Capítulo IV - Gênero, cultura, estilo de vida e geografia

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Márcia

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May 6, 2009, 7:23:44 AM5/6/09
to O Aluno Virtual
Bom dia a todos!
E aí pessoas? Vocês andam muito sumidas... :o
Estamos começando o Capítulo IV do livro. As meninas do último
capítulo fizeram um ótimo trabalho e que pode ser explorado na nossa
comunidade permanentemente. A webquest é uma ferramenta poderosa para
explorarmos o tema dos estilos de aprendizagem.
Quem são os voluntários para trabalhar esse capítulo?

Renata Bonotto

unread,
May 7, 2009, 1:27:13 AM5/7/09
to O Aluno Virtual
Olá Márcia e demais colegas,

O capítulo 4 ficou para mim. Não sei como usar uma webquest e temo que
a minha organização para a discussão desse capítulo não fique tão
legal quanto a do grupo anterior, mas vamos lá ; ).
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Para iniciar a nossa conversa sugiro que assistam o vídeo em
http://www.youtube.com/watch?v=s8Krd8JzfmM e a partir dele estabeleçam
relações com o tema do capítulo: Gênero, cultura, estilo de vida e
geografia.

Contextualizando, alguns aspectos que me chamaram atenção durante a
leitura:

Na medida em que a abordagem dos estilos de aprendizagem dá relevo a
questões de ordem cognitiva e inerentes ao sujeito, a discussão desse
capítulo vem a complementar a discussão sobre o aluno virtual ao
deslocar o foco de atenção para questões de ordem sociológica,
entendendo que cultura, gênero, expectativas e estilos de vida bem
como geografia impactam as necessidades individuais dos alunos e,
portanto, demandam atenção e posicionamento do professor.

Embora considere essas questões realmente importantes, as informações
o desenvolvimento do capítulo, talvez por serem americanos os autores
e uma edição de 2003, a uma primeira vista despertam certa suspeição e
dúvidas da minha parte, por exemplo, quando diz "algumas mulheres
continuam a pensar no mundo da tecnologia como um território
estranho". Fico me perguntando... Como ocorre no Brasil? A minha
experiência tem mostrado que a mulher está presente em maior número
(ou, pelo menos, em número similares ao dos homens) nos cursos de
formação, presenciais e online.

Ainda, nunca havia parado para pensar numa dimensão religiosa e
espiritual impactando o aprendizado online. Será que alguém por aqui,
já teve experiências nessa linha?

Capitais, me pareceram ser as questões de alfabetização, deficiência
física e exclusão digital, que na realidade brasileira, pode ser uma
característica bem recorrente, infelizmente.

Por hora, é isso.

Aguardo ponderações.

Abraço,

Renata

Márcia

unread,
May 7, 2009, 8:25:14 AM5/7/09
to O Aluno Virtual
Olá Renata e colegas!
Ao ler um pouco sobre o tema, lembrei do livro do MANUEL CASTELLS, A
Galáxia da Internet.
Lá tem um capítulo interessante sobre o assunto. Veja:


CAPÍTULO IV
COMUNIDADES VIRTUAIS OU SOCIEDADE DE REDE?

Existem afirmações conflitantes sobre a ascensão de novos padrões de
interação social. Muitos críticos e pesquisadores acadêmicos sustentam
que a difusão da Internet está conduzindo ao isolamento social, a um
colapso da comunicação social e da vida familiar, na medida que
indivíduos sem face praticam uma sociabilidade aleatória, abandonando
ao mesmo tempo interações face a face em ambientes reais.
Numa pesquisa realizada no Reino Unido, incluindo 2.600 indivíduos,
Anderson e Tracey concluíram que “não há indícios de que indivíduos
que tem acesso a Internet em casa esteja gastando menos tempo
assistindo televisão, lendo livros, ouvindo rádio ou envolvidos em
pouca atividade social. A única mudança associada ao ganho do aceso a
Internet é o aumento de tempo dedicado ao e-mail e ao surf na web”.
Se alguma coisa pode ser dita, é que a Internet possibilita maior
engajamento político e participação pública, segundo pesquisa
realizada na Univ. da Califórnia.
Para desenvolver uma pesquisa sobre como se comportava uma comunidade
residencial interativa, foi oferecida a 120 casas (de classe média
baixa) conexão em banda larga em tempo integral, por dois anos. Com a
Internet aumentando e mantendo laços de sociais de envolvimento
social, o resultado foi que ao fim da experiência os usuários se
mobilizaram pela continuidade do serviço de conexão.
A Internet deve ser situada no contexto da transformação dos padrões
de sociabilidade em nossa sociedade.
Partindo do conceito de que comunidades “são redes de laços
interpessoais, que proporcionam apoio, informação, um senso de
integração e identidade social”, a nossa sociedade substituiu as
comunidades espaciais por redes como formas fundamentais de
sociabilidade. Assim, o padrão de sociabilidade evoluiu rumo a um
cerne de sociabilidade construído em torno da família nuclear em casa,
a partir de onde redes de laços seletivos são formadas segundo os
interesses e valores de cada membro da família. Num sistema de
relações sociais centrado no indivíduo, o novo padrão de sociabilidade
em nossas sociedades é caracterizado pelo individualismo em rede.
Que papel a Internet desempenha nesse contexto? Segundos estudos
indicados pelo autor, ela é eficaz na manutenção de laços fracos e
variáveis que seriam perdidos sem a interação física. Os indivíduos
montam suas rede, on-line e off-line, com base em interesses, valores,
afinidades e projetos. Assim, nova noção de espaço, em que físico e
virtual se influenciam um ao outro, lançando bases para a emergência
de novas formas de socialização, novos estilos de vida e novas formas
de organização social. Esses indivíduos constroem e reconstroem suas
formas de interação social podendo pertencer a várias redes e
interagindo de forma diferenciada.


O que vcs acham desse material?

Renata Bonotto

unread,
May 7, 2009, 4:23:28 PM5/7/09
to O Aluno Virtual
Olá pessoal,

Comentando um pouco o texto enviado pela Márcia:

<a difusão da Internet está conduzindo ao isolamento social, a um
colapso da comunicação social e da vida familiar, na medida que
indivíduos sem face praticam uma sociabilidade aleatória, abandonando
ao mesmo tempo interações face a face em ambientes reais.>

Há controvérsias... A posição de Lévy em seu livro Cibercultura
apresenta argumentos que vão em outra direção:

"As páginas Web exprimem idéias, desejos, saberes, ofertas de
transação de pessoas e grupos humanos. Por trás do grande hipertexto
fervilham a multiplicidade e suas relações. No ciberespaço, o saber
não pode mais ser
concebido como algo abstrato ou transcendente. Ele se torna ainda mais
visível – e mesmo tangível em tempo real – por exprimir uma população.
As páginas da Web não apenas são assinadas como as páginas de papel,
mas
freqüentemente desembocam em uma comunicação direta, por correio
digital, fórum eletrônico, ou outras formas de comunicação por mundos
virtuais... Assim, contrariamente ao que nos leva a crer a vulgata
midiática sobre a
pretensa “frieza” do ciberespaço, as redes digitais interativas são
fatores potentes de personalização ou encarnação do
conhecimento." (LÉVY, 1999, p. 162)

Parece-me sensata a asserção de que há uma <nova noção de espaço, em
que físico e virtual se influenciam um ao outro, lançando bases para a
emergência de novas formas de socialização, novos estilos de vida e
novas formas de organização social. Esses indivíduos constroem e
reconstroem suas formas de interação social podendo pertencer a várias
redes e interagindo de forma diferenciada.>

Tendo como pano de fundo a teoria sóciocultural e postulados de
Vygotsky, é de se esperar que novas ferramentas e instrumentos (como a
Internet) tragam e exerçam influências de escopo cognitivo,
individual, social e histórico. Um exemplo: Antigamente, eu costumava
memorizar a maioria dos telefones, hoje, não sei o número do meu
marido (!!!) de cor, pois sei que o tenho memorizado no meu celular.
Assim, essa tecnologia (celular) tem trazido essa mudança em termos de
uso da minha memória e mudança é o que se pode esperar em vários
âmbitos (relacionamentos, por exemplo).

[ ]

Renata

Antonia Alves

unread,
May 12, 2009, 12:00:58 PM5/12/09
to O Aluno Virtual
Renata,
ainda não fiz a experiência de levar o espiritual para o ambiente
virtual dos cursos como uma prática vital. Apenas em um curso
(Liderança & Gestão Educacional Saudável), refletimos sobre a mística
de cada um como sendo algo do programa do curso.
Mas acredito que seja possível, assim como a experiência salesiana das
acolhidas no presencial.
Essas são na verdade, um momento de reflexão sobre uma temática da
vida, sem dar ênfase a uma religião específica.
No virtual, imagino que poderíamos antes de aula (semana/tópico)
propor um momento de reflexão sobre aspectos relevantes da vida no
sentido místico, transcendental (existencial) sem dar destaque a
nenhuma religião, mas à vivência individual do cursista, mesmo daquele
que se diz ateu (alguma experiência transcendental tem ou já teve).

Antonia Alves

Antonia Alves

unread,
May 12, 2009, 12:17:20 PM5/12/09
to O Aluno Virtual
Márcia e Renata,
interessante a reflexão e posicionamento.

"Muitos críticos e pesquisadores acadêmicos sustentam
que a difusão da Internet está conduzindo ao isolamento social, a um
colapso da comunicação social e da vida familiar..."

Não acredito que esses indivíduos sejam sem face porque criamos uma
sintonia capaz de lhe dar uma forma, talvez irreal, mas a partir das
interações. Falo isso porque no Moodle, por exemplo, por mais que
todos sejam animados a colocar sua foto, há sempre "alguns" que não
colocam. Então, você fica imaginando como é a fisionomia dessa
pessoa...

Com a internet, temos condições de estreitar laços nas redes sociais e
comunidades e isso provoca um movimento de interação nunca visto antes
na internet. Nem sempre ficamos tanto tempo conversando ou trocando
idéias com colegas de trabalho no presencial, como o fazemos
virtualmente, seja pelo email, envio de links de conteúdo
interessante, etc.

E a possibilidade de interação com quem está do outro lado do mundo?
Isso é formidável porque estreitamos relações que não seriam possíveis
quando estamos tão próximos, mesmo porque se temos afinidade podemos
falar na hora em que está acontecendo algo conosco.

"Num sistema de relações sociais centrado no indivíduo, o novo padrão
de sociabilidade em nossas sociedades é caracterizado pelo
individualismo em rede.
Que papel a Internet desempenha nesse contexto? Segundos estudos
indicados pelo autor, ela é eficaz na manutenção de laços fracos e
variáveis que seriam perdidos sem a interação física. Os indivíduos
montam suas rede, on-line e off-line, com base em interesses,
valores,
afinidades e projetos. Assim, nova noção de espaço, em que físico e
virtual se influenciam um ao outro, lançando bases para a emergência
de novas formas de socialização, novos estilos de vida e novas formas
de organização social. Esses indivíduos constroem e reconstroem suas
formas de interação social podendo pertencer a várias redes e
interagindo de forma diferenciada."

Acredito que tanto no presencial quanto no virtual, os laços podem ser
ou se tornar fracos, dependendo de nossas opções, do nosso tempo,
trabalho, dentre outros percursos. Se a experiência for forte e
significativa, acredito que perdurará; mas se foi superficial,
esfriará com o tempo.
Por exemplo, nosso grupo de estudo é uma comunidade. Eu vejo que para
alguns de nós, a experiência - contato pessoal, partilha de futuros
projetos - poderá perdurar pela interação que a gente faz aqui.
No entanto, para a grande maioria vai ter sido apenas uma experiência
que agora não há mais tempo para cultivo.

Antonia Alves





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