulação.