Grupos neonazistas brasileiros voltam a atacar na Internet

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José Alberto Costa

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Sep 1, 2011, 10:10:41 PM9/1/11
to Nova Visão da Histórira
Grupos neonazistas brasileiros voltam a atacar na Internet
24/04/2007
Fonte:
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1569641-EI6578,00.html
Autor:
Felipe Corazza Barreto
Veículo de Imprensa:
Veículo Nacional

Os defensores da "supremacia branca" no Brasil - sim, eles existem -
estão de volta à ativa pela rede mundial de computadores. Com dois
sites no ar e uma loja virtual de produtos que pregam a intolerância,
os neonazistas tupiniquins voltaram a ameaçar o diretor da agência de
notícias Afropress, Dojival Vieira.

A agência, que segue as Resoluções da III Conferência Mundial contra o
Racismo a Xenofobia e a Intolerância da ONU, denunciou em 2005 os
ataques de Marcelo Vale Silveira Melo, que se escondia por trás do
pseudônimo "DR0K3D, o justiceiro" para espalhar mensagens de racismo e
xenofobia pela rede.

A Afropress recebe, desde então, seguidas ameaças e sofre com ataques
de "hackers" que tiram o site do ar. "Hoje mesmo recebi mais uma
ameaça em meu email", afirmou Dojival, em entrevista a Terra Magazine
na segunda-feira.

A mensagem: "Macaco sujo, quando é que você volta para a África?".
Remetente: vo...@prafloresta.org. Os emails, segundo Dojival, são
freqüentes. Ameaça recebida em 2005: "Vou mostrar do que sou capaz.
Você tem até o próximo sábado para tirar a agência do ar". Outra
mensagem: "Você e sua ONG são negróides que necessitam ser
urgentemente exterminados. Lugar de negro é no presídio, não na
Universidade. Eu sou o skinhead que vai te matar, seu crioulo de
merda. Vais morrer, macaco".

Hoje, Marcelo está no banco dos réus. O Ministério Público Federal
acatou denúncia contra o rapaz baseado na lei 7.716, que, em 1989,
tirou o racismo da categoria de "contravenção" e o transformou em
crime inafiançável. É crime, segundo o artigo 20: "Praticar, induzir
ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia,
religião ou procedência nacional. Pena: reclusão de um a três anos e
multa".

Insistindo no crime

Pelo menos dois sites que fazem apologia à "supremacia branca" e
outros absurdos dos neonazistas brasileiros continuam no ar na
internet.

Um dos portais é o Valhalla88. O nome faz referência a um castelo da
mitologia nórdica - Valhalla - para onde iriam os guerreiros mortos em
combate. O número, 88, é referência dos neonazistas do mundo todo para
a repetição da oitava letra do alfabeto, o "H". HH, acrônimo para
"Heil Hitler".

A apresentação define o site como "O mais ativo site NS da América do
Sul!". "NS", nacional-socialista, nazista: "Procuramos ser arianos
honrados e virtuosos e, além da propaganda política, lutamos dia a dia
para alcançar, pelo mérito, postos-chave na sociedade. Somos só a
semente. Nosso dia chegará".

O site White Power São Paulo oferece material semelhante ao do
Valhalla88. Além disso, tem uma loja virtual para vender camisetas,
filmes, livros e outros itens com temática nazista.

O registro do endereço, em um servidor norte-americano, está sob o
número E1C356C79CF0F0FD e em nome de um certo Richard Sammoel
Schnauzer. O email e o endereço fornecidos para o registro são falsos.

A loja também oferece uma assinatura do "Der Stürm", jornal nazista em
português, que tem o mesmo nome do principal periódico do III° Reich
na Alemanha. Em fevereiro deste ano, o White Power São Paulo também
promoveu um "concurso de cartoons anti-semitas".

A loja usa o sistema de vendas online oferecido pela osCommerce -
servidor de código aberto. A reportagem de Terra Magazine perguntou ao
responsável pela osCommerce sobre a venda de material nazista por meio
do sistema. Quatro mensagens foram enviadas para o administrador do
endereço. Não houve resposta.

Clientes

Um dos supostos compradores da loja virtual neonazista é um
adolescente de São João do Oeste, em Santa Catarina. Uma rápida busca
na rede mostra o usuário como dono de um fotolog - site pessoal de
imagens. Na página principal, uma cruz celta - símbolo de origem
antiga, mas usada posteriormente por grupos de extrema direita. Uma
das mensagens, datada de 18/09/2005, é encerrada com a assinatura
WPWW, que pode ser o acrônimo de White Power World Wide, organização
que prega supremacia branca no mundo.

No site de relacionamentos Orkut, um perfil do rapaz, que comprou uma
camiseta com o símbolo e os dizeres do "White Power World Wide", está
inscrito nas comunidades "Revisionismo histórico", "Holocausto, judeu
ou alemão?". A comunidade em homenagem ao rapaz pergunta: "Você gosta
dele por quê?". Uma das opções: "Porque ele é nacional-socialista".

O jovem também faz parte das comunidades "Ervalzinho comanda" e "Os
CDF's também amam". É a "raça-pura" tupiniquim. A lei 7.716 também
enquadra esses sites. Primeiro parágrafo do artigo 20: "Fabricar,
comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos,
distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para
fins de divulgação do nazismo. Pena: reclusão de dois a cinco anos e
multa". Parágrafo segundo: "Se qualquer dos crimes previstos no caput
é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou
publicação de qualquer natureza: reclusão de dois a cinco anos e
multa".

Alvo das ameaças denunciou estudante racista

O jornalista Dojival Vieira, presidente da ONG ABC sem Racismo, é alvo
constante dos neonazistas brasileiros. Diretor da agência de notícias
Afropress, Vieira é odiado pelos racistas por ter denunciado mensagens
de ódio veiculadas pela internet.

Hoje, o autor das mensagens aguarda sentença em um processo judicial
por racismo:

- Ele hoje está sentadinho no banco dos réus.

Uma foto de Dojival já foi colocada no site nazista Valhalla88 como um
dos alvos dos "guerreiros da supremacia branca". Com as ofensivas da
Justiça contra os neonazistas, a foto foi retirada.

Mas as ameaças continuam. Mensagens eletrônicas com ameaças de morte e
xingamentos racistas são freqüentes. Ontem mesmo uma delas chegou ao
jornalista:

- A mensagem é "Macaco sujo, quando você volta para a África?"

Leia a entrevista com Dojival Vieira.

Terra Magazine - A Afropress sofre pressão dos neonazistas?

Dojival Vieira - A partir do momento em que a gente entrou com a
agência no ar, a gente passou a receber ataques de vândalos
neonazistas, ataques sistemáticos e continuados. A propósito, ainda
hoje eu recebi um email com ameaça. As ameaças são contínuas. Por
conta disso, o Ministério Público começou a investigar e hoje, no
Brasil, há o primeiro acusado de crime de racismo pela internet no
banco dos réus, que é o estudante de Brasília, Marcelo Silveira.

Qual é o teor da ameaça de hoje?

A mensagem é "Macaco sujo, quando você volta para a África?". O
remetente é vo...@prafloresta.org. Nesse nível. Outros são mais
violentos, ameaçando minha integridade física e a da minha família.

E quais os motivos?

Por conta da Afropress. O racismo e o nazismo tentam a todo custo
monopolizar o uso da Internet. E nós começamos a assumir um combate
frontal com esses grupos. E sofremos as conseqüências disso. Ataques
de hackers, invasão ao nosso banco de dados, inclusive.

Quando começou isso?

Quando o Ministério Público identificou entre os acusados de racismo
esse estudante de Brasília nós demos como notícia. Em represália, ele
nos atacou pela primeira vez em 2005. Ele retirou nossa página do ar.
Depois, nós passamos a receber emails. O primeiro ataque era assumido
por um tal "DR0K3D, o justiceiro". O texto era "Pode ficar calminho
porque o primeiro ataque foi só o começo. Só vou me contentar quando
falir essa porra de Afropress. Mexeu com a pessoa errada, seu bosta".
Mas nós pegamos esse sujeito. Conseguimos chegar à identidade de quem
era esse "DR0K3D". E era o Marcelo Silveira. Ele hoje está sentadinho
no banco dos réus.

Mas as ameaças continuam?

Posteriormente, o instrumento passou a ser a página de recados do
Orkut. Essa organização, que é a White Power São Paulo, pôs a minha
foto na página principal.

E o estudante está por trás disso?

Para o promotor de Justiça ele confessou que atacava a Afropress. Já
no interrogatório ele voltou atrás, disse que eram os amigos dele para
agradá-lo. Agora, mesmo nos recados do Orkut, tanto no meu perfil
quanto no da minha mulher, as pessoas que escrevem dizem agir em nome
dele. Por exemplo: "Eu juro por Deus que vou me vingar por DR0K3D. Ele
pode até ir para a cadeia, mas eu vou ficar aqui caçando essa ONG".

Os sites dos neonazistas ainda estão no ar...

Segundo a Constituição o racismo é crime inafiançável e
imprescritível. Dá cadeia. Esse sujeito pode pegar penas de 2 a 5 anos
por cada delito.

Mas os sites estão em provedores americanos. É uma artimanha jurídica?

Isso. Nós estamos tratando de organizações criminosas. No momento em
que as autoridades de segurança tratarem essas questões não como
brincadeiras de adolescentes, mas como organizações criminosas que
precisam ser investigadas, desbaratadas e seus responsáveis irem pra
cadeia, resolve-se. Isso não é virtual. Tanto o White Power quanto o
Valhalla88 são grupos criminosos organizados, atuam à revelia da lei,
desafiam as autoridades do País. No momento em que eles botaram a
minha cara na página eu mandei carta para o ministro da Justiça e para
o secretário de Segurança Pública de São Paulo dizendo o seguinte: se
alguma coisa acontecer à minha integridade física ou à minha família
essas autoridades são diretamente responsáveis.

Por quê?

Tanto a Secretaria de Segurança Pública quanto o Ministério da Justiça
têm serviços de inteligência que, se acionados, conseguem desbaratar
essas quadrilhas rapidamente. E estão sabendo da coisa. Não é possível
tratar isso com complacência, como se fosse um problema menor. Não é
um problema menor. E não é virtual. É real.
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