Renata Bonotto
unread,Apr 22, 2009, 11:50:25 PM4/22/09Sign in to reply to author
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to O Aluno Virtual
PessoALL,
Desculpem o "retardo" =D, mas imaginei que as datas de início
coincidiam com o início da semana e só caiu a ficha quando veio a
mensagem para iniciarmos a discussão do capítulo 2!!!! Assim, vou
colocar as minhas reflexões, melhor, a minha perspectiva de leitura,
ressaltando e dialogando com algumas idéias já apresentadas no nosso
fórum. Espero não estar bangunçando (muito) o curso das discussões.
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Ainda antes de entrar no capítulo 1, me chamou a atenção o ponto de
partida para que os autores falem sobre uma abordagem
*verdadeiramente* focada no aluno (p. 15 e 16): "crença fundamental de
que não podemos ensinar, mas apenas facilitar a aquisição do
conhecimento". Achei muito esclarecedor o exemplo dado na página 13-14
ilustrando o quanto a elaboração de cursos online podem partir, na
verdade, das necessidades, interesses e inclinações do professor e não
necessariamente do aluno.
Outro aspecto que me parece digno de realce diz respeito ao trecho:
"Em vez de observar a demografia para pintar um retrato do aluno
virtual ou online, acreditamos que os professores... precisam observar
a *psicologia social* dos alunos para determinar quais estão mais
propensos a ter sucesso e *como abordar suas necessidades*." (grifos
meus)
Apesar das características demográficas nos ajudarem a ter algumas
noções sobre o aluno, essas informações por si só têm pouco a
contribuir em termos de design instrucional, ao passo, que as questões
de desenvolvimento cognitivo e aprendizagem/construção de conhecimento
iluminados pelo legado da psicologia social podem apontar possíveis
caminhos para abordarmos as necessidades dos alunos.
Como pessoa muito crente no potencial de cada indivíduo, a declaração
que "os cursos e programas online não foram feitos para todo
mundo" (p. 25) causou um certo desconforto inicial. No entanto, os
autores oferecem bons argumentos que vão desde a linha inclusão/
exclusão digital até características psicosociais. A minha crença, no
fim, vai na mesma linha que os autores ressaltam com base em sua
experiência: "pela implementação de diretrizes claras e pelo
estabelecimento do que se espera deles, os alunos que, ao começarem o
curso, não tiverem as características ideais passarão a desenvolvê-
las" (p. 29). Na prática, promover o desenvolvimento daquelas
características é que constitui uma parte crucial [e muito trabalhosa]
da EAD. Muitos cursos tropeçam (?) nesse ponto quando estão
extremamente focados no tema central do curso online e esperam ou
partem do princípio que os alunos já terão desenvolvido algumas
estratégias de estudo e uma postura autônoma na busca de conhecimentos
antes de seu ingresso no curso.
O desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de refletir
dizem respeito a habilidades fundamentais hoje, não só em EAD mas em
qualquer contexto educacional (e na vida!). Assim, nesse aspecto a EAD
pode trazer grandes contribuições para o desenvolvimento cognitivo
geral do aluno virtual.
Outra idéia que me chamou atenção é a de que: "a atividade
colaborativa é o coração do curso centrado no aluno". Ao meu ver, essa
frase parece transparecer um paradigma educacional informado por uma
abordagem teórico-pedagógica sócio-construtivista (que,
particularmente, aprecio bastante). Contudo, nem todo curso online
parte desse tipo de pressuposto e, portanto, pode não organizar-se
tendo com objetivo/meio a atividade colaborativa. Nesse sentido,
algumas questões me ocorrem: o que está em jogo quando se fala em
atividade colaborativa aqui? Alunos<->alunos<->professor? Professor<-
>aluno em um curso online mais dirigido poderia ser enquadrado em
atividade colaborativa? Se o foco não é a atividade colaborativa, o
curso não pode ser caracterizado como centrado no aluno?
Retomando um pouco as trocas no fórum sobre autodidatismo e
independência por parte do aluno, olho para esses conceitos à luz de
uma abordagem teórico-pedagógica sócio-construtivista. Penso com
cautela no autodidatismo. Particularmente, creio que cada pessoa é
autodidata em alguma escala porque consegue resolver problemas por si
só e expandir os seus conhecimentos com base em sua própria "bagagem".
Essa escala não é igual para todos, mas pode variar de pessoa para
pessoa, sendo mais ampla para umas e mais estreita para outras. Essa
escala tem limite máximo e a partir daí, para a construção de
conhecimentos, seria necessária a intervenção e interação com outras
pessoas. Diria, então que, na minha percepção, o autodidatismo tem
limites (a forma que a maioria das pessoas trata o tema dá a entender
que não, cada pessoa seria capaz de aprender *qualquer coisa* sozinha
- eu duvido). Já a questão da independência, ela não necessariamente
quer dizer autodidatismo.
Por fim, a tabela ao fim do capítulo e algumas dicas e sugestões ao
longo do texto são muito úteis, conferem ao texto concretude,
relevância, aplicabilidade para todos os envolvidos com EAD. Uma
mistura interessante de texto fundamentado e ao mesmo tempo orientador/
norteador de práticas.
Reações sobre essas idéias seriam bem vindas!
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Renata Bonotto