Sobre Guedel e seu tubo endotraqueal

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May 21, 2014, 6:54:16 PM5/21/14
to ENFA SIMONE IGNACIO
 
 
Guedel e seu tubo endotraqueal
 
Arthur Ernest Guedel (1883--1956) nasceu em Cambridge, Indiana (EUA). Aos 13 anos deixou a escola para trabalhar e ajudar a família. Em um acidente, perdeu três dedos da mão direita e era destro. Com o auxílio do médico de sua família conseguiu formar-se pela Escola de Medicina da Universidade de Indiana em 1908 e mudou a história da anestesia.
 
Em 1911, publicou um trabalho sobre a autoadministração de óxido nitroso pela paciente em trabalho de parto.
 
Na I Guerra Mundial, serviu na Força Expedicionária Americana na França e verificou que nenhum dos oficiais médicos era treinado em anestesia. Então, ensinou às enfermeiras e aos atendentes como administrar anestesia com segurança e criou um quadro com os sinais físicos, inclusive os sinais oculares, que permitiam avaliar a profundidade da anestesia com éter e os sinais de alerta. Esse quadro é ainda reproduzido nos livros modernos  de anestesia .
 
Guedel propôs o uso do tubo endotraqueal com balão em 1928 e criou a cânula orofarígea e 1933, atualmente cânula de Guedel,.
 
 Inicialmente as cânulas eram feitas de metal, o que traumatizava os tecidos orais e os dentes. Guedel fez sua cânula de borracha com uma parte interna de metal, cerca de dois centímetros a partir da abertura oral, para evitar o colapso da borracha entre os dentes.
 
No caso dos tubos endotraqueais, como não eliminavam o risco de aspiração, propôs a colocação de um cuff . Nas primeiras versões, com a colaboração de Ralph Waters (1883-1979), foram usados segmentos de dedos de luvas de borracha e, nos primeiros testes, foi usada uma traqueia doada pelo açougueiro local.
 
Diante da incredulidade dos anestesistas, Guedel fez a demonstração do cão submerso. Intubou e anestesiou o próprio cão, chamado Airway, e o mergulhou em um aquário cheio de água por cerca de uma hora. Não houve alterações nos sinais vitais nem saída de bolhas após a remoção do ar das vias respiratórias superiores.
 
O cão acordou após a remoção do cateter e ao ser colocado no chão sacudiu-se para retirar o excesso de água, molhando quem estava mais próximo, e saiu da sala sob os aplausos dos presentes.
 
Guedel foi o primeiro norte-americano a receber a Medalha Henry Hickman, da Royal Society of Medicina (Londres, 1941). Em 1950, recebeu o Distinguished Service Award  da American Society of Anesthesiologists. Faleceu em Los Angeles ao 72 anos de idade.
 
 
Fonte: Paulo Tubino, Elaine Alves e Carla Oda.  Arthur Guedel, seu tubo endotraqueal com cuff e o cão submerso. Boletim do Museu de Embriologia e Anatomia Bernard Duhamel e Centro de Memória e História da Medicina Lycurgo de Castro Santos Filho, ano 2, n.o 4, 2014. 
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