Após hostilidade a partidos e 'pauta conservadora', MPL anuncia fim de atos
Do UOL, em São Paulo
21/06/201310h02
Após uma série de
atos de hostilidade contra militantes de partidos
durante o ato que comemorou a revogação do aumento nas tarifas dos
transportes, realizado na noite de quinta-feira (20) na avenida
Paulista, região central de São Paulo, o MPL (Movimento Passe Livre) -
que vinha convocando os atos desde a semana retrasada - anunciou em
entrevista à rádio CBN que não irá mais fazê-lo.
"O MPL não vai convocar novas manifestações. Houve uma hostilidade com
relação a outros partidos por parte de manifestantes, e esses outros
partidos estavam desde o início compondo a luta contra o aumento e pela
revogação", afirmou Douglas Beloni, do MPL.
Além disso, o aumento no número de manifestantes que propõem
'pautas conservadoras'
também motivou a decisão. "Nos últimos atos pudemos ver pessoas pedindo
a redução da maioridade penal e outras questões que consideramos
conservadoras. Por isso suspendemos as convocações".
Segundo Douglas, o MPL luta por transporte público, mas apoia outros
movimentos sociais que lutam por uma sociedade mais justa e
igualitária. "Continuaremos lutando pela tarifa zero, colhendo
assinaturas para viabilizar um projeto de lei nesse sentido."
O que é o MPL
Organizado nacionalmente desde 2005, o Movimento Passe Livre se define
como "apartidário, mas não antipartidário". Defende a "expropriação do
transporte coletivo" sem indenização e apoia "movimentos revolucionários
que contestam a ordem vigente". Essas diretrizes constam da Carta de
Princípios, documento aprovado em paralelo ao 5º Fórum Social Mundial,
ocorrido em janeiro de 2005, em Porto Alegre.
A única modificação feita desde então foi aumentar o objetivo do
movimento: de passe livre estudantil para passe livre "irrestrito". De
hierarquia "horizontal", o MPL evita lideranças individuais. Os
documentos aprovados são assinados apenas pelo movimento. Outra
orientação é ser "ser cauteloso" com a "mídia corporativa", pois é
ligada "às oligarquias do transporte e do poder público".
Sobre as "perspectivas estratégicas", o MPL diz que não tem "fim em si
mesmo". A meta é "fomentar a discussão sobre aspectos urbanos como
crescimento desordenado das metrópoles, especulação imobiliária e a
relação entre drogas, violência e desigualdade social".
Além de São Paulo, o MPL, formado principalmente por universitários,
está organizado pelo menos em outras seis cidades brasileiras, incluindo
as capitais Brasília, Vitória, Florianópolis e Goiânia.
"Trata-se, em certo sentido, de algo, se não inédito, ao menos
relativamente novo no âmbito das lutas urbanas das últimas décadas",
afirma o geógrafo Marcelo Lopes de Souza, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro e simpatizante do MPL.