Rastreamento ou triagem?

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Simônides Bacelar

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Nov 21, 2011, 7:50:36 PM11/21/11
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Rastreamento ou triagem.

 

Em muitos casos, a menção de rastreamento ou de triagem em um texto médico traz dúvidas ao leitor.

 

Em consideração a seus sentidos literais, é possível fazer diferenciação entre rastreamento e triagem. Rastreamento significa ato de procurar e descobrir ou identificar casos pretendidos em uma população. Triagem é o ato de separar de uma população as pessoas com o problema.

 

Rastreamento. Conjunto de exames e testes que se fazem numa população aparentemente sadia para descobrir doenças latentes ou em fase precoce. De rastrear, fazer investigação a respeito de; inquirir, investigar, rastejar. De rastro ou rasto, pegada, vestígio deixado por animal ou pessoa no seu caminho. Do latim radere, raspar, conexo com rastrum utensílio agrícola para limpar a terra.

 

Em medicina, significa ato de procurar e identificar por meio de testes ou exames casos de doenças ou doentes com a doença que se procura. Os dicionários médicos são omissos a respeito desse termo. O Blackston (1987), traduzido para o português, traz rastreamento psicológico como  uso de teste psicológicos para determinar a adequação geral de pessoas a algum tipo de ocupação, como o serviço militar, por exemplo. Cita rastreador radioisótopo como sistema de contadores de radiação que indica a deposição de radioisotópica em um doente.

 

Talvez pelo amplo seu uso em medicina nuclear, rastreamento em medicina vem a ser compreendido como detecção de casos ou doenças e daí, os próprios doentes, por meio de testes, fatos comuns em oncologia.

 

 

Exemplos:

 

No período de 10 meses, foram rastreados todos os pacientes com desordens somatoformes (segundo a DSM-III) (J Bras Psiquiatr 1986;35(4):251) (rastreados > identificados por meio de exames).

 

Outros cânceres na família: rastreou-se a ocorrência de outros cânceres entre parentes consanguíneos do entrevistado (Rev Saude Pública 1995;29(3):169) (rastreou-se > encontrou-se por meio de exames).

 

Triagem. Ato ou efeito de triar, de separar, de selecionar; separação, seleção, escolha. Do francês triage, escolha, seleção; conjunto de pessoas cuidadosamente escolhidas por pertencerem à alta sociedade ou à aristocracia; derivado de trier, escolher entre certo número de pessoas ou de coisas as que correspondem a um dado critério (de qualidade ou outro) e separá-las das demais; do latim trítáre, moer, do radical de trítum, supino de tero,is,trívi,trítum,ère, esmagar, trilhar, pisar, debulhar; cognato de tritìcum, trigo (Houaiss, 2009).

 

Em medicina, significa selecionar casos de doentes ou doenças mediante suposição ou confirmação diagnóstica por meio de exames (Rey, 2003).

 

Exemplos:

 

A Sociedade Americana de Terapia Intensiva elaborou critérios para admissão e alta da terapia in­tensiva. O refinamento do processo de triagem para a internação é fundamental para a melhora dos cuidados dos pacientes e da alocação de recursos (Revista Brasileira de Terapia Intensiva 2006;18(2):115) (triagem > seleção).

 

Os resultados obtidos demonstraram que esse método pode ser utilizado rotineiramente com alta sensibilidade e reprodutibilidade, sendo um método de escolha na triagem primária de pacientes com risco de desenvolver neoplasias cervicais, contribuindo com informações que auxiliem num possível controle dessa doença (Acta Scientiarum. Health Sciences disponível em http://eduem.uem.br/ojs/index.php/ActaSciHealthSci/article/view/3015 acesso em 21 nov 2011) (triagem > seleção).

 

Tendo em vista a ocorrência de ambiguidade, evento grave em contextos científicos, convém não usar triagem e rastreamento como sinônimos.

 

Simônides Bacelar

Brasília, DF

 

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Arthur de Lacerda

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Nov 22, 2011, 6:16:16 AM11/22/11
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   Mandei isto para a Veja:
 Na edição de nove de novembro, consta o nome de Leonardo da Vinci escrito  Da Vinci, várias vezes.
  Nas línguas neo-latinas, como é o caso do italiano, idioma do   nome Leonardo da Vinci, e do português, sempre as preposições onomásticas são escritas com minúsculas: de Lacerda, dos Santos, das Neves, da Vinci; jamais usa-se a maiúscula.
  É a língua inglesa que altera a grafia das preposições e adota, erradamente, maiúscula. Nos E.U.A., escreve-se João Dos Passos e Leonardo Da Vinci,  em uma liberdade que deturpa a grafia original dos nomes.
  É indiferente se se escrve o nome inteiro, Leonardo da Vinci, ou apenas o sobrenome, da Vinci; sempre, a preposição é com minúscula.
  O livro "O código Da Vinci", publicado , no Brasil, com este título, cometeu um erro grasso de grafia, desleixo lamentável da editora.
  A Veja deve atentar à grafia correta do nome de da Vinci e dos mais que usem preposições.
 
 Saúde e fraternidade.
 Arthur Virmond de Lacerda Neto.
 Saúde e fraternidade.
 Arthur Virmond de Lacerda Neto.
 arthur...@onda.com.br
 Página pessoal em http://arthurlacerda.wordpress.com/
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ROBERTO HOBOLD

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Nov 22, 2011, 3:09:07 PM11/22/11
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Fico numa dúvida. O sobrenome da minha mãe é "De Pieri", sim, sempre grafado assim, com o D maiúsculo, embora eu nunca entendesse muito bem o motivo. Mas, em sendo originário de outro país, Itália, sempre considerei normal.

Roberto.



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Arthur de Lacerda

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Nov 22, 2011, 3:28:34 PM11/22/11
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  "De Pieri" também está errado; é o mesmo caso de Da Vinci.
 Saúde e fraternidade.
 Arthur Virmond de Lacerda Neto.
 arthur...@onda.com.br

ROBERTO HOBOLD

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Nov 22, 2011, 3:34:04 PM11/22/11
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Mas então houve um erro de grafia por aqui, como era comum acontecer?

Roberto.

Arthur de Lacerda

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Nov 22, 2011, 5:25:32 PM11/22/11
to nosso-...@googlegroups.com
    Sem dúvida, como com Madallozzo, Madalosso, Madallozo  e muitos outros sobrenomes que se deturparam, por erro do escrivão ou de quem o informou.
 Saúde e fraternidade.
 Arthur Virmond de Lacerda Neto.
 arthur...@onda.com.br
 Página pessoal em http://arthurlacerda.wordpress.com/
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Simônides Bacelar

unread,
Nov 23, 2011, 9:02:58 AM11/23/11
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Um fato interessante também se dá com o uso de Von com letra maiúscula  em nomes de origem germânica, como no caso  que se vê na literatura médica: doença de Von Recklinghausen. Mais adequado: doença de Recklinghausen (Fortes & Pacheco, Dic méd.,  1968). Cardenal  (Dic de term. med., 1958) registra enfermedad de Recklinghausen, Stedman (Dic med., 1996), Recklinghausen’s disease, sem a partícula von. De Frederich von Recklinghausen (1833-1910), patologista alemão (Stedman, op. cit.). A partícula von é preposição equivalente a de em português.e escreve-se com inicial minúscula. Dizer doença de von Recklinghausen equivale à repetição de de. Pelo exposto, grafar Von, com inicial maiúscula, é impróprio. Seria o mesmo que escrever João Da Silva ou Pedro De Oliveira, em português, apesar da indicação de nobreza da preposição von em alemão. Reklinghausen ou Rechlinghausen são erros gráficos. Na língua inglesa, a repetição prepositiva (of von) é evitada pela aplicação do genitivo ou pelo uso do nome antes do substantivo como expressão adjetiva: von Willebrand’s disease, von Kossa stain.

 

O próprio Rony Von, o artista e cantor, comentou em uma entrevista que seu nome artístico estava incompleto, como se fosse Rony De.

 

Outro problema é a escrita da marca du Pont que aparece como DuPont, Du pont, Du Pont e Dupont. A logomarca não esclarece completamente: DU PONT 

 

As partículas de, da, do, comuns em língua portuguesa, não costumam ser bem aceitas entre os falantes das línguas de origem germânica, como o inglês. Quando assinei a revista Time, que nos vinha da Holanda, enviavam meu nome de forma diferente: Simonides Dasilva Bacelar. Soube que essas partículas sinalizam nomes da nobreza e evitam escrever na forma original portuguesa.  

 

Simônides Bacelar

 
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