Márcia e Renata,
interessante a reflexão e posicionamento.
"Muitos críticos e pesquisadores acadêmicos sustentam
que a difusão da Internet está conduzindo ao isolamento social, a um
colapso da comunicação social e da vida familiar..."
Não acredito que esses indivíduos sejam sem face porque criamos uma
sintonia capaz de lhe dar uma forma, talvez irreal, mas a partir das
interações. Falo isso porque no Moodle, por exemplo, por mais que
todos sejam animados a colocar sua foto, há sempre "alguns" que não
colocam. Então, você fica imaginando como é a fisionomia dessa
pessoa...
Com a internet, temos condições de estreitar laços nas redes sociais e
comunidades e isso provoca um movimento de interação nunca visto antes
na internet. Nem sempre ficamos tanto tempo conversando ou trocando
idéias com colegas de trabalho no presencial, como o fazemos
virtualmente, seja pelo email, envio de links de conteúdo
interessante, etc.
E a possibilidade de interação com quem está do outro lado do mundo?
Isso é formidável porque estreitamos relações que não seriam possíveis
quando estamos tão próximos, mesmo porque se temos afinidade podemos
falar na hora em que está acontecendo algo conosco.
"Num sistema de relações sociais centrado no indivíduo, o novo padrão
de sociabilidade em nossas sociedades é caracterizado pelo
individualismo em rede.
Que papel a Internet desempenha nesse contexto? Segundos estudos
indicados pelo autor, ela é eficaz na manutenção de laços fracos e
variáveis que seriam perdidos sem a interação física. Os indivíduos
montam suas rede, on-line e off-line, com base em interesses,
valores,
afinidades e projetos. Assim, nova noção de espaço, em que físico e
virtual se influenciam um ao outro, lançando bases para a emergência
de novas formas de socialização, novos estilos de vida e novas formas
de organização social. Esses indivíduos constroem e reconstroem suas
formas de interação social podendo pertencer a várias redes e
interagindo de forma diferenciada."
Acredito que tanto no presencial quanto no virtual, os laços podem ser
ou se tornar fracos, dependendo de nossas opções, do nosso tempo,
trabalho, dentre outros percursos. Se a experiência for forte e
significativa, acredito que perdurará; mas se foi superficial,
esfriará com o tempo.
Por exemplo, nosso grupo de estudo é uma comunidade. Eu vejo que para
alguns de nós, a experiência - contato pessoal, partilha de futuros
projetos - poderá perdurar pela interação que a gente faz aqui.
No entanto, para a grande maioria vai ter sido apenas uma experiência
que agora não há mais tempo para cultivo.
Antonia Alves